O Poder dos Símbolos III

· Sabedoria

ÍNDICE

A NATUREZA DOS ELEMENTOS
TEORIAS OCIDENTAIS DOS ELEMENTOS
A Teoria Atômico-Geométrica dos Elementos de Platão
TEORIAS ORIENTAIS DOS ELEMENTOS
ANJOS
As hierarquias angélicas no Cristianismo
Primeira Tríade
Segunda Tríade
Terceira Tríade
Os anjos em outras tradições
ALQUIMIA EM MOVIMENTO
O Selo de Salomão
O Pecado Original
O Imaginário e o Imaginal
O Quaternário (O número quatro)
Interpretação dos Textos Alquímicos
DEUSES X ELEMENTOS
Deuses, elementos da natureza e suas correspondências
Deuses primordiais
Deuses Primários
Primeira Geração Divina
Segunda Geração Divina
Terceira Geração Divina
Outras Divindades
Os Deuses e Os Quatro Elementos
ALIANÇA
Origem da palavra Aliança
História das Alianças
A tipologia da palavra
A aliança na história
FÊNIX
Mitologia
Religião
Culturas Antigas
Citações
A Fênix na literatura ocidental moderna
CHAKRAS
Desequilíbrio Elemental – Distúrbios de Personalidade
Equilibrando o elemento Éter
Equilibrando o Elemento Ar
Equilibrando o Elemento Fogo
Equilibrando o elemento Água
Equilibrando o elemento Terra
A Terapia Flora, os Chacras e os Elementos

A NATUREZA DOS ELEMENTOS

            A tradição grega nos ensina que são 4 os elementos: água, fogo, terra e ar. Mas os chineses afirmam que são 5:  madeira, fogo, terra, metal e água.

Afinal, quem tem razão, ocidente ou oriente?

            Saber quem tem razão quanto ao número de elementos que compõem a natureza é tarefa sem sentido. Quanto ao que eles representam, entretanto, parece haver uma aproximação de conceitos entre gregos e chineses. Os elementos são a essência das forças existentes na natureza, forças estas que interagem entre si, regendo por meio de suas variadas combinações todos os fenômenos da vida, em escala tanto primária quanto complexa.

            Os antigos gregos identificaram quatro elementos primordiais, que se contrastavam dois a dois: água e fogo, ar e terra. Cada um deles, entretanto, era dedução óbvia da combinação de duas qualidades distintas, espécie de essência por detrás da essência que, misturadas, geravam as manifestações elementares. Assim, da mesma forma que a Água era fruto da combinação do frio com a umidade, o Fogo seria resultado da interação entre o quente e o seco; já o Ar, traria em si a reunião de outras duas qualidades, quente e úmido, distinguindo-se assim da Terra que, embora sendo seca, preferiu ser fria.

            Indo além, os primeiros filósofos gregos, nomeados pré-socráticos, indagavam-se sobre aquilo que pudesse haver por detrás destas qualidades “primevas” que explicasse as diferentes manifestações da natureza e pudesse solucionar o sempiterno mistério da vida. Os gregos perscrutavam a “phísis” (a natureza) no intuito de alcançarem a origem do Cosmos. Para Tales de Mileto (séc.VI a.C.), por exemplo, a vida provinha da água (e muitos cientistas assim o crêem em nossos tempos); Anaximandro, seu discípulo, imaginou o “apeiron” (o ilimitado) como fonte primordial da natureza, e Anaxímenes (séc.V a.C.), o terceiro grande nome da Escola de Mileto, dizia ser o “pneuma”, isto é, o ar, a causa primeira por detrás de toda existência. Já o mestre Pitágoras (580-489 a.C.), primeiro dos pré-socráticos a intitular-se filósofo, fazendo-o entretanto na acepção literal do termo, já que não se julgava sábio mas declarava-se com afinidade pela sabedoria, acreditava ser o fogo o elemento sutil a alimentar todo o Universo (e não estava errado, já que as estrelas todas, além do sol que nos mantém, são naturalmente fogo). Por detrás de sua “mônada” ou princípio estrutural e organizador da vida, estaria o fogo interior ou invisível, substância etérea, distinta do fogo comum que nossos sentidos percebem queimar, a servir de fonte de energia do Universo.

