Gita

· Sabedoria

ÍNDICE

INTRODUÇÃO
CAPÍTULO 1 (Observando os exércitos)
SLOKA 1
SLOKA 2
SLOKA 3
SLOKA 4-6
SLOKA 7
SLOKA 8-9
SLOKA 10
SLOKA 11
SLOKA 12
SLOKA 13-14
SLOKA 15
SLOKA 16-17-18-19
SLOKA 20
SLOKA 21-23
SLOKA 24-25
SLOKA 26-27-28-29
SLOKA 30
SLOKA 31-32-33-34-35
SLOKA 36
SLOKA 37-38
SLOKA 39-40-41-42
SLOKA 43-44-45-46
CAPÍTULO 2 (O princípio das análises)
SLOKA 1-2-3-4-5
SLOKA 6-7-8-9-10
SLOKA 11-12-13-14-15
SLOKA 16-17-18-19-20
SLOKA 21-22-23-24-25
SLOKA 26-27-28-29-30
SLOKA 31-32-33-34-35
SLOKA 36-37-38-39-40
SLOKA 41-42-43-44-45
SLOKA 46-47-48-49-50
SLOKA 51-52-53-54-55
SLOKA 56-57-58-59-60
SLOKA 61-62-63-64-65
SLOKA 66-67-68-69-70
CAPÍTULO 3 (KARMA YOGA – O princípio da ação)
SLOKA 01-02-03-04-05
SLOKA 06-07-08-09-10
SLOKA 11-12-13-14-15
SLOKA 16-17-18-19-20
SLOKA 21-22-23-24-25
SLOKA 26-27-28-29-30
SLOKA 31-32-33-34-35
SLOKA 36-37-38-39-40

INTRODUÇÃO

            Antes de mais nada, devemos saber pelo menos um pouco sobre estes devotos Maha Bhagavatas (devotos puros quem são os comentaristas desta edição do Gita) que misericordiosamente nos iluminam com as puras e profundas explicações dos preciosos versos da Gita.

            Sri Srimad Bhaktivedanta Narayana Goswami Maharaja é um devoto Rasika (aquele que está sempre saboreando a doçura do serviço devocional), vem servindo a Gaudiya Sampradaya por mais de sessenta anos ininterruptos, e trabalhou incansavelmente para que leitores sinceros de todo o mundo pudéssem compreender os profundos significados dos versos do Gita. Srila Bhaktivedanta Narayana Maharaja foi o idealizador deste projeto literário que complementa o extraordinário trabalho deixado por Bhaktivedanta Swami Maharaja (Prabhupada). Ele dedica esta edição ao seu amado Mestre Espiritual Nitya Lila Pravista Om Visnupad Sri Srimad Srila Bhakti Prajnana Kesava Goswami Maharaja, (o mais querido diiscípulo de Jagad Guru Bhaktisiddhanta Sarasvati Thakur e sanyassa Guru de sua Divina Graça Bhaktivedanta Swami Maharaja

            Srila Bhaktivinoda Thakura diz que embora Bhagavan Sri Krishna tenha dado instruções á Arjuna, na verdade estas instruções foram dadas para a liberação do mundo inteiro. Todas as conclusões da Gita levam o leitor ao objetivo final que é bhakti.

            A palavra brahma usada na Gita pode significar Bhagavan Sri Krishna, ou o seu aspecto impesssoal (ou seja, o brilho corpóreo que emana do corpo de Sri Krishna), mas Brahma indica o semideus Brahma (o primeiro ser criado).

            Esta tradução tem como objetivo apresentar da maneira mais simples possível, os profundos comentários dos Acaryas dados nesta edição, tornando-os assim mais acessíveis aos leitores brasileiros. Perdoem qualquer erro que eu tenha cometido na tradução e digitação e por favor aceitem sua essência com o objetivo de realização transcendental.

B.V. Narayan Goswami Sevaka

Baladeva Das Brahmacari – Keshavaji Gaudiya Math (B.H) – 2009

            O Bhagavad Gita se compõe de dezoito capítulos cuja conclusão é bhakti. Arjuna atuou no campo de batalha como se estivesse imerso na lamentação e Krsna lhe explicou então que atma-dharma da entidade viva não tem relação alguma com o dharma do corpo, dinastia ou casta. A entidade viva é forçada á sofrer as misériasda lamentação, ilusão e do temor enquanto permanecer cativa de maya e considerar que o corpo é o próprio ser. Por tanto, é indispensável que aceite o refúgio de um guru genuíno(tattva-vit guru).

            No entanto, aqui em nossa pesquisa e publicação não iremos abordar o livro todo, na integra, iremos nos ater apenas as partes, as quais, julgamos serem as principais. Os interessados deverão ir na seção de download para baixar o livro completo.

            A jiva percebe sua ignorância quando aceita o refúgio de um sad-guru e então trata de libertar-se das garras ilusórias de maya, abandonando seus pensamentos independentes e respeitando as instruções de Sri Gurudeva. O sad-guru está livre dos quatro defeitos – ilusão, propenssão á cometer erros, sentidos imperfeitos e a tendência á enganar-se – porque é uma um tattva – darsi ekantika – prema – bhakta. O sadhaka compreende a diferença entre a alma e o corpo material quando escuta as instruções da boca de lótus de seu misericordioso Gurudeva. Também compreende os efeitos degradantes do desfrute sensual e desenvolve apego por escutar acerca dos pensamentos, características e glórias dos sthita – prajna – munis. Logo, pela influência de sadhu-sanga, desperta em seu coração a consciência da necessidade de se obter tattva – jnana.

            A jiva compreende que karma-yoga consiste nos esforços executados sem um desejo egoísta(niskama bhava) para o serviço de Bhagavan quando escuta as instruções dadas por Sri Krsna. Se seu coração está cheio de desejos de desfrute sensual, então a aceitação do hábito de sannyasi não é verdadeira renúnçia, senão que uma hipocrisia que jamais pode atrair auspiciosidade. A jiva deve executar seu karma como um serviço á Sri Bhagavan porque a realização de karma para o desfrute sensual não produz nenhum resultado favorável. A execução de karma, como os yajnas védicos por exemplo, pode outorgar prazer sensual mundano, mas este prazer é temporário e está mesclado com infelicidade. Mesmo assim, karma yoga purifica o coração. Por tanto, é favorável abandonar todo tipo de akarma, vikarma e sakama karma e adotar unicamente o niskama-karma-yoga oferecido á Bhagavan.

            O capítulo quatro começa com instruções sobre jnana-yoga. Primeiro explica que uma pessoa só pode obter tattva-jnana genuíno através da misericórdia de Sri Gurudeva, quem é um tattva-darsi. Esta misericórdia se manifesta através do proçesso de escutar de uma sucessão discipular fidedigna. Não se pode obter bhagavat tattva-jnana mediante o aprendizado mundano, inteligência ou conhecimento. Este capítulo explica também que em cada yuga aparece um avatara de Bhagavan. O nascimento e as atividades de Bhagavan são divinos ; é tolice e ofensivo pensar que são mundanos. Uma pessoa obtem tattva-jnana na associação de um tattva darsi guru, escutando gradualmente dele acerca das características de jnana-yoga e sua superioridade sobre karma-yoga. Ela pode cruzar fácilmente o oceano de nascimentos e mortes ao refugiar-se no tattva-jnana verdadeiro. O sadhaka não pode progredir se tem dúvidas sobre isto ; se carece de tattva-jnana ele se desviará do caminho, cairá e ficará novamente enredado no ciclo de karma.

            O sadhaka obtém a qualificação para o karma sannyasa-yoga quando obtém tattva-jnana. Meste momento compreende que o verdadeiro sannyasa significa abandonar o apego pela ação e seus frutos. Para alguém cujo coração é ainda impuro, é benéfico e apropriado adotar o karma-yoga sem apegar-se ao processo e seus frutos, ao invés de renunciar completamente o karma. O niskama-karma-yoga oferecido á Bhagavan concede a qualificação para se obter a natureza do brahma ou brahmapada. Quem conhece o brahma obtém paz.

            O sadhaka compreende á partir das instruções do tattva-vid guru que só se pode meditar em Bhagavan quando o coração está purificado. Um yogi ou sannyasi está livre de todo tipo de desejos materiais, pois ninguém pode alcançar a perfeição no yoga enquanto possui desejos de desfrute material. Uma pessoa que deseja alcançar a perfeição no yoga deve regular a ingestão de alimentos e atividades reáçionárias. Esta perfeição significa: 1- perceber Sri Bhagavan como Antaryami (superalma) no coração de todas as entidades vivas, e 2- compreender que todas as jivas existem apenas devido ao sustento e refúgio de Bhagavan. Bhakta é superior ao karmi, jnani ou yogi.

            O estudo constante destas instruções conduz á firme compreenssão e percepção de que Bhagavan Sri Krsna é o limite do para-tattva, A Realidade Absoluta Suprema e que além dele, não há outro parama -tattva. Uma pessoa pode liberar-se de maya apenas através da rendição exclusiva á seus pés de lótus. Há quatro tipos de pessoas que carecem de qualificação para dedicar-se ao Bhagavat bhajana porque executam atividades impiedosas. Estes são: os tolos, os deploráveis, os que possuem natureza demoníaca e os que possuem um conhecimento coberto por maya. Ao contrário, há quatro classes de pessoas dotadas de créditos piedosos (sukrti) que podem se dedicar á bhagavat-bhajana: os aflitos, os que buscam por fortuna, os questionadores e os jnanis. Os bhaktas de Bhagavan são difíçeis de ser encontrados neste mundo. Não se pode obter o benefício eterno através da adoração dos diversos semi-deuses(deva e devis).

            Apenas os ekantikas bhaktas de Sri Krsna podem conhecer tattvas tais como o brahma-tattva, karma-tattva e adhibhutatattva, entre outros. Estes ekantika bhaktas podem alcançar Krsna muito facilmente. Os bhaktas de Bhagavan jamais nasce de novo. Bhagavan pode ser alcançado apenas mediante ananya bhakti

            O raja-vidya ou raja-guhya se refere unicamente – a suddhabhakti-yoga. A prakrti, a natureza material, não é a causa original da criação cósmica, pois só obtém a potência para criar pela inspiração de Bhagavan. È tolo e ofensivo pensar que Bhagavan Sri Krsna é um ser humano ou que seu corpo sac-cit-ananda está composto pelos cinco elementos materiais igual aos corpos das almas condicionadas ordinárias ou baddha-jivas. Os mahatmas genuínos se dedicam ao bhajana de Sri Krsna com sentimentos devocionais exclusivos ou ananya bhava e Sri Krsna atende pessoalmente suas necessidades. A dedicaçãoi ao bhajana aos diversos devatas é contrária ás regras prescritas, pois Krsna é o único desfrutador e amo de todos os sacrifícios. Sri Bhagavan aceita tudo que seus suddha bhaktas lhe oferecemcom amor. O último verso deste capítulo, “man mana bhava madbhakto”, se concluique bhakti é o único meio para alcançar o Senhor Supremo.

            Uma pessoa pode entender que Krsna é o fundamento de todas as vibhutis e saktis (energias), através do estudo sincero e constante. Também entende que todo universo material, junto com suas opulências, constituem apenas um quarto de sua grandeza. Ela pode compreender facilmente que tudo está direta ou inderatamente conectado á Bhagavan Sri Krsna quando obtém este conhecimento sobre os vibhutis. Bhagavan outorga buddhi-yoga á seus bhaktas para que possam entender o tattva-jnana. Assim, sua ignorância é destruída e eles se dedicam á bhagavat bhajan com amor.

            Este capítulo revela que a visvarupa de Bhagavan é ilusória enquanto que a svarupa é transcendentale similar á humana. Apenas os bhaktas cujos olhos estão untados com prema podem obter o darsana(visão) da sua forma rasika sekhara. Bhagavan é alcançado apenas mediante ananya bhakti yoga.

            Svayam Bhagavan Sri Krsna é a Realidad e Suprema e o objeto supremo de adoração exclusiva da jiva. Os bhaktas dotados com ekantika bhakti são muito queridos por Ele. Pode-se alcançar Bhagavan facilmente aquele que pratica suddha bhakti, mas os nirvisesa brahmavadis só enfrentam misérias.

            O estudo oferece uma profunda compreensão da natureza material e da entidade viva. Através desta discussão, Bhagavan outorga tattva-jnana á seus bhaktas rendidos e os libera do oceano do mundo material. conduz á compreensaõ de que este mundo material desenvolve-se simplesmente pela ação e interação dos três gunas materiais: sattva, rajas e tamas. Os sadhakas que executam bhakti-yoga podem transcender estes três gunas com facilidade e finalmente obtém a qualificação para alcançar Bhagavan. Este mundo material se extende desde os sistemas planetários inferiores até os superiores e as jivas são partes separadas ou amsas de Bhagavan. Aquieles que se opõem á Bhagavan são atados por seu karma e perambulam por diversas espécies de vida, inferiores e superiores. Uma pessoa pode receber a misericórdia de um Guru genuíno como resultado da sua boa fortuna e dedicar-se por completo ao bhajana de Sri Krsna.

