O Poder dos Símbolos V

· Sabedoria
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ÍNDICE

O TEMPO
O que estão falando sobre o tempo:
Teoria das cordas
Einstein e o sonho da unificação da Dimensão Circular
Propriedades básicas
As dimensões extras
Problemas
O que é a Teoria das Cordas?
Quantas dimensões existem? Explicando a Teoria das Cordas
Princípio Holográfico
O NÚMERO 7
Diversas Vertentes
O Significado do número Sete
Biblia
ॐ OM
Introdução
Entenda o Símbolo
Mantra da paz universal – OM SHANTI OM
Vocalização
Vibração
SAMSSARA
Samsara no Budismo Tibetano
Samsara como metáfora psicológica
Roda do Samsara
Descrição da Samsara
A ilusão da vida e a roda do samsara
Textos Diversos
SHAOLIN E OS 5 ELEMENTOS
Lei que rege as polaridades yin e yang
Shaolin
História
Monges do mosteiro Shaolin
As Dez Normas Budistas
Teoria dos 5
Cinco Elementos e Artes Marciais

O TEMPO

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            Vamos apresentar aqui três hipóteses cabíveis para o “tempo”

            Vejam bem, não temos a pretensão de expor nada em definitivo, nada de grandioso, são apenas especulações

            Não temos conhecimentos de física ou matemática para embasarmos e confirmarmos as ideias aqui expostas. No entanto, como a mente é imaginativa, nos dá a liberdade de propormos tais modelos

            1-Modelo do Infinito Contínuo:

            Nele o início é o fim e vice-versa

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            2-Modelo do infinito retroativo

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            Nele o homem prevendo o fim inevitável do universo em que vive, encontra meios de voltar no tempo e através de engenharia genética recria toda a vida na Terra, do zero

            Devido a técnicas de longevidade vive muitos séculos e torna-se na visão de suas crias como um deus

            3-Modelo do infinito sequencial

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            Nele o tempo simplesmente flui, sem início e sem fim

         O ser humano é criado em uma determinada marca da linha do tempo e segue seu progresso. Tanto pode deixar de existir em dado tempo, como pode evoluir e seguir sua jornada pelo espaço infinito

            A existência do Deus Pai, pode existir em qualquer uma das hipóteses, visto que, Ele mesmo disse: “Eu Sou, o princípio e o fim”, e também o conhecimento de sua existência antes da criação dos tempos, pois Deus é atemporal

            Refletindo neta linha de pensamento, podemos estabelecer que: o corpo físico fica preso em um destes três modelos, nos dois primeiros retornando sempre ao mesmo corpo em um looping eterno, até completar sua evolução espiritual e ser removido do ciclo. No último modelo, retornando ao mundo ou não, em vários possíveis corpos até atingir sua evolução.

            Os espíritos que atingem sua ascensão, irão para o paraíso, nirvana, ou qualquer dos mundos espirituais, paralelos ao mundo material, saindo assim deste circulo continuo do tempo

            Talvez o nosso mundo material seja finito e possamos um dia quiçá, chegar as bordas ou limites dele, para concluirmos nossa pequenez e sabermos definitivamente que estamos presos aqui e daqui devemos sair, da melhor forma possível e mais evoluídos

Texto: Antonio M. S.

Gráficos: Flávia Stem

O que estão falando sobre o tempo:

Tempo-02.gif

            Referencial

       Como as coordenadas x, y, z de um ponto dependem dos eixos utilizados para o localizar, também as distâncias e intervalos temporais, invariantes na física Newtoniana, dependem do referencial no qual se situa cada observador, na física relativista. Ver contracção do comprimento e dilatação do tempo. Esta é a ideia base da Teoria da Relatividade Restrita.

            A relatividade geral, por seu lado, parte do princípio de que o espaço-tempo não pode ser um fundo fixo, mas, sim, uma rede de relações em evolução.

            Um “intervalo de espaço-tempo” entre dois acontecimentos é a quantidade (invariante consoante o referencial) análoga à distância no espaço euclidiano. O intervalo de espaço-tempo s numa curva é definido por:

{\displaystyle ds^{2}=c^{2}dt^{2}-dx^{2}-dy^{2}-dz^{2}} ds^2 = c^2dt^2 – dx^2 – dy^2 – dz^2

onde c é a velocidade da luz. Uma suposição básica da relatividade é que transformações nas coordenadas, como as transformações de Lorentz mantêm os intervalos invariantes.

            Os intervalos espaço-tempo, concebidos numa variedade (termo matemático), definem uma métrica pseudo-euclidiana chamada de métrica de Lorentz. Esta métrica é similar à das distâncias no espaço euclidiano. Contudo, note-se que enquanto que as distâncias são sempre positivas, os intervalos espaço-tempo podem ser positivos, nulos ou negativos. Os acontecimentos com um intervalo de espaço-tempo zero são apenas separados pela propagação de um cones de luz|sinal luminoso. Os acontecimentos com um intervalo de espaço-tempo positivo situam-se no seu futuro ou passado recíproco, sendo o valor do intervalo definido pelo tempo próprio medido por um observador viajando entre eles. O espaço-tempo, vista à luz desta métrica pseudo-euclidiana, constitui uma variedade pseudo-riemanniana.

            Um dos mais simples e interessantes exemplos de espaço-tempo é R4 com o intervalo espaço-tempo já definido atrás. Este, é conhecido como espaço de Minkowski, sendo o modelo usual da Teoria da Relatividade Restrita. Em contraste, a Relatividade Geral propõe que a variedade subjacente não deverá ser plana em presença da gravidade, pelo que se utiliza preferencialmente o espaço-tempo em vez do espaço de Minkowski.

            Restringindo-nos à física newtoniana, os acontecimentos aparecem como um único espaço-tempo. Nesse caso referimo-nos à relatividade de Galileu, sendo o sistema de coordenadas relacionado com as transformações de Galileu. Contudo, como as distâncias espaciais são consideradas independentemente das distâncias temporais, tal espaço-tempo poderá ser decomposto arbitrariamente, o que não poderá acontecer à luz da relatividade geral.

            Alguns fatos gerais sobre o espaço-tempo

          Uma variedade compacta pode tornar-se num espaço-tempo se e só se a característica de Euler for 0. Qualquer variedade de 4 dimensões não compacta pode tornar-se um espaço-tempo.

            Muitas variedades espaço-temporais tem interpretações que podem parecer bizarras ou desconfortáveis para muitos físicos. Por exemplo, um espaço-tempo compacto tem curvas de tempo fechadas, loops, que viola a noção de causalidade tão cara aos físicos. Por essa razão, os físicos matemáticos levam em consideração apenas um subconjunto de todos os espaço-tempo possíveis. Uma forma de fazer isto é estudar “soluções realísticas” das equações da Relatividade Geral. Outro é adicionar alguma restrição física “razoável”, mas ainda assim geometricamente genérica, e em seguida tentar provar coisas interessantes sobre o espaço-tempo resultante. A última abordagem tem levado a resultados importantes, notavelmente os teoremas de singularidade de Penrose-Hawking.

            Em física matemática é comum restringir a variedade a variedades conexas de Hausdorff. Um espaço-tempo Hausdorff é sempre paracompacto.

            Será o espaço-tempo quantizado?

            A pesquisa científica atual centra-se na natureza do espaço-tempo ao nível da escala de Planck. A gravidade quântica em loop, a teoria das cordas e a termodinâmica dos buracos negros predizem um espaço-tempo quantizado sempre com a mesma ordem de grandeza. A gravidade quântica em loop chega mesmo a fazer previsões precisas sobre a geometria do espaço-tempo à escala de Planck.

            Buracos Negros: Podem ser corpos que se afastam da terra a velocidades superiores à da luz. Nós os veriamos como círculos negros, pois a luz que escapa deles ou não chegou à terra ainda ou estaria chegando a uma freqüência muito baixa. Porém podemos usar estes astros para captar sinais que viajam a velocidades superiores à da Luz.

            Curvatura do Espaço: Não existe. O espaço é plano. A curvatura da luz, esta sim existe e se dá por que a luz emanada por uma estrela se alastra na forma de inúmeras esferas consecutivas. Originalmente a distância entre as esferas é sempre a mesma, porém quando as esferas chocam-se com um grande astro arredondado, como o Sol, elas se deformam e na área próxima às laterais do astro há uma compressão entre as esferas, causando a curvatura observada. Na verdade, como tudo o que ocorre com a luz este é mais um fenômeno ótico exatamente como a refração.

            Buraco de Minhoca: Trata-se de uma abstração teórica fantástica e muito interessante. Na verdade ele é possível, mas apenas para se observar o futuro ou o passado, e nunca para realmente se viajar no tempo. Ao se atravessar um buraco de minhoca, o observador veria, por exemplo, o futuro, devido à sua grande velocidade de deslocamento, mas ao sair do buraco o sinal voltaria à sua velocidade normal e o observador voltaria ao seu tempo original.

            Gravidade: Não é uma força em si, mas apenas resultado da curvatura, ou difração do sinal Temporal. Sua natureza é a mesma da força centrífuga (e/ou centrípeta). Para se controlar a gravidade, basta que se conheça o funcionamento do sinal Temporal (Tempo).

            Na questão do espaço infinito, podemos até supor e fazermos a seguinte pergunta: Será mesmo ele infinito?

            Ou em algum ponto podemos nos esbarrar com o que podemos chamar de as paredes de nosso mundo, assim como quem chega ao limite de sua casa, ou será ele curvo como a Terra, que ao chegarmos em um determinado ponto, na verdade estamos de novo no ínicio de tudo.

            E se nos depararmos nesta suposta parede, e ela nos oferecer uma porta para uma outra dimensão ou mundo paralelo?

            Vejamos a seguir a fantástica teoria das cordas!

Teoria das cordas

            A teoria das cordas é um modelo físico-matemático onde os blocos fundamentais são objetos extensos unidimensionais, semelhantes a uma corda, e não pontos sem dimensão (partículas), que são a base da física tradicional. Por essa razão, as teorias baseadas na teoria das cordas podem evitar os problemas associados à presença de partículas pontuais (entenda-se de dimensão zero) em uma teoria física tradicional,sem necessidade de outros objetos que não propriamente cordas – incluindo pontos, membranas e outros objetos de dimensões mais altas.

            O interesse na teoria das cordas é dirigido pela grande esperança de que ela possa vir a ser uma teoria de tudo. Ela é uma possível solução do problema da gravitação quântica e, adicionalmente à gravitação, talvez possa naturalmente descrever as interações similares ao eletromagnetismo e outras forças da natureza. As teorias das supercordas incluem os férmions, os blocos de construção da matéria. Não se sabe ainda se a teoria das cordas é capaz de descrever o universo como a precisa coleção de forças e matéria que nós observamos, nem quanta liberdade para escolha destes detalhes a teoria irá permitir. Nenhuma teoria das cordas fez alguma nova predição que possa ser experimentalmente testada.

            Trabalhos na teoria das cordas têm levado a avanços na matemática, principalmente em geometria algébrica. A teoria das cordas tem também levado a novas descobertas na teoria da supersimetria que poderão ser testadas experimentalmente pelo Grande Colisor de Hádrons. Os novos princípios matemáticos utilizados nesta teoria permitem aos físicos afirmar que o nosso universo possui 11 dimensões: 3 espaciais (altura, largura e comprimento), 1 temporal (tempo) e 7 dimensões recurvadas (sendo a estas atribuídas outras propriedades como massa e carga elétrica, por exemplo), o que explicaria as características das forças fundamentais da natureza.[1]

         O estudo da chamada teoria das cordas foi iniciado na década de 60 e teve a participação de vários físicos para sua elaboração. Essa teoria propõe unificar toda a física e unir a Teoria da relatividade e a Teoria Quântica numa única estrutura matemática. Embora não esteja totalmente consolidada, a teoria mostra sinais promissores de sua plausibilidade.

            Níveis de Ampliação: 1.Nível Macroscópico – Matéria; 2.Nível Molecular; 3.Nível Atômico – Prótons, nêutrons, e elétrons; 4.Nível Subatômico – Elétron; 5.Nível Subatômico – Quarks; 6.Nível das Cordas.

            Depois de dividir o átomo em prótons, nêutrons e elétrons, os cientistas ainda puderam dividir os prótons e nêutrons em quarks, dos quais existem seis categorias diferentes, das quais apenas três existem atualmente, e que, combinadas, formam todos os tipos de partículas do Universo até hoje previstos. Tal divisão pode repetir-se ad infinitum, pois, ao chegar na última partícula (aquela que, supostamente, seria a indivisível), como saber que ela não seria, também, divisível? (O próprio átomo e, depois, prótons e nêutrons eram considerados indivisíveis até serem efetivamente divididos em partículas menores. O elétron, assim como outros léptons, contudo, até o nível de energia das experiências atuais, parece ser sem estrutura nos moldes do modelo padrão).

            O que alguns físicos viram como uma possível solução para este problema foi a criação de uma teoria, ainda não conclusiva, que diz que as partículas primordiais são formadas por energia (não necessariamente um tipo específico de energia, como a elétrica ou nuclear) que, vibrando em diferentes frequências, formaria diferentes partículas. De acordo com a teoria, todas aquelas partículas que considerávamos como elementares, como os quarks e os elétrons, são na realidade filamentos unidimensionais vibrantes, a que os físicos deram o nome de cordas. Ao vibrarem as cordas originam as partículas subatômicas juntamente com as suas propriedades. Para cada partícula subatómica do universo, existe um padrão de vibração particular das cordas.

            A analogia da teoria consiste em comparar esta energia vibrante com as cordas. As de um violão, por exemplo, ao serem pressionadas em determinado ponto e feitas vibrar produzem diferentes sons, dependendo da posição onde são pressionadas pelo dedo. O mesmo ocorre com qualquer tipo de corda. Da mesma forma, as diferentes vibrações energéticas poderiam produzir diferentes partículas (da mesma forma que uma corda pode produzir diferentes sons sem que sejam necessárias diferentes cordas, uma para cada som).

Einstein e o sonho da unificação da Dimensão Circular

            Depois de formular a teoria da relatividade geral, Einstein dedicou praticamente suas últimas três décadas de vida à tentativa de unificar, numa só teoria, a força eletromagnética e a força gravitacional. Uma proposta a que Einstein se dedicou foi a idealizada, independentemente, pelo físico alemão Theodor Kaluza e o sueco Oskar Klein. Nela, além das três dimensões usuais de altura, largura e comprimento, o espaço teria uma dimensão a mais. Mas, diferentemente das três dimensões em que vivemos, cujos tamanhos são infinitos, a dimensão extra da teoria de Kaluza e Klein teria a forma de um círculo com raio muito pequeno. Partículas andando no sentido horário do círculo teriam carga elétrica negativa(como o elétron), enquanto aquelas se movimentando no sentido anti-horário seriam positivas (como o pósitron). Partículas paradas em relação a essa quarta dimensão espacial teriam carga elétrica zero (como o neutrino).

            Embora a teoria de Kaluza e Klein unificasse a força gravitacional com a força eletromagnética, ela ainda era inconsistente com a mecânica quântica. Essa inconsistência só seria resolvida 50 anos mais tarde, com o surgimento de uma nova teoria na qual o conceito de partícula como um ponto sem dimensão seria substituído pelo de objetos unidimensionais. Alguns anos depois uma nova teoria foi criada com o mesmo objetivo, a teoria do Tudo que busca unificar todos os campos da física quântica, a relatividade de Einstein (que explica que o espaço-tempo se ajusta à velocidade da luz), e o eletromagnetismo com a força da gravidade .

            Gabriele Veneziano, em 1968, tentando descobrir o sentido de algumas propriedades da força nuclear forte, percebeu que uma fórmula do matemático Leonhard Euler podia descrever todas as propriedades das partículas que possuem interação forte[1]. Com essa descoberta, uma grande quantidade de pesquisas em relação à aplicação da função beta de Euler às partículas de interação forte foram feitas. Contudo, ninguém sabia o motivo da fórmula funcionar. Em 1970, Yoichiro Nambu e Holger Nielsen mostraram que se as partículas elementares fossem formadas de minúsculas cordas vibrantes e unidimensionais, suas interações poderiam ser descritas exatamente pela função de Euler.

            A teoria das cordas foi originalmente inventada para explicar as peculiaridades do comportamento do hádron. Em experimentos em aceleradores de partículas, os físicos observaram que o momento angular de um hádron é exatamente proporcional ao quadrado de sua energia. Nenhum modelo simples dos hádrons foi capaz de explicar este tipo de relação. Um dos modelos rejeitados tenta explicar os hádrons como conjuntos de partículas menores mantidas juntas através de forças similares à força elástica. A fim de considerar estas “trajetórias de Regge” os físicos voltaram-se para um modelo onde cada hádron era de fato uma corda rotatória, movendo-se de acordo com a teoria da relatividade especial de Einstein. Isto levou ao desenvolvimento da teoria bosônica das cordas, que ainda é, geralmente, a primeira versão a ser ensinada aos estudantes. A necessidade original de uma teoria viável para os hádrons foi completamente preenchida pela cromodinâmica quântica, a teoria dos quarks e suas interações. Tem-se a esperança agora que a teoria das cordas ou algumas de suas descendentes irão prover uma compreensão mais fundamental dos quarks em si.

            Em termos da teoria de perturbação de acoplamento fraco parece haver apenas cinco consistentes teorias das supercordas conhecidas como: Tipo I, Tipo IIA, Tipo IIB, Tipo Heterótica SO(32) e Heterótica E8×E8.