            Até então os elementos eram tidos apenas isoladamente como agentes primordiais da vida. Quem primeiro os relacionou em seu conjunto a todas as manifestações da natureza foi Empédocles (504-443 a.C.). O sábio defendia entusiasticamente sua doutrina cosmogônica considerando os elementos como “rhizomata”, isto é, raízes permanentes da vida. Misturando-se entre si em diferentes proporções, produziriam todas as coisas temporais. Os quatro elementos seriam, portanto, forças perenes a sustentar todas as condições mutáveis e passageiras. Anaxágoras de Clazômena (500-428 a.C.) assimilou esta doutrina mas, aprofundando-se nela, chegou ao conceito de “homeomerias”, para ele substâncias primárias infinitas em número e em qualidades, descritas como partículas infinitesimais de matéria. Homogêneas e invisíveis, as homeomerias, a despeito de sua exigüidade seriam responsáveis por tudo aquilo que podemos ver, capazes que são de se aglutinarem em coacervados para formar todas as coisas, desde as mais simples às mais complexas. Neste raciocínio, todas as coisas existentes trariam potencialmente em sua essência, todas as possibilidades de desdobramento e combinações permitidas às homeomerias, de modo que uma simples lasca de madeira, intrinsecamente, teria um pouco de tudo aquilo que há no Universo. Apresentar-se-ia como madeira porque as homeomerias deste material estariam nela mais concentradas do que todas as demais. Talvez tenha sido Anaxágoras o primeiro homem a imaginar algo próximo do conceito de fractais. Sua concepção holográfica do mundo intriga até hoje os cientistas da mecânica quântica.

            Fato concreto é que a teoria dos quatro elementos influiu sobremaneira sobre o pensamento médico de Hipócrates (460-370 a.C.), que associou a cada um deles um temperamento, classificando a partir daí os indivíduos. Afinal, as qualidades “primevas” não poderiam deixar de estar presentes também na alma humana, decretando traços de nosso comportamento, e da mesma forma relacionadas a toda uma série de doenças próprias de cada um dos quatro tipos de caráter assim determinados. Segundo o pai da medicina, o sangue era quente; a fleuma, fria; a bile negra, úmida; e a amarela, seca. Isto distinguia quatro tipos de indivíduos, sangüíneos, fleumáticos, coléricos e biliosos. Hipócrates propunha tratar o estado fleumático ou de deficiência (frio) excessiva pela estimulação (massagens) e administração de alimentos ou remédios quentes, bem como para os estados febris (quente) preconizava o resfriamento corporal, por meio de banhos ou bebidas.

            Mas enxergar a dicotomia inerente a todos os fenômenos naturais não era privilégio da medicina hipocrática. No Oriente, possivelmente alguns milhares de anos antes da antigüidade clássica, encontramos exatamente o mesmo princípio de dualidade existente por detrás de todos os seres, animados ou inanimados. Estamos falando de Yin e Yang, forças de naturezas completamente opostas mas paradoxalmente complementares entre si, conforme o expressa o taoísmo, concepção religiosa e cosmogônica dos chineses que repercutiu por toda a vida prática desta milenar cultura, influenciando obviamente o pensamento médico oriental.

            Assim como os filósofos pré-socráticos, os chineses se perguntavam acerca da essência última do Universo, e há tempos já haviam batizado de Chi a energia vital onipresente e eterna. Os japoneses a denominam Ki, os hindus a chamam de Prana, os egípcios da antigüidade a representavam em seus hieróglifos pela cruz ansata, ou “Ankh”, a significar o “sopro de vida”, e o grego Aristóteles discorreu amplamente sobre tal instância primordial em sua “Metafísica”, colocando-a em seu complexo conceito de “substância”.