            Existem também as naturezas divina e demoníaca. A jiva confundida por maya é controlada pela natureza divina ou demoniaca. Ela inclina-se á bhagavat-bhajana quando se refugia na natureza divina, mas quando adota a natureza demoníaca ela se opõe á Bhagavan e assim vai ao inferno. Aqueles que possuem esta natureza pregam a filosofia mayavada. Portanto é necessário liberar-se desta tendência mediante á execução de bhagavat-bhajana na associação dos suddha bhaktas. Há os três tipos de fé. Uma pessoa desenvolve fé em sattva, rajo ou tamo de acordo com sua ssociação e natureza que adquiriu de seus samskaras prévios. A nirguna sraddha aparece no coração da jiva quando se associa com suddha bhaktas de Hari; assim ela dedica-se ao bhajana de Bhagavan, quem é nirguna. Estes bhaktas são verdadeiros sadhus.

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CAPÍTULO 1 (Observando os exércitos)

SLOKA 1

            Dhrtarastra disse: Oh! Sanjaya, depois de se reunirem em Kuruksetra, a terra da religião, com o desejo de lutar, o que fizeram meus filhos e os filhos de Pandu?

            Comentário Bhavanuvada de Srila Visvanatha Cakravarti Thakura

            A Suprema Verdade Absoluta, parabrahma Sri Krisna, cujos pés de lótus são o objetivo de toda adoração e de todos os sastras, apareceu em sua forma original, similar á humana, como Sri Vasudeva nandana, o filho de Sri Vasudeva em Sri Gopala Puri, mesmo sendo Adhoksaja, supremamente inconcebível , se fez visível aos olhos dos homens ordinários por meio de sua potencia chamada Yoga Maya. Ele ensinou á partir das instruções do Bhagavad Gita visando liberar as entidades vivas deste mundo que estavam se afogando no oceano de nascimentos e mortes. Ele as submergiu no grande oceano de prema (amor puro) ao dár-lhes saundaryamadhurya, um gosto pela doçura de sua beleza e outras qualidades. Apareceu neste mundo ao sentir-se obrigado por sua promessa de proteger as pessoas santas e aniquilar as demoniacas. Sem hesitar com o pretexto de eliminar a carga da terra, concedeu a proteção suprema na forma da liberação aos infiéis e á todos que eram antagonicos e que se afogavam no vasto oceano da existencia material, a qual é comparada com o planeta infernal onde as pessoas pecaminosas são queimadas em azeite fervente.

            Bhagavan Sri Krsna instruiu o Bhagavad Gita para que mesmo depois de seu desaparecimento, pudesse liberar as almas condicionadas que desde tempos imemoriais se encontram sob a influençia da ignorancia e estão completamente sujeitas á lamentação, ilusão e outros sofrimentos. Outro propósito foi ressaltar suas glórias mencionadas nos sastras e cantadas pelos sábios. Ele ensinou o Bhagavad Gita á seu muito querido associado Arjuna, quem voluntariamente havia aceitado o sentimento de lamentação e ilusão.

            O Gita se compõe de três divisões: Karma yoga, Jnana yoga e Bhakti Yoga. Os dezoito capítulos do Bhagavad Gita estão infundidos com o significado dos vedas manifestos em dezoito tipos de conhecimento. Desta maneira, Sri Krsna revelou o objetivo supremo. Nos primeiros seis capítulos descreve-se o niskama karma yoga, a execução dos deveres prescritos sem apego por seus frutos. O jnana yoga ou yoga através do conhecimento, é descrito nos últimos seis capítulos. Os seis capítulos sobre Bhakti yoga que é mais confidencial e mais difícil de alcançar foram guardados no meio dos outros capítulos. Bhakti yoga é a vida de karma e jnana yoga pois sem bhakti estas são infrutíferas. Assim elas só são aceitáveis quando se mesclam com Bhakti.

            Bhakti é de dois tipos: Kevala ou exclusivo, e Pradhani bhuta, que é a mescla com predomínio de bhakti. Kevala bhakti, é a melhor por ser indepedente e supremamente poderosa e não necessitar de nenhum vestígio de karma ou jnana yoga. Por outro lado, Pradhana bhuta bhakti está mesclado com karma e jnana, e será tratada com maior profundidade mais adiante. Para explicar a natureza da lamentação e ilusão de Arjuna o narrador do Mahabharata, Sri Vaisampayana, um discípulo de Vyasadeva, relatou a seção do Bhisma parva á seu ouvinte Janamejaya, começando com o verso Dhrtarastra uvaca. Dhrtarastra perguntou á Sanjaya. Ó Sanjaya, sentindo desejo de lutar, o que fizeram meus filhos e os filhos de Pandu, reunidos em Kuruksetra?

            Aqui poderia surgir uma pergunta: Dhrtarastra já havia mencionado que seus filhos e os filhos de Pandu haviam se reunidos com o único propósito de lutar, logo sem dúvida iam lutar. Por que então a intenção de perguntar: Que fizeram eles?. Em resposta Dhrtarastra usou a palavra dharma ksetre, terra da religião. No sruti está dito: Kuruksetram deva yajanam: Kuruksetra é a arena de sacrifício dos semideuses: Então esta terra é famosa como aquela que nutre o Dharma. Por influencia da associação com esta terra a ira das pessoas irreligiosas como Duryodhana pode ser apaziguada e deste modo, poderiam inclinar-se ao Dharma. Os pandavas são religiosos por natureza, então a influencia de Kuruksetra poderia despertar neles o discernimento de compreender a impropriedade de aniquilar seus próprios parentes e deste modo ambos poderiam buscar um acordo pacífico. Externamente Dhrtarastra finge que seria feliz com um acordo pacífico , mas internamente sentia uma grande insatisfação. Ele pensava que se houvesse um acordo , os Pandavas ainda seriam um impedimento para seus filhos. Dhrtarastra pensava: Os guerreiros de meu grupo, tais como Bhisma e Drona , não podem ser vencidos nem sequer por Arjuna, então como nossa vitória é certa, será proveitoso lutar.

            Aquí, graças ao componete Ksetra na palavra Dharma ksetre, Sarasvati-Devi faz a seguinte menção á palavra Dharma. Yudhistira, a encarnação do Dharma, junto com seus associados são como plantas de arroz, e seu sustentador Bhagavan é como o agricultor. Os diversos tipos de assistencia prestados por Krsna aos Pandavas podem ser comparados a regar o cultivo e arar o campo. Os Kauravas encabeçados por Duryodhana são como os vermes que crescem no campo de arroz. Isto indica que assim como um mal é arrancado pela raíz nos campos de arroz, Duryodhana e os outros Kauravas seriam aniquililados e arrancados de dharma ksetra, a terra da religião.

            Prakasika Vrtti

            O comentário que ilumina o dilúvio de significados essenciais

            Por Sri Srimad Srila Bhaktivedanta Narayana Maharaja

            Ofereço minhas reverencias aos pés de lótus de Om Visnupada Astottarasata Sri Srimad Bhakti-Prajnana Kesava Goswami Maharaja, que é muito querido por Krsna. Ele é uma personalidade completamente divina que sustenta com grande afeto quem se refugia nele. Aflito ao ver o sofrimento das pessoas que são aversas á Krsna, ele lhes outorga o Sri nama saturado de prema.

            O Srimad Bhagavad Gita é a essencia de todos os Upanisads, Srutis e Puranas. Baseado na firme evidençia da literatura védica, recebido através da suçessão discipular, conclui-se que Vrajendra nandana Sri Krsna, o filho do rei de Vraja é Svayam Bhagavan, a original Personalidade de Deus. Ele é a personificação de todas as doçuras néctareas , o onipotente e a realidade absoluta onipotente não dual. Entre suas ilimitadas potências, três delas são proeminentes: a potência interna (svarupa sakti), a potência marginal (tatastha sakti) e a potência material externa(maya sakti). Pela vontade de Bhagavan Sri Krsna, Vaikunta, Goloka e Vrndavana são as transformações da potência interna. Todas as jivas são uma transformação da sua potência marginal, e a criação material é uma transformação da sua potência externa. As entidades vivas (jivas) são de dois tipos: liberadas (mukta) e condicionadas (baddha). As liberadas estão eternamente ocupadas em saborear a doçura do serviço á Bhagavan em Vaikuntha, Goloka e outras moradas transcendentais. Elas são chamadas nitya mukta , eternamente liberadas, pois nunca estão atadas á este mundo material, a prisão de maya. As vezes pela vontade de Bhagavan , elas aparecem neste mundo ilusório como seus associados com o único propósito de beneficiar a humanidade. As entidades vivas do outro tipo são chamadas de anadi baddha , ou condicionadas por maya desde tempos imemoriais. Como resultado deste condicionamento , a jiva sofre de três tipos de misérias enquanto perambula no ciclo de nascimentos e mortes.

            Bhagavan Sri Krsna, o oceano de compaixão , criou uma aparente ilusão no coração de Arjuna , por meio de sua potencia inconcebível(acintya sakti). Assim com o pretexto de dissipar esta ilusão, ele falou este Bhagavad Gita com o propósito de liberar as jivas das garras de maya. A conclusão final do Bhagavad Gita é o serviço devocional supremamente puro á Bhagavan. Somente por se refugiar neste serviço , tal como se descreve no Gita , as jivas que estão sob a influência de maya , conseguem se situar na sua posição constitucional pura e assim oferecem serviço á Sri Krsna. Não há outra alternativa para as jivas condicionadas. Baseando em evidências concretas das escrituras, Srila Visvanatha Cakravarti Thakura e outros proeminentes acaryas vaishnavas, estabeleceram claramente que o orador do Bhagavad Gita não carece de potências,não está desprovido de variedade, não é sem forma , e não está desprovido de qualidades transcendentais tais como misericórdia transcendental. A jiva jamais é parambrahma, nem sequer no estado liberado.

            Esta percepção da diferença se denomina vaisistya, significa especialidade ou característica distintiva única. Tal como o sol e seus raios são simultaneamente iguais e diferentes por ser possuídor dos atributos e atributos respectivamente, de forma similar a relação entre paramesvara e a jiva sendo uma e ao mesmo tempo diferente está claramente demonstrada nos Vedas. Esta relação de igualdade e diferença simultãnea está Vedas, por isso é chamada de acintya, ou inconcebível. Assim o Bhagavad Gita trata da suprema realidade eterna que é inconcebivelmente igual e diferente de suas potências. Mesmo que karma yoga, jnana yoga e Bhakti yoga sejam definidos como os três meios para alcançar a plataforma espiritual, Bhakti Yoga é o único método para se alcançar Bhagavan. A etapa preliminar de Bhakti yoga se denomina karma yoga, a intermediária jnana yoga e no estágio maduro se denomina Bhakti yoga. O conhecimento real do espírito aparece quando o coração se purifica através de karma yoga mesclado com bhakti, no qual se oferece o resultado das atividades á Bhagavan, tal como se descreve nos Vedas. Tanto jnana quanto karma são inúteis se carecem de Bhakti. Com a aparição do conhecimento verdadeiro a devoção exclusiva se manifesta no coração, e quando chega no estado maduro, o amor puro aparece no coração da entidade viva. Este tipo de amor é o único meio para alcançar e Ter uma compreensão direta de Bhagavan. Este é o mistério oculto do Bhagavad Gita. Ninguém pode obter a liberação através do conhecimento do aspecto impessoal(brahman). Somente quando o conhecimento está mesclado com devoção, pode-se Ter mukti (liberação) na forma de salokya, sarupya, samipya e sarsti, como um resultado intrísico. Mediante a execução de devoção pura descrito no Bhagavad Gita, pode-se conseguir o auspicioso serviço devocional saturado de amor divino para com Bhagavan em sua morada suprema chamada Gokoka Vrndavana. Quando se alcança esta morada não há a possibilidade de voltar á este mundo material. Obter este serviço é a meta última de toda entidade viva. A devoção é de dois tipos: exclusiva e mesclada. A mesclada também é de dois tipos:uma quando bhakti predomina sobre karma e jnana e a outra quando bhakti predomina sobre jnana. Mediante a execução de karma bhakti se purifica gradualmente o coração e se desenvolve tattva jnana, enquanto que pela prática de jnana bhakti se obtem mukti(liberação). Estes doi tipos visam á obtenção final de Bhakti, porém sem Bhakti elas são inúteis. Este Bhagavad Gita é comparado a uma pedra filosofal, que é similar á um cofre, onde a tampa do cofre é niskama karma yoga, a base é jnana yoga e o tesouro é Bhakti. Religiosos e pessoas que possuem bom caráter são qualificadas para estudar o Bhagavad Gita.