            A teoria bosônica das cordas é formulada em termos da ação Nambu-Goto, uma quantidade matemática que pode ser usada para predizer como as cordas se movem através do espaço e do tempo. Pela aplicação das ideias da mecânica quântica às ações Nambu-Goto — um procedimento conhecido como quantização — pode-se deduzir que cada corda pode vibrar em muitos diferentes modos, e que cada estado vibracional representa uma partícula diferente. A massa da partícula e a maneira que ela pode interagir são determinadas pela forma de vibração da corda — em essência, pela “nota” que a corda produz. A escala de notas, cada uma correspondente a um diferente tipo de partícula, é denominada o “espectro” da teoria.

            Estes modelos iniciais incluem cordas abertas, que têm duas pontas distintas, e cordas fechadas, onde as pontas são juntas de forma a fazer uma volta completa. Os dois tipos de corda diferem ligeiramente no comportamento, apresentando dois espectros. Nem todas as teorias de cordas modernas usam estes dois tipos; algumas incorporam somente a variedade fechada.

            Entretanto, a teoria bosônica tem problemas. Mais importante, como o nome implica, o espectro de partículas contém somente bósons, partículas como o fóton, que obedecem regras particulares de comportamento. Ainda que os bósons sejam um ingrediente crítico do universo, eles não são o únicos constituintes. Investigações de como uma teoria poderia incluir férmions em seu espectro levaram à supersimetria, uma relação matemática entre os bósons e férmions, que agora forma uma área independente de estudo. As teorias de cordas que incluem vibrações de férmions são agora conhecidas como teorias das supercordas. Vários tipos diferentes de supercordas têm sido descritos.

            Nos anos 90, Edward Witten e outros encontraram fortes evidências de que as diferentes teorias de supercordas eram limites diferentes de uma teoria desconhecida em 11 dimensões, chamada de Teoria-M. Esta descoberta foi a espoleta da segunda revolução das supercordas. Vários significados para a letra “M” têm sido propostos; físicos jocosamente afirmam que o verdadeiro significado só será revelado quando a teoria final for compreendida.

            Muitos dos desenvolvimentos recentes nestes campos relacionam-se às D-branas, objetos que os físicos descobriram que também devem ser incluídos em qualquer teoria de cordas abertas.

Propriedades básicas

            O termo “teoria das cordas” pode referir-se tanto à teoria bosônica das cordas, com 26 dimensões, como à teoria das supercordas, descoberta pela adição da supersimetria, com suas 10 dimensões. Atualmente, o termo “teoria das cordas” usualmente refere-se à variante supersimétrica, enquanto as anteriores são designadas pelo nome completo “teoria bosônica das cordas’.

            Enquanto a compreensão de detalhes das teorias das cordas e supercordas requer uma considerável sofisticação matemática, algumas propriedades qualitativas das cordas quânticas podem ser compreendidas de forma intuitiva. Por exemplo, cordas quânticas têm tensão, da mesma forma que um barbante. Esta tensão é considerada um parâmetro fundamental da teoria e está intimamente relacionada ao seu tamanho. Considere uma corda em loop fechado, abandonada para se mover através do espaço sem forças externas. Esta tensão tenderá a contraí-la cada vez mais para um loop menor. A intuição clássica sugere que ela deva encolher até um simples ponto, mas isto violaria o Princípio da incerteza de Heisenberg. O tamanho característico do loop da corda é um equilíbrio entre a força de tensão, atuando para reduzi-lo, e o princípio da incerteza, que procura mantê-lo aberto. Consequentemente, o tamanho mínimo de uma corda deve estar relacionado com a tensão que ela sofre.

As dimensões extras

            Um aspecto intrigante da teoria das cordas é que ela prediz o número de dimensões que o universo deve possuir. Nada na teoria de Maxwell do eletromagnetismo ou na Teoria da Relatividade de Einstein faz qualquer tipo de predição a este respeito. Estas teorias requerem que o físico insira o número de dimensões “na mão”. A primeira pessoa a adicionar uma quinta dimensão na teoria da relatividade foi o matemático alemão Theodor Kaluza em 1919. A razão para que a quinta dimensão não seja observável (sua compactação) foi sugerida pelo físico sueco Oskar Klein em 1926.

            Ao invés disto, a teoria das cordas permite calcular o número de dimensões espaço-temporais a partir de seus princípios fundamentais. Tecnicamente, isto acontece porque a invariância de Lorentz só pode ser satisfeita em um certo número de dimensões. Isto é, grosso modo, como dizer que se nós medíssemos a distância entre dois pontos, então girássemos nosso observador para um novo ângulo e a medíssemos novamente, a distância observada somente permaneceria a mesma se o universo tivesse um número particular de dimensões.

            O único problema é que quando este cálculo é feito, o número de dimensões do universo não é quatro como esperado (três eixos espaciais e um no tempo), mas vinte e seis. Mais precisamente, a teoria bosônica das cordas tem 26 dimensões, enquanto a teoria das supercordas e a Teoria-M envolvem em torno de 10 ou 11 dimensões. Na teoria de Rambu, as 26 dimensões vêm da equação:

            {\displaystyle [1-(D-2)/24]=0} [1-(D-2)/24]=0

           Contudo, este modelo parece contradizer fenômenos observados. Físicos usualmente resolvem este problema de duas formas diferentes. A primeira é a compactação das dimensões extras, i.e., as 6 ou 7 dimensões extras são tão pequenas que não são detectadas em nossos experimentos. Obtém-se a solução de modelos hexadimensionais espaços Calabi-Yau. Em 7 dimensões, elas são chamadas distribuições G2. Essencialmente estas dimensões extras estão “compactadas” pelo seu enrolamento sobre elas mesmas.

            Uma analogia padrão para isto é considerar um espaço multidimensional como uma mangueira de jardim. Se se observar a mangueira de uma distância considerável, ela aparenta ter somente uma dimensão, o comprimento. Isso é semelhante às quatro dimensões macroscópicas com as quais estamos acostumados a lidar em nosso dia a dia. Se, no entanto, nos aproximarmos o suficiente da mangueira, descobrimos que ela contém uma segunda dimensão, sua circunferência. Esta “dimensão extra” é somente visível dentro de uma área relativamente próxima da mangueira, justo como as dimensões extras do espaço Calabi-Yau são visíveis a distâncias extremamente pequenas e, portanto não são facilmente detetáveis.

            Certamente, cada mangueira de jardim existe nas 3 dimensões espaciais, mas por propósito de analogia, pode-se negligenciar a espessura e considerar somente a noção de superfície da mangueira. Um ponto na superfície da mangueira pode ser especificado por dois números, uma distância ao longo da circunferência, tal como um ponto da superfície da Terra pode ser especificado pela latitude e longitude. Em ambos os casos, diz-se que o objeto tem duas dimensões espaciais. Como a Terra, mangueiras de jardim possuem um interior, uma região que requer uma dimensão extra. No entanto, diferentemente da Terra, um espaço de Calabi-Yau não tem interior.

            Outras possibilidades é que nós estejamos presos em subespaço com 3+1 dimensões de um universo com mais dimensões, onde o “3+1” faz-nos lembrar que o tempo é um tipo diferente de dimensão espacial. Como isso envolve objetos chamados D-branas, esta teoria é conhecida como mundo de brana.

            Em ambos os casos, a gravidade atuando nas dimensões ocultas produz as outras forças não-gravitacionais tais como o eletromagnetismo. Em princípio, portanto, é possível deduzir a natureza destas dimensões extras pela necessidade de consistência com o modelo padrão, mas esta não é ainda uma possibilidade prática.

Problemas

            A teoria das cordas permanece não verificada. Nenhuma versão da teoria das cordas fez ainda uma predição diferente de alguma feita por outras teorias; ao menos, nenhuma que pudesse ser verificada por um experimento atualmente realizável. Neste sentido, a teoria das cordas está em “estado larval”: ela possui muitos aspetos de interesse matemático, e isto ainda deve se tornar de suprema importância para nossa compreensão do universo, mas isto ainda vai requerer mais desenvolvimentos para ser aceito ou negado. Uma vez que a teoria das cordas não possa ser testada em um futuro próximo, alguns cientistas têm se perguntado se ela merece mesmo ser chamada de uma teoria científica: ela não é ainda um teoria rejeitável ou falseável no sentido dado por Popper.

            Isto não significa que ela seja a única teoria corrente que começou a ser desenvolvida que oferece estas dificuldades. Muitos novos desenvolvimentos podem passar através de um estágio de incerteza antes de se tornarem conclusivamente aprovados ou rejeitados. Como assinalado por Richard Feynman em The Character of Physical Law, o teste chave da teoria científica é se suas consequências concordam com as medições que obtivemos do experimento. Isto significa que não importa quem inventou a teoria, “qual é o seu nome”, ou mesmo qual apelo estético a teoria venha ter. “Se ela não está de acordo como os experimentos, ela está errada.” (Certamente, haveria outras possibilidades: alguma coisa pode estar errada com os experimentos, ou talvez tenha se cometido um erro ao prever as consequências da teoria. Todas estas possibilidades devem ser verificadas, o que pode tomar um tempo considerável). Estes desenvolvimentos podem se dar na teoria em si, tais como novos métodos de realizar os cálculos e produzir previsões, ou devem ocorrer nos experimentos em si, que passam a exibir quantidades antes imensuráveis.

            A humanidade não tem atualmente tecnologia para observar as cordas (que se acredita terem aproximadamente o Comprimento de Planck, em torno de 10−35 m). Em algum momento poderemos ser capazes de observar as cordas de uma forma significativa, ou ao menos obter uma percepção mais substancial pela observação de fenômenos cosmológicos que elucidem a física das cordas.

            No início dos anos 2000, teóricos da teoria das cordas retomaram seu interesse em um velho conceito, a corda cósmica. Originalmente discutida nos anos 1980, cordas cósmicas são objetos diferentes em relação às entidades da teoria das supercordas. Por vários anos, cordas cósmicas eram um modelo popular para explicar vários fenômenos cosmológicos, tais como o caminho que foi seguido para a formação das galáxias no início do universo. Apesar disso, novos experimentos — em particular medições detalhadas da radiação cósmica de fundo em micro-ondas — falharam em apoiar as predições do modelo da corda cósmica e ela saiu de moda. Se tais objetos existiram, eles devem ser raros e bem esparsos. Vários anos mais tarde, foi apontado que a expansão do universo poderia ter esticado a corda fundamental (do mesmo tipo considerado pela teoria das supercordas) até que ela atingisse o tamanho intergaláctico. Tal corda esticada pode exibir muitas propriedades da variação da velha corda “cósmica”, tornando os velhos cálculos úteis novamente. Além disto, as teorias modernas das supercordas oferecem outros objetos que poderiam ter uma razoável semelhança com cordas cósmicas, tais como D-branas unidimensionais altamente alongadas (conhecidas como “D-cordas”). Como o teórico Tom Kibble comenta, “cosmologistas da teoria das cordas têm descoberto cordas cósmicas observando em todos os lugares escondidos”. Velhas propostas para detecção de cordas cósmicas podem agora ser usadas para investigar a teoria das supercordas. Por exemplo, astrônomos têm também detetado uns poucos casos do que podem ser lentes gravitacionais induzidas por cordas.

            Super-cordas, D-cordas ou outros tipos de corda esticadas na escala intergaláctica devem irradiar ondas gravitacionais, que podem ser presumivelmente detetadas usando experimentos como o LIGO. Elas também devem causar ligeiras irregularidades na radiação de micro-ondas de fundo, muito sutis para terem sido detetadas ainda, mas na esfera das possíveis observações no futuro.

            Embora intrigantes, estes propósitos cosmológicos falham em um sentido: testar uma teoria requer que o teste seja capaz de derrubar (ou provar falsa) uma teoria. Por exemplo, se a observação do Sol durante um eclipse não tivesse mostrado que a gravidade é capaz de desviar a luz, teria sido provado que a teoria da relatividade geral de Einstein era falsa (eliminando, é claro, a chance de erro experimental). Não encontrar cordas cósmicas não demonstraria que a teoria das cordas é fundamentalmente errada — meramente que a ideia particular de uma corda altamente esticada atuando “cosmicamente” é um erro. Enquanto muitas medições podem, em princípio, ser feitas para sugerir que a teoria das cordas está no caminho certo, os cientistas ainda não divisaram um “teste” confiável.

            Em um nível mais matemático, outro problema é que, como a teoria quântica de campos, muito da teoria das cordas é ainda somente formulado através da técnica da perturbação (isto é, como uma série de aproximações ao invés de uma solução exata). Embora técnicas não-perturbativas tenham tido um progresso considerável — incluindo definições de conjeturas completas envolvendo tempo-espaço satisfazendo princípios assintóticos — a definição de uma teoria não-perturbativa completa é uma lacuna a ser preenchida.’

            O século XX foi extremamente marcante para o desenvolvimento da ciência e para a compreensão sobre a composição do universo. Isso ocorreu graças ao desenvolvimento das teorias mais completas já criadas para descrever a estrutura do universo: A relatividade geral, de Albert Einstein, e a Física Quântica.

            Apesar do sucesso dessas teorias, elas deixaram algumas questões em aberto. Primeiramente, a Relatividade Geral não consegue explicar a teoria do Big Bang nem o comportamento dos buracos negros. Em segundo lugar, a Física Quântica não oferece uma explicação satisfatória para a gravitação.

            A teoria das cordas foi desenvolvida na tentativa de unificar essas duas principais teorias da Física Moderna. Ela começou a ser desenvolvida em 1919, por Theodor Kaluza, e continua evoluindo. A última inovação foi proposta por Edward Witten entre 1994 e 1997.

O que é a Teoria das Cordas?

            Se você observar um deserto, em certa altura, o que você verá será um espaço contínuo cuja cor dependerá da coloração da areia que o compõe. Mas se você chegar perto desse deserto, verá que ele é formado por minúsculos grãos de areia. Esses grãos, por sua vez, são constituídos por partículas ainda menores que são invisíveis a olho nu: os átomos. Estes têm sua estrutura formada por elétrons, prótons e nêutrons. Os prótons e nêutrons formam-se de partículas elementares chamadas de quarks. É até esse ponto que vai a Física convencional. A teoria das cordas vai um pouco mais além.

            De acordo com a teoria das cordas, os quarks são formados por pequenos filamentos de energia semelhantes a pequenas cordas vibrantes, daí o nome dado à teoria. Essas cordas estariam vibrando em diferentes padrões, com frequências distintas, produzindo as diferentes partículas que compõem o nosso mundo. Observe o esquema da figura a seguir:

Tempo-03.jpg

            A figura mostra que se a matéria for descomposta em suas menores partes, veremos que ela é constituída por pequenas cordas

            A figura mostra que se a matéria for descomposta em suas menores partes, veremos que ela é constituída por pequenas cordas

            Para facilitar a compreensão, podemos fazer uma analogia entre essas cordas e as cordas de um violão: da mesma forma que as diferentes vibrações das cordas de violão produzem sons diferentes, as vibrações desses pequenos filamentos de energia produzem partículas diferentes.

            Ao afirmar que tudo que forma o universo é constituído de uma única forma, a teoria das cordas consegue unificar todas as teorias da Física. Já que todas as partículas que formam a matéria são formadas por apenas uma entidade, todas elas podem ser explicadas por apenas uma teoria. É por isso que a teoria das cordas também pode ser chamada de teoria de todas as coisas (Theory of Everything – TOE).

            A principal consequência da teoria das cordas está na sua demonstração matemática: ela não funciona em um universo com três dimensões espaciais, mas, sim, em um com dez dimensões de espaço e uma de tempo! Isso quer dizer que, se a teoria for comprovada, existem sete dimensões espaciais que não conseguimos perceber e que vão além da altura, comprimento e largura. Isso representa uma nova visão do universo bem diferente do que já conhecemos.

            Apesar de todos os avanços já apresentados, a teoria das cordas é, ainda, apenas uma ideia e não pode ser demonstrada experimentalmente. Espera-se que, com o avanço das pesquisas em torno dos aceleradores de partículas, seja possível comprová-la nos próximos anos.

Por Mariane Mendes

Graduada em Física

Quantas dimensões existem? Explicando a Teoria das Cordas

            A Teoria das Cordas propõe que os constituintes fundamentais do universo são “cordas” unidimensionais em vez de partículas pontuais. O que percebemos como partículas são realmente vibrações em laços de corda, cada um com sua própria frequência característica. A teoria das cordas surgiu como uma tentativa de descrever as interações de partículas como prótons. Desde então, desenvolveu-se em algo muito mais ambicioso: uma abordagem para a construção de uma teoria unificada completa de todas as partículas e forças fundamentais.

            As tentativas anteriores de unificar a física tiveram problemas incorporando a gravidade com as outras forças . A teoria das cordas não só abrange a gravidade, mas exige. A teoria das cordas também exige seis ou sete dimensões extras do espaço e que contém formas de ligação de grandes dimensões extras para os pequenas. O estudo da teoria das cordas também levou ao conceito de supersimetria, que seria o dobro do número de partículas elementares. Os praticantes estão otimistas de que a teoria das cordas, eventualmente, fazem previsões que podem ser testadas experimentalmente. A teoria das cordas já teve um grande impacto sobre a matemática pura, cosmologia (estudo do universo) , e da forma como os físicos de partículas interpretam experimentos, sugerindo novas abordagens e possibilidades para explorar.

            Para melhor entendimento, apresentamos esta analogia:

            Imagine que uma corda de violão sendo afinada esticando-a sob uma certa tensão em toda a guitarra. Dependendo de como esta corda for tocada e  de quanto de tensão é aplicada, diferentes notas musicais serão criadas pela corda. De modo semelhante, na teoria das cordas, as partículas elementares que observamos nos aceleradores de partículas poderiam são as “notas musicais” ou modos de excitação das cordas elementares. Na teoria das cordas, como tocar guitarra, a sequência de caracteres deve ser esticada sob uma tensão, a fim de tornar-se animada. No entanto, as cordas da teoria das cordas estão flutuando no espaço-tempo, elas não estão amarrados a uma guitarra. No entanto, eles têm tensão. A tensão das cordas na teoria das cordas é denotada pela quantidade 1/(2 p a’), onde o a é pronunciado “prime alfa” e é igual ao quadrado da escala de comprimento da corda.