            Embora atribua-se ao sábio Lao-Tse, (séc. VI a.C.) a base filosófica do taoísmo, escrita que está nos 81 aforismos de seu poema sagrado intitulado “Tao Te King” (traduzível por “Caminho de Sabedoria”), milhares de anos antes dele o pensamento chinês já admitia uma energia única a permear todas as coisas do Universo. Huang Ti, o Imperador Amarelo, personagem ao mesmo tempo real e lendária que teria vivido e governado a China por volta de 2700 a.C. já expressava este conceito em seu famoso “Tratado de Medicina Interna”, conhecido por “Nei Ching Su Wen”. As doenças todas seriam nada mais que conseqüência da falta de harmonia ou do desequilíbrio entre Yang, o quente, e Yin, o frio. Também seriam resultado de condições debilitantes causadas quer por excesso quer por deficiência de Chi, conforme sua instabilidade, devido ao predomínio acentuado de uma destas polaridades sobre a outra.

            O Cosmos inteiro, segundo a concepção taoísta, estaria exercitando uma eterna dança harmônica e cíclica, resultado da perfeita interação dinâmica destas duas forças. O lado claro das montanhas, parte sul, que recebe o sol, os chineses denominaram Yang, cuja tradução aproximada seria “estandartes tremulando sob o sol”; ao lado norte e sombrio das cordilheiras, deram o nome Yin, cujo sentido mais próximo nos dá a idéia de “sombras, repouso ou tranqüilidade”. Yang é, assim, o princípio masculino que se contrasta ao feminino Yin; é atividade e movimento em oposição à passividade e ao repouso. Enquanto Yang se exterioriza, Yin se compenetra. Yang é extrovertido e consciente; Yin, além de inconsciente e a própria introversão.

            Curiosamente, Empédocles, do outro lado do mundo chegou a dizer praticamente a mesma coisa quando afirmou que duas forças antagônicas, Amor e Luta, eram os princípios ativos existentes por detrás dos quatro elementos, e que de sua interação dependia o equilíbrio do Cosmos. Amor unia os elementos, conquanto a Luta os separava. Deste jogo permanente de forças, tudo se cria e se transforma.

            A criatividade chinesa associou ainda números a estas duas naturezas; Yang, por ser ativo, símbolo do Céu, criador em sua natureza, é quem começa o jogo da vida; por isso recebe o número 1. Yin, que infalivelmente responde ao chamado de Yang com sua receptividade; representa a mãe Terra, e recebe o número dois a expressar a dualidade presente nos números pares. Daí por diante, Yang será sempre ímpar; Yin, par. Se representarmos a base estrutural da vida pelo primeiro ciclo de números naturais, teremos então Yang como a soma dos ímpares 1+ 3 + 5 + 7+ 9 = 25. Este é o número do Céu. Yin, de mesma forma, será o montante dos pares: 2 + 4 + 6 + 8 + 10 = 30, o número da Terra. Para que o Universo fique fechado em si mesmo e portanto perfeito, sem começo nem fim, a diferença entre Céu e Terra deve ser preenchida. Intuíram então os chineses que, somando seus cinco elementos à Terra teriam o Universo inteiro em suas mãos, dinamicamente equilibrado. E é por meio deles que nos reportamos ao Céu (30 – 25 = 5). E foram batizados de Madeira, Fogo, Terra, Metal e Água.

            Guardadas as diferenças entre as duas concepções, a grega e a taoísta, o que de semelhante há entre elas é que tanto Ocidente quanto Oriente valem-se dos elementos quando querem representar o todo integrado em que se traduz a natureza. Se os cinco elementos dos chineses permitem a ligação entre o Céu e a Terra (o divino e o humano), os gregos, por sua vez se inspiraram nas quatro estações climáticas como forma de expressar a perfeição divina, já que o conjunto de seus quatro elementos nos confere a sensação de algo completo, cujo transcorrer é cíclico, permitindo-nos a cada ano observar o Cosmos desfilando à nossa volta.

            Sejam quatro ou cinco os elementos concebidos, o principal está em sua função, que é a mesma para estas diferentes tradições. Eles resgatam uma verdade que paira acima dos limites entre Ocidente e Oriente, já que não nos deixa esquecer de que o Cosmos, além de íntegro e perfeito, permite-nos a transcendência, a relação com instâncias que se situam além de nossa consciência, da mera condição humana. Ademais, nem Hipócrates nem os chineses em sua milenar medicina deixaram de frisar: Os elementos estão também dentro de nós, pois somos nós a natureza, e nosso comportamento pode ser classificado conforme suas qualidades intrínsecas.