            Dados sobre Arjuna: É um associado eterno de Bhagavan Sri Krsna. É completamente impossível que ele caia em estados como a lamentação e ilusão. Um associado eterno do senhor não possui tais ilusões. Bhagavan Sri Krsna armou tudo isso para o benefício das entidades vivas que estão atadas pela dor e ilusão. Ele disse: “Eu os liberarei do oceano da existência material.”

            Por sua própria vontade, Sri Krsna faz com que Arjuna se iluda simplesmente para liberar as jivas que realmente se encontram em lamentação e ilusão. Por meio de perguntas e respostas ,ele define a sua natureza real,assim como da jiva, a sua morada transcendental ,maya,bhakti e seus demais aspectos.

            Em seu comentário do verso “sarva dharman parityajya” Srila Visvanatha Cakravarti Thakura explica que Krsna disse: “Depois de converete-te em um instrumento, estou difundindo esta mensagem para o benefício das jivas.” Arjuna é um associado eterno do Senhor, portanto não há sequer um vestígio de ilusão nele. Esta posição de Arjuna pode ser comprovada em todos os Sastras.

            Kuruksetra: Srila Vyasadeva se refere ao campo de batalha de Kuruksetra como dharna ksetre; isto tem um significado confidencial. De acordo com o Srimad Bhagavatam ,esta terra se chama Kuruksetra em homenagem ao rei Kuru. No Mahabharata encontramos a seguinte história: Uma vez quando Kuru Maharaja estava arando esta terra, Indra apreciou e lhe perguntou: Por que está fazendo isto? Kuru Maharaja respondeu: Estou arando esta terra para que as pessoas que morram aqui possam alcançar os planetas celestiais. Ao escutar isto o senhor Indra retornou á seu planeta. Então o rei voltou a arar a terra de novo com grande entusiasmo. O senhor Indra vinha uma e outra vez para ridicularizar o rei. Ainda que Indra sempre vinha repetidamente agitar o Rei Kuru, este permanecia impertubável e continuava seu trabalho. Finalmente pela insistencia de outros semi deuses ,Indra lhe concedeu a benção de que qualquer um que abandonasse o corpo ou morresse em uma batalha nesta terra, alcançaria os planetas celestiais. Por tal razão a terra conhecida como Kuruksetra foi escolhida para a batalha.

            A terra que se encontra entre os rios Sarasvati e Drsadvati é conhecida como Kuruksetra. Neste lugar tambem realizaram austeridades os grandes sábios Mudgala e Prthu Maharaja. Sri Parasurama fez sacrifícios nesta terra em cinco diferentes lugares depois de exterminar os Ksatriyas, por tanto era conhecida préviamente como Samanta Pancaka. Depois devido as atividades do rei Kuru se tornou famosa como Kuruksetra.

            Sanjaya: Sanjaya era o filho do condutor de quadrigas chamado Gavalgama. Esperto nos sastras, generoso e religioso. Devido á estas virtudes o grande avó Bhisma lhe nomeou junto com Vidura, ministro real de Dhrtarastra. Sanjaya que era considerado como um segundo Vidura, era tambem um íntimo amigo de Arjuna. Pela misericórdia de Srila Vyasadeva recebeu a visão divina pela qual podia ver a batalha de Kuruksetra, ainda estando sentado longe, no palácio de Hastinapura,e narrou todos os eventos da guerra á Dhrtarastra. Maharaja Yudhisthira tambem descreve Sanjaya como bem querente de todos, de doce oratória, de temperamento pacífico, sempre satisfeito e imparcial. Se encontrava estabelecido dentra dos limites da moralidade e nunca se agitava pelo mau comportamento dos demais. Neutro e livre de todo o temor ele só falava palavras que estavam em harmonia com os princípios morais.

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SLOKA 2

            Sanjaya disse: Ó rei! Imediatamente depois de examinar o exército dos Pandavas alinhado em formação militar, Duryodhana chegou perto de Dronacarya e falou-lhe as seguintes palavras: Bhavanuvada

            Depois de compreender a intenção interna de Dhrtarastra, Sanjaya confirmou que definitivamente haveria uma guerra. Mas sabendo que o resultado seria contrário á perspectiva de Dhrtarastra, Sanjaya falou palavras como drstva que significa”depois de ver”. Aqui a palavra vyudham se refere á formação estratégica do exército dos Pandavas.

            Assim o rei Duryodhana que sentia medo em seu interior, recitou nove versos, começando com a palavra pasyaitam no verso 1.3.

                 Prakasika vrtti

            No momento da guerra do Mahabharata, além de ser cego de nascimento, Dhrtarastra carecia também de visão, tanto moral quanto espiritual. Por este motivo estava coberto de lamentação e ilusão. Devido à influência de Kuruksetra, seu filho Duryodhana podia Ter devolvido a metade do reino aos Pandavas. Temendo isto ele se sentiu desconsolado. Sanjaya, sendo muito religioso e também vidente, podia perceber os sentimentos internos de Dhrtarastra. Ele sabia que o resultado da batalha não seria á favor de Dhrtarastra, mas ainda sim ele ocultou esta informação de maneira muito inteligente, e enquanto tranquilizava Dhrtarastra, Sanjaya disse:

            “Duryodhana não está chegando á nenhum acordo com os Pandavas, mas depois de ver a extrema força e disposição do exército dos Pandavas, está aproximando-se de Dronacarya, seu guru na ciência militar, para informa-lhe sobre a situação real.”

            Duryodhana tinha dois motivos para se aproximar de Dronacarya: Por um lado ele se sentiu atemorizado ao ver a poderosa formação do exército dos Pandavas; mas por outro, com o pretexto de oferecer respeito á seu guru, queria exibir sua habilidade política. Devido á sua experiência na política, estava sem dúvida qualificado em todos os aspectos para a posição de rei. Este é o significado completo da declaração “Sanjaya uvaca” Sanjaya disse.

            Duryodhana: Duryodhana era o mais velho dos cem filhos de Dhrtarastra e Gandhari. No momento do seu nascimento houve vários fatores negativos que fizeram com que Vidura temesse que ele seria a razão da destruição da dinastia Kuru.De acordo com o Mahabharata, Duryodhana nasceu de uma expansão de Kali. Ele era pecaminoso, cruel e uma desgraça para a dinastia Kuru. Precisamente, em sua cerimônia de batismo, os sacerdotes e astrólogos eruditos, vendo as indicações de seu futuro, lhe chamaram Duryodhana. No final, com instruções de Krsna, Bhima o matou. O sabda ratnavali diz:

            “Um vyuha é a formação de um esquadrão militar composta por um bom rei, de tal maneira que se torna impossível à penetração do exército inimigo em qualquer direção. Desta forma o esquadrão se torna vitorioso na batalha.”

            Dronacarya: Dronacarya ensinou a ciência das armas tanto aos filhos de Pandu quanto aos de Dhrtarastra. Ele era filho do sábio Bharadvaja. Devido á que nasceu de um drona (recipiente de madeira para água) se tornou famoso com o nome de Drona. Além de ser um mestre na ciência de armas, também era conhecedor de todos os vedas. Depois de satisfazer o grande sábio Parasurama, aprendeu com ele os segredos da ciência da guerra e outras mais. Ninguém podia matá-lo, pois recebeu a bendição de morrer no momento que escolhesse. Logo depois de Ter sido insultado pelo rei Drupada de Pancala, quem havia sido seu amigo de infância,

            Dronacarya foi a Hastinapura ganhar seu sustento. Impressionado com as qualificações de Drona,o avô Bhisma lhe designou como o acarya para instruir e treinar Duryodhana, Yudhisthira e os demais príncipes. Arjuna era seu discípulo mais querido. Na batalha de Kuruksetra, Duryodhana lhe nomeou como o comandante chefe do seu exército.

NOTA: Somos totalmente avessos a adivinhações e previsões astrológicas. Acreditamos que nosso futuro e as coisas que virão, cabem somente ao Pai Eterno. Pois qualquer tipo de adivinhação, foge ao caráter do livre arbítrio. Transcrevemos estas partes dos texto, para sermos fieis ao original, e também em respeito à fé alheia. Ainda iremos comentar vários pontos de Gita, mais adiantamos que os semi-deuses referidos aqui neste texto, podem ser o Nefilins citados na Bíblia ou mesmo os semi-deuses descritos nas culturas greco-romanas. Pedimos desculpas pelos erros de português na primeira postagem, pois realmente não foi feita nenhuma checagem ortográfica e o post foi transcrito na integra, conforme original do livro.

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SLOKA 3

            Oh! Acarya! Contempla este grande exército dos Pandavas, disposto em falanges por teu inteligente discípulo Drstadyumna, o filho de Drupada.

            Bhavanuvada

       Com estas palavras, Duryodhana insinua: “Drstadyumna, o filho de Drupada,é realmante seu discípulo. Ele nasceu somente para matar-te, e mesmo que tu soubesse, continuou a dar-lhe treinamento militar, o que indica que sua inteligência é escassa.”

            Aqui, Duryodhana usou a palavra dhimata, que significa inteligente, para referir-se á Drstadyumna . Isto tem um significado profundo. Duryodhana queria que Dronacarya compreendesse que ainda que Drstadyumna era seu próprio inimigo, havia aprendido pessoalmente dele a arte de matarlo. Por tanto disse: “Agora observa sua grande inteligencia no momento de obter os frutos de seu treinamento.” Duryodhana fez estes comentários diplomáticos só para provocar a ira de seu mestre, Dronacarya.

            Prakasika –vrtti

          Drstadyumna: O rei de Pancala, Drupada, realizou um sacrifício com o desejo de Ter um filho que pudesse matar Dronacarya. Do fogo do sacrifício apareceu um menino que vestia uma armadura e portava diversas armas. Neste momento se escutou uma voz celestial que predisse que o filho de Drupada mataria Drona. Os brahmanas chamaram o menino heróico de Drstadyumna. Ele aprendeu o dhanur veda de Drona, que era extremamente benevolente ,mesmo que soubesse que um dia Drstadyumna o mataria. Assim, Drona foi morto por seu próprio discípulo na guerra do Mahabharata.

SLOKA 4-6

            Neste exército há poderosos arqueiros iguais a Arjuna e Bhima em combate, tais como Satyaki, o rei Virata, os maharathi, Drupada e outros. Reunidos nesta batalha, estão todos os maharathis como Dhrstaketu, Cekitana, o heroico Kasiraja, Purujit, Kuntibhoja, os nara srestras como Saibya, o melhor dos valentes, o vitorioso Yudhamanyu, o poderoso Uttamauja, Abhimanyu e os filhos de Draupadi, encabeçados por Pratibindhya.

            Bhavanuvada

            Aqui a palavra mahesvasah significa que todos estes grandes guerreiros portavam arcos indestrutiveis pelo inimigo. A palavra yuyudhana significa Satyaki. Saubhadrah é Abhimanyu, e Draupadeyah indica os filhos dos cinco Pandavas, encabeçados por Pratibindhya, quem nasceu de Draupadi. As características de um maharati são descritas aqui: em um grupo de grandes guerreiros expertos na astra sastra , o que pode lutar com uma quantidade ilimitada de guerreiros é conhecido como atirathi, aquele que pode lutar contra dez mil guerreiros é chamado de maharathi, o que yoddha, e o que necessita assistencia para vencer um único inimigo se chama arddharathi.

            Prakasika – vrtti

            Yuyudhana : É outro nome do heróico Satyaki. Ele era um servo muito querido de Sri Krsna, ele era extremamente valente e um atirathi entre os comandantes em chefe do exército Yadava. Ele aprendeu de Arjuna os segredos da astra sastra. Na batalha do Mahabharata lutou ao lado dos Pandavas.

            Virata:Virata era um rei piedoso da terra de Matsya. Os pandavas passaram um ano incógnitos sob sua proteção. Sua filha Uttara se casou com Abhimanyu, o famoso filho de Arjuna. Virata morreu na batalha do Mahabharata junto com seus filhos Uttara, Sveta e Sankha.

            Drupada: Drupada era filho do rei Prsata , o rei de Pancala.Devido a que Maharaja Prsata e Maharsi Bharadvaja, o pai de Drona, eram amigos, Drupada e Drona foram tambem amigos desde sua infancia. Mais tarde quando Drupada se tornou rei, Drona foi até ele para pedir ajuda financeira, mas Drupada lhe insultou. Dronacarya não perdoou esta ofensa. Quando Arjuna completou sua educação na astra sastra, Drona o pediu que atacasse Drupada e oferecesse á seus pés como doação á gurudev. Arjuna cumpriu sua ordem. Dronacarya tomou a metade do reino de Drupada, e logo o liberou. Para vingar este insulto, Drupada realizou um sacrifício de cujo fogo apareceram Draupadi e Drstadyumna.

         Cekitana: Cekitana era um Yadava da dinastia Vrsni. Era muito cortes, um Maharathi e um dos comandantes do mãos de Duryodhana.