            Desde os anos 1930, quando foram propostas a teoria da Relatividade Geral e a Mecânica Quântica, ficou claro que as duas teorias não eram compatíveis entre si, já que a gravitação descrita pela teoria da Relatividade Geral é determinística e contínua, propriedades não aceitáveis pela Mecânica Quântica. Portanto desde o início do século XX, busca-se uma nova teoria que unifique estas teorias, formando uma Teoria de Tudo.

            Em 1919, o matemático alemão-polonês Theodor Franz Edward Kaluza (1885-1945) propôs que o Universo poderia ter mais do que 4 dimensões, dando início à popular 5a dimensão. Em 1926 o matemático sueco Oskar Klein (1894-1977) propôs que o tecido do nosso Universo poderia ter dimensões estendidas e enroladas (dobradas sobre si mesmo).

            Adicionando uma dimensão extra à Teoria da Relatividade Geral de Albert Einstein, Kaluza mostrou que as equações extra eram similares às de James Clerk Maxwell (1831-1879), unificando a teoria gravitacional de Einstein com a teoria do eletromagnetismo de Maxwell, mas mais tarde as constantes de acoplamento entre as teorias entraram em conflito com as observações experimentais.

            Em 1968 Gabriele Veneziano, atualmente no CERN, descobriu que as funções $\beta$ de Leonhard Euler (1707-1783) descreviam várias propriedades da interação forte.

            Em 1970, o japonês Yoichiro Nambu (1921-), da Universidade de Chicago, o dinamarquês Holger Bech Nielsen, do Niels Bohr Institute e  Holger NielsenLeonard Susskind, da Universidade de Stanford,  Leonard Susskind propuseram que cordas uni-dimensionais em vibração podiam ser descritas pelas funções $\beta$ de Euler, dando início à teoria de cordas.

            Em 1974, John H. Schwarz (1941-), do Caltech e Joël Scherk (-1980), da Ecole Normale Superior, mostraram que as partículas mensageiras de spin 2 existentes na teoria de cordas tinhas as propriedades do gráviton – o quantum da gravitação, demonstrando que a teoria de cordas descrevia não somente a interação forte, mas também a força gravitacional, sem introduzir infinitos.

            A teoria das cordas cósmicas — superstrings — na forma atual, foi proposta em 1984 por Michael B. Green, do Queen Mary College, em Londres, e por John H. Schwarz, unificando a teoria de cordas com a supersimetria. Ela leva a um espectro de excitação com um número idêntico de férmions e bósons, e resolvendo o conflito quântico da teoria de cordas, pois mostrava que as anomalias anteriores se cancelavam. Nesta teoria, padrões vibracionais distintos de uma mesma corda fundamental (um loop), com comprimento de Planck (10-33 cm), dão origem a diferentes massas e diferentes cargas de força. Para que as anomalias sejam canceladas, a teoria requer a existência de 9 dimensões espaciais e uma dimensão temporal, com um total de 10 dimensões. As outras dimensões estão enroladas sobre si mesmo, com distâncias menores que o comprimento de Planck, e portanto não podem ser detectadas.

            Cada ponto do espaço tem estas dimensões extras, mas tão enroladas que não podem ser detectadas diretamente. Se as dimensões extras são associadas a espaços compactados — para cada ponto do espaço-tempo quadri-dimensional — seu tamanho reduzido é compatível com as observações.

            Na teoria atual, as dimensões extras se compactaram 10-43 segundos após a formação do Universo atual.

            Michael James Duff (1949-), da Texas A&M University, Chris M. Hull e Paul K. Townsend, ambos da Universidade de Cambridge, calculam que a teoria precisa de 11 dimensões, e não somente 10. Se uma das dimensões enroladas é de fato uma outra dimensão temporal, e não somente espacial, uma viagem no tempo pode ser possível.

            As dimensões extras não estão enroladas de maneira aleatória, mas em formas de Calabi-Yau, de Eugenio Calabi, da Universidade da Pennsylvania, e do chinês Shing-Tung Yau (1949-), da Universidade de Harvard, de acordo com o inglês-americano Philip Candelas (1951-), da Universidade do Texas em Austin, Gary T. Horowitz, da Universidade da Califórnia Santa Barbara, Andrew Strominger, de Harvard, e do americano Edward Witten (1951-), de Princeton.

            A grande vantagem da teoria de cordas é que as interação não ocorrem em pontos unidimensionais, mas sim em regiões muito pequenas.

Princípio Holográfico

            Enquanto a Teoria da Relatividade Geral de Einstein prevê que a informação se perde dentro de um buraco negro, a Teoria de Cordas prevê que a informação não se perde, pois as cordas são infitas, deixando a informação no horizonte do buraco negro.

            O princípio holográfico é uma hipótese baseada em teorias da gravidade quântica, proposta por Gerard ‘t Hooft (1993, Dimensional Reduction in Quantum Gravity, pp. 10026, arXiv:gr-qc/9310026) e aperfeiçoada e interpretada através da Teoria de Cordas por Leonard Susskind [1995, The World as a Hologram, Journal of Mathematical Physics, 36 (11), 6377], afirmando que toda a informação contida num volume de espaço pode ser representada pela informação que reside na fronteira daquela região, já que a teoria de cordas admite uma descrição em dimensão mais baixa em que a gravidade aparece de uma forma holográfica [Charles Thorn; Raphael Bousso, 2002, The holographic principle, Reviews of Modern Physics, 74 (3), 825].

            Este princípio foi inspirado pela determinação por Stephen Hawking de que a máxima entropia de qualquer região é proporcional ao raio ao quadrado (área), e não ao cubo (volume). Desta maneira, a informação sobre os objetos que entram em um buraco negro está contida nas flutuações superficiais do horizonte de evento, resolvendo o paradoxo da informação em um buraco negro, no âmbito da Teoria de Cordas.

            Acredita-se que na próxima década, os aceleradores de partículas estarão encontrando evidências de supersimetria de  alta energia. Se estas evidências forem confirmadas, será um passo convincente para que a teoria das cordas se torne um bom modelo matemático para a Natureza nas escalas subatômicas.

https://pt.wikipedia.org/wiki/Teoria_das_cordas

http://brasilescola.uol.com.br/fisica/teoria-das-cordas.htm

http://www.misteriosdouniverso.net/2015/01/quantas-dimensoes-existem-explicando.html

https://pt.wikipedia.org/wiki/Espa%C3%A7o-tempo

http://www.jeffersondemello.com.br/teoria3/teoria3.shtml

[1] A ausência de dados observacionais impede que a “teoria das cordas” seja dita uma “teoria científica“, pelo menos na acepção moderna; ao rigor do termo, portanto. Entretanto a história nos mostra que nem sempre os fatos que levam à proposição ou evolução de uma teoria precedem as ideias que ela encerrara ou encerrará quando corroborada. A saber, os mais importantes fatos que corroboram as propostas da relatividade de Einstein foram obtidos posteriormente à divulgação de suas ideias, sendo a elaboração destas impelidas em verdade por inconsistências entre duas teorias já consolidadas à época, a mecânica clássica e o eletromagnetismo. Entretanto a ressalva é implacável: sem fatos que corroborem as ideias propostas, a “teoria” não pode ser dita uma teoria científica. Tão pouco pode ter-se por certo que nosso universo possui realmente 11 dimensões apenas porque a “teoria das cordas” aponta para tal. Verificáveis até o momento há apenas quatro dimensões, as quatro que compõem o espaço-tempo da relatividade

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O NÚMERO 7

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            Curiosidades sobre o número:

  • 7 maravilhas do mundo
  • 7 sábios da Grécia
  • 7 anões da Branca de Neve
  • 7 dias para a criação do Mundo
  • 7 dias da semana
  • 7 quedas a caminho do Gólgota
  • 7 Divindades que comandam a Natureza
  • 7 cabeças da Hidra de Lerna
  • O Candelabro de 7 braços
  • Os 7 castiçais de ouro
  • As fases dos 7 Anos
  • As 7 lâmpadas de fogo
  • O livro dos 7 Selos
  • As 7 notas musicais: dó, ré, mi, fá, sol, lá, si
  • Os 7 palmos das sepulturas
  • As 7 Idades Do Homem
  • Os 7 Planetas Sagrados
  • As 7 vacas, 7 espigas do sonho do Faraó, desvendado por José do Egito
  • As 7 Taças (cheias de pragas) Apocalipse XVI
  • Os 7 contra Tebas
  • As 7 Trombetas do Apocalipse
  • Os 7 candeeiros da Seicho-no-ie (ensinamento pensamento positivo – originario do Japão)
  • As 7 linhas de orixá da Umbanda (elemento religioso afro-brasileiro)
  • As 7 Virtudes Cardeais da Ordem Demolay
  • Pular 7 ondas logo após o reveillon
  • 7 foi o numero de palavras da ultima frase de Jesus na cruz “pai em tuas mãos entrego meu espirito”
  • 7 linhas de Umbanda ou Sete Orixás , isto é, dizemos sete Orixás são manifestadores de sete vibrações.
  • 7 chakras magnos (centros de energia do ser humano)
  • 7 degraus que separam o ser humano da consciência humana.
  • A pirâmide vista de cima tem quatro lados, vista de lado tem um perfil de 3 dos (triangular). 3+4= 7
  • A trindade espiritual, mais os elementos da terra (terra, agua, fogo e ar) somados dá 7
  • 7 dimensões astrais, 7 dimensões do plano mental.
  • 7 corpos do ser humano: Físico, etérico, astral, mental, causal, búdico, atmico.
  • A Guerra dos Sete Anos
  • 7 cores do arco-íris.

Diversas Vertentes

            Religião:

            Os 7 Pecados Capitais:

  1. a) Vaidade
  2. b) Avareza
  3. c) Ira
  4. d) Preguiça
  5. e) Luxúria
  6. f) Inveja
  7. g) Gula

            Os 7 desastres do apocalipse:

            As 7 Virtudes Cardinais:

  1. a) Castidade
  2. b) Generosidade
  3. c) Temperança
  4. d) Diligência
  5. e) Paciência
  6. f) Caridade
  7. g) Humildade

            Os 7 Sacramentos:

  1. a) Batismo
  2. b) Confirmação
  3. c) Eucaristia
  4. d) Sacerdócio
  5. e) Penitência
  6. f) Extrema-unção
  7. g) Matrimônio

            As 7 Igrejas da antiguidade:

  1. a) Tiatira
  2. b) Éfeso
  3. c) Esmirna
  4. d) Laodicéia
  5. e) Filadélfia
  6. f) Pérgamo
  7. g) Sardes

            7 são as dores de Nossa Senhora:

  1. a) A perda do menino Jesus no Templo
  2. b) A fuga para o Egito
  3. c) O encontro com Jesus na rua da amargura
  4. d) A Crucificação de Nosso Senhor Jesus Cristo
  5. e) A morte de Jesus Cristo
  6. f) O Filho morto é colocado em seus braços
  7. g) O sepultamento de Jesus

            Os 7 livros do Antigo testamento

            Livro de Jó

            Livro dos Salmos

            Livro dos Provérbios

            Livro do Eclesiastes

            Cântico dos Cânticos

            Livro da Sabedoria

            Livro do Eclesiástico (Sirac)

            O número 7 (sete), é cabalístico na Umbanda, porque:

            7 são as Nações que praticam a Umbanda

            7 são as Linhas de cada Nação

            7 são os Orixás que comandam estas Linhas

            7 são as Posições Fundamentais e Liturgias na Umbanda

            7 são as rogatórias do Pai Nosso

            7 cidades sagradas da Índia

            7 são as Posições Secundárias e Ritualísticas na Umbanda

            Astronomia

            Os 7 astros sagrados:

  1. a) Sol
  2. b) Lua
  3. c) Mercúrio
  4. d) Vênus
  5. e) Marte
  6. f) Júpiter
  7. g) Saturno

            As Constelações de 7 Estrelas:

  1. a) Alcione
  2. b) Caleano
  3. c) Asterope
  4. d) Merope
  5. e) Tayegeta
  6. f) Eletra
  7. g) Maya

            Tycho Brahe, conseguiu marcar as posições de 777 estrelas no firmamento

            Arte

            Manifesto das Sete Artes:

  1. a) Música
  2. b) Pintura
  3. c) Escultura
  4. d) Arquitetura
  5. e) Literatura
  6. f) Coreografia
  7. g) Cinema

            Física

            7 Cores refratadas pelo Prisma:

  1. a) Vermelho
  2. b) Laranja
  3. c) Amarelo
  4. d) Verde
  5. e) Ciano
  6. f) Azul
  7. g) Violeta

            Esoterismo

            Os 7 Planos da Evolução:

  1. a) Plano dos Espíritos Virginais, do Criador
  2. b) Plano do Espírito Divino
  3. c) Plano do Espírito
  4. d) Plano da Vida
  5. e) Plano do Pensamento
  6. f) Plano do Desejo
  7. g) Plano do Mundo Básico

            Os 7 Elementais:

  1. a) Arcanjos
  2. b) Anjos
  3. c) Devas
  4. d) Silfos
  5. e) Gnomos
  6. f) Salamandras
  7. g) Ondinas

            Os 7 Grandes princípios Herméticos

            7 signos são representados por animais

            7 são os Chacras entéricos

            7 são os Plexos na matéria

            Teosofia

            Os sete raios de luz ou mestres ascencionados da sociedade secreta Grande Fraternidade Branca

            El Morya — Primeiro Raio, cor azul-celeste

            Lanto — Segundo Raio, cor amarelo-ouro

            Paulo Veneziano — Terceiro Raio, cor rosa

            Seraphis Bey — Quarto Raio, cor branca

            Hilarion — Quinto Raio, cor verde

            Nada — Sexto Raio, cor púrpura-dourado

            Saint Germain — Sétimo Raio, cor violeta

            A mônada ou Atman é o 7º princípio na Sete princípios do homem (teosofia), o mais elevado princípio do ser humano.

            Os 7 períodos:

  1. a) Período de Saturno
  2. b) Período Solar
  3. c) Período Lunar
  4. d) Período Terrestre
  5. e) Período de Júpiter
  6. f) Período de Vênus
  7. g) Período de Vulcano

            As 7 revoluções de cada período

            As 7 regiões do mundo de desejos

            As 7 regiões do mundo do pensamento

            Filosofia

            Os 7 Sábios da Grécia:

  1. a) Thales de Mileto
  2. b) Bias
  3. c) Cleopulo
  4. d) Mison
  5. e) Quilon
  6. f) Pitaco
  7. g) Sólon

            Os 7 Princípios da Moral Pitagórica:

  1. a) Retidão de propósitos
  2. b) Tolerância na opinião
  3. c) Inteligência para discernir
  4. d) Clemência para julgar
  5. e) Ser verdadeiro em Palavras e Atos
  6. f) Simpatia
  7. g) Equilíbrio

            As 7 Virtudes Humanas:

  1. a) Esperança
  2. b) Fortaleza
  3. c) Prudência
  4. d) Amor
  5. e) Justiça
  6. f) Temperança
  7. g) Fé

            Os Deuses do Olimpo tinham 7 formas:

  1. a) Forças Espirituais
  2. b) Forças Cósmicas
  3. c) Deuses
  4. d) Corpos Celestes
  5. e) Poderes Psíquicos
  6. f) Reis Divinos
  7. g) Heróis e Homens Terrestres

            Os ítens universais ontológicos propostos pelos empíricos neo-materialistas são 7.

O Significado do número Sete

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            O número SETE é com certeza o mais presente em toda filosofia e literatura sagrada desde os tempos imemoriais até os nossos dias. O número SETE é sagrado, perfeito e poderoso, afirmou Pitágoras, matemático e Pai da Numerologia. É também considerado um número mágico. É um número místico por excelência. Indica o processo de passagem do conhecido para o desconhecido. O SETE é uma combinação do TRÊS com o QUATRO; O TRÊS, representado por um triângulo, é o Espírito; o QUATRO, representado por um quadrado, é a Matéria. O SETE podemos dizer que é Espírito na Terra, apoiado nos quatro Elementos, ou a Matéria “iluminada pelo Espírito”. É a Alma servida pela Natureza.

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            O número QUATRO que simboliza a Terra, associado ao TRÊS, que simboliza o Céu, permite inferir que o SETE representa uma Totalidade em Movimento ou um Dinamismo Total, isto é, a Totalidade do Universo em Movimento.

            O SETE é o número da Transformação, é a primeira manifestação do homem para conhecer as coisas do espírito, as coisas de Deus, a Criação. Ele é o número da Perfeição Divina, pois no sétimo dia Deus descansou de todas as suas obras. Ao lado do TRÊS, é o mais importante dos números sagrados na tradição das antigas culturas orientais.

            Entre os judeus a concepção oriental do SETE se manifesta no Candelabro de sete braços (MENORAH), que representa tanto a divisão em Quatro partes da órbita da Lua, que dura 4 vezes 7, quanto os sete planetas.

            Na Europa Medieval dava-se muita importância aos grupos de sete:

        Havia SETE dons do Espírito Santo, representados na arte gótica em forma de Pomba;

            SETE eram as virtudes;

            SETE eram as artes;

            SETE as ciências;

            SETE eram os sacramentos;

            SETE pecados capitais; e

            SETE pedidos expressos no Pai Nosso.

            Na Antiga China o SETE deveria ser associado, enquanto número ímpar, ao princípio masculino do Yang (cf. yin-yang), mas exprimia a ordenação dos anos de vida da mulher, que hoje se sabe estão presentes de forma similar também na vida do homem. A repetição por sete dias também era importante no culto dos mortos: a cada sete dias depois do falecimento, até o 49o.dia eram organizados festejos e sacrifícios em memória do morto. No sétimo dia do sétimo mês ocorria uma grande festa para as jovens mulheres e as moças.