            Também para os chineses era evidente a relação entre as estações e os elementos, ainda que o problema fosse fazer caber 5 elementos em 4 estações. Bem, a sabedoria oriental logo encontrou uma simples e perfeita solução para o dilema, e ainda associou a cada um dos elementos um órgão e uma víscera, um animal, uma cor, um sabor, uma nota musical, um temperamento etc., assinalando assim que tudo na natureza encontra-se de certa maneira entrelaçado. Isto é, cada uma das partes do Universo reflete o todo absoluto. Em suma, apenas outra forma de se dizer a verdade a que chegara Anaxágoras com seu conceito de homeomerias.

            Por analogia, maneira particularmente oriental de se observar os fenômenos da natureza, a Madeira foi associada à primavera, período em que a energia Chi é ascendente, já que as árvores e as plantas brotam e crescem facilmente nesta estação. Na prática médica, Madeira corresponde ao Fígado e à Vesícula Biliar. Ao Fogo relacionaram o calor do verão, quando a energia cósmica é predominantemente Yang. Este elemento liga-se ao Coração e ao Intestino Delgado. O outono, associaram-no ao Metal; nele Chi está em sentido descendente, por isso os frutos caem e são colhidos. Em nós, Metal encontra-se nos Pulmões e Intestino Grosso, já que a função básica do primeiro é recolher o Chi pela respiração para que o Intestino despreze seu excesso pelas excreções. Ao inverno relacionaram o elemento Água, fortemente ligado aos Rins e à Bexiga, órgãos que retêm os líquidos corporais. Água é elemento passivo, receptáculo de reservas e fonte de energia ancestral; e Tales de Mileto mais uma vez ficaria contente em saber disso, pois a Água para os chineses é o elemento mais antigo, aquele que “entrega” o Chi a todo o restante do sistema. Bem, e o elemento Terra, onde fica? Ora, os chineses perceberam que o final das estações, precisamente os últimos 18 dias de cada uma delas, está marcado por uma época de transição, de passagem de Chi para a estação seguinte. A estes períodos incaracterísticos, quando por vezes traços de todas as estações se mostram presentes num único dia, os taoístas relacionaram o elemento Terra, de onde vem a nossa força, alicerce de toda a vida. Chi nestes períodos se recolhe e se fortalece antes de estar pronto para alimentar o próximo elemento. Terra seria, portanto, o elemento que sustenta e abriga todos os demais, razão pela qual foi associado ao Estômago e ao sistema Baço-Pâncreas, órgãos relacionados à proteção do sangue, controle do tônus corporal, bem como aos processos digestivos e de nutrição.

            Muito originais, os orientais ainda estabeleceram uma relação cíclica perene de geração e dominação entre os elementos. O “Ciclo de Geração”, também denominado ciclo “Mãe-Filho”, atesta que os elementos geram-se uns aos outros, de modo que sua interdependência é constante. Madeira, por exemplo, é mãe de Fogo, já que lhe serve de alimento. Desta queima, produz-se cinzas, isto é, Terra, filha portanto do Fogo. Terra, por sua vez, gera em seu seio o Metal, os minérios todos que, por se liquefazerem dão origem à Água, elemento filho de Metal e ao mesmo tempo mãe de Madeira, posto que Água faz crescer a vegetação. Isto garante a mutabilidade da vida e o eterno retorno da energia primordial à sua origem, quando então se reinicia todo o ciclo.

            Outra relação que se estabelece entre os elementos é o “Ciclo de Dominação”, igualmente fechado e perfeito em si mesmo. Água domina o Fogo, pois tem o poder de apagá-lo; este domina o Metal, pois pode fundi-lo; Metal domina a Madeira, por ser mais forte e mais denso que ela; Madeira controla a Terra, já que tem o poder de retirar dela seus nutrientes todos; e esta controla a Água, já que dela absorve sua principal propriedade, a umidade. Destarte, o ciclo volta ao seu começo. Estes dois ciclos, de geração e de domínio, permitem aos chineses tecer infinitas relações entre os órgãos e as vísceras de nosso corpo, sempre dentro de uma relatividade das partes com o todo. A teoria dos cinco elementos constitui-se numa das mais interessantes formas de pensamento da medicina oriental, assunto este que também nos levaria a uma outra matéria em que possamos melhor discuti-lo.