            Kasiraja: Kasiraja era o rei de Kasi. Ele nasceu de uma parte do asura Dirghajihva. Era um valente e intrépido herói que lutou ao lado dos Pandavas.

            Purujit e Kuntibhoja: Eram irmãos de Kunti, a mãe dos Pandavas.Dronacarya os matou na batalha de Kuruksetra.

            Saibya: Saibya era o sogro de Maharaja Yudhisthira, já que sua filha Devika se casou com este. Ele era um poderoso e héróico guerreiro.

            Yudhamanyu e Uttamauja: Eram irmáos de sangue e príncipes do reino Pancala. Eram valentes e heróicos. Asvatthama os matou no final da guerra do Mahabharata.

            Subhadra: A irmã de Bhagavan Sri Krsna, Subhadra, estava casada com Arjuna. O heróico Abhimanyu nasceu do ventre de Subhadra, por isto ele é conhecido também como Subhadra. Recebeu treinamento de astra sastrade seu pai, Arjuna, e tambem de Sri Balarama. Foi um herói de excepcional generosidade e um maharati. No momento da guerra do Mahabharata tinha dezesseis anos. Durante a ausencia de Arjuna, Abhimanyu era o único combatente capaz de penetrar o cakra vyuha, uma formação militar especial que havia sido ordenada por Dronacarya. Infiltrado nesta formação, foi injustamente assasinado pelos esforços combinados de sete maharatis, dentre quais estavam Drona, Krpa e Karna.

            Draupadeya: Draupadi deu a luz a um filho de cada um dos cinco Pandavas. Seus nomes eram: Pratibindhya, Sutasoma, Srutakarma, Satanika e Srutasena. De forma coletiva eram conhecidos como Draupadeya. Foram assasinados no final da guerra de Kuruksetra por Asvattama, enquanto dormian no meio da noite.

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SLOKA 7

            Oh! Dvija srestha, o melhor dos duas vezes nascidos (brahmanas)! Para tua informação tambem enumero os comandantes do meu exército, quem estão especialmente qualificados para liderar.

            Bhavanuvada

            Aqui a palavra nibodha significa “por favor entende” e a palavra samjnartham significa “para teu conhecimento preciso”.

SLOKA 8-9

            Em meu exército há heróis como tu,como o avô Bhisma,como Karna, Krpacarya, Asvatthama, Vikarna, Bhurisrava o filho de Somadatta e Jayadratha, o rei de Sindhu, quem são sempre vitoriosos em batalhas. Há muitos outros grandes heróis que estão dispostos a sacrificar suas vidas por minha causa. Todos estão equipados com diversas armas e são expertos em guerras.

            Bhavanuvada

            Aqui a palavra Somadattih se refere a Bhurisrava. Tyaktajivitah denota a uma pessoa determinada que faz aquilo que é requerido,ao compreender apropriadamente que será grandemente beneficiada, sobreviva ou não. No verso (1-33), Bhagavan disse: “Oh Arjuna! Já dei cabo na vida de todas estas pessoas, tu simplesmente tem que se converter-te em um instrumento”. De acordo com esta declaração, Sarasvati Devi fez com que a palavra Tyakta-jivitah, saísse da boca de Duryodhana, indicando que seu exército já havia sido destruído.

            Prakasika – Vrtti

            Krpacarya: Na dinastia Gautama ,havia um sábio chamado Saradvan. Uma vez, depois de ver a apsara Janapadi, derramou semem espontaneamente, o qual caiu em um montão de palha no bosque. Este semem se dividiu em duas partes dos quais nasceram um menino e uma jovem. A jovem foi chamada Krpi, e o jovem, Krpa. Krpa foi logo reconhecido como um grande guerreiro. O sábio Saradvan pessoalmente fez de Krpa um experto em dhanurveda e outras artes. Krpa era extraordinariamente valente e piedoso.Na batalha do Mahabharata, lutou ao lado dos Kauravas, mas depois da batalha , Maharaja Yudhisthira lhe enviou para o adestramento do príncipe Pariksit.

            Asvatthama: A irmã de Krpacarya , Krpi, foi casada com Dronacarya. De seu ventre nasceu Asvatthama, quem se formou de uma combinação das porções do Senhor Siva, de Yama, de Kama e de Krodha. Aprendeu os sastras e astra sastra de seu pai. Tambem aceitou a responsabilidade de ser o último comandante em chefe dos Kauravas na batalha do Mahabharata. Ele matou os cinco filhos de Draupadi enquanto estes dormiam profundamente,ao confundi-los com os cinco Pandavas. Em vingança, os Pandavas lhe insultaram severamente e lhe arrancaram uma jóia de sua testa. Então, Asvatthama cheio de ira,tentou matar o ainda não nascido Pariksit Maharaj, o único herdeiro da dinastia Pandava,lançando sua Brahmastra ao menino que se encontrava no ventre de sua mãe Uttara, a esposa de Abhimanyu. Sem vacilar, Bhagavan Sri Krsna, quem é muito afetuoso com seus Bhaktas, usou sua arma disco para proteger Maharaj Pariksit.

            Vikarna: Vikarna era um dos cem filhos de Dhrtarastra, Bhimasena o matou na batalha do Mahabharata.

            Somadatta: Era o filho de Bahlika e o neto do rei Pratika da dinastia Kuru. Satyaki o matou na batalha de Kuruksetra.

            Bhurisrava: Bhurisrava era o filho do rei Somadatta na dinastia da lua. Ele foi um rei muito valente e famoso. Satyaki o matou na batalha.

            Sastra: Uma arma que se usa para usar em combate corpo a corpo, tal como a espada, é chamada sastra.

            Astra: Uma arma que se lança ao inimigo, yal como uma flecha, é chamada astra.

SLOKA 10

            Nosso exército , ainda que protegido por Bhisma é insuficiente, e por outro lado, o exército dos Pandavas, sobre a cuidadosa proteção de Bhima, é competente.

            Bhavanuvada

          Aqui a palavra aparyaptam significa insuficiente. Os Kauravas não são competentes e não tem forças suficiente para lutar contra os Pandavas. Bhisma abhirakstam. Ainda que nosso exército esteja bem protegido pelo avõ Bhisma, mesmo assim isto é insuficiente para conter a força dos Pandavas. Paryaptam bhimabhirakstam. Mas o exército dos Pandavas, ainda que protegido por Bhima que é menos experto na arte da arma e conhecimento, é competente para lutar contra nós. Desta declaração se entende que Duryodhana está completamente atemorizado.

            Prakasika – Vrtti

            O avó Bhisma é um herói sem igual que recebeu de seu pai a bendição de morrer no momento que escolhesse. Mesmo que lutava contra os Pandavas, ele era muito afetuoso com eles e não queria que eles saíssem derrotados.

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SLOKA 11

            Por tanto, todos vocês devem permanecer em suas posições estrategicamente, alinhadas em cada ponto da entrada, para proteger o avô Bhisma por todos os lados.

            Bhavanuvada

     Duryodhana disse: “Por tanto, todos vocês (Drona e os demais) tem que ser cuidadosos” .Só com este propósito lhes disse: Dividam-se entre os acessos às falanges e não abandonem as áreas que lhes foram designados na batalha. Desta maneira, Bhisma não poderá ser morto pela retaguarda enquanto lutamos com o inimigo. O poder de Bhisma é agora a nossa própria vida.

SLOKA 12

       O avô Bhisma , o valente ancião da dinastia Kuru, soprou seu búzio estrondosamente e produziu um som similar à um rugido de um leão, que causou prazer á Duryodhana.

            Bhavanuvada

            Para erradicar o temor de Duryodhana, e alegra-lo, o maior dos Kurus, Bhisma, fez soar seu búzio e produziu um som como o rugido de um leão.

SLOKA 13

      Depois soaram repetidamente todos os búzios, tímbalos, tambores, mrdangas, trombetas, e outros instrumentos, fazendo um tumultuoso e temível som.

            Bhavanuvada

         O propósito deste verso é expressar que ambos exércitos mostraram seu entusiasmo pela guerra. Aqui, panavah, Anakah e gomukhah fazem referência à tambores, mrdangas e diversas trombetas.

SLOKA 14

            Logo, Sri krsna e Dhananjaya, situados em uma grande quadriga puxada divinos.

SLOKA 15

            Hrsikesa Sri Krsna soou seu búzio conhecido como Pancajanya: Arjuna soou seu búzio conhecido como Devadatta: e Bhima, o realizador de tarefas hérculeas soou seu grande búzio conhecido como Paundra.

            Prakasika-vrtti

            Pancajanya:Depois de finalizar a sua educação no asrama de seu guru ,Sri Krsna pediu á ele e a sua esposa que aceitassem alguma doação. Então eles pediram que Krsna devolvesse seu filho que havia se afogado no oceano. Ao perguntar à Varuna (a deidade do oceano), Sri Krsna descubriu que ele havia sido devorado por um caracol demoníaco que morava no oceano. Mesmo assim, Sri Krsna não encontrou o jovem dentro do ventre, depois de matar Pancajanya. Depois, Sri Krsna foi à Mahakalapuri, e trouxe o filho de seu guru, lhe presenteando como doação. Devido á que Sri Krsna tomou a concha de Pancajanya, a esta se conhece como tal.

SLOKA 16

            Maharaja Yudhisthira, o filho de Kunti soprou seu búzio chamado Anantavijaya. Nakula soprou seu Sughosa e Sahadeva soprou seu búzio chamado Manipuspaka.

SLOKA 17-18

            Oh! Dhrtarastra, rei da terra! Depois, o rei de Kasi, o grande arqueiro, o Mharathi Sukhandi, Drstadyumna, o rei de Virata, o inconquistável Satyaki, o rei Drupada, os filhos de Draupadi, e Abhimanyu o filho de Subhadra, soaram seus respectivos búzios.

            Bhavanuvada

            A palavra Pancajanya e outras mencionadas neste verso são os nomes dos búzios de Krsna e de outros guerreiros no campo de batalha. Aparajita significa “aquele que porta um arco”.

SLOKA 19

            Ressoando no céu e na terra, este tumultuoso e terrível som deixou em pedaços os corações dos filhos de Dhrtarastra.

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SLOKA 20

            Oh Rei! Depois de ver seus filhos em formação de batalha, Arjuna, levantou seu arco e se preparou para disparar suas flechas. Depois, ele disse as seguintes palavras à Hrsikesa.

            Prakasika-vrtti

            Kapi dhvajah: Este é um nome de Arjuna que aponta a presença de Hanuman na bandeira de sua quadriga. Arjuna estava muito orgulhoso de sua habilidade como arqueiro. Em uma ocasião, quando passeava na beira de um rio portando seu arco Gandiva, viu um macaco. Oferecendo-lhe reverencias, ele disse: Quem és?

            O macaco respondeu gentilmente. Sou Hanuman, o servo de Sri Rama. Então Arjuna lhe perguntou: Você é o servo do mesmo Rama que incapaz de construir uma ponte de flechas sobre o oceano mandou os macacos construir uma de pedras para que seu exército pudesse cruzar o oceano. Se eu tivesse lá neste momento eu teria construído uma ponte de flechas tão poderosa que todo exército poderia cruza-la facilmente.

            Hanuman voltou a responder muito gentilmente. Sua ponte não iria suportar sequer o peso de um macaco do exército de Rama. Então Arjuna disse: “Vou fazer uma ponte de flechas sobre este rio e você poderá cruza-lo com a carga mais pesada que tiver”. Hanuman se expandiu então em uma forma gigantesca, saltou sobre as montanhas Himalayas e regressou com umas pedras muito pesadas nos pelos de seu corpo. Surpreendentemente não se desfez. Arjuna , tremendo de medo orou a Krsna: “Por favor meu Senhor, a honra dos Pandavas está em suas mãos.”

            Quando Hanuman pôs o peso completo de seus pés na ponte, se surpreendeu que ela não se quebrava. Se a ponte não caía, seria uma grande vergonha para ele. Dentro de seu coração Hanuman orou á Rama, quando olhou para debaixo da ponte e viu que Rama sustentava a ponte com sua espada. Então ele disse: “O que é isto? “Meu adorável senhor está suspendendo a ponte com sua espada!!”. Imediatamente ele caiu aos pés de lótus de Sri Ramacandra.

            Ao mesmo tempo, Arjuna viu o senhor não como Ramacandra, mas como Sri Krsna. Tanto Hanuman quanto Arjuna juntaram suas mãos reverencialmente para seus senhores adoráveis, e então o Senhor disse: “Não há diferença entre estas duas formas minhas. Eu, Krsna, na forma de Sri Rama, venho estabelecer os limites da moralidade e da conduta religiosa apropriada. Na forma de lila purusottama Krsna, sou a personificação do néctar de todas as rasas. De hoje em diante vocês dois devem ser amigos. Em uma futura batalha, o poderoso Hanuman situado na bandeira da quadriga de Arjuna, lhe dará proteção de todos os lados “Por esta razão, Arjuna recebeu o nome de Kapi Dhvajah “Aquele que tem uma pintura de um macaco em sua bandeira.”