            Podemos citar ainda várias outras “coincidências” (?) em relação ao SETE: São 7 as notas musicais, foram 7 as pragas do Egito, são 7 os Arcanjos, são 7 as obras de misericórdia. 7 são os níveis de densidade da matéria que nos envolve. O arco-íris tem 7 cores. Nossas células todas mudam de 7 em 7 anos. Temos 7 glândulas endócrinas. São sete os nossos chacras. Os 7 dias da semana também marcam profundamente nossos ritmos.

            Ciclos de Vida de sete em sete anos

           A cada sete anos encerramos um ciclo de vida e entramos noutro. Todas as grandes mudanças ocorrem entre o final de um ciclo e o início de outro.

           Até os 7 anos a criança é INOCENTE.

         A partir daí, até os 14 anos, ela aprende a ser esperta, a fazer jogos, a usar máscaras. Aos 14 anos desabrocha a sexualidade e ela se interessa pelo outro. Uma nova visão de vida surge e ela começa a sonhar e a fantasiar.

      Com 21 anos surge a necessidade de ser poderoso: ter mais dinheiro, tornar-se famoso, conquistar prestígio.

       Aos 28 anos ela começa a se assentar, a pensar em segurança, conforto, conta bancária.

       Chegando aos 35 anos novamente uma mudança começa a acontecer. Surgem considerações sobre o significado da vida, da morte e entra o medo. É também a idade onde algumas doenças começam a se manifestar.

            Com 42 anos uma pessoa começa a ficar religiosa. Agora, a morte e o significado da vida, não são mais só assuntos intelectuais e ela começa a ser dar conta que se quiser realmente quisermos fazer algo, é bom começar logo. Com 42 anos a pessoa precisa de alguma religião, assim como aos 14 ela necessitava um relacionamento sexual.

          Ao chegar aos 49 anos ela se assenta em relação à religião. Ela já encontrou algumas respostas que vão além do mundo material e objetivo. Com 56, se as coisas ocorrerem naturalmente e a pessoa seguir seu ritmo, ela começa a ter alguns vislumbres do divino.

            Com 63 anos, se tudo continuar seu curso natural, ela terá seu primeiro “satori” – compreensão, iluminação. E se isto acontecer nessa idade, ela poderá ter uma morte bonita, pois ela será uma porta para o divino.

            A cada sete anos o corpo chega a um ponto aonde o velho vai e o novo se assenta e há um período transitório. Nesse período TRANSITÓRIO, tudo é LÍQUIDO.

           Se você quiser que alguma nova dimensão penetre em sua vida, este é o momento preciso! Quando as coisas são líquidas, a transformação é fácil.

      Dentro dos grandes ciclos do mundo, nós estamos vivendo esse período TRANSITÓRIO, onde tudo é LÍQUIDO. Velhos códigos e mandamentos tornaram-se inúteis e novos padrões ainda não estão assentados.

            Este é, portanto, um período onde grandes mudanças podem ocorrer, novos rumos podem ser tomados e toda a humanidade está se dando conta disso.

            Mistérios do número Sete

            No momento em que Planeta completa o seu sétimo aniversário, não poderiamos deixar de nos perguntar o significado numerológico desse acontecimento. Para isso, resolvemos fazer uma especulação filosófica geral em torno do sete. Esse número apresenta-se como sendo, místico, misterioso, aritmeticamente “esquisito” e, principalmente, como sendo o número da Criação. Ao identificá-lo com a soma de 3 (Trindade Divina) mais 4 (os quatro elementos do número físico), o sete surge como a união do homem com Deus.

Antonio Zago

            O sete é o número místico por excelência. Ele goza de uma série de privilégios, não apenas entre os ocultistas como também em todas as religiões e seitas, das mais primitivas as mais modernas.

            Não bastasse ser o número da Criação — 3 (o céu) + 4 (a terra) = 7 — , é também o número que indica a relação viva entre o divino e o humano. Isso está mais ou menos implícito na estrela de Salomão, onde dois triângulos se cruzam: um ascendente e outro descendente. As seis pontas, mais o ponto central, somam o sete místico, simbolizando a união do céu e da terra, do Bem e do Mal, do divino e do humano.

            Os sete selos de São João: simbologia numerológica do Apocalipse.

            Todos os livros sagrados estão cheios de exemplos da excelência do número sete. Mas a Bíblia, pela proximidade com a nossa cultura, é o livro que mais tem atraído a nossa atenção. Contam-se ás centenas os exemplos da força e do poder do número sete na nossa Bíblia.

          No livro da Gênesis, por exemplo, vamos encontrar o sete como o número da Criação. No primeiro dia Deus criou a luz, separando-a das trevas; no segundo dia Deus criou a abóbada celeste, separando as águas de cima das águas de baixo; no terceiro, criou a terra firme, separando-a das águas, e espalhou nela a vegetação; no quarto, criou o Sol, a Lua e as estrelas; no quinto dia criou os peixes, os monstros marinhos e os pássaros; no sexto, criou os animais, os répteis e o homem; e, no sétimo dia, Ele descansou.

            “Assim foram acabados o céu e a terra e todos os seus ornatos. E Deus acabou no sétimo dia a obra que tinha feito; e descansou no sétimo dia de toda a obra que tinha feito. E abençoou o dia sétimo, e o santificou, porque nele tinha cessado de todo a sua obra, que tinha criado e feito”. Gênesis, 2, 1-3.

          Assim, desde a criação do mundo, um tempo foi imprimido ao ritmo universal quando Deus decidiu que a semana teria sete dias e não cinco ou dez. Como disse Ray Bradbury, “Os sete dias estão inscritos em nosso sangue em letras de fogo. . .“. Ao mesmo tempo, Deus dedicou o sétimo dia ao descanso. O sétimo dia é sagrado.

            O padre-nosso cristão e a simbologia do Sete

            No próprio cristianismo vamos encontrar o sete na base da sua principal oração. O padre-nosso inicia com uma invocação e termina com uma dedicatória. Entre o princípio e o fim vamos encontrar sete petições:

            1- Santificado seja o Vosso nome;

            2 – Venha a nós o Vosso reino;

            3 – Seja feita a Vossa vontade, assim na Terra como no Céu;

            4 – O pão nosso de cada dia nos dai hoje;

            5 – Perdoai as nossas dívidas assim como perdoamos aos nossos devedores;

            6 – Não nos deixeis cair em tentação;

            7 – Livrai-nos do mal.

            Como vemos, das sete petições presentes no padre-nosso as três primeiras são dirigidas a Deus e as quatro seguintes ao homem. Isso nos remete a um outro mistério que cerca o número sete enquanto número da Criação. O sete é a junção do 3 (divino) e do 4 (físico e humano).

            Anteriormente, no Livro da Gênesis, víramos que Deus, ao criar o mundo, dedicou os três primeiros dias à criação dos “campos” onde as criaturas agiriam nos quatro dias restantes.

            Essa divisão é válida e pode ser observada na maioria dos exemplos onde o sete servir de base. Nas sete virtudes, três são sobrenaturais (fé, esperança, caridade) e quatro são cardeais (prudência, justiça, fortaleza e temperança). Os sete pecados capitais se dividem em três que pertencem ao espírito (soberba, ira, inveja) e quatro que pertencem ao corpo (luxúria, gula, avareza e preguiça). Dos sete sacramentos da igreja católica, três se referem a vida espiritual (batismo, confirmação, eucaristia) e os quatro restantes referem-se á vida mundana (penitência, ordem, matrimônio, extrema-unção). Portanto, para entendermos totalmente o significado do número sete, temos que analisar anteriormente os números 3 e 4, ou seja, o ternário e o quaternário.

            A Trindade Divina é uma parte do sete

            Na Grécia antiga, entre os pitagóricos, o 3 era considerado o número perfeito por ter princípio, meio e fim. Por essa razão, o 3 era considerado o símbolo do divino.

            O círculo da eternidade, com os triângulos superior (Deus) e inferior (homem) tendendo para direções opostas, uma vez que estão em luta constante. Resolvido este impasse, o homem reconhecerá que o seu Eu, seu Centro (ponto central), é o mesmo que o de Deus.

            Os gregos tinham ainda três destinos, três fúrias e três graças. Os deuses eram sempre representados com um triplo instrumento de poder: o tridente de Netuno, o raio triplo de Júpiter. Os antigos imaginavam o mundo composto de três partes: céu, terra e subsolo. Assim, o homem tinha que ser dividido em três partes, a saber: corpo, alma e mente. A mente se subdivide em consciente, subconsciente e superconsciente (ego, superego e id).

         Porém, o uso mais claro do poder divino do número três é a descrição que normalmente se faz da divindade como sendo trina. No dogma cristão esse aspecto aparece quando se afirma que Deus é Um na essência mas possui três aspectos distintos, ou seja, Pai, Filho e Espírito Santo. Entre os nórdicos a divindade também possuía o seu aspecto triplo: Har, Janfar, Thridi.

            Entre os babilônicos; Anu era o deus-chefe da trindade composta ainda pon Enlil e Ea. Entre os egípcios, a trindade divina seguia o protótipo de uma outra espécie: pai-mãe-filho, ou seja, Osiris, Isis e Hórus. Entre os etruscos, Tina, Cupra e Menrva apareciam sempre juntas e representavam o fogo, a fertilidade e a sabedoria.

            Jachin e Boaz, os dois legendários pilares do Templo de Salomão. Entre ambos, os sete pilares do tabernáculo, representando os sete planetas da astrologia tradicional (gravura rosacruz).

      Quanto aos hindus, todos sabem que eles adoravam separadamente as três divindades distintas: Brahma, Siva e Vishnu. Porém, a primeira lição ensinada aos discípulos na iniciação aos mistérios profundos era de que esta separação é ilusória, sendo que os três representam aspectos do Uno.

          Três é, portanto, o número das forças da Criação. Essas forças são representadas por dois pólos que se opõem e um terceiro fator de interação e equilíbrio. Nesse sentido, o símbolo real da divindade é o triângulo eqüilátero. Ora, colocando-se um triângulo com um dos vértices voltado para cima (símbolo do superior) sobre um triângulo com um dos vértices voltado para baixo (símbolo do inferior), teremos a estrela de Davi. Colocando-se um ponto no centro dessa estrela (ou um círculo á sua volta) teremos novamente o número sete, simbolizando aqui o encontro do homem com Deus.

            Vejamos agora o significado do número 4, ou seja, do quaternário.

          Desde a mais remota antigüidade o quatro sempre foi considerado o número do mundo físico. A primeira e mais racional das explicações para esse fenômeno diz que o mundo físico é composto por quatro elementos: terra, ar, água e fogo. A outra explicação é que o quatro estaria relacionado aos quatro pontos cardeais. Vale mesmo a pena perguntar por que quatro pontos cardeais (norte, sul, leste e oeste) e não três ou seis. Acredita-se ainda que este conceito seria derivado da simetria do corpo humano.

            Um número “esquisito” até para os matemáticos

            Os exemplos tirados da Bíblia confirmam a idéia do quatro relacionado ao mundo físico. O rio que sai do Paraíso se divide em quatro outros rios. O Altar dos Sacrifícios tem quatro pontas, dirigidas aos quatro pontos cardeais. Os quatro animais que sustentam o Trono da Revelação referem-se aos quatro elementos.

            No Novo Testamento vamos encontrar o quatro de uma forma bastante dramática: os soldados romanos dividem em quatro partes as roupas de Jesus crucificado.

            Esta separação das vestes do Doce Rabi da Galiléia simboliza a dissolução do seu corpo material e o seu regresso aos quatro elementos de que era composto.

            Entre os maias, o quatro também aparece ligado ao mundo material: eles tinham quatro deuses, sendo que cada um suportava um dos quatro cantos da Terna — Cauac (sul), Mulac (norte), Kan (este) e Ix (oeste).

            Não podemos nos esquecer que são quatro as estações do ano (primavera, verão, outono, inverno); são quatro as fases da Lua (crescente, minguante, nova e cheia); são quatro as partes do dia (madrugada, manhã, tarde e noite); tudo isso equivale as quatro fases da vida do homem (nascimento, crescimento, maturidade e morte).

            Em sua autobiografia, intitulada Memórias, Sonhos e Reflexões, o grande psicólogo suíço Carl Gustav Jung refere-se a idéia da quaternidade: “A quaternidade é um arquétipo de ocorrência quase universal. Constitui a base lógica para qualquer raciocínio completo. Se alguém desejar transmitir esse raciocínio, ele deverá ter esse aspecto quaternário. Por exemplo, se quisermos descrever o horizonte como um todo, refenir-nos-emos aos quatro quartos do céu. Há sempre quatro elementos, quatro qualidades principais, quatro cores, quatro castas, quatro formas de desenvolvimento espiritual, etc. Do mesmo modo, existem quatro aspectos de orientação psicológica. Para nos orientarmos, temos de possuir uma função que nos garanta que qualquer coisa está ali (sensação); uma segunda função que estabeleça o que é (pensamento); uma terceira função que estabeleça se serve ou não, se aceitamos ou não (sentimento); e uma quarta função que nos indique de onde uma coisa veio e para onde vai (intuição). Sempre que as coisas se passem desta maneira, nada mais há a dizer… A perfeição ideal é o círculo ou esfera, mas a sua divisão natural mínima é uma quaternidade”.

            O quadrado e a cruz são os dois símbolos universais do quaternário. A cruz, ao contrário do que muita gente pensa, é um símbolo que foi englobado pelo cristianismo, mas que o antecede em milhares de anos. Os escandinavos já colocavam cruzes sobre os túmulos dos seus mortos muitos anos antes do aparecimento do cristianismo. Para os egípcios a cruz simbolizava a vida, e entre os astecas, antes de qualquer contato com os cristãos, a cruz já era um símbolo sagrado.

            Mas enfim, seja qual for a sua forma, o número quatro se relaciona sempre ao mundo físico (ou terrestre) em oposição ao número três, que se refere ao divino (espiritual). Assim sendo, o número sete (3 + 4) é, sem dúvida alguma, o número da Criação.

            Os sete chacras, segundo a tradição da hatha-ioga. O iogue busca atingir cada um dos chacras, até chegar ao sétimo – a perfeição.

        Mas, além de ser um número sagrado, o sete é também um número aritmeticamente “esquisito”. Desmond Varley, em seu livro Sete, o Número da Criação, diz: “Se pedirmos a uma dúzia de pessoas que nos digam rapidamente um número ao acaso, de um a dez, pelo menos oito delas nos responderão, invariavelmente, sete”. Por outro lado, as crianças parecem apresentar uma dificuldade especial em aprender a tabuada do sete. E mesmo os adultos costumam tropeçar na resposta quando lhes é perguntado quanto são oito vezes sete.

            O uso do sete nas pirâmides do Egito

            O sete é o único número simples para o qual não existe regra fácil se quisermos saber se ele é fator de um determinado número. O sete é um número primo e o único a não ser aritmeticamente nem múltiplo nem divisor de um outro número entre 1 e 10. 0 sete é, sem dúvida alguma, um número diferente. Parece que o seu segredo é propriedade dos deuses.

            No caso da matemática, os números podem ser manipulados racionalmente. Mas o mistério aparece quando nos referimos aos conjuntos estelares que sempre serviram de orientação aos homens. A constelação mais importante do Equador é Órion; a mais brilhante do Círculo Polar Ártico é a Ursa Maior; e, para o grupo circumpolar sul, é o nosso Cruzeiro do Sul. Pois bem, essas três constelações são formadas por sete estrelas visíveis a olho nú a qualquer hora da noite em seus hemisférios (a do Equador é visível ao norte e ao sul), desde que haja condições para tal. No entanto — e aí o mistério ganha proporções — como explicar a plêiade das Sete Irmãs, quando na verdade apenas seis estrelas são visíveis a olho nú? Somente uma tradição oculta poderia ter designado a sétima estrela (invisível) para os que não possuíam os sofisticados aparelhos da astronomia moderna.

            Outro exemplo do sete “oculto” vamos encontrar nas pirâmides do Egito. Desmond Varley, no seu livro anteriormente citado, pergunta-se: “Podemos ser positivos ao afirmar que os construtores das pirâmides do antigo Egito viram a pirâmide como um símbolo do Sol, mas será que eles também a relacionaram com o septenário, como nós o fazemos?”.

            “A semana da Criação”, segundo Desmond Varley, autor de Sete, o Número da Criação. Os sete pilares Sabedoria, citados no Velho Testamento. Varley sugere que eles significam uma lista de virtudes. O candelabro de sete braços, um dos mais importantes objetos do culto judáico. A ramificação do meio seria o próprio homem, o centro da Criação.

            A resposta pode ser encontrada na grande pirâmide de Quéops, não apenas pelo seu significado esotérico mas também pelo fato de ser a mais pesquisada e estudada. Em primeiro lugar, a pirâmide (não apenas a de Quéops, mas todas) está relacionada ao sete em sua construção aparente, ou seja, sua base é quadrada (quatro) e seu perfil é triangular (três), cujas figuras projetadas formam o sete. Por outro lado, a grande pirâmide de Quéops possui três câmaras escondidas em seu interior: a do rei, na parte mais alta da pirâmide, simbolizando o mundo superior (o céu); a câmara da rainha, ao nivel do solo, simbolizando o mundo terrestre (físico); e, finalmente, uma terceira câmara, situada bern abaixo do nível do solo, simbolizando o mundo subterrâneo (inferior). Portanto temos, claramente, o número três.

            As câmaras acima descritas estão ligadas ao corredor da entrada por um sistema de corredores que — qual o rio que corria do Paraíso — divide-se em quatro em um determinado ponto. Três câmaras e quatro corredores: temos novamente o número Sete.