            Finalizando, quatro ou cinco elementos, pouco importa… O mais importante continua sendo o inexpugnável e doce mistério da vida, ao menos em parte, pelos ocidentais e orientais, em conjunto decifrado!

Paulo Urban – Publicado na Revista Planeta nº 335 / agosto 2000

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TEORIAS OCIDENTAIS DOS ELEMENTOS

            O detentor do título de primeiro filósofo do ocidente, Tales de Mileto (625-546 AEC), ficou conhecido por sua doutrina de que a “água” era a substância primária de todas as coisas. É uma ideia em comum com muitas doutrinas mitológicas, onde a água desempenha papel central na origem do universo. Para Tales, as coisas vieram da água, que era aparentemente o elemento mais abundante na natureza, e então assumindo diversos graus de rigidez, podia se solidificar nas coisas duras, e se fluidificar no próprio ar.

            É bom notar que a água é um símbolo inconsciente do “caos”, a potência primordial que dá origem ao universo, ou da qual este é extraído e moldado. E isso ocorre inclusive na Gênese bíblica, onda fica claro que apesar dos “Céus”, “Terra”, “Mar” e “Abismo” terem sido criados, as “Águas” em si não o foram, estando perenes desde que o “espírito de Deus pairava sobre” sua face.

          Assim, há muita adequação na idéia de que a “´água” tenha assumido o papel de representar a substância fundamental no universo nos primórdios da filosofia.

        Posteriormente seria a vez de Anaxímenes de Mileto (588-524 AEC) afirmar que era na realidade o “ar” que tinha essa peculiaridade. Aparentemente ainda mais onipresente do que a água, e mais sutil, o “ar” poderia se condensar em vários níveis, assumindo a diversas formas das coisas do mundo. E bom notar que a formação de nuvens e a chuva servia como evidência da transformação de ar em água.

           Heráclito de Éfeso (540-480 AEC) mudou um pouco o enfoque não apenas ao colocar o “fogo” como elemento primordial, mas também por atribuir propriedades mais fundamentais ao mesmo, que seria mais do que o fogo físico que conhecemos, mas um tipo de princípio divino racional, chamado “Logos”.

          O elemento “terra” não parece ter tido um defensor exclusivo, pois Empédocles de Agrigento (490-435 AEC) formulou a primeira versão conhecida da famosa Teoria dos 4 Elementos: ÁGUA, AR, FOGO, e TERRA.

            Em paralelo filósofos como Leucipo de Mileto (500 AEC) e Demócrito de Abdera (460-370 AEC) propunham a doutrina conhecida como “Atomismo”, na qual o universo era composto de diversas minúsculas partículas elementares fundamentais e indivisíveis, os “átomos”, que existiam em formas distintas que podiam ser intercombinadas formando as diferentes coisas.

          Pouco antes, Pitágoras de Samos (571-496 AEC), que detém o título de primeiro grande matemático, além de criador do termo “Filosofia”, entendia o universo como redutível a entes numéricos. “Todas as coisas são números.”, teria dito, e sua escola deixou uma longa tradição de discípulos, os pitagóricos, entre os quais Arquitas de Tarento (428-347 AEC), aparentemente o primeiro a relacionar os números, figuras geométricas tridimensionais e 4 elementos, no caso 1 (FOGO), 2 (AR), 3 (ÁGUA), e 4 (TERRA), que implicavam nos poliedros: Tetraedro, Octaedro, Icosaedro e Hexaedro.

Platão (427-347 AEC), na obra O Timeu (360 AEC), promove uma síntese de tudo isso, com aquilo que pode ser chamada de Teoria Atômica e Geométrica dos Elementos, adicionando, porém, um Quinto Elemento, como veremos abaixo.