SLOKA 21-23

            Arjuna disse: Oh Acyuta! Por favor, situa minha quadriga no meio de ambos os exércitos para eu poder ver todos os heróis presentes que desejam lutar nesta batalha.

SLOKA 24-25

            Sanjaya disse: Oh Bharata! Ao receber a ordem de Gudakesa, Hrsikesa Sri Krsna conduziu sua excelente quadriga no meio de ambos os exércitos, e diante de todos os reis e personalidades proeminentes como Bhisma, Drona e outros. Ele disse então: “Ó Partha, contempla todos estes Kauravas aqui reunidos.”

            Bhavanuvada

            Hrsikesa significa o controlador dos sentidos. Ainda que Krsna é Hrsikesa, quando recebeu as ordens de Arjuna, ele foi controlador pelo sentido da fala de Arjuna. Bhagavan é controlado apenas por Prema.

SLOKA 26

            Ali, no meio de ambos os exércitos, Arjuna viu seus tios paternos e maternos, seus avôs, mestres, primos, sobrinhos, netos, amigos, sogros e bem querentes.

SLOKA 27

            Ao ver todos seus amigos e familiares presentes no campo de batalha, Arjuna, o filho de Kunti, cheio de compaixão e angústia, disse:

SLOKA 28

            Arjuna disse: Oh Krsna! Ao ver meus próprios parentes reunidos aqui com o desejo de lutar, sinto que minhas extremidades fraquejam e que minha boca está secando.

SLOKA 29

            Meu corpo treme e meu cabelo arrepia. Meu arco Gandiva está escorregando das minhas mãos e minha pele arde.

SLOKA 30

            Oh Kesava! Sou incapaz de me manter em pé. Minha mente dá voltas e sinto muita angústia e aflição.

            Bhavanuvada

            Na oração “eu estou vivendo aqui com o propósito de ganhar riquezas.”, aqui a palavra nimitta indica o propósito. Da mesma forma, nimitta neste verso, indica a intenção. Arjuna está dizendo: “Depois, apesar de ganhar a guerra, a obtenção do reino não nos trará felicidade. Pelo contrário, nos causará dor e aflição.

            Prakasika-vrtti

            Kesava: Aqui o devoto, Arjuna, está revelando os sentimentos de seu coração ao dirigir-se a Bhagavan com a palavra Kesava. “Apesar de matar proeminentes asuras (demônios) como Kesi e outros, tu sempre manténs seus devotos. Da mesma forma, por favor, dissipa a lamentação e ilusão do meu coração e sustenta-me. ” Srila Visvanatha Cakravarti Thakura explicou que a palavra Kesava indica aquele que penteia o cabelo de sua amada.

SLOKA 31

            Oh Krsna! Eu não vejo nada de auspicioso em matar meus próprios parentes nesta batalha. Não desejo nem a vitória nem o reino, nem sequer a felicidade.

            Bhavanuvada

            Sreyo na pasyamiti significa “não vejo nada auspicioso”. Os sanyassis que alcançam a perfeição no yoga e os guerreiros que morrem no campo de batalha alcançam o globo solar. Parece então que uma pessoa que morre na batalha obtém um resultado auspicioso.

SLOKA 32-34

            Oh Govinda! De que nos serve o reino, o desfrute ou a própria vida, quando aqueles que queremos bem—mestres, tios, filhos, avôs, sogros, netos, cunhados, e outros parentes—estão diante de nós neste campo de batalha dispostos a perderem suas vidas e riquezas? Oh Madhusudana! Ainda que eles me matem, não desejo matá-los.

SLOKA 35

            Oh Janardana! Se matamos os filhos de Dhrtarastra, mesmo que seja para obter não só a soberania da terra, mas de todos os três mundos, que felicidade obteremos com isto?

SLOKA 36

            Oh Madhava! Ao matar todos estes agressores, apenas cometeremos pecado. Por tanto, matar Duryodhana e nossos outros familiares não é apropriado. Como poderíamos ser felizes após matar nossos próprios parentes?

            Bhavanuvada

            De acordo com o Sruti há seis tipos de agressores: o que ata fogo em uma casa, o que administra veneno, o que ataca com armas mortais, o que rouba, o que usurpa a terra e o que rouba a esposa de outrem. Arjuna argumentou: “Oh Bharata! Se você diz que ao ver algum dos seis tipos de agressores devemos matá-los sem consideração, então se matássemos as pessoas aqui reunidas, sem dúvida cometeríamos pecado.”

            Prakasika-vrtti

            De acordo com o Smrti Sastra, não se comete pecado se matam um dos seis tipos de agressores. Em contraponto, os srutis declaram que não se deve matar nenhuma entidade vivente. Quando surgem tais contradições, deve-se considerar os srutis como superiores. Seguindo esta lógica, Arjuna sente que ainda que os filhos de Dhrtarastra são agressores, se ele os matam, irá cometer pecado.

SLOKA 37-38

            Oh Janardana! A inteligência de Duryodhana e dos demais, estão contaminadas pela cobiça de obter o reino. Assim sendo, eles são incapazes de conceber a ilegalidade que surge ao destruir a dinastia e muito os pecados que ocorreria ao lutar contra os amigos. Então, por que devemos nós, que temos conhecimento, cometer atos indevidos como estes.

            Bhavanuvada

            Arjuna pergunta: Por que estamos ocupados nesta batalha? Para responder sua própria pergunta, recita este verso que começa com as palavras yady apy.

            Prakasika-vrtti

            Arjuna considerou que nesta batalha havia mestres como Dronacarya, Krpacarya, e outros, tios maternos como Salya e Sakuni, familiares maiores como Bhisma, os filhos de Dhrtarastra, parentes e familiares como Jayadratha e outros Arjuna pensou: Os Vedas dizem que não podemos lutar com pessoas que executam yajna, com o sacerdote familiar, com um mestre, com o tio materno, com um convidado, com filhos pequenos, com pessoas maiores, nem com parentes. “Mesmo assim, é com estas pessoas com quem devo combater”. Assim, Arjuna expressou sua objeção de lutar contra seus próprios parentes. “Mas, porque todos estão empenhados a lutar contra nós. ”. Ao considerar isto, Arjuna concluiu que eles deveriam estar dominados por interesses baixos e egoístas e por tanto perderam a habilidade de discriminar entre o que é bom ou mau. Como resultado eles, ao destruir sua própria dinastia, cometeriam pecado. “Já que não temos motivos egoístas, por que devemos ocupar-nos nestas atividades abomináveis e pecaminosas?

SLOKA 39

            Os princípios religiosos ancestrais transmitidos através de uma dinastia são também destruídos quando ela é destruída. Depois da ruína do Dharma, a dinastia inteira é subjugada pelo adharma.

            Bhavanuvada

            A palavra sanatanah se refere aos princípios religiosos que descendem da Dinastia desde um tempo ancestral.

SLOKA 40

            Oh Krsna! Quando uma dinastia é subjugada pelo adharma, suas mulheres se degradam. Oh descendente de Vrsni! Quando as mulheres se tornam degradadas e incastas, nascem descendentes não desejados.

            Bhavanuvada

            O adharma ocupa as mulheres em atividades incastas.

SLOKA 41

            Tal progenie não desejada leva ao inferno tanto a dinastia inteira quanto os destruidores da tradição familiar. Sem dúvida alguma, seus antepassados, privados de oblações de água e alimento, sofrem o mesmo destino.

SLOKA 42

            Devido ás ações perversas daqueles que destroem a tradição familiar, os princípios religiosos da família e da casta desaparecem.

            Bhavanuvada

            A palavra utsadyante, significa “eles desaparecem”.

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SLOKA 43

            Oh Janardana! Eu escutei que todos aqueles cuja dinastia carece de princípios religiosos, sofrem no inferno por um período ilimitado.

SLOKA 44

            Quão surpreendente é que, levados pela condição de desfrutar de felicidade imperial, estamos dispostos a matar nossos próprios parentes e cometer este grande pecado.

SLOKA 45

            Seria ainda mais auspicioso para mim se, desarmado e sem oferecer resistência, os filhos de Dhrtarastra fortemente armados me matassem.

SLOKA 46

            Sanjaya disse: Com sua mente perturbada pela lamentação, Arjuna pronunciou estas palavras no campo de batalha, pôs de lado seu arco e flecha, e sentou em sua quadriga.

CAPÍTULO 2 (O princípio das análises)

SLOKA 1

            Sanjaya disse: Sri Madhusudana falou ao aflito Arjuna, quem estava cheio de compaixão e cujos olhos estavam agitados e cheios de lágrimas.

SLOKA 2

            Sri Bhagavan disse: Oh Arjuna! Qual é a causa da sua ilusão neste momento crítico da batalha. Isto não é próprio de um ariano, pois não condiz com sua reputação, nem te conduzirá aos planetas celestiais.

            Bhavanuvada

            Neste capítulo, Bhagavan Sri Krsnacandra esboça os sintomas das pessoas liberadas. Ele dissipa a obscuridade causada pela lamentação e ilusão ao conceder, em primeiro lugar, a sabedoria para discernir entre matéria e espírito.

            Prakasika-vrtti

            Dhrtarastra estava satisfeito ao saber que, ainda antes de começar a batalha, um sentimento religioso havia despertado no coração de Arjuna. Ele recusava encarar a batalha, atendo-se aos princípios da não violência, que considerava sendo o Dharma supremo. Dhrtarastra pensou: “Seria uma grande fortuna se esta batalha não acontecesse, pois assim, meus filhos poderiam permanecer soberanos do reino sem nenhum obstáculo.”

SLOKA 3

            Oh Partha! Não sejas covarde, isto não lhe é digno. Oh Parantapa! Abandona sua fraqueza de coração e levanta-te.

            Bhavanuvada

            Aqui Krsna diz: Oh Partha! Apesar de ser um filho de Prtha, estás se comportando como um covarde. ”. Depois ele disse: “Tal covardia é própria de um ksatriya de baixa classe. “Arjuna poderia dizer: Oh Krsna! Não duvides da minha coragem eu desejo lutar. Mas por favor ,compreende que do ponto de vista moral, minha renuncia a lutar é para mostrar respeitos á meus gurus, Bhisma e Drona. “Krsna contesta. “Minha resposta é ksudram, tal atitude não demonstra discriminação nem compaixão, senão lamentação e ilusão. Ambas revelam a fraqueza da sua mente.

SLOKA 4

            Arjuna disse: Oh Madhusudana! Oh Arisudana! Destruidor dos inimigos! Como posso contra-atacar com minhas flechas, o avô Bhisma, e Dronacarya, quem são dignos de minha veneração?

            Bhavanuvada

            Para explicar porque não deseja combater, Arjuna argumenta que de acordo com o dharma sastra, a violação da honra de uma personalidade venerável é um ato fatídico. Ao referir-se a Krsna como Madhusudana, Arjuna acode a esta lógica. “Oh querido amigo, tu também destruíste inimigos em batalha, mas não assassinastes teu guru e nem seus parentes. Devido á que o demônio Madhu era seu inimigo, eu me referi á ti como Arisudana, ou o destruidor dos inimigos.

            Prakasika-vrtti

            Sandipani Muni era um famoso sábio pertencente a kasyapa gotra, que vivia na cidade de Avanti, atual Ujjain. Quando executaram seus passatempos, Sri Krsna e Baladeva o aceitaram como seus Siksa Guru para dar exemplo aos demais. Quando viviam em seu asrama, executaram o passatempo no qual aprenderam as sessenta e quatro artes em sessenta e quatro dias. Visvanatha Cakravarti Thakura comenta que Sandipani Muni era seguidor do senhor Siva, ele explica que se Krsna e Baladeva tivessem aceitado um guru Vaisnava, este os teriam reconhecido como o supremo, e os passatempos de aprendizagem não teriam ocorrido. Sandipani Muni era filho de Paurnamasi Yoga Maya, e os amigos de Krsna, Madhumangala e Nandimukhi são filho e filha dele.

SLOKA 5

            Seria melhor manter minha vida neste mundo mediante mendicância do que matar meus gurus, que são grandes personalidades. Se os mato, os prazeres e riquezas que pudesse desfrutar neste mundo, ficariam manchados de sangue.

            Bhavanuvada

            Arjuna pensou que se converteria em traidor se matasse seus gurus, e qualquer prazer que tivesse depois deste ato, estaria manchado pelo resultado de atos pecaminosos.

SLOKA 6

            Sou incapaz de decidir o que é melhor para nós: conquistar ou ser conquistados por eles. Mesmo se nós os matássemos, não iríamos desejar viver. Mas, eles estão do lado de Dhrtarastra e estão na nossa frente, preparados para a batalha.

            Bhavanuvada

            Aqui arjuna está falando sobre a possibilidade da vitória ou derrota. Ele disse: “Para nós, a vitória é igual a derrota”.