            Os sete degraus da Consciência: estágios que o homem deve percorrer até chegar a identificação com a Consciência Divina.

            Símbolo da medicina e os chacras da ioga

            Ainda entre as culturas antigas, vamos encontrar o sete simbolizado no caduceu, símbolo ainda usado pela medicina e que foi descoberto na forma utilizada ainda hoje em uma taça suméria datada de 2600 anos antes de Cristo.

            O caduceu consiste em duas serpentes iguais, enroscadas em um bastão, sendo que o seu significado original era, sem dúvida alguma, triplo. Pode ter sido o símbolo do Bem e do Mal (as duas serpentes) que se reconciliam em um terceiro elemento (o bastão), visto por muitos como o símbolo da eternidade. Na versão original sumeriana as serpentes se cruzam sete vezes, incluindo-se as pontas das caudas e as duas cabeças que apenas se tocam.

            Sabendo-se que os sumérios tiveram um contato muito grande com a civilização hindu, alguns autores acreditam que o caduceu dos sumérios também se referia aos sete chacras, centros ou gánglios que podem ser despertados pelos que praticam ioga, quando conseguem ver o kundalini, a feroz força da serpente que, segundo a hatha-ioga, encontra-se enroscada na base da espinha.

            O despertar do sétimo chacra equivale, para o iogue, a entrada no sétimo paraíso maometano. Existe uma simetria entre esses dois símboIos. Mas o que nos interessa no caso é a relação entre o caduceu sumério e a ioga hindu: o fato de os iogues referirem-se ao kundalini como a força da serpente faz do caduceu a representação ideal do despertar dessa força.

            Os sete dias da semana do candelabro judaico

            Entre os judeus, o sete adquire uma importância muito especial, não apenas para os cabalistas (a cabala é a doutrina secreta do judaísmo), mas mesmo entre os membros da religião oficial. O sete está presente em um dos principais objetos do culto, ou seja, a menorah, o candelabro de sete braços. E o sete aqui possui uma função bern definida. Acendem-se as sete velas do Candelabro antes da oração do Shabat, isto é, quando tem início o descanso do sábado, o dia sagrado. A luz da vela simboliza a consciência individual, em oposição a luz do sol (o Shabat tem início quando surge a primeira estrela no céu da sexta-feira), que é o símbolo da consciência universal. Assim, o candelabro de sete braços refere-se não apenas aos sete dias da Criação (incluindo-se evidentemente o Shabat, dia do descanso), mas também ao impacto que as leis divinas causaram sobre os homens. Sete são os planetas da antigüidade. Assim, a luz da vela do braço central simboliza o repouso com relação às seis luzes “planetárias” e significa a consciência que o povo judeu tem acerca de Deus: “Estai quietos e ficai sabendo que Eu sou Deus”. Esta ordem é a razão de ser do descanso sabático.

            Por outro lado, é muito interessante o simbolismo numérico das seis luzes exteriores. Essa disposição mostra que os defeitos dos três princípios da criação se encontram polarizados no homem, uma vez que cada par de luzes ocupa extremos opostos dos três ramos semicirculares. Isto significa que o princípio de exteriorização pode manifestar-se como sociabilidade de um lado e como agressividade do outro. Os princípios de reconciliação estão no único lugar onde a polarização não aparece, ou seja, no centro. Mas o centro é o próprio homem.

            Assim, no simbolismo do candelabro de sete braços, o homem aparece como o centro da Criação e sua parte mais importante, capaz de dominar e de conciliar o todo. Dessa maneira, o homem estaria destinado a desempenhar perante a natureza o mesmo papel que Deus representa diante do universo.

Bíblia

            O número sete, na Bíblia, representa a perfeição e a totalidade, vejamos:

            Deus fez o Mundo em 7 dias…

            E, havendo Deus terminado no dia sétimo a sua obra, que fizera, descansou nesse dia de toda a sua obra que tinha feito. Gênesis 2.2

            O Senhor, porém, lhe disse: Portanto quem matar a Caim, sete vezes sobre ele cairá a

vingança. E pôs o Senhor um sinal em Caim, para que não o ferisse quem quer que o

encontrasse. Gênesis 4.15

            Os 7 anos de fartura e miséria sobre o Egito…

            Eis aí vêm sete anos de grande abundância por toda a terra do Egito.

            Seguir-se-ão sete anos de fome, e toda aquela abundância será esquecida na terra do Egito, e a fome consumirá a terra; Génesis 41.29-30

            E subiram Moisés e Arão, Nadabe e Abiú, e setenta dos anciãos de Israel, e viram o Deus de Israel, e debaixo de seus pés havia como uma obra de pedra de safira e como o parecer do céu na sua claridade. Porém ele não estendeu a sua mão sobre os escolhidos dos filhos de Israel; mas viram a Deus, e comeram, e beberam.

            Então, disse o Senhor a Moisés: Sobe a mim, ao monte, e fica lá; e dar-te-ei tábuas de pedra, e a lei, e os mandamentos que tenho escrito, para os ensinares. E levantou-se Moisés com Josué, seu servidor; e subiu Moisés o monte de Deus. E disse aos anciãos: Esperai-nos aqui, até que tornemos a vós; e eis que Arão e Hur ficam convosco; quem tiver algum negócio se chegará a eles.

            E, subindo Moisés o monte, a nuvem cobriu o monte. E habitava a glória do Senhor sobre o monte Sinai, e a nuvem o cobriu por seis dias; e, ao sétimo dia, chamou o Senhor a Moisés do meio da nuvem. E o aspecto da glória do Senhor era como um fogo consumidor no cume do monte aos olhos dos filhos de Israel. E Moisés entrou no meio da nuvem, depois que subiu o monte; e Moisés esteve no monte quarenta dias e quarenta noites. Êxodo 24

            Sete dias os vestirá aquele que de seus filhos for sacerdote em seu lugar, quando entrar na tenda da revelação para ministrar no lugar santo. Exôdo 29.30

            O segundo boi, de 7 anos, que Deus pediu a Gideão…

            Naquela mesma noite, lhe disse o SENHOR: Toma um boi que pertence a teu pai, a saber, o segundo boi de sete anos, e derriba o altar de Baal que é de teu pai, e corta o poste-ídolo que está junto ao altar. Juízes 6. 25

            O profeta Elias fez 7 orações para que chovesse…

            À sétima vez disse: Eis que se levanta do mar uma nuvem pequena como a palma da mão do homem. Então, disse ele: Sobe e dize a Acabe: Aparelha o teu carro e desce, para que a chuva não te detenha…Dentro em pouco, os céus se enegreceram, com nuvens e vento, e caiu grande chuva. 1 Reis 18. 44-45

            O profeta Eliseu pediu para Namaã mergulhar 7 vezes no Rio Jordão…

            Então, Eliseu lhe mandou um mensageiro, dizendo: Vai, lava-te sete vezes no Jordão, e a tua carne será restaurada, e ficarás limpo. 2 Reis 5 – 10

            São 7 as manifestações do Espírito de Deus…

      Repousará sobre ele o Espírito do SENHOR, o Espírito de sabedoria e de entendimento, o Espírito de conselho e de fortaleza, o Espírito de conhecimento e de temor do SENHOR. Isaías 11.2

            O Candelabro de Ouro tem 7 hastes…

            E eis um candelabro todo de ouro e um vaso de azeite em cima com as suas sete lâmpadas e sete tubos, um para cada uma das lâmpadas que estão em cima do candelabro. Zacarias 4.2

            As muralhas de Jericó foram rodeadas por sete dias…

            Pela fé, ruíram as muralhas de Jericó, depois de rodeadas por sete dias. Hebreus 11.30

            O interessante também, é que em Mateus cap 23, o Salvador (Jesus) disse 7 VEZES a palavra “hipócrita” se referindo aos fariseus.

            As 7 Igrejas…

            Quanto ao mistério das sete estrelas que viste na minha mão direita e aos sete candeeiros de ouro, as sete estrelas são os anjos das sete igrejas, e os sete candeeiros são as sete igrejas. Apocalipse 1.20

            E mais: Jesus voltará ao Som da Sétima Trombeta. Apocalipse 11.15 a 18. 1 CO 15.51 e 52.

            Os 7 Anjos…

            Ouvi, vinda do santuário, uma grande voz, dizendo aos sete anjos. Apocalipse 16. 1

            As 7 Taças…

            Ide e derramai pela terra as sete taças da cólera de Deus. Apocalipse 16.1

            A semana tem 7 dias, o que tem um significado muito importante, pois quando se chega ao sétimo dia, voltamos ao primeiro e todas as vezes que o sete se “manifesta” indica o fim de um tempo e o início de outro. É como o virar de uma página. Por isso os 7 MONTES, para pôr fim ao sofrimento e começar uma nova vida, pois, até então, temos visto coisas maravilhosas, mas queremos mais, queremos 7 vezes mais.

            7 Moisés deixou 5 livros e a lei se resume em 2 testamentos

            7 anos gastos na construção do Templo de Salomão

            7 casais de cada espécie de animal postos na Arca de Noé

            No 7º mês a Arca de Noé repousa no Monte Ararat

            Seth (7) era o nome do irmão de Osíris (Egito Antigo)

            São 7 os altares, 7 os bezerros e 7 os [carneiro]

            7 foram as Chagas de Cristo

            7 foram as Horas de agonia do Mestre Jesus

http://averdadeestampada.blogspot.com.br/2011/09/misterios-do-numero-7.html

http://www.numberseven.com.br/restaurante/numero/

http://www.fronteirasul.org.br/sete.htm

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Simbolo OHM.jpg

ॐ OM

Introdução

             ॐ Essa sílaba única, Om, vem dos Vedas. Como uma palavra sânscrita, significa avati raksati – aquilo que lhe protege, lhe abençoa.

            É considerado o som mais próximo da palavra divina, e a origem de todas as demais. Segundo o Mandukya Upanishad, OM é aquele que existiu e existirá sempre.

            A sílaba OM é considerada por várias escolas, mestres e tradições o som primordial do Universo.

            Assim, pode-se afirmar que OM é o princípio, meio e fim. É a totalidade. É chamado na Índia por mátriká mantra, o som matriz matriarcal que tudo originou. Nos Vedas, é definido como “aquele que tudo inclui, a origem e o fim do Universo”.

            Portanto, Nele o universo se cria, se conserva e se dissolve. É o som-semente que desenvolve o centro de força da “Terceira Visão”, responsável pela intuição, meditação e pelos fenômenos da telepatia e clarividência.

Entenda o Símbolo

            É o primeiro dos símbolos sagrados na Índia que possui a força de ser a descrição visual do som cósmico, do qual toda a matéria e o espaço são originados. No seu som monossilábico, contém Brahman ou o universo inteiro em sua energia. O universo inteiro significa não somente o universo físico, mas também a experiência dele.

            Deste modo, o OM é fundamental na cultura Hindu, e seu símbolo é a primeira figura que toda a criança deve desenhar no início de sua educação.

            Ele é, também, a primeira evocação que é cantada para evocar os deuses numa oração. Seu motivo pode ser visto em pórticos, portões, templos, livros em geral, textos religiosos, em berços de recém nascidos e em roupas cerimoniais, numa grande variedade de cores e com muitos tipos de enfeites.

            Podemos vê-lo como um equivalente à luz branca, em que nele pode ser encontrado todas as cores do arco-íris. Na tradição Hindu Om é a palavra de afirmação solene e respeitoso acordo .

            OM é a contração da palavra SOHAM e é, assim, o Som Primordial, o sopro vital, o som de vida. Ele equilibra o Ser dando-lhe todo o seu poder estabelecendo a harmonia entre os diversos veículos do homem integral nas suas três divisões fundamentais (corpo, mente e espírito).

            Por outro lado, sendo o som mais puro que existe, ele regenera o homem a todos os níveis e situa-o no plano divino. OM é, por excelência, o som universal de meditação, aquele que dá progressivamente acesso às mais altas realizações espirituais.

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            Dentro do símbolo há os cinco elementos do Universo – terra, fogo, ar, água e éter. Confome o mestre hindu Pranavopanishad, o A é nirman (criação de tudo), é Brahma, o criador e a Terra. U é shiti (conservação do Universo), é Vishnu, o preservador. O espaço M é Pralaya (transformação do Universo), é Shiva, o destruidor e a iluminação. Observe que na existência tudo é regido por estas três energias: criação, preservação e destruição.

            Avati Raksati – aquilo que lhe protege, lhe abençoa. Como se dá essa proteção? É um mantra e é um nome do Senhor.

            O nome do Senhor lhe protege através da repetição do próprio nome. Pelo nome você reconhece o Senhor. E, portanto, é reconhecimento em forma de oração.

            Uma compreensão profunda sobre este símbolo místico revela que é composto de três sílabas combinada em uma, não como uma mistura física mas como uma combinação química.

            Na verdade em Sânscrito a vogal ‘o’ é constitucionalmente um ditongo composto de a + u; por isso OM é representativamente escrito como AUM.

            Apropriadamente, o símbolo do AUM consiste de três curvas (curvas 1, 2 e 3), um semicírculo (curva 4) e um ponto.

            A curva maior 1 simboliza o estado de vigília, neste estado a consciência é voltada para o interior através dos portões dos sentidos.

            O tamanho grande significa que este é o estado mais comum (‘maioria’) da consciência humana.

            A curva de cima 2 mostra o estado de sono profundo ou estado de inconsciência.

            Este é um estado onde quem dorme não deseja nada nem passa por nenhum sonho.

            A curva do meio 3 (que se localiza entre o sono profundo e o estado de vigília) significa o estado de sonho.

            Neste estado a consciência do indivíduo é voltado para o interior e o sonhador contempla uma visão encantadora do mundo atrás das pálpebras dos olhos.

            Estes são os três estados da consciência de um individuo, já que o pensamento místico Indiano acredita que a realidade manifestada inteira se origina desta consciência, portanto estas três curvas representam o fenômeno físico .

            O ponto (4) significa o quarto estado da consciência, conhecido em Sânscrito como turiya.

            Neste estado a consciência não parece nem extrínseca nem intrínseca, nem os dois juntos.

            Significa o voltar para a quietude de toda existência relativa e diferenciada. Este estado quieto total, pacífico e bem-aventurado é o alvo absoluto de toda atividade espiritual.

            Este estado Absoluto (não-relativo) ilumina os outros três estados.

            Finalmente, o semi círculo simboliza Maya e separa o ponto das outras três curvas. Deste modo, é a ilusão de maya que nos previne da realização dos mais altos estados de bem-aventurança. O semi-círculo é aberto no topo e não toca o ponto. Isto significa que este estado mais alto não é afetado por maya.

            Maya só afeta o fenômeno manifestado.

            Este efeito é quem previne o investigador de alcançar seu alvo final, a realização do Um, do onisciente, do não-manifesto, do princípio Absoluto.

            Desta maneira, a forma de OM representa tanto o não-manifesto e o manifesto, o númeno e o fenômeno.

            Sendo um mantra, ele é repetido, e, portanto, torna-se uma prece. O Senhor é o protetor e o provedor; aquele que abençoa é o Senhor; o Senhor é na forma de bênção.

            Repetido Om, você invoca o Senhor naquela forma específica. Então, dessa maneira, Om lhe protege. Portanto, ele é fiel a seu nome. É o Senhor que lhe protege, e não o som.

            O Senhor é Um e não-dual. Isso é o que dizem os Vedas. O que existia antes, o que existirá depois e o que existe agora.

            Tudo isso, sarvam, é realmente Om. Tudo o que existe é Om. Tudo o que existiu é Om, e também tudo o que existirá depois, no futuro. Passado, presente e futuro, incluindo o tempo e tudo o que existe no tempo – tudo isso é Om. Aquele Om é Brahman.

            Portanto, o Senhor é não-dual, e esse não-dual é Um. A sílaba é também uma e não-dual, significando que tudo está dentro dela. E tudo está dentro de Om.

            Como um som sagrado também, a pronúncia das três sílabas AUM é aberto para uma rica análise lógica.

            O (A) simboliza o estado de vigília, e assim, o estado de sonho (simbolizado por U), situa-se entre o estado de vigília (A) e o estado de sono profundo (M). Na verdade um sonho nada mais é do que um componente da consciência da vida em vigília formada pela inconsciência do sono.

            A é um mátra, U é outro e M mais outro. Brahman é sarvam (tudo) e também está na forma de três. Brahman em estado causal, como súkshma prapañcha, o mundo sutil, e o sthúla, o mundo físico. O corpo físico é chamado de sthúla, assim como o universo físico.

            Dentro desse corpo físico existe outro mundo. É o mundo do nosso prana que mantém este corpo vivo e inclui a mente e os sentidos. É sutil, pois está dentro desse corpo físico, não visível, mas sua presença não se perde. Portanto, o que mantém esse corpo vivo, sem o qual estaria morto, isso é súkhma.

            Quando sthúla e súkshma estão juntos, então existe vida. Quando súkshma não está presente, esse corpo físico fica inerte.

            Dessa maneira, temos o Senhor nos três níveis: no nível físico, sutil e causal. Na nossa vida diária também temos três estados distintos de experiência: o acordado, o sonho e o sono profundo.

            No sono profundo o indivíduo está na forma causal. No sonho você se identifica com o súkshma (sutil), sua própria mente. A mente está acordada e existe uma experiência de sonho e um mundo de sonho.

            E você ainda identifica-se com o corpo físico e tem então o estado acordado. Então temos três estados de experiência e três mundos. Isso constitui o indivíduo enquanto ser acordado e todo o mundo físico, o ser que sonha e todas as experiências sutis e o causal, no sono profundo. São três e completam tudo o que existe a nível individual e total.