A Teoria Atômico-Geométrica dos Elementos de Platão

            Para uma melhor apreciação desta notável teoria platônica, é necessário uma compreensão geométrica básica.

Sabemos que um polígono regular é um polígono onde todos os lados e ângulos internos são iguais, tais como o triângulo equilátero, o quadrado, óctogono regular etc. Assim, temos naturalmente infinitos polígonos regulares.

           Conceito similar podemos associar aos poliedros, figuras tridimensionais onde todas as faces sejam polígonos regulares, e todos os ângulos internos também sejam iguais. No entanto, diferente do caso que se dá em duas dimensões, só existem 5 poliedros regulares.

Antigos pitagóricos já haviam associado os 4 elementos à 4 dos poliedros regulares, Platão viria a associar o quinto poliedro a um quinto elemento, produzindo as seguintes correlações.

            TETRAEDRO

            Foto (60)

            4 Vértices, 4 Arestas, 4 FACES (Triangulares).

        Essa “Pirâmide de 3 lados”, é a mais simples estrutura sólida, tridimensional, que pode existir, por isso ela representava o elemento mais leve, o FOGO. Dada sua forma, suas pontas agudas explicariam a propriedade destrutiva e penetrante do calor.

            OCTAEDRO

            Foto (61)

            6 Vértices, 12 Arestas, 8 FACES (Triangulares)

     A “Pirâmide de 4 lados dupla” era tida como a forma das partículas do AR, sendo suficientemente leve para flutuar e penetrar em todo o espaço “vazio”.

            ICOSAEDRO

            Foto (62)

           12 Vértices, 30 Arestas, 20 FACES (Triangulares)

       Dada a seu peso e suas bases pequenas, passíveis de rolar com facilidade, fluidez, esse poliedro constituiria para os antigos as partículas da ÁGUA.

            HEXAEDRO

            Foto (63)

           8 Vértices, 12 Arestas, 6 FACES (Quadrangulares)

      O “Cubo”, dada a sua estabilidade e facilidade com que pode ser empilhado formando estruturas maiores, sugeria aos filósofos antigos ser a estrutura fundamental do elemento TERRA.

DODECAEDRO

           Foto (64)

           20 Vértices, 30 Arestas, 12 FACES (Pentagonais)

       Para Platão, Pitágoras e muitos filósofos antigos, o Dodecaedro representava o QUINTO ELEMENTO, a QUINTAESSÊNCIA, que permeava a tudo no Universo, sendo o poliedro mais próximo da Esfera, a forma perfeita. No caso platônico, evidentemente se referia também à Alma/Idéia.

            Enfim, Aristóteles de Estagira (358-322 AEC) viria a acrescentar a noção das 4 Qualidades: Frio, Quente, Seco e Úmido, que explica de outra forma a noção dos 4 elementos, sendo a Água a fusão das qualidades FRIA e ÚMIDA, o Fogo QUENTE e SECO, o Ar QUENTE e ÚMIDO e a Terra FRIA e SECA.

         Aristóteles também considerou o Quinto Elemento, que chamou de Éter, sendo um elemento que só existia na ESFERA SUPRALUNAR, isto é, no espaço em volta da Terra, que já era considerada como esferóide, além da órbita da Lua.

             Podemos então esquematizar os elementos da seguinte forma.

Foto (65)

         Os poliedros então eram vistos como partículas fundamentais de cada elemento, e é especialmente notável que apenas 3 poliedros compartilhem o mesmo tipo de face, o que sugeriu a Platão o motivo pelo qual eles podiam realizar transformações entre si.

            Foto (66)

             Quatro partículas de FOGO, por exemplo, possuem 4 faces cada, totalizando 16 triâgulos equiláteros, que seriam os átomos, que podem ser desmontados e remodelados em duas partículas de AR, que possuem cada qual 8 triângulos.