SLOKA 7

            Dominado pela covardia e confundido sobre o dever, perdi meu heroísmo natural. Te suplico, por favor, que me digas o que é melhor para mim. Sou teu discípulo rendido e uma alma entregue a ti. Por favor instruí-me.

            Bhavanuvada

            Sri Krsna podia ridicularizar Arjuna dizendo: “Ainda que és Ksatriya, você decidiu converte-te em mendigo errante, mediante tua própria compreensão do significado dos sastras. Então, qual é o valor das minhas palavras?” Antecipando-se, Arjuna começa este verso com a palavra Karpanya: O abandono do heroísmo natural se chama karpanya, que significa comportamento covarde. Para receber instruções de Krsna, Arjuna então lhe assegura. “sou teu discípulo, não refutarei mais tuas declarações”.

SLOKA 8

            Ainda que obtivesse na terra um reino inigualável e próspero, com soberania até mais que os semideuses, não vejo como posso brecar este meu pesar que seca meus sentidos.

            Bhavanuvada

            Arjuna começa este verso coma palavra na hi: “Nos três mundos, não encontro ninguém, a não ser tu, que possa dissipar minha lamentação. “Assim como o intenso calor do verão seca as pequenas folhas, a compaixão está secando meus sentidos.

SLOKA 9

            Sanjaya disse: Depois de pronunciar estas palavras, Gudakesa , o castigador dos inimigos, disse á Krsna. “Oh Govinda, não lutarei, e logo ficou mudo.”

SLOKA 10

            Oh descendente de Bharata (Dhrtarastra)! Neste momento, Hrsikesa Sri Krishna sorrindo no meio dos exércitos, se dirigiu ao aflito Arjuna com as seguintes palavras:

            Bhavanuvada

            A frase senayor ubhayor madhye indica que a afecção de Arjuna, as instruções e as garantias oferecidas por Krishna, eram igualmente visíveis em ambos os exércitos. Em outras palavras, esta mensagem do Bhagavad Gita foi presenciada por ambos os exércitos.

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SLOKA 11

            Sri Bhagavan disse: Enquanto falas palavras sábias, você se lamenta por nada. O sábio não se lamenta nem pelos vivos nem pelos mortos.

Bhavanuvada

“agata asun” significa onde não chega o ar vital”. O erudito e o sábio não se lamentam sequer pelo corpo sutil, pois é indestrurível antes da etapa de mukti. Em ambas as condições, em vida ou com vida, a natureza do corpo grosseiro e sutil é imutável. É incorreto lamentar-se, já que a alma é eterna.

Prakasika-vrtti

O corpo grosseiro da entidade viva é composto por cinco elementos materiais – terra, agua, fogo, ar e éter e é temporário. Onde há nascimento, a morte é certa, seja hoje, amanhã ou daqui uns anos.

SLOKA 12

            Jamais houve um tempo em que eu, tu e todos estes reis não existiram, tampouco haverá no futuro um momento em que deixaremos de existir.

Bhavanuvada

Ainda que existe diferença entre Isvara e a jiva, ambos os tipos de alma são eternos e estão livres da morte. Assim a alma não é objeto de lamentação.

Prakasika-vrtti

As pessoas ignorantes que consideram que o corpo grosseiro é igual á alma, não compreendem que o verdadeiro ser não é material.

SLOKA 13

            Assim como a alma corporificada neste corpo grosseiro passa da infância á juventude e logo á velhice, também passa á outro corpo depois da morte. Uma pessoa inteligente não se confunde pela destruição e nascimento do corpo.

SLOKA 14

           Oh Kaunteya! Quando os sentidos entram em contato com os objetos sensíveis, se experimenta frio e calor, felicidade e aflição.Tais experiências são flutuantes e temporárias. Oh Bharata! Por isso deve tolera-las.

Bhavanuvada

Não só a mente nos trazem problemas, mas os sentidos por exemplo, também nos causam problemas. Tolerar as sensações causadas pelos objetos dos sentidos, sabendo que estes também são temporários é uma obrigação prescrita nos Vedas. Assim sendo, banhar-se no inverno é incômodo, mas não se deve abandonar a rotina de se banhar, prescrita nos Sastras. Igualmente, as mesmas pessoas, como os irmãos, os filhos, etc, nos proporcionam felicidade ao nascer ou quando adquirem riquezas, mas estas mesmas pessoas produzem dor no momento de suas mortes. Sabendo que estas felicidades e aflições são temporárias ,devemos tolera-las. Krsna falou á Arjuna: “Não deves abandonar seu Dharma de lutar na batalha com a desculpa de ter afeição por seus parentes. O abandono do dever que os Sastras prescrevem, é sem duvida uma causa de grande pertubação.”

SLOKA 15

            Oh! Tú é o melhor dos homens! A pessoa sensata que considera que a felicidade, a aflição, e a percepção dos diversos objetos sensíveis é a mesma coisa e não se pertuba por elas, sem dúvida está qualificada á liberar-se.

SLOKA 16

            Coisas temporárias– como o verão e o inverno – não tem uma existencia real, e o eterno – a alma –jamais é destruída. Os conhecedores da verdade chegaram á esta conclusão após estudarem sobre o eterno e o temporário.

SLOKA 17

            Deves saber que isso que se propaga por todo o corpo não pode ser destruído. Nada é capaz de destruir a alma imperecível.

Bhavanuvada

A alma é diminuta e só pode-se compreende-la quando o coração está purificado e livre dos três modos da natureza material.

Prakasika-vrtti

Há duas verdades indestrutíveis: uma é a jiva atômica consciente, e a outra é Paramatma, que manifesta e controla todas as jivatmas. Assim como uma simples gota de pasta de sandalo aplicada em um só local refresca o corpo inteiro, a alma (jivatma) localizada no coração, ocupa todo o corpo.

SLOKA 18

            Deves considerar que os corpos materiais que a alma eterna, indestrutível e incomensurável, ocupa, são perecíveis. Oh! Descendente de Bharata! Por tanto, lute!

SLOKA 19

            Os que consideram que a alma mata ou é morta, são ignorantes. A alma não é morta e nem mata ninguém.

Bhavanuvada

Krsna diz: “Oh amigo Arjuna, tu és uma alma, tu não és o sujeito nem o objeto do ato de matar. “Por tanto ó amigo, por que temes a infamia só por que os ignorantes te chamarão de “asassino de seus superiores?”

SLOKA 20

            A alma não nasce nem morre, tampouco experimenta o crescimento. Ela não nasce pois é eterna e permanente. A alma é primordial, é sempre jovem e não morre quando o corpo é destruído.

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SLOKA 21

            ´Óh Partha! Como pode uma pessoa matar alguém, sabendo que a alma é eterna, não nascida, imutável e indestrutível?

Bhavanuvada

Sri Krsna responde a Arjuna: “Oh Partha! Logo que adquirir este conhecimento, não serás culpado de nenhum pecado, mesmo depois de lutar na batalha.”

SLOKA 22

            Assim como uma pessoa abandona suas roupas velhas e aceita outras novas, a alma abandona os corpos velhos e inúteis e aceita outros novos.

SLOKA 23

            Esta alma não pode ser ferida por nenhuma arma, nem queimada pelo fogo, molhada pela água ou secada pelo vento.

SLOKA 24-25-26

            A alma é indivisível, indestrutível e insolúvel. É eterna, onipenetrante, permanente, inalterável e sempre existente. É imperceptível, inconcebível e, devido a que está livre dos seis tipos de transformações como o nascimento, é imutável. Depois de compreender a alma desta maneira, não deves lamentar-te.

            Mas, se ainda pensas que a alma nasce e morre constantemente, não há razão para que fiques aflito por ela ó Maha Baho!

Bhavanuvada

Aqui Krsna está dizendo: “Ainda que pense que o nascimento é perpétuo, ainda sim tu deves executar o seu dever como um valente Ksatriya.”

Krsna está tentando fazer com que Arjuna veja então o lado prático da batalha, deixando de lado o conhecimento acerca da alma.

SLOKA 27

Para aquele que nasce a morte é certa, e para aquele que morre o nascimento é certo. Por tanto não deves lamentar-se por esta situação inevitável.

SLOKA 28

            Oh Bharata!. Todos os seres humanos são imanifestos antes de seu nascimento. No interim, depois do nascimento, eles se manifestam, e após a morte voltam a imanifestar-se. Então, por que te lamentas?

SLOKA 29

            Há quem considera que a alma é surpreendente, outros falam dela como algo surpreendente e alguns após escutar sobre ela acham que é algo incompreensível e assim não á compreende.

Bhavanuvada

Krsna explica este verso para mostrar á Arjuna o quanto é maravilhoso a combinação do corpo com a alma e lhe esclarece sobre este tema.

Prakasika-vrtti

A alma, a pessoa que instrui sobre a alma, e a audiência são todos maravilhosos, pois a verdade sobre a ciência da alma é muito difícil de ser compreendida. Ainda assim, somente poucas personalidades são capazes de compreende-la e a consideram como algo maravilhoso. É estranho que a grande maioria, mesmo depois de escutar sobre a alma de um expert no assunto não consegue compreende-la.

Por esta razão Sri Caitanya Mahaprabhu nos deu a instrução de cantar os santos nomes e como resultado secundário deste canto, virá também o conhecimento acerca da alma.

SLOKA 30

            Oh Arjuna! A alma eterna que reside nos corpos de todas as entidades vivas jamais pode ser aniquilada. Por tanto, não é correto que te lamentes por nada.

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SLOKA 31

            Por outro lado, se consideras teu próprio dever de Ksatriya, não deves oscilar, pois não há atividade melhor para você do que a luta.

Bhavanuvada

Considerando os dois pontos de vista, é recomendável que Arjuna lute.

SLOKA 32

            Oh Partha! Afortunados são os Ksatriyas que tem semelhante oportunidade de lutar, pois tal batalha é a porta de entrada para os planetas celestiais.

SLOKA 33

            Mas, se não participas desta batalha religiosa, desobedecerás teu dever e perderá tua fama. Então a reação virá até você.

Bhavanuvada

Neste e nos próximos três versos, Sri Bhagavan explica os defeitos de não lutar.

SLOKA 34

            O povo só irá falar sobre tua infâmia, e para uma pessoa honrosa, a desonra é mais dolorosa que a morte.

SLOKA 35

            Grandes guerreiros como Duryodhana e outros irão pensar que fugiste da batalha, cheio de temor. Aqueles que te honravam, irão te considerar um ser insignificante.

SLOKA 36

            Teus inimigos te insultariam com palavras duras e criticariam tuas habilidades. Oh Arjuna! O que poderia ser mais doloroso para ti?

SLOKA 37

            Oh! Kaunteya! Se for morto na batalha, alcançarás os planetas celestiais, e se você sai vitorioso da batalha, desfrutarás do reino da terra. Por tanto, levanta com determinação e luta.

SLOKA 38

            Sabendo que felicidade e aflição, vitória e derrota, fracasso e triunfo, são todos iguais, luta com esta mentalidade, pois só assim não cometerás pecado algum.

Bhavanuvada

“Assim como uma folha de lótus nunca molha enquanto permanece na água, um Ksatriya que luta na batalha jamais comete pecado.”

Prakasika-vrtti

Krsna fala á Arjuna: “Se lutas com a mentalidade de que felicidade e aflição, vitória e derrota, fracasso e triunfo são todos iguais, então não há pecado algum.” Uma pessoa que está apegada aos frutos de seus atos, está cometendo pecado, por tanto, a renúncia ao apego kármico, é sem dúvida necessária.

SLOKA 39

            Oh! Partha! Até este momento te expliquei o Sankhya-yoga, mas agora vou te explicar Bhakti Yoga, com este conhecimento te libertarás do cativeiro material.

SLOKA 40

            Os esforços realizados em Bhakti Yoga jamais são em vão. Mesmo uma pequena quantidade deste Yoga, libera a pessoa do mais grande perigo.

Bhavanuvada

Aqui , Krsna diz á Arjuna .”Buddhi Yoga é de dois tipos:1-Bhakti Yoga na forma de audição e canto, e 2-Niskama Karma Yoga na forma de entrega dos frutos dos atos desinteressados á Bhagavan. “Ambos estes dois tipos de Yoga se define com a palavra Buddhi-Yoga.

Prakasika-vrtti

Bhakti é primário e Niskama Karma é secundário. Bhakti Yoga é completamente transcendental aos modos materiais. Qualquer atividade em Bhakti nunca é perdida, a pessoa que não teve sucesso nesta vida, poderá continuar o processo na próxima vida, desde o estágio onde parou.

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SLOKA 41

            Oh! Filho dos Kurus! A inteligência resoluta dos que praticam Bhakti é indivisível, mas a inteligência dos indecisos em relação a Bhakti possuem ramificações ilimitadas.

Bhavanuvada

A inteligência cuja meta é Bhakti yoga é suprema quando comparada aos demais tipos de inteligência.