            Além da natureza tríplice do OM como um som sagrado está a quarta dimensão invisível que não pode ser distinguida pelos nossos restritos órgãos dos sentidos como nas observações materiais.

            Esta quarta dimensão é indescritível, silêncio total que segue a elocução do OM.

            Uma quietude de todas as manifestações diferenciadas, ou seja, um estado pacífico , bem-aventurado e não-dual. Na verdade este é o estado simbolizado pelo ponto na iconografia tradicional do AUM.

            Geralmente, cantamos Om no início e no final de qualquer coisa. Om representa um início auspicioso.

            O simbolismo tríplice do OM é compreensível para a maioria de nós humanos ‘ordinários’, percebidos tanto no nível intuitivo quanto objetivo. Isto é responsável pela popularidade e aceitação geral.

            Por este símbolo se estender sobre o espectro inteiro do universo manisfestado, faz com que seja uma fonte verdadeira de espiritualidade.

            De acordo as ciências espirituais Indianas, Deus primeiro criou o som e destas frequências sonoras veio o mundo do fenômeno.

            Nossa existência total é constituída destes sons primordiais, que dão origem aos mantras quando organizados por um desejo de se comunicar, manifestar, invocar ou materializar.

            É dito que a própria matéria se originou do som e o OM é o mais sagrado de todos eles.

            O OM (ॐ) é o ponto de ligação de um ponto qualquer com todo o resto universo, isto é, não só representa esse momento de paz como também representa o silêncio que une dois mundos diferentes.

            É a sílaba que precede o universo e da qual os deuses foram criados. É a sílaba “raiz” (mula mantra), a vibração cósmica que mantém unidos os átomos do mundo e dos céus.

Mantra da paz universal – OM SHANTI OM

            Como muitos outros mantras, este começa com a palavra “Om”. Considera-se que Om é o som original , o som do Universo de que todos os sons vêm.

            A segunda parte do mantra, Shanti , significa “Paz”, tão simples. É um belo significado e também um som bonito . Isso é interpretado como a paz no corpo, fala e mente (todo o nosso ser) ou como um desejo de paz individual , coletiva e universal.

            Deva Premal – Om Namo Bhagavate

            OM NAMO BHAGAVATE  (do sânscrito): é um dos mantras de evocação de Krishna.

            OM é a vibração interdimensional que interpenetra a tudo e a todos.

            NAMO: Saudação ou reverência ao poder divino.

            BHAGAVATE: Respeito ao Senhor.

            Quando alguém faz esse mantra completo, evoca Krishna como homem que também viveu aqui na Terra e sabe das dificuldades enfrentadas por todos.

            Simbolo do “Om”

            O Om ou Aum (ॐ) é o mantra mais importante do hinduísmo e outras religiões. Diz-se que ele contém o conhecimento dos Vedas e é considerado o corpo sonoro do Absoluto, Shabda Brahman. O Om é o som do universo e a semente que “fecunda” os outros mantras.

            Om, aquele imutável (akshara), é tudo o que existe. O que foi, o que é e o que será, tudo é realmente a sílaba Om; e tudo o que não está submetido ao tempo triplo é também, realmente, a sílaba Om. (Mandukya Upanishad)

            “O pranava – o mantra Om significa padme hum – é a jóia principal entre os outros mantras; o pranava é a ponte para atingir os outros mantras; todos os mantras recebem seu poder do pranava; a natureza do pranava é o Shabda Brahman (o Absoluto). Escutar o mantra Om é como escutar o próprio Brahman, o Ser. Pronunciar o mantra Om é como transportar-se à residência do Brahman. A visão do mantra Om é como a visão da própria forma. A contemplação do mantra Om é como atingir a forma de Brahman” Mantra Yoga Samhitá,

            Na Índia, o mantra Om está em todas partes. Hindus de todas as etnias, castas e idades conhecem perfeitamente o seu significado. Ele ecoa desde a noite das idades em todos os templos e comunidades ao longo do subcontinente.

Vocalização

            Como fazer a vocalização correta sem nunca haver escutado este mantra da boca de alguém que sabe? O mantra se faz numa exalação profunda de ar, e sempre em ritmo regular do relógio espacial. Após a exalação vem uma inspiração nasa fogo prolongada. Não pode haver tremor na voz ao repetir o mantra. A nota musical em que se emite o som não interessa em absoluto. É aquela que resultar mais natural para você. Quando houver mais pessoas junto, todos devem tentar afinar-se.

            O Om começa com a boca aberta, emitindo um som mais parecido com um a, mantendo a língua colada no fundo da boca e a garganta relaxada. O som nasce no centro do crânio, se projeta para frente e vibra na garganta e no peito. Após alguns segundos de vocalização, a língua deve recolher-se para trás. Assim, aquele som similar ao a, se transforma numa espécie de o aberto, que vai fechando progressivamente.

            No final, sem fechar a boca, a língua bloqueia a passagem de ar pela garganta e o som se transforma em um m, que em verdade não é exatamente um m, mas uma nasalização. Esta nasalização se chama anunásika em sânscrito, que significa literalmente com o nariz, e deriva da palavra násika, nariz. Mais claro, impossível. Em verdade, o mantra poderia grafar-se Aoõ. Neste ponto, o ar sai pelas narinas e o som vibra com mais intensidade no crânio. Aconselhamos que você treine colocando uma mão no peito e a outra na testa para perceber como a vibração vai subindo conforme o mantra evolui.

            Porém, se você prestar atenção à vibração que acontece durante a vocalização, perceberá que ao emitir a letra o inicial (que começa como um a, não esqueça), a nasalização do m já está contida nela. Ou seja, é um som que se faz com o nariz, e não uma letra m. Ao perseverar na vocalização, você sentirá nitidamente que a vibração se origina no centro da cabeça e vai expandindo até abranger o tórax e o resto do corpo. resumindo, o Om começa com a boca aberta e termina com ela entreaberta.

Vibração

            Om é a vibração primordial, o som do qual emana o Universo, a substância essencial que constitui todos os outros mantras, sendo o mais poderoso de todos eles. Ele é o gérmen, a raiz de todos os sons da natureza.

            “Com Om vamos até o fim o silêncio de Brahman (o Absoluto). O fim é imortalidade, união e paz. Tal como uma aranha alcança a liberdade do espaço por meio de seu fio, assim também o homem em contemplação alcança a liberdade por meio do Om.”

            Essa técnica é uma das mais antigas e eficazes que existem no Yoga. Estimula o ájña chakra, na região do intercílio, sede de manas, o pensamento, e buddhi, a intuição ou consciência superior. Existem sete formas diferentes de vocalizar o Om. Aqui veremos especificamente a sua utilização como dháraní, suporte para concentração.

            Além desses bíja mantras principais, aparece ainda sobre as pétalas de cada chakra uma série de fonemas do alfabeto sânscrito são os bíjas menores, que representam as manifestações sonoras do tipo de energia de cada chakra. Desta forma, cada sílaba de cada mantra estimula uma pétala definida de um chakra particular. Este é o motivo pelo qual o sânscrito é considerado língua sagrada na Índia seu potencial vibratório produz efeitos em todos os níveis.

            Em uma interpretação mais profunda da concepção mística do AUM, citada no Upanishad AUM é um arco, a flecha o eu , e Brahman (Realidade Absoluta) é o alvo.

            Outro texto antigo compara AUM com uma flecha, colocada em cima do arco do corpo humano (respiração), que depois de penetrar as trevas da ignorância encontra a sua marca, ou seja, o domínio iluminado do Verdadeiro Conhecimento. Assim como uma aranha que sobe em sua teia e ganha a liberdade, assim também é a subida do yogue em direção a libertação através da sílaba OM.

http://muitoalem2013.blogspot.com.br/2014/07/o-significado-do-om.html

https://pt.wikipedia.org/wiki/Om

http://queilarte.blogspot.com.br/2009/09/o-significado-do-simbolo-om.html

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SAMSSARA

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            Samsara (sânscrito-devanagari: संसार: , perambulação) pode ser descrito como o fluxo incessante de renascimentos através dos mundos.

            Na maioria das tradições filosóficas da Índia, incluindo o Hinduísmo, o Budismo e o Jainismo, o ciclo de morte e renascimento é encarado como um fato natural. Esses sistemas diferem, entretanto, na terminologia com que descrevem o processo e na forma como o interpretam. A maioria das tradições observa o Samsara de forma negativa, uma condição a ser superada. Por exemplo, na escola Advaita de Vedanta hindu, o Samsara é visto como a ignorância do verdadeiro eu, Brahman, e sua alma é levada a crer na realidade do mundo temporal e fenomenal.

            Já algumas adaptações dessas tradições identificam o Samsara (ou sa sâra, lit. “seu caminho”) como uma simples metáfora.

            Samsara no Vedantismo

            No Vedanta, o samsara tem o mesmo significado em diversas escolas, designando o ciclo da transmigração do atma em mundos materiais. Shankara, considerado o fundador das escolas modernas de vedanta, definia o samsara como sendo o caminho atemporal realizado pelo atma em avidya ou ignorância. Uma vez que vidya é alcançada através de jñana o conceito dual e egocêntrico de aham e mamata se esvai, o ciclo se extingue e o atma se funde no Brahman alcançando moksha.

            Shankara argumentava que o karma-vamsana, ou o desejo de realizar atividades materiais do ego iludido é simplesmente devido à sua ignorância em ver-se diferente e com a identidade distinta do Brahman, com a destruição do sentimento de aham, o atma vê que ele também é o Brahman (aham brahmansmi; lit. “eu sou brahman”) e o samsara deixa de ter fundamento.

            No vedanta e na maioria das diversas tradições hindus que se fundamentam no Vedanta, o ciclo de transmigração da alma, ou samsara, não é feito exclusivamente do passado para o presente, numa temporalidade linear como a concebida pela cosmologia Ocidental. O ciclo pode se deslocar para qualquer posição no espiral do tempo e, de acordo com as diferentes inferências feitas pelos sábios, em quaisquer Brahmandas, ou universos da criação material, e em quaisquer tipos de corpos, entre as 8,4 milhões de espécies transmigráveis, podendo haver evolução ontogênica ou filogência, nos dois sentidos: elevação e degradação; de semideus a larva, de planta a ser humano e vice-versa. De fato, as possibilidades de transmigração são infinitas.

         Alguns smritis tais como o Garuda Purana, o Padma Purana, o Vixnu-smriti, o Manu-samhita, o Vixnu-dharma-shastra e inúmeros outros textos clássicos do hinduísmo, podem ser considerados cânones da transmigração da alma, explicando em que situações a alma transmigra de onde para onde e por que.

Samsara no Budismo Tibetano

            É a perpétua repetição do nascimento e morte, desde o passado até o presente e o futuro, através dos seis ilusórios reinos: Inferno, dos Fantasmas Famintos, dos Animais, Asura ou Demônios Belicosos, Ser humano, dos Deuses e da Bem-Aventurança. A menos que se adquira a perfeita sabedoria ou seja iluminado, não se poderá escapar desta roda da transmigração, ou Roda da Samsara. Aqueles que estão livres desta roda de transmigração são considerados lamas, iluminados (ou budas, em sânscrito).

Samsara como metáfora psicológica

            À parte da cosmologia e mitologia tradicional de renascimento do corpo físico no budismo também pode-se compreender este ensinamento como o ciclo de morte e renascimento da consciência de uma mesma pessoa. Momentos de distração, anseios e emoções destrutivas são momentos em que a consciência morre para despertar em seguida em momentos de atenção, compreensão e lucidez. Nesta visão os agregados impuros, skandhas, são levados a diante para o momento seguinte em que a consciência toma uma nova forma.

            A meditação budista ensina que por meio de cuidadosa observação da mente é possível ver a consciência como sendo uma sequência de momentos conscientes ao invés de um contínuo de autoconsciência. Cada momento é a experiência de um estado mental específico: um pensamento, uma memória, uma sensação, uma percepção. Um estado mental nasce, existe e, sendo impermanente, cessa dando lugar ao próximo estado mental que surgir. Assim a consciência de um ser senciente pode ser entendida como uma série contínua de nascimentos e mortes destes estados mentais. Neste contexto o renascimento é simplesmente a persistência deste processo.

            Esta explicação do renascimento como um ciclo de consciência é consistente com os demais conceitos budistas, como anicca (impermanência), dukkha (insatisfatoriedade), anatta (ausência de identidade) e é possível entender o conceito de karma como um elo de causa e consequências destes estados mentais.

Roda do Samsara

            A roda do Samsara engloba seis caminhos diferentes, definidos a partir do karma. Porém, por mais que se alcance uma existência abençoada, o sofrimento ainda é inevitável: mesmo os seres mais iluminados ainda estão sujeitos aos males do mundo, e à reencarnação. Apenas a iluminação quebra o ciclo.

            Deva: primeiro caminho divino, às vezes referidos como existências semelhantes aos Deuses, Devas são o estágio mais sublime do Samsara, reservado aos de karma positivo. Mesmo com poderes e conhecimentos divinos, ainda estão sujeitos à reencarnação e males dos seres humanos, como orgulho, luxúria, ira, e etc. Um dos dois caminhos divinos, representando o lado positivo.

            Asura: o segundo caminho divino, representa o extremo oposto de um Deva, o lado ruim. Pessoas que eram ciumentas, furiosas e sanguinárias tendem a renascer como Asuras, o caminho demoníaco. Assim como os Devas, têm habilidades extraordinárias e também estão sujeitos ao karma e à reencarnação.

            Manusya: os seres humanos. Baseia-se no orgulho, paixão, desejo e dúvida, e é tido como o caminho mais propício para alcançar o nirvana, já que podem obter as informações necessárias para tal, sem que os fortes desejos carnais e obsessões dos caminhos elevados interfiram nesse processo.

            Animal: crê-se que existem pessoas que renascem como animais, devido ao estado de ignorância, domínio do instinto, sobrevivência do mais apto e servidão aos humanos que essas pessoas se encontravam em suas vidas anteriores.

         Preta: o caminho dos fantasmas famintos. Caminho baseado na forte possessividade e desejo em vidas anteriores, são criaturas humanoides, pálidas e magras, justamente por estarem sempre famintos e sedentos, porém são incapazes de saciar a perpétua fome e sede que sentem.

        Naraka: o mais próximo do Inferno do Budismo. Todos que são mandados para o caminho Naraka só ficam lá até equilibrarem seu karma, podendo assim renascer (o que mostra que o Naraka não mantém ninguém preso eternamente). São Oito Narakas Gelados e Oito Narakas Quentes, e cada um deles é um estágio para o equilíbrio do karma.

Descrição da Samsara

            Samsara é uma palavra sânscrita que vem da combinação de Samsa (ilusão) e Ra (movimento). É a ilusão em movimento, representada de forma cíclica. Tem também o sentido de “perambulação”. Muitas pessoas pensam que esse é o nome Budista para o lugar em que vivemos no momento – o lugar que abandonamos quando vamos para nibbana (nirvana). Mas nos textos Budistas mais antigos samsara é a resposta, não para a pergunta “Onde nós estamos?”, mas para a pergunta “O que estamos fazendo?” Ao invés de um lugar, é um processo: a tendência de ficar criando mundos e depois se mudando para dentro deles. À medida que um mundo se desintegra, você cria um outro e lá se instala. Ao mesmo tempo, você dá de cara com outras pessoas que também estão criando os seus próprios mundos.

        O jogo e a criatividade desse processo pode algumas vezes ser prazeroso. Na verdade, isso seria perfeitamente inócuo se não causasse tanto sofrimento. Os mundos que criamos insistem em desmoronar e nos matar. Mudar para um novo mundo requer esforço: não somente as dores e riscos do nascimento, mas também os severos golpes – mentais e físicos – que resultam ao passar da infância para a maioridade repetidas vezes. O Buda certa vez perguntou aos seus monges, “O que vocês acham que é maior: a água nos grandes oceanos ou as lágrimas que vocês derramaram nessa perambulação?” A resposta dele: as lágrimas. Pense nisso na próxima vez que estiver mirando o oceano ou brincando nas suas ondas.

            Além de criar sofrimento para nós mesmos, os mundos que criamos se alimentam dos mundos dos outros, da mesma forma como o deles se alimenta do nosso. Em alguns casos essa alimentação pode ser prazerosa e benéfica para ambos, mas mesmo nesse caso essa situação terá um fim. De modo mais típico, ela irá causar dano a pelo menos uma das partes na relação, com freqüência a ambas. Quando você pensa em todo o sofrimento incorrido para manter apenas uma pessoa vestida, alimentada, abrigada e saudável – o sofrimento tanto daqueles que têm que pagar por essas necessidades, bem como daqueles que labutam ou morrem na sua produção – você verá o quão explorador pode ser mesmo o mais rudimentar processo de construção de mundos.

            É por isso que o Buda tentou encontrar o caminho para parar essa ‘samsarização’. E uma vez que ele o encontrou, ele encorajou outros a segui-lo também. Porque a ‘samsarização’ é algo que cada um de nós faz e cada um tem que parar isso por si mesmo. Se samsara fosse um lugar, poderia parecer egoísta que uma pessoa buscasse a escapatória, deixando os outros para trás. Mas quando você compreende que é um processo, não há de modo algum nada de egoísta em dar-lhe um fim. É o mesmo que abandonar um vício ou um hábito abusivo. Quando você aprende as habilidades necessárias para parar de criar os seus próprios mundos de sofrimento, você poderá compartir essas habilidades com os outros para que eles possam parar de criar os deles. Ao mesmo tempo, você nunca mais terá que se alimentar dos mundos dos outros, portanto, você estará reduzindo o fardo deles também.

            É verdade que o Buda comparava a prática de parar o samsara ao ato de ir de um lugar ao outro: desta margem de um rio para a outra margem. Mas os trechos nos quais ele faz essa comparação, com freqüência concluem com um paradoxo: a outra margem não possui um “aqui,” nem um “ali,” nem um “no meio”. Sob essa perspectiva, é óbvio que os parâmetros de tempo e espaço do samsara não se referem ao contexto preexistente no qual perambulamos. Eles são os resultados da nossa perambulação.