             Foto (67)

            Quatro partículas de Água, possuindo 20 faces triangulares cada (80 ao todo), poderiam ser transformadas em 10 partículas de Ar. Essa idéia podia explicar a propriedade da água em vaporizar, das nuvens se formarem no ar, e choverem. Essa teoria tinha a peculiar capacidade de ser bastante condizente com a observação, visto que era fácil perceber a transformação da ÁGUA em AR, e vice-versa, bem como do FOGO em AR, e vice-versa, no ato da combustão e apagamento da chama. Por outro lado, transformações envolvendo a TERRA não seriam observáveis, devido ao átomos desta última terem formato diferente.

            Embora as faces do Hexaedro, Cubo, serem quadrados, Platão considerava que os átomos também eram triangulares, subdivisões dos quadrados, porém não eram equiláteros. E enfim, o mesmo se daria então com o Quinto Elemento, que comporia a Alma e as Ideias Imateriais, e isso explicava a diferença de substância entre os 4 elementos e a essência imortal.

            Essa teoria, no entanto, tem seu ponto fraco, que é a separação da TERRA dos demais elementos, quando é claro que eles interagem. Platão chega a tentar a solução de dividir os triângulos equiláteros em dois triângulos escalenos retângulos, fazendo o mesmo com o quadrado, que resultaria em dois isóceles retângulos ou 8 escalenos retângulos, porém de formato diferente dos resultantes da divisão dos triângulos equiláteros.

            Foto (68)

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            Se fossemos aceitar, porém, alguma possibilidade de aproximar esses triângulos distintos, admitindo movimentos de ajustes nos vértices, teríamos que admitir também a possibilidade de transformações não só entre os 4 elementos físicos, mas também com o quinto, o que era inadmissível para Platão, visto que considerava o mundo das Idéias Imateriais como essencialmente distinto do mundo físico.

            Assim, parece mais aceitável admitir que a TERRA permanece isolada do grupo das transformações dos demais elementos, embora seja claramente material, e estivesse presente no Caos original do qual o Demiurgo Divino moldou o mundo.

            Voltaremos à Tradição Ocidental dos elementos mais adiante, por hora, passemos para o outro hemisfério para contemplar as notáveis similaridades, e discrepâncias, das teorias orientais dos elementos.

TEORIAS ORIENTAIS DOS ELEMENTOS

            Como frequentemente ocorre no Oriente, é mais difícil precisar os autores, visto que os conceitos parecem tão antigos que não se tem registros confiáveis. Ainda assim, é possível supor alguns responsáveis por contribuições para a versão oriental das teorias elementais.

            Lao-Tsé ( ?570 AEC), o mais conhecido sábio do Taoísmo, é o registro mais antigo a comentar o conceito de TAO, um conceito de difícil tradução, mas que pode ser entendido como “Caminho / Modo de Ser / Agir”, melhor entendido talvez pelo conceito inglês mais amplo encontrado na palavra WAY.

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         No famoso símbolo Tei-Gi, a dualidade primária do universo, os aspectos Yin e Yang, tem como principais características ser relacionados com Masculino e Feminino, Seco e Húmido, Quente e Frio, Dia e Noite, não tendo, SOB HIPÓTESE ALGUMA, qualquer relação com a idéia de bem e mal.

        No taoísmo, o que poderíamos considerar como o Mal, seria a desarmonia entre o Yin e Yang, e o Bem, evidentemente, a relação equivalente e dinâmica dos aspectos.

            Interessante observar que na visão aristotélica dos elementos, as 4 qualidades que dão origem aos 4 elementos correspondem à metade das propriedades do Yin e o Yang, no caso o par SECO e HÚMIDO e o par QUENTE e FRIO.

            Chuang-Tsé (399-295 AEC), outro sábio taoísta, chegou a sugerir que o Yin e o Yang produzem as 4 formas, que dão origem aos 8 Elementos, mas a doutrina de Huai-nan-Tsé (+122 AEC) ficou mais conhecida, afirmando que o “Céu” tem as 4 Estações e os 5 Elementos/Agentes, ou mais originalmente os Wu Xing, literalmente “5 Movimentos”.

            Este mesmo conceito também está presente no Neoconfucionismo, pela Escola da Razão (960-1279 DEC), que diz serem “Os 5 Agentes” (Forças Vitais), a ÁGUA, FOGO, MADEIRA, METAL e TERRA.