SLOKA 42

            Oh! Partha! Os insensatos, que estão apegados ás declarações floridas dos Vedas, que na verdade só produz veneno, dizem que não há nada além disto nas escrituras.

Prakasika-vrtti

No Srimad Bhagavatam adverte-se para as afirmações Védicas. Oh! Pracinabarhi! Devido á ignorância, as atividades ritualísticas mencionadas nos Vedas parecem ser o objetivo supremo. Ainda que suas narrações parecem ser fascinantes aos ouvidos elas carecem de conexão com o absoluto. Por tanto ignore-as.

SLOKA 43

            As pessoas de natureza luxuriosa, que fazem muitos rituais védicos pomposos para alcançar os planetas celestiais, onde há bastante opulência e desfrute sensual, acabam se atando ao ciclo de nascimentos e mortes.

SLOKA 44

            Aqueles que estão apegados ao desfrute e opulência, cujas mentes estão cativadas pelas palavras floridas dos Vedas, não obterão inteligência absoluta, com a qual pode-se meditar no Supremo.

SLOKA 45

            Oh! Arjuna! Supera os modos da natureza material descrita nos Vedas e situa-se transcendentalmente, livre de dualidades, desapegado da tendência de aquisição e situa-se no eu (atma).

Bhavanuvada

No Srimad Bhagavatam Krsna diz:

“Viver na floresta está no modo da bondade, viver na cidade está no modo da paixão, viver em uma casa de apostas está no modo da ignorância e viver onde eu moro (templo) está transcendental aos três modos da natureza material (nirguna).

SLOKA 46

            Assim como vários reservatórios de água que satisfazem um mínimo propósito provém de um grande lago, similarmente o resultado alcançado com a adoração aos semideuses é insignificante se comparado à realização alcançada pelo brahmana erudito que está dotado com Bhakti por Krsna.

Prakasika-vrtti

As diferentes atividades que podem ser executadas mediante o uso de pequenos poços separados, podem facilmente ser executadas ao usar um grande estanque. Assim também, os diferentes desejos que podem ser satisfeitos através da adoração aos semi deuses, podem ser facilmente alcançados simplesmente adorando Krsna.

SLOKA 47

            Sem dúvida, tens o direito de executar seu dever prescrito, mas em momento algum tens o direito de desfrutar dos frutos de sua ação. Não sejas motivado pelos frutos da ação, mas também não deixa de executar seu dever.

SLOKA 48

            Oh! Dhananjaya! Situado em Bhakti Yoga, abandonando os apegos pelos frutos da ação, executa os deveres prescritos e permanece equânime no êxito e fracasso. Isto se denomina Yoga.

SLOKA 49

            Oh! Dhananjaya! Atividades furtivas são bastante inferiores se comparadas à Bhakti, e quem anseia pelos frutos das atividades são avaros.

SLOKA 50

            Uma pessoa inteligente abandona as atividades piedosas e pecaminosas nesta vida mesmo, por tanto, esforça-te nesta Yoga e executa todas as atividades desinteressadamente.

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SLOKA 51

            Sem dúvida, os sábios que possuem inteligência absoluta, abandonam os resultados nascidos das ações fruitivas, assim eles alcançam um lugar onde não há sofrimento algum, e são eternamente liberados do ciclo de nascimentos e mortes.

SLOKA 52

            Quando sua inteligência cruzar o denso bosque da ilusão, ficarás indiferente à tudo que já escutou ou está por escutar.

SLOKA 53

            Quando tua inteligência estiver desapegada das diferentes interpretações dos Vedas e firme em transe, neste momento alcançarás o fruto do Yoga.

SLOKA 54

            Arjuna disse: Oh! Kesava! Quais são os sintomas de uma pessoa cuja inteligência está fixa na transcendência? Como ela se senta, fala e como ela caminha?

SLOKA 55

            Sri Bhagavan disse: Oh! Partha! Uma pessoa possui inteligência perfeita quando abandona todos os tipos de desejos materiais que surgem da mente. Dentro de sua mente controlada ele está satisfeito por ter uma alma bem-aventurada. Neste estado ele é visto como uma pessoa de inteligência perfeita.

SLOKA 56

            O sábio cuja mente não se agita pelas misérias e permanece livre de ansiedade provocados pelos desejos sensuais, livre do apego e temor e ira, é chamado de sábio com inteligência perfeita.

Bhavanuvada

São três, os tipos de misérias. As que são provocadas pela sede, dor de cabeça, febre etc..,que provém do corpo e da mente, são chamadas Adhyatmika. As que são provocados por entidades vivas tais como serpente, insetos etc.., são chamadas de Adhibhautika.

E as que provém dos semideuses, tais como a chuva, frio, calor etc…chamam-se Adhidaivika. Aqui Krsna diz que aquele que não se agita devido á estas misérias, é um sábio controlado e inteligente.

SLOKA 57

            A pessoa que não tem apegos mundanos excessivos, que não se regozija na vitória e nem se lamenta pela derrota, é considerada uma pessoa de inteligência resoluta.

SLOKA 58

            Quando uma pessoa pode retrair seus sentidos completamente dos objetos dos sentidos, assim como uma tartaruga retrai suas extremidades para dentro da carapaça, se diz que essa pessoa possui inteligência resoluta.

SLOKA 59

            Uma pessoa que se identifica com seu corpo pode restringir-se dos objetos dos sentidos artificialmente, mas ainda permanece o gosto por esses objetos. Mas a pessoa de

inteligência clara, ao compreender a superalma, seu gosto pelos objetos sensíveis acaba automaticamente.

SLOKA 60

            Oh! Filho de Kunti! Os sentidos agitados, sem dúvida arrastam à força a mente de um homem inteligente que possui conhecimento e se esforça para alcançar a liberação.

Prakasika-vrtti

Dominar os sentidos é tão difícil como controlar a mente. Mas, de acordo com as instruções de Sri Caitanya Mahaprabhu, está difícil tarefa se torna fácil quando se ocupa os sentidos no serviço á Bhagavan Sri Krsna.

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SLOKA 61

            A pessoa deve controlar todos os sentidos, através de Bhakti Yoga, dedicando-se á mim, pois somente a pessoa com sentido controlado possui inteligência determinada e pura.

SLOKA 62

            Uma pessoa desenvolve apego pelos objetos dos sentidos ao contempla-los. Deste apego surge o desejo de desfrute e do desejo surge a ira.

SLOKA 63

            Da ira vem a confusão, da confusão surge o esquecimento, na perda da memória a inteligência é destruída, e quando a inteligência é destruída, a pessoa cai completamente nas garras da ilusão.

SLOKA 64

            Sem dúvida, um homem com sentidos controlados, livre do apego e aversão, alcança paz mental mesmo quando desfruta dos objetos dos sentidos com os seus sentidos controlados.

SLOKA 65

            Uma pessoa de inteligência clara se libera de todas as misérias, a mente de tal homem é muito pacífica e calma, e assim ele se fixa em atingir a meta desejada.

SLOKA 66

            Uma pessoa desconectada do Senhor não possui inteligência espiritual e assim sendo, ela é incapaz de meditar em Paramesvara. Como pode haver felicidade para alguém que não possui paz?

SLOKA 67

            Assim como o vento arrasta um bote sobre a água, similarmente, a mente de uma pessoa descontrolada é arrastada pelos sentidos, então é arrastada também, sua inteligência.

SLOKA 68

            Oh! Maha-Baho! Por tanto, a pessoa que é capaz de restringir seus sentidos completamente dos objetos dos sentidos, possui inteligência absolutamente clara.

SLOKA 69

            Neste estado noturno mental no qual dorme todos os seres, um homem inteligente está desperto. Quando os seres ordinários estão mentalmente despertos, este momento é noite para o sábio iluminado.

SLOKA 70

            Assim como o oceano permanece calmo, quieto e imóvel, ainda que inúmeros rios deságuam nele, similarmente, o homem sábio permanece fixo e imperturbável, ainda que a agitação dos sentidos entra à força dentro dele. Somente a pessoa que possui inteligência estável pode alcançar a paz. Isto não é alcançável para aqueles que tentam satisfazer os desejos materiais.

SLOKA 71

            Aqueles que abandonam todos seus desejos materiais, e que estão livres de possessividade, estão livres de ansiedades e falso ego. Esta pessoa alcançará paz.

SLOKA 72

            Oh!Partha! Esta é a situação daquele que alcançou o brahmam, mas aquele que não alcançou esta condição será confundido. Aquele que alcança tal estado, consegue a emancipação espiritual no momento da morte.

Bhavanuvada

Neste capítulo se explica especificamente o jnana yoga, karma yoga e indiretamente Bhakti Yoga. Por este motivo, este é considerado o resumo do Sri Gita.

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CAPÍTULO 3 (KARMA YOGA – O princípio da ação)

            KARMA YOGA

            O princípio da ação

SLOKA 1

            Arjuna disse: Oh! Janardana! Se consideras que a inteligência é melhor do que o trabalho fruitivo, então por que estas me ocupando nesta terrível batalha?

SLOKA 2

            Minha inteligência está confundida por tuas declarações ambíguas. Diga-me por favor, o que é mais benéfico à mim?

SLOKA 3

            Sri Bhagavan disse: Oh! Imaculado Arjuna! Já te expliquei que neste mundo há dois tipos de fé inquebrantável: A fé dos filósofos empiristas baseada no processo de especulação filosófica, e a fé dos yoguis baseada no processo de niskamakarma-yoga.

SLOKA 4

            Uma pessoa não pode alcançar liberação por deixar de fazer seus deveres prescritos, e nem uma pessoa pode alcançar a perfeição simplesmente por aceitar sannyasa.

SLOKA 5

            Certamente, nada permanece inativo sequer por um instante. Todas as pessoas certamente se ocupam inevitavelmente na ação, através dos modos materiais, de acordo com sua própria natureza.

SLOKA 6

            Uma pessoa tola, que controla os sentidos, mas permanece meditando nos objetos dos sentidos por meio da mente, é chamada de hipócrita.

SLOKA 7

            Oh!Arjuna! Aquele que sem apego, controla os sentidos através da mente, e que começou o processo de niskamakarma-yoga mediante os sentidos de trabalho, é superior ao hipócrita.

Bhavanuvada

Bhagavan recita este verso para explicar que um homem casado que segue as instruções dos Sastras, é superior ao falso renunciante. Aqui, a palavra karma-yoga refere-se à ação prescrita pelos sastras sem o desejo do resultado de tal atividade.

SLOKA 8

            Você deve executar seus deveres segundo as regulações dos Sastras, pois a ação é melhor que a inação. Tua manutenção corporal não pode ser feita sem o trabalho.

SLOKA 9

            Oh! Filho de Kunti! Com excessão da ação oferecida á Visnu desinteressadamente, todas as demais atividades perpetuam a humanidade neste mundo. Por tanto, livre do apego, executa seus atos para sua própria satisfação.

SLOKA 10

            Em tempos remotos, tendo criado sua progênie, junto com os brahmanas qualificados para executar sacrifícios, Prajapati

            Brahma lhes deu esta benção: “Que este sacrifício lhes traga prosperidade e satisfaça todos os seus desejos.”

Bhavanuvada Para explicar o verso anterior, Sri Krsna recita sete versos que começam com este, cuja palavra inicial é saha.”Uma pessoa de coração impuro deve dedicar-se exclusivamente ao cultivo da ação desinteressada e não deve aceitar sannyasa. Mas se em sua condição atual não pode sequer executar tal ação, deve então dedicar-se á ação fruitiva e ofereçe-la à Visnu. Levando em conta a tendência de desfrute que teria a progênie, o Senhor Brahma disse: “Que este yajna satisfaça todas as suas metas.”

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SLOKA 11

            Satisfazendo os semideuses mediante o sacrifício, eles também o satisfarão. Satisfazendo-se mutuamente, vocês alcançarão suprema fortuna.

SLOKA 12

            Estando satisfeitos com os sacrifícios, os semideuses o recompensarão concedendo-lhes tudo que desejam. Por tanto, aquele que desfruta dos ingredientes ministrados pelos semideuses sem oferece-los a eles, é sem dúvida um ladrão.

SLOKA 13

            As pessoas santas que comem os restos de comida do sacrifício, estão livres de todo o pecado, mas, as que cozinham grãos e outros alimentos apenas para seu próprio prazer, estão comendo apenas pecado.

SLOKA 14

            As entidades vivas nascem dos grãos produzidos pela chuva. A chuva por sua vez é produzida pelo sacrifício que nasce da execução dos deveres prescritos.

SLOKA 15

            Deves saber que os deveres prescritos nascem dos Vedas, os Vedas nascem do Senhor Supremo imutável. Por tanto, o Brahma Supremo onipenetrante, se situa sempre no sacrifício.

SLOKA 16

            Oh! Partha! Aquele que não segue o ciclo estabelecido nos Vedas, vive em vão, pois é um desfrutador dos sentidos, e é a morada do pecado.