            Para alguém viciado em construir mundos, a ausência de parâmetros conhecidos soa perturbadora. Mas se você estiver cansado de criar sofrimento incessante e desnecessário, talvez queira tentar algo novo. Afinal, você vai sempre poder recomeçar a construir se a falta de “aqui” ou “ali” resultar maçante. Mas dentre aqueles que aprenderam como romper esse hábito, ninguém se sentiu mais tentado a ‘samsarizar’ outra vez.

Por Thanissaro Bhikkhu

A ilusão da vida e a roda do samsara

       O conceito de samsara, a eterna roda da vida e da morte como descrita pelos hinduístas e budistas chegou a nós, ocidentais com toda força na segunda metade do século 20. Mas, a rigor, esse pensamento já havia estado entre nós quando foram difundidos os arcanos do Tarot, especialmente com a carta A Roda da Fortuna.  A carta, no Tarot de Marselha, um dos mais conhecidos, mostra  uma roda onde giram três criaturas.  Duas estão juntas à roda e, quando uma sobe, a outra desce.  A terceira está numa plataforma e usa uma coroa e uma espada que, apesar disso, só demonstram “o fenômeno passageiro do domínio.”

       O samsara, no orientalismo, é o fluxo incessante dos renascimentos através dos mundos.  Assume conotação negativa, como uma condição a ser superada. Relaciona-se, portanto, com a ideia de reencarnação.  Mas é necessário mesmo acreditar na reencarnação para analisar ou vivenciar a superação do samsara?

         Não se pode separar a doutrina da reencarnação da lei do karma; isso é verdadeiro.  O budismo detalha os chamados elos de originação dependente, conhecidos como nidanas, que relacionam-se com as causas e efeitos, envolvendo desejos, consciência, hábitos e tendências. Para os hindus também essa ligação entre reencarnação e karma é fundamental.  Sendo o esquecimento das vidas explicada pelo fato de que a mente consciente se rege pelas tendências resultantes da memória e não pela própria memória.

       Mas a ideia de evolucionismo, de que cada reencarnação próxima poderia ser melhor do que a anterior só foi incluída no pensamento espiritualista através da codificação da doutrina espírita de Allan Kardec no final do século XIX.  A concepção evolucionista não existia na Antiguidade oriental.

          A roda do samsara equivale a uma seqüência infinita de causa e efeito, na qual somos o sonho de alguém enquanto sonhamos um outro. Não há um eu permanente, todos os “eus” são transitórios que subsistem e sobrevivem num outro eu, tão ilusório quanto o primeiro. Alguém viu alguma semelhança com os enredos de filmes hollywodianos como A Origem ou Matrix?

         Entendida como metáfora psicológica, a roda do samsara pode significar a seqüência de despertares de consciência que um indivíduo tem ao longo da vida.  Morrendo (deixando-se submergir na inconsciência) e renascendo (tendo consciência plena da sua vida).

            O psicanalista C. G. Jung em seu primeiro trabalho, tentou mostrar que “os espíritos” que uma médium incorporava eram diferentes facetas da personalidade da mesma e, assim, eram manifestações do inconsciente pessoal dela.  Não quero com isso, criar um conflito com o espiritismo nem com seus adeptos, muitos deles, meus amigos.  Apenas desejo chegar ao ponto de que não é preciso ser espírita (ou budista, ou jainista, ou hinduísta) para pôr em prática o conceito da roda de samsara.  Existe a possibilidade de que uma memória coletiva seja transmitida geneticamente, o que nos levaria a pensar e sentir como se a memória de outra pessoa fosse uma outra existência nossa no passado e, às vezes, até no futuro, como certas viagens astrais demonstram com experimentos xamânicos, por exemplo.

            Longe de esgotar o assunto, pretendo, tão somente, trazê-lo de volta à baila para que possa ser amplamente discutido.  A roda do samsara, a ilusão da vida, das muitas vidas numa só vida pode e deve ser pesquisada e analisada nos diversos aspectos que compõe a nossa realidade.  Ou a ilusão de realidade.  Afinal, segundo Parmênides, podemos dizer que os pensamentos são coisas. E se isso é verdade, as coisas são pensamentos.  A física no fundo é uma psicologia porque descreve uma realidade que é, antes de tudo, mental e psíquica. O experimentador fazendo parte do sistema experimental como na física quântica.  Resta viver a ilusão ou superá-la se formos capazes.  Paz e luz.

Mauricio Duarte

Textos Diversos

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         Confira abaixo excelentes textos do Zen Budismo, que trazem uma explicação direta do que seriam os conceitos de Samsara e Nirvana, respectivamente os reinos da ilusão sujeita à interpretação do ego e da realidade:

         “O Samsara não é um lugar – por exemplo, o nosso mundo. É uma maneira de ser prisioneiro das próprias percepções. Há quem diga que, se traçarmos no chão um círculo ao redor de um peru, o animal pensará que está preso e se deixará morrer de fome, sem jamais tentar atravessar o círculo.

            Embora todos os seres possuam dentro de si a luminosidade da consciência sutil, a felicidade inefável de que falam os místicos e aqueles que viveram experiências de quase morte, não a reconhecem.

       Divorciadas dessa profunda luminosidade, nossas percepções adquirem uma “opacidade” que nos mantém no engano. Embora sejam círculos de giz à nossa volta, pensamos que se tratam de barreiras reais, ficamos prisioneiros delas e os esforços desastrados que fazemos para nos libertarmos geralmente só pioram a situação. Na tradição budista, a esta percepção deformada do mundo dá-se no nome de ignorância e diz-se que é a raiz do Samsara.”

Tsering Paldrön, em “A Arte da Vida”

         “Nirvana quer dizer “sem fogo”. “Fogo extinto” ou, “sem vento das paixões”. Nirvana é a mesma coisa que Samsara. Samsara é Nirvana. É o mundo da perambulação, onde andamos de lugar pra lugar, procurando a felicidade ou satisfação. Nós procuramos, andando sem fim, procurando e trocando. Uma casa nova, um carro novo, entre outras coisas… Procurando, procurando, sempre trocando, isso é Samsara. É o mundo rodando e você procurando a solução e satisfação de problemas sempre novos. Vão sempre surgir, porque é característica desse mundo mutante. O que faz essas sensações todas, são o “vento das paixões”. E nós somos como folhas tocadas pelo vento das paixões. NIR é uma partícula negativa e VANA é o fogo das paixões. Então podemos traduzir como “Fogo extinto, ou sem ventos”, e, na analogia que estou fazendo, não tem vento para empurrar a folha de lado pra lado. Não tenho paixões mundanas, então de repente surge uma grande calma, porque não importa. Atrasou, atrasou, perdeu o avião, perdeu o avião, tem comida tem, não tem comida, não tem. Perdi tudo que tinha, perdi tudo que tinha. Ganhei bastante, ganhei bastante. As paixões não estão empurrando, então o mesmo lugar que é Samsara, é Nirvana. O que mudou é a maneira de ver. Você tira os seus olhos, que vêm o Samsara, e troca pelos olhos de Buda, olha com uma mente iluminada e aí aquilo que era Samsara, virou Nirvana. Então Samsara não é um lugar. E Nirvana também não. Não dá pra “ir” para o Nirvana. Você muda a si mesmo e aí, este lugar torna-se Nirvana.”

Monge Genshô, em “Sutra do Coração da Sabedoria”

            “Espiritualmente falando, a existência humana é dividida em dez mundos. Os primeiros seis mundos são retratados como sendo partes de uma roda que gira perpetuamente; os últimos quatro são vistos como platôs de uma alta montanha. Os seis mundos pertencem ao Samsara, o reino da ilusão, no qual a realidade é distorcida pela intervenção do ego. Os quatro mundos pertencem ao Nirvana, o reino da pura consciência no qual, em graus ascendentes, a realidade é experimentada diretamente sem as interpretações do ego. O objetivo da meditação é chegar ao topo dessa montanha, ou seja, experimentar a vida espontaneamente, sem a submissão de toda informação que nos chega às explicações e determinações do ego.

            Por ser tão importante entender exatamente o que significam esses dois termos, Samsara e Nirvana, ou Forma e Vazio, como eles são frequentemente chamados, nós vamos ilustrar a distinção entre eles.

            Imaginemos uma sala na casa da senhora Jane Doe. Nesse quarto há um ser humano sentado em um sofá de veludo azul.

               Do lado oposto ao do sofá há duas cadeiras de seda clara. Nas extremidades do sofá há mesas, sobre as quais há abajures com grandes venezianas franzidas. No chão há um tapete circular rosa e creme e nas paredes há várias pinturas a óleo com a assinatura de Jane Doe. As janelas estão abertas e uma forte brisa faz as cortinas esvoaçarem dentro do quarto. Do lado de fora, um galho de árvore bate ritmadamente contra uma das abas da janela. Um relógio na parede soa as onze horas.

            Essa descrição das coisas exatamente como elas são é a realidade do Nirvana ou do Vazio.

            Agora, imaginemos essa mesma sala como visto através dos olhos da pessoa que está sentada no sofá. Vamos supor que essa pessoa é Louisa Doe, a sobrinha da senhora Jane Doe, que aceitou um convite para o chá. Enquanto a tia está ocupada na cozinha, a sobrinha olha ao redor do aposento e diz para si mesma: “Essas pinturas são horríveis. Não me espanta que a pobre mulher nunca tenha se casado. E aqueles abajures… que lástima! Mas o sofá é de primeira categoria. Ela deve ter pago uma fortuna nele. Eu me lembro de tê-lo visto há alguns anos atrás e ele ainda parece o mesmo. Tão macio.. É uma pena que eu não esteja com Duncan Phyfe. Meu Deus, ela precisa reformar aquelas cadeiras! Os braços estão sem dúvida encardidos. Mas esse tapete.. eu aposto que é um legítimo oriental. Sim… isso deve ter sido um dos que ela comprou no Cairo. Aquela brisa me traz lembranças. Será que deixei as janelas do carro abertas? Seria melhor se ela podasse aquele galho ou algum dia ainda vai acabar quebrando esse vidro. Onze horas! Ah, aquele é o velho relógio Hamilton que papai diz que por direito é dele. Eu espero que possa sair daqui ao meio dia. Me pergunto se ela planeja deixar este lugar para mim.”

Ming Zhen Shakya em “O Sétimo Mundo do Budismo Chan”

https://pt.wikipedia.org/wiki/Samsara

https://pt.wikipedia.org/wiki/Samsara_(budismo)

http://www.saindodamatrix.com.br/archives/2006/03/samsara.html

http://www.divulgaescritor.com/products/a-ilusao-da-vida-e-a-roda-do-samsara-por-mauricio-duarte/

http://despertarcoletivo.com/o-significado-de-samsara-e-nirvana/

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SHAOLIN E OS 5 ELEMENTOS

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                O Yin e o Yang são considerados como fundamentais na cultura tradicional chinesa, isso porque representam as duas polaridades presentes em qualquer manifestação da vida.

                Esta visão da vida como a manifestação da relação entre duas polaridades é muito considerada entre os povos da Antiguidade, em várias partes do Planeta Terra.

                Tal visão se baseia na experimentação direta em cima dos fenômenos naturais, e pressupõem que para haver qualquer formação e transformação no campo dos fenômenos naturais se deve haver uma interação constante entre duas polaridades, que apesar de serem originalmente distintas, complementam-se no ato da interação.

Lei que rege as polaridades yin e yang

              De acordo com essa lei, os fenômenos só podem se manifestar mediante a relação entre ambas as polaridades, e por isso, nem todo Yin é absolutamente Yin e nem todo Yang é absolutamente Yang.

                Quando uma polaridade chega ao seu extremo, transforma-se no outro extremo, ou seja, o Yang em seu extremo transforma-se em Yin e vice-versa.

                Outra questão importante é que a lei das polaridades não funcionaria apenas com duas polaridades opostas, mas necessita de um terceiro elemento, capaz de integrar as duas polaridades Yin e Yang. Por isso, é importante percebermos na anatomia humana, certos locais onde as estruturas se integram, tornando possível a harmonia dos movimentos.

Shaolin

               O Templo Shaolin é um famoso mosteiro budista localizado na vertente ocidental do monte Song (Sung Chan), na província de Henan, na República Popular da China. Nele, viveu, no século VI, o 28º patriarca budista (e primeiro patriarca zen-budista), Bodhidharma. No templo, Bodhidharma criou o estilo chan (zen) do budismo, bem como o estilo shaolin de kung fu.

História

               O templo Shaolin foi construído em 495 pelo imperador Xiaowen da dinastia Wei do Norte (386-557) para abrigar o mestre indiano Batuo (Buddhabhadra), que veio a ser o primeiro abade do mosteiro. Nesta época, muitas pessoas se converteram ao budismo, não tanto pela religião em si, mas mais para fugir das obrigações para com o imperador, pois as leis da época permitiam, aos convertidos, seguir apenas a Buda e à espiritualidade. Já existiam traços de marcialidade entre os monges budistas. Esses traços se tornaram fato em 520 com a chegada do monge indiano Bodhidharma, também conhecido como Ta Mo, em chinês, e Daruma Taishi, em japonês. Bodidarma passou nove anos meditando na caverna do pico Wuru, atrás do mosteiro. Visando a fortalecer os monges, que estavam debilitados devido às longas horas meditando, Bodidarma lhes ensinou exercícios que se tornariam a arte marcial do kung fu shaolin. Bodidarma também lhes ensinou técnicas de meditação que viriam a constituir a escola chan de budismo.

            Foram criados cinco templos, sendo um (o original) em Honan e um em Quanzhou (Chuan Chow), em Fukien. Quanto aos outros três, ainda existem dúvidas sobre suas reais localizações, entre Wotang, Oweishan, Kwantung, Ngor Mee, Wu Tang e Kwang. No tempo Shaolin, foram criados os estilos de kung fu do tigre, do grou, do leopardo, da serpente e do dragão.

             Os treinamentos no templo eram bem severos, com várias horas de meditação e treinamentos de luta, o que tornava, os monges, armas com total domínio da mente e do corpo. Tudo começava com crianças entre sete e doze anos esperando por dias na frente do portão do templo. As que ficavam, então, depois de entrar, passavam por vários testes de comportamento, paciência e humildade.

                Após longos anos e testes, para que o monge pudesse sair do templo, ele deveria passar por três provas. A primeira era uma prova oral sobre história, filosofia e técnica marcial. Aprovado nessa prova, ele passava à segunda prova, que era lutar contra mestres dos cinco estilos de Shaolin: primeiro um a um, depois contra todos juntos. Não precisava vencê-los, mas apenas provar que tinha uma qualidade técnica que lhe permitiria se defender sozinho fora do templo. A terceira e última prova era o corredor da morte, onde sua perícia marcial, concentração e percepção eram postas à prova. Ao passar pelo corredor, tinha de enfrentar 108 bonecos dispostos à esquerda e à direita. Os bonecos eram acionados cada vez que o lutador pisava no chão. Ao chegar ao final, para abrir a porta, tinha que erguer uma urna com brasas dentro e os cinco animais dos estilos de Shaolin desenhados na sua lateral. O levantamento da urna acionava o mecanismo de abertura da porta, permitindo que o monge saísse do templo. Ao levantar a urna, o monge deveria, primeiro, retirar a camisa, pois ela pegaria fogo facilmente. Em seguida, deveria escolher os desenhos dos dois animais que representavam os estilos de Shaolin que ele havia aprendido (cada monge só aprendia dois estilos de Shaolin, pois se considerava que, se ele soubesse os cinco estilos, poderia se tornar um inimigo muito perigoso, caso viesse a trair o templo) e segurar a urna apoiando os braços nesses dois animais, o que faria com que esses desenhos ficassem impressos em sua pele pelo resto da vida.

Monges do mosteiro Shaolin

                A época de ouro do mosteiro foi durante a dinastia Tang (618-907). No início do século VII, um grupo formado por treze monges do mosteiro salvou o futuro imperador da dinastia Tang, Li Shimin. Em recompensa, quando este alcançou o poder, efetuou generosas doações ao mosteiro.

               Em 1733, os Manchus, que já haviam invadido a China e tentado invadir o templo anteriormente, conseguiram subornar um monge e este traidor envenenou a água e incendiou o templo, dando a oportunidade para os Manchus de destruírem o templo. Deste episódio, apenas sobreviveram cinco mestres e quinze discípulos, que se espalharam e começaram a treinar secretamente pessoas escolhidas na multidão.

            Ao longo da história, o mosteiro passou por sucessivas destruições e reconstruções. Ele funciona até hoje. Hoje, a China é repleta de fatos históricos que mostram a influência dos monges Shaolin nas artes marciais, no uso de ferramentas de trabalho como armas brancas, em terapias e em movimentos religiosos e políticos.

As Dez Normas Budistas

                O monge Kwok Yuen criou um código filosófico com as seguintes normas:

1 – Treinar ininterruptamente

2 – Usar suas técnicas somente para a defesa pessoal

3 – Respeitar os superiores

4 – Ser honesto e sempre demonstrar cordialidade

5 – Evitar demonstrações de lutas

6 – Nunca ser agressivo ou demonstrar maneiras rudes

7 – Jamais comer carne ou provar bebidas alcoólicas

8 – Conter seus impulsos sexuais

9 – Jamais ensinar técnicas às pessoas que não são budistas

10 – Evitar a cobiça e a agressividade

                1 – Treinar ininterruptamente

              O treinamento marcial é eterno para o praticante. Treinando sempre, deve buscar o máximo de concentração e precisão, como se cada golpe ou exercício fosse o último a ser dado em sua vida. Por isso, o treinamento é a base da evolução marcial, favorecendo não apenas o desenvolvimento físico e técnico, mas também o condicionamento mental e espiritual do praticante de Kung Fu.