SLOKA 17

            Sem dúvida, a pessoa que se regozija no ser e se sente feliz consigo próprio, á ela não existe dever algum.

SLOKA 18

            Aquele que é atmarama não alcança virtude alguma mediante a execução das ações neste mundo, tampouco incorre em pecado por sua inação e nem tem a necessidade de depender das jivas para conseguir seus propósitos.

Prakasika-Vrtti

Todas as jivas, tanto móveis tanto imóveis, começando por Brahma, permanecem absortas no desfrute material devido à sua identificação com o corpo; cada uma de suas ações está dirigida para o prazer sensual. Mas a pessoa que é Atmarama, transcendeu o egoísmo relativo aos prazeres mundanos e nem sequer se interessa por jnana ou vairagya, e por que estão completamente absortas em Bhakti, jnana e vairagya manifesta-se naturalmente neles.

SLOKA 19

            Por tanto, executa seu dever prescrito sem nenhum apego. Executando os deveres prescritos sem apego, um homem alcança o Supremo.

SLOKA 20

            Janaka e outros reis santos, sem dúvida, alcançaram a perfeição por executar seus deveres prescritos. Você também, para o benefício do povo, também deve fazer isto.

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SLOKA 21

            Sem dúvida, as pessoas ordinárias atuam do mesmo modo que uma pessoa exaltada. Qualquer regra que uma pessoa exaltada estabeleça, estas pessoas o seguirão.

SLOKA 22

            Oh! Partha! Para mim, não há nenhum dever prescrito, pois não há nada inalcançável pra mim nos três mundos. Mas até mesmo eu estou ocupado na execução dos deveres prescritos.

Bhavanuvada

Sri Bhagavan se exibe como exemplo para instruir o povo comum neste e nos próximos versos.

SLOKA 23

            Oh! Partha! Se em algum momento eu não me ocupasse cuidadosamente na execução dos meus deveres prescritos, as pessoas seguiriam meu comportamento em todos os aspectos.

SLOKA 24

            Se eu não realizasse meus deveres prescritos (Karma), todo o mundo se degradaria e eu seria o criador da população indesejada. Então eu seria o instrumento para a decadência de todas as pessoas.

SLOKA 25

            Oh! Bharata! Assim como o ignorante executa o dever prescrito com apego, do mesmo modo, o sábio deve atuar sem apego, sempre desejando o bem-estar do povo.

SLOKA 26

            A pessoa erudita não deve confundir os ignorantes induzindo os a abandonar seus deveres prescritos. Ao contrário, com uma mente equânime, ele deve anima-los a ocupar-se em todos seus deveres.

SLOKA 27

            Uma pessoa confundida pelo falso ego, pensa que é o atuante, mas, em todos os aspectos, as atividades se realizam pela vontade da natureza material do Senhor.

SLOKA 28

            Oh! Arjuna de braços poderosos. Um conhecedor da ciência transcendental sabe das diferenças entre a alma, os modos materiais e a leis do Karma. Considerando que os sentidos se ocupam em seus objetos, ele se mantém desapegado.

SLOKA 29

            As pessoas confundidas pelos três modos da natureza material se apegam aos modos e ao Karma, mas o sábio não deve se perturbar com estas pessoas menos inteligente e ignorantes.

SLOKA 30

            Fixa tua mente no ser interior, oferece todas as suas atividades à mim, e estando livre de todo o desejo, do sentido de possessividade e lamentação, lute.

Prakasika-Vrtti

Sri Bhagavan converte Arjuna em um instrumento visando ensinar os homens comuns a importância de se executar o Karma prescrito, livre do falso ego de se achar o atuante das ações e do desejo pelo fruto destas ações.

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SLOKA 31

            Aquelas pessoas que não são invejosas, que tem plena fé em mim e que sempre se ajustam ao meu desejo, se liberam também do cativeiro das ações furtivas.

SLOKA 32

            Mas as pessoas invejosas, que não seguem minhas instruções, carecem de inteligência e de verdadeiro conhecimento, fracassam em seu intento de alcançar a perfeição.

SLOKA 33

            Inclusive um sábio atua segundo sua própria inclinação, porque todos os seres seguem suas naturezas. Que poderiam obter coma repressão dos seus sentidos?

Prakasika-vrtti

Uma pessoa cujos sentidos estão descontrolados, pode Ter certa discriminação, mas é incapaz de refreá-los através do conhecimento dos Sastras. Os desejos incontroláveis e degradados podem ser eliminados através de Sadhu Sanga, associação com os Santos poderosos.

Srila Bhaktivinoda explica:

Krsna diz: “Ó Arjuna, não pensa que um homem com conhecimento pode alcançar a liberação do cativeiro material apenas por saber sobre a matéria e espírito. A alma condicionada deve esforçar-se de acordo com suas inclinações específicas. Deve continuar atuando segundo sua inclinação de forma natural. Você deve entregar os frutos

das suas ações a Sri Bhagavan. A renúncia ao dever prescrito lhe trará a desviação do caminho da perfeição. Quando, através da minha misericórdia ou de meu devoto, o Bhakti yoga aparece no coração, não há necessidade de seguir o dever prescrito , pois este caminho é superior ao deniskama-karma-yoga. Mas, ainda sim se Bhakti ainda não surgiu, o niskama-karma-yoga oferecido à  mim, é sempre benéfico.”

SLOKA 34

            Todos os sentidos são controlados pelo apego e a aversão por seus objetos. Por tanto o sadhaka não deve converter-se em um escravo dos seus sentidos, pois o apego e a aversão são totalmente desfavoráveis.

Prakasika-Vrtti

Os sentidos são de dois tipos: jnanendriya e karmendriya. Há cinco jnanendriyas: vista, ouvido, olfato, gosto e tato. Os karmendriyas são cinco também: fala, mãos, pernas, ânus e genitais. O sadhaka de Bhakti emprega estes dez sentidos e a mente em diversos tipos de serviço devocional para o prazer de Sri Krsna, ao invés de usá-los para seu próprio desfrute. Desta maneira, pode-se dominar os sentidos e alcançar a meta suprema da vida.

Srila Bhaktivinoda Thakura explica.

Krsna diz á Arjuna: “Oh Arjuna, se pensas que ao aceitar os objetos dos sentidos, as entidades vivas ficarão mais viciadas ao prazer mundano e por tanto, sua liberação do cativeiro do Karma será impossível, então escuta-me. Não é certo que todos os objetos sensíveis sejam prejudiciais para o progresso espiritual. O apego e a aversão à estes objetos é que são seus piores inimigos. Enquanto possuir um corpo material, deves aceitar os objetos dos sentidos, mas ao eliminar gradualmente o apego e a aversão, os quais são produtos da identificação corpórea, te desapegarás totalmente deles. Você deve controlar o apego e a aversão que estão relacionados com seu próprio prazer, porque eles promovem um temperamento oposto à Bhakti (devoção).”

SLOKA 35

            È melhor executar o próprio dever prescrito, ainda que de modo imperfeito, do que levar à cabo o dever de outros perfeitamente. É melhor morrer executando o próprio dever de acordo com o Varnasrama do que desempenhar o dever alheio, pois isto é muito perigoso.

Prakasika-Vrtti

Srila Bhaktivinoda diz: “Alguém que segue seu dever, pode morrer antes de alcançar um estado superior de Dharma, mas ainda sim, isso lhe é benéfico, pois cumprir o dever alheio é sempre terrível e perigoso. Tal consideração não é aplicável aos praticantes de Nirguna Bhakti, pois alguém que alcançou isto pode abandonar seu dever sem vacilação, pois neste momento seu Nitya Dharma (natureza constitucional) se manifesta como seu Sva Dharma.

SLOKA 36

            Arjuna disse: “Ó dessedente de Vrsni! Por que uma pessoa tem que ser ocupada ainda que contra sua própria vontade, à cometer algum pecado?”

SLOKA 37

            Sri Bhagavan diz: “O desejo de desfrutar dos objetos dos sentidos, que depois se transforma em ira, nasce do modo da paixão. Isto é imensamente grande e voraz. Considere isto como o principal inimigo da jiva neste mundo.

Bhavanuvada

A luxúria, o desejo pelos objetos dos sentidos, vincula as pessoas com as atividades pecaminosas e as impulsiona à executa-las. Conclusão: O desejo que nasce do modo da paixão, produz a ira, a qual está situada no modo da ignorância. Segundo a declaração do Smrti se diz que a satisfação do desejo está aquém da capacidade de uma pessoa. Antecipando a pergunta “Se não há a possibilidade de controlar a luxúria oferecendo-a seus objetos: devemos nós controlá-la retraindo-a?

Bhagavan diz: “Ela é extremamente formidável e muito difícil de se controlar.”

SLOKA 38

            Assim como a fumaça cobre o fogo ou o ventre cobre o embrião, o conhecimento fica encoberto por diversos agrados da luxúria.

SLOKA 39

            Oh!Arjuna! O Verdadeiro conhecimento do sábio é encoberto pelo inimigo eterno, a luxúria, que assim como fogo, jamais se sacia.

Bhavanuvada

No Srimad Bhagavatam se diz: “O fogo não se sacia com a manteiga clarificada, muito pelo contrário, ele se torna mais vivo. Igualmente, a sede de prazer sensual se intensifica mais e mais ao desfrutar dos objetos dos sentidos.

SLOKA 40

            Se diz que os sentidos, a mente e a inteligência, são as residências da luxúria. Com sua ajuda, esta luxúria envolve o conhecimento e desconcerta a entidade viva.

Bhavanuvada

Os sentidos, a mente e a inteligência são como um grande forte onde reside este inimigo, a luxúria. E os objetos sensíveis, como o som, constituem seu reino. A alma corporificada é desconcertada por todos eles.

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OBS.:

            A mitologia Hindu é provavelmente uma das mais antigas mitologias do mundo. Seus primeiros mitos nasceram numa região conhecida como Vale do Indo (no atual Paquistão). O panteão hindu constitui uma tentativa formidável de criar máscaras pelas quais o ser humano tenta falar dos seus sonhos e medos.

            A mitologia hindu inicia com o imanifestado (Adinatha), que se manifesta na trimúrti: Brahma, Vishnu e Shiva, unidade na pluralidade.

            Na mitologia hindu, incluem-se todas as possibilidades: deuses, semideuses, seres celestiais, anjos, demônios e vampiros, cujas sagas e peripécias serviram desde a antiguidade para alimentar o imaginário e os ideais do ser humano.

            Estatua de Shiva.

Apesar desta inegável multiplicidade, o hinduísmo não é tão politeísta quanto aparenta; tirar essa conclusão seria tão leviano como concluir, olhando para o santoral cristão, que o cristianismo é politeísta.

            O hinduísmo, tem uma base filosófica dividida em darsanas (pontos de vista), mas o ponto onde termina a lógica e começa o imaginário é de difícil determinação.

“Armas não conseguem cortá-lo, fogo não pode queimá-lo, água não consegue molhá-lo, ventos não podem secá-lo… Ele é eterno e tudo permeia, sutil, imóvel e sempre o mesmo.

— Bagavadguitá, II:23-24”

            A mitologia hindu nem sempre tem uma estrutura consistente e monolítica. O mesmo mito normalmente aparece em várias versões e pode ser representado de forma diferente nas tradições sócio-religiosas. Observou-se também que esses mitos foram modificados por várias escolas filosóficas ao longo do tempo, especialmente na tradição hindu. Esses mitos têm um significado mais profundo, muitas vezes simbólico, e receberam uma gama complexa de interpretações.

https://pt.wikipedia.org/wiki/Mitologia_hindu

            Dada essa gama de informações. Devemo-nos colocarmos sempre na posição do povo em questão, sobre suas crenças. Pois fazer um julgamento é sempre algo fácil. Devemos imaginar que todas essas religiões e crenças nasceram a milênios atrás, quando o conhecimento e mentalidade humana eram ainda jovens, no entanto, eles tinham uma ligação muito maior com o espiritual, do que temos hoje em dia, ou seja, uma percepção muito mais ampla de se sentir o poder da natureza e seu criado. Mesmo não sabendo seu nome ou tendo o visto frente à frente (podemos observar isso em diversas religiões). Acabando por denominar as forças da natureza, como sendo estas emanações, o que de uma certa forma não é tão errado.

            No texto de Guita podemos assimilar diversas sabedorias se estivermos abertos e atentos a isso, sem nenhum poder de recriminação ou fanatismo. Resumindo é a mesma Lei de sempre: para termos algo, em troca devemos doar algo. Não adianta apenas queremos para nós mesmo o tempo todo, se queremos algo da Terra (o pão), devemos doar a Terra, adubo o fruto. Isso é um termo de sacrifício dar uma parte para receber em troca. Isso deve ser algo automático e não uma punição ou obrigação. Você quer a presença de Deus, mais não é capaz de olhar o semelhante que está a seu lado. Pense nisso!!!

Projeto Alquimia

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