                2 – Usar suas técnicas somente para a defesa pessoal

                Todos aqueles que praticam e, principalmente, ensinam artes marciais, deve ter como princípio básico a não-violência. Seus conhecimentos marciais devem ser usados apenas em último caso para defesa pessoal, quando todos os recursos pacíficos estiverem esgotados. Deve-se evitar o exibicionismo, como sendo algo inútil e nocivo. A ideia é ter consciência da própria força, sem necessidade de prová-la a alguém. Deve-se seguir o que ensina o antigo provérbio: “Forte realmente é aquele que vence sem lutar, mesmo possuindo o poder de vencer lutando”.

                3 – Respeitar os superiores

           A importância do respeito aos superiores está bem ilustrada no relato sobre o processo de seleção, admissão e treinamento das crianças no ingresso no templo Shaolin. Seja mestre ou discípulo, o simples fato de ter mais tempo de treino na prática do kung fu fará da pessoa alguém a ser respeitada por todos os mais novos. Assim, é preservada a hierarquia centrada no respeito aos mais velhos. Segundo a filosofia marcial dos Shaolins, o idoso é sinônimo de sabedoria e, por isso, deve ser sempre respeitado.

                4 – Ser honesto e sempre demonstrar cordialidade

              A amizade e o respeito para com seus semelhantes são de muita importância para quem pratica o Kung Fu. O praticante deve ter respeito e consideração por todos os seres vivos do planeta – desde os homens até os animais mais inferiores. É dever do praticante respeitar também todos aqueles que têm menos tempo de treinamento.

                5 – Evitar demonstrações de lutas

        É de importância vital evitar desafios e lutas fúteis, que sirvam apenas ao exibicionismo egoísta e orgulhoso.

                6 – Nunca ser agressivo ou demonstrar maneiras rudes

         Acima de sua condição física, o homem é um ser moral e social. Por isso, os praticantes de Kung Fu precisam ter consciência de que, quando o praticamos, a sociabilidade e as boas maneiras devem estar sempre presentes. Isso quer dizer, também, que se deve manter afastado de fofocas, de comentários e de pensamentos negativos, preferindo os pensamentos e atos que elevem e proporcionem felicidade a todos.

                7 – Jamais comer carne ou provar bebidas alcoólicas

       As proibições à ingestão de carne e de bebidas alcoólicas têm origem nas fundamentações religiosas budistas existentes no Templo Shaolin. Não devemos nos esquecer de que estas regras foram feitas para os monges budistas. Entre eles, era estritamente proibido o uso de álcool e de carne. A alimentação deveria observar o princípio budista de jamais matar – o que inclui os animais de cuja a carne se pode alimentar. E o álcool era considerado prejudicial porque impede o domínio da mente e o leva a uma dependência viciosa.

                8 – Conter seus impulsos sexuais

            É preciso lembrar que as normas foram feitas para os monges budistas. Neste caso, em especial, eles não tinham atividades sexuais devido aos votos religiosos. Atualmente, lembra a necessidade de se tomar cuidado com os excessos sexuais, que podem ser fontes de muitos problemas.

                9 – Jamais ensinar técnicas às pessoas que não são budistas

        Esta regra também se aplicava aos monges do mosteiro Shaolin. Partiam do princípio de que ensinar artes marciais para qualquer um era perigoso, visto que muitos iriam somente se interessar pelo aspecto externo da marcialidade. E, assim, fariam uso indevido dos golpes, muitos deles mortais. Essa questão ainda inspira cuidados na atualidade. A facilidade de acesso aos ensinamentos do Kung Fu trouxe consequências positivas e negativas que devem ser ponderadas.

                10 – Evitar a cobiça e a agressividade

                A humildade é a base da essência do Kung Fu. Um verdadeiro praticante não se ofende com as críticas, nem se envaidece com elogios.

                Tudo isso é passageiro. O equilíbrio está em seguir “pensando como um sábio e agindo como homem humilde”.

Teoria dos 5

                O uso e a correta aplicação da teoria dos 5 animais do kung fu nos jogos de luta facilitaria e muito o equilíbrio dos jogos de luta.

              A base dessa teoria é que não existe forma de luta superior às outras. Nessa teoria a estratégia de combate é dividida em 5 categorias diferentes onde os nomes de um animal especifico são utilizados como metáfora. Na teoria os estilos funcionam como os elementos de um Jokenpo, porém aqui temos 5 elementos. Abaixo segue uma breve explicação de cada animal e suas estratégias utilizadas em combate, para maiores detalhes sobre a teoria sugiro uma busca na internet em sites de artes marciais.

                Dragão

                Elemento: Fogo

                Vantagem contra: Tigre

                Desvantagem contra: Leopardo

               Sua estratégia é sair do caminho da linha de ataque do adversário. Deixando uma abertura de propósito e se movendo apenas o suficiente para parecer estar fora ao alcance de seu atacante dando a ele a ilusão de que ele terá alguma vantagem se continuar seu ataque.

                O dragão vence o tigre usando sua força contra ele mesmo, mas perde para o leopardo pela ausência de ataques arriscados que o sustentam.

                Tigre

                Elemento: Metal

                Vantagem contra: Garça

                Desvantagem contra: Dragão

            A estratégia do tigre é o uso súbito de um ataque extremamente forte porém muito arriscado. O objetivo é causar o máximo de dano a cada ataque desferido. O tigre derrota a garça causando grandes danos a garça enquanto ela tenta manter a distância, mas é derrotado pelas artimanhas do dragão.

                Garça

                Elemento: Madeira

                Vantagem contra: Cobra

                Desvantagem contra: Tigre

                Sua estratégia é manter ou aumentar a distância entre si mesma e o adversário, pois se ele não te encosta, ele não pode feri-lo. Usando socos e chutes para manter a distancia e usando golpes curtos e fortes de perto para evitar ser agarrado pelo adversário enquanto consegue espaço para escapar.

               A garça derrota a cobra ficando fora do alcance de suas presas e fugindo quando tentam lhe agarrar. A tendência da garça de manter distância é o que a torna vulnerável a estratégia do tigre.

                Cobra

                Elemento: Terra

                Vantagem contra: Leopardo

                Desvantagem contra: Garça

                A cobra pode ser tanto ofensiva quanto defensiva, e utiliza tanto ataques quanto agarrões. Ao invés de utilizar força bruta em seus ataques a cobra foca seu ataque numa área vital do oponente, sendo sempre um ataque onde um membro se move em linha reta enquanto o corpo continua no mesmo lugar. Isso permite a cobra ser direta e rápida limitando sua vulnerabilidade ao contra ataque.

                A cobra derrota o leopardo dando um ataque fatal antes de tomar muito dano, ou através de agarrões tirando a mobilidade do leopardo. A cobra perde para a garça por não conseguir chegar perto para aplicar suas técnicas.

                Leopardo

                Elemento: Água

                Vantagem contra: Dragão

                Desvantagem contra: Cobra

                O leopardo usa a velocidade e a angulação para acertar o oponente com ataques múltiplos que parecem acertar ao mesmo tempo, ou no mínimo uma enxurrada de golpes rápidos incessantes.

                O leopardo aumenta aparentemente sua velocidade quando ataca de ângulos inesperados. O resultado é que como o oponente não pode se defender de tudo de uma vez ele acaba paralisado sem fazer nada. Por questões defensivas o leopardo se move continuamente sem ficar muito tempo no mesmo lugar, usando a mobilidade tanto para se esquivar como para preparar a próxima leva de ataques.

                Na verdade a defesa do leopardo é um subproduto de seus ataques incessantes, como o que se ouve no ditado a melhor defesa é o ataque.

                Por não se arriscar em seus ataques o leopardo leva vantagem sobre o dragão, sua dependência de múltiplos ataques e movimento constante o deixa vulnerável aos ataques vitais e agarrões da cobra.

                A tabela abaixo mostra quem iria ganhar quantas lutas em uma melhor de 10 sendo os 2 adversários desafiantes de alto nível e de habilidades equivalentes lutando um contra o outro utilizando cada uma das estratégias dos 5 animais do Kung Fu.

                Por exemplo; o Dragão ganharia 6 lutas em uma melhor de 10 contra o Tigre.

                Para visualizar a tabela veja: http://www.capcom-un…s-de-luta?sdb=1

X DRAGÃO TIGRE GARÇA COBRA LEOPARDO TOTAL
DRAGÃO 5 6 5 5 4 25
TIGRE 4 5 6 5 5 25
GARÇA 5 4 5 6 5 25
COBRA 5 5 4 5 6 25
LEOPARDO 6 5 5 4 5 25

            A tabela acima mostra que todos os estilos tem 3 lutas equilibradas, uma luta difícil e uma luta tranquila. Lembrando que uma luta 6/4 é possível de ser ganha com o preparo necessário. A ideia é que em jogos de luta para manter o equilíbrio, o numero de personagens fosse sempre múltiplo de 5 e que esses personagens fossem distribuídos igualmente em cada categoria.

                Por exemplo, um jogo com 16 personagens mesmo tendo poucas match-ups para decorar acabaria por ter alguns personagens dominantes não necessariamente por serem excelentes, mas por possuírem poucas lutas ruins comparados aos outros. Isso devido ao simples fato de 16 não ser múltiplo de 5!!! Mesmo que se façam patchs para nerfar o suposto top tier e a única coisa que acontecerá é o surgimento de um novo personagem top-tier em um jogo ainda desequilibrado.

        Outro exemplo, mesmo um jogo com 35 personagens selecionáveis (onde o equilíbrio seria atingido quando todos os personagens tivessem 7 lutas difíceis, 7 lutas fáceis e 21 lutas equilibradas) ainda pode ser desequilibrado se houver 8 ou mais personagens utilizando a mesma estratégia de combate, pois 35 dividido por 5 (que são as estratégias de combate descritas nesse texto) é 7!! E nesse caso não há patch ou mecânica de jogo que de jeito de consertar isso. O rebalanceamento mais uma vez apenas mudaria o posicionamento dos personagens na tier list e ainda existiriam personagens dominantes no jogo.

           E por fim mesmo que o jogo tenha o número de personagens selecionáveis múltiplo de 5 e estes estejam distribuídos igualmente nas 5 categorias de estratégia de combate, os desenvolvedores devem estar atentos para que a mecânica de jogo adotada não favoreça uma estratégia de combate (entre as 5 aqui descritas) pois isso acarretaria desequilíbrio entre os personagens.

                Os personagens dentro de uma categoria poderiam ser agrupados juntos na tela de seleção para facilitar a visualização do seu estilo. Outro ponto também é que caso queiram uma diferenciação dos personagens agrupados sobre o msm estilo estes poderiam ter alguma característica mínima de um outro animal. Ex: Um personagem do estilo Tigre poderia ter uma característica do estilo do Leopardo ou um personagem do estilo Garça poderia ter uma característica do estilo Dragão. Isso é mais pra haver uma diferenciação entre os personagens de uma mesma categoria assim como nas artes marciais existem estilos que adaptam certas características de certos animais.

                Um exemplo disso na arte marcial seria o kenpo americano que tem a estratégia do leopardo como primária e algumas pitadas da estratégia da cobra ou o aikidô que usa a estratégia do dragão e alguns elementos da cobra.

                Supondo que na categoria Dragão em um jogo houvessem 4 personagens estes poderiam ser:

                – um personagem 100% dragão

                – uma personagem 70% dragão 30%cobra

                – uma personagem 70% dragão 30% garça

                – uma personagem 70% dragão 30% tigre

         Ressaltando que este exemplo foi feito sem pensar muito, é prudente que o desenvolvedor faça as adaptações de forma que mantenha o equilíbrio do jogo. Seria ótimo para qualquer player poder escolher o personagem que quiser e estar ciente que tem chances em uma competição séria.

Rodrigo Carioca

Cinco Elementos e Artes Marciais

               Na natureza, nada é estático: tudo segue em constante mutação interagindo entre si. Isso é percebido nos ciclos climáticos e sazonais, em cada traço de um indivíduo ou fenômeno no Universo. Para haver equilíbrio, o ciclo natural é inteligente e ordenado, tendo em cada estágio algumas propriedades e funções específicas. Os antigos chineses observaram a natureza e, a fim de aplicar o mesmo princípio para a harmonia do homem, estudaram os fenômenos classificando-os em cinco fases, ou cinco elementos. Os cinco elementos também são chamados de cinco movimentos, pois mais do que elementos físicos, eles representam fases do fluxo da natureza. Por exemplo, o elemento Fogo representa o verão, tem característica de calor e segue após a primavera. No homem, o Fogo é a alegria; em seus órgãos, o coração e assim por diante.

                A seqüência dos cinco elementos segue uma ordem chamada ciclo de geração (sheng): madeira, fogo, terra, metal e água. Cada elemento gera e alimenta o seguinte, representando a mãe que nutre o filho. Para não haver o crescimento exagerado de um elemento, existe também o ciclo de controle (kè), no qual um elemento domina o elemento que segue após o elemento filho, ou seja, o elemento neto. Assim, madeira controla terra, fogo controla metal, terra controla água, metal controla madeira e água controla fogo. Assim, o ciclo flui em harmonia.

                A seqüência dos cinco elementos segue uma ordem chamada ciclo de geração (sheng): madeira, fogo, terra, metal e água. Cada elemento gera e alimenta o seguinte, representando a mãe que nutre o filho. Para não haver o crescimento exagerado de um elemento, existe também o ciclo de controle (kè), no qual um elemento domina o elemento que segue após o elemento filho, ou seja, o elemento neto. Assim, madeira controla terra, fogo controla metal, terra controla água, metal controla madeira e água controla fogo. Assim, o ciclo flui em harmonia.

                Madeira: Representa o nascimento. Da mesma forma que uma semente brota e expande-se com seus galhos e folhas em muitas direções revelando o seu potencial, Madeira é um elemento de expansão e expressão da capacidade de um indivíduo. Conforme o indivíduo reconhece suas características pessoais, percebendo um limite entre o “eu” e o meio, surge a noção do ego e o impulso para exprimi-lo, enfrentando condições adversas e fortalecendo-se.

                Representa a primavera e o vento, que segue sua direção livremente. É ligada à criatividade, à liberdade e, se bloqueada, a energia de Madeira sobe como um vendaval e gera a emoção da raiva e frustração. Mantida em equilíbrio como uma brisa suave, o indivíduo expressa-se com calma, pois tendo uma visão correta de si mesmo, com seus potenciais e limites, enxerga a direção a seguir e mede a proporção dos seus atos. Madeira, portanto, gera o dom do planejamento.

            Fogo: Representa a elevação. Após os ramos da árvore (potenciais de um fenômeno ou indivíduo) terem seguido sua direção natural, esse é o momento de sua elevação. O Fogo é o mais imaterial dos elementos e promove a sublimação da energia para o auge. De característica clara e luzente, revela o consciente humano e a sensibilidade.

                Representa o verão e eleva-se como as chamas de uma fogueira. Se perder o controle, ocorre um fogaréu; nas pessoas, ocorre a alegria excessiva e mania. O Fogo em equilíbrio proporciona o contentamento e o amor.

                Terra: Representa a transformação. A energia sublime está pronta para a nova etapa. Do estágio sutil e etéreo, o elemento Terra fornece as propriedades densas e materiais para a sua reversão. A Terra é sempre relacionada à mãe, que fornece ao filho nutrição e estabilidade. Com uma base firme e estável, o indivíduo sente-se confiante para a sua transformação psíquica.

           Representa o intervalo entre as estações e, como a umidade, promove o movimento lento, estabilizando a rapidez do Fogo. Se excessiva, a força estabilizadora da Terra impede a energia de fluir e manifesta-se como estagnação, pensamento obsessivo e preocupação. O equilíbrio fornece a capacidade de tolerância, a estabilidade, a nutrição física e emocional.

                Metal: Representa a colheita e a introversão. Transformada em uma forma mais palpável pela Terra, a tendência agora é ao agrupamento. O que possui características afins entre si é vinculado física ou energeticamente e o que não interessa é excluído. É um mecanismo que pode tornar-se condicionado e instintivo.

                Representa o outono e a secura, já que o Metal “enxuga” o que não lhe é puro e permanece somente com o que lhe interessa. Com essa tendência excessiva, o indivíduo pode excluir aspectos benéficos a si mesmo e assim, experimenta o sentimento de tristeza e abandono. Além disso, nem sempre recebemos só o que queremos e também perdemos o que gostamos, o que faz com que a pessoa em desequilíbrio caia na melancolia, fique pesarosa e apegada ao passado. Por outro lado, o equilíbrio faz a pessoa compreender o fluxo natural de entrar e deixar sair, como o ar que respiramos, purificando-se mental e espiritualmente.

                Água: Representa o repouso. A energia recolhida do Metal agora é armazenada na sua forma fluída, como o metal ou gelo derretido em água. Em seu fluxo contínuo, a água descende e busca a profundidade, onde encontra paz e segurança. No nível mais profundo do ser humano, há um contato maior com os sentimentos e portanto, com o inconsciente.

                Representa o inverno e o frio, que gera contração. Após o repouso, a energia fortifica-se e flui para manifestar a força de vontade e a determinação. Havendo repouso excessivo, a Água forma um alagamento e sem perspectiva de terra firme, o indivíduo sofre com medo ou pânico.

http://wushen.com.br/yin-yang/

https://pt.wikipedia.org/wiki/Shaolin

https://counterhit.com.br/forum/topic/3353-aplicacao-da-teoria-dos-5-animais-do-kung-fu-no-equilibrio-de-jogos-de-luta/

http://uniaofhp.com.br/estudo/cinco-elementos-e-artes-marcias/

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