            O mesmo diz Chou Lien-hsi (1017-1073 DEC), ao afirmar que o “Tai Chi” (“Grande Energia”) produz o Yin e o Yang, que produzem os 5 Agentes/Elementos.

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            Portanto, diferente da tradição grega, não aparece o “Ar” como um elemento, mas sim a “Madeira” e o “Metal” como elementos adicionais. É preciso notar porém a importância do termo “Agentes”, pois os 5 elementos orientais não são tão relacionados à idéia de constituição da matéria quanto os 4 elementos gregos, podendo ser interpretados como “aspectos” presentes em todas as coisas.

           Não há, no entanto, qualquer indício de uma teoria atômica, não havendo tendências a se imaginar esses elementos como compostos de partículas. Há, todavia, uma noção mais completa e harmônica de transformações, pois as setas em Azul Ciano representam os Ciclos Construtivos, onde um elemento gera, ou alimenta o próximo, num ciclo fechado e perpétuo.

         Já as setas em Vermelho representam os Ciclos Destrutivos, ou de Contenção e Controle, onde cada elemento neutraliza ou destrói o próximo, de modo que a Água apaga o Fogo, que derrete o Metal, que corta a Madeira, que (em excesso) enfraquece a Terra, que por sua vez absorve e contém a Água.

            No ciclo Construtivo temos que a Água alimenta a Madeira, que abastece o Fogo, que produz a Terra (lembremos nas cinzas resultante das combustões e na lava expelida pelos vulcões), a Terra por sua vez produz o Metal que, finalmente, produz a Água!

         Este último caso exige um explicação maior. Trata-se da percepção de que o Metal, por ser frio e provocar a condensação da água, parece produzí-la, ao “suar”, em especial pela manhã. Tal fato serviu como evidência de sua capacidade de produzir água, completando o ciclo geracional.

           Portanto, diferente do sistema platônico, todos os elementos se transformam uns nos outros, e a percepção da relação da combustão com a produção de cinzas contrasta com a noção grega de que não haveria transformações entre a Terra e os demais elementos. É muito provável que essa parte do sistema de Platão seja na verdade uma consequência estrutural de sua teoria geométrica atômica, que pela questão da incompatibilidade dos átomos triangulares equiláteros com a estrutura hexaédrica do Cubo, do elemento Terra, tenha desautorizado pensar numa transformação desta em outros elementos, passando a considerar a evidência como a observada pelos chineses de alguma outra forma.

            Há, curiosamente, uma outra notável relação. Para Platão, os metais são Líquidos! Que apenas permanecem duros devido a temperatura ambiente não ser suficiente para fundí-los. De certo, é diferente da Terra, pois é da experiência comum que o barro não se liquefaz da mesma forma que o metal, mesmo a altíssimas temperaturas.

            Voltando ao Oriente, no BUDISMO, os 5 Elementos já são, mais uma vez TERRA, ÁGUA, AR, FOGO e ESPAÇO, o que não só remete ao sistema grego, como ainda aparenta similaridade com a idéia aristotélica do quinto elemento como sendo o Éter.

            No HINDUÍSMO, por sua vez, além de uma versão primeva de 3 elementos (os 4 elementos gregos menos o Ar), temos uma noção de 7 Elementos, que correspondem aos 7 Chakras do corpo humano, na seguinte forma:

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            Enfim, a tradição Chinesa, bem como a Japonesa, terminou por possuir dois sistemas de 5 elementos, um com os 5 Grandes Elementos: Terra, Água, Vento, Fogo e Vazio / Éter, e outro com os 5 Elementos da Tradição Taoísta: Água, Fogo, Madeira, Metal e Terra, o que, evidentemente, inspirou sínteses de 7 elementos como sendo TERRA, MADEIRA, METAL, ÁGUA, AR, FOGO e ÉTER (Vazio / Espaço).

            Tais sínteses são, no entanto, menos populares do que os sistemas tradicionais. No Japão, por exemplo, os 5 elementos taoístas estão representados nos Dias da Semana.

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            Finalmente, vejamos a tradição chinesa do I CHING, onde Yin e Yang são recombinados em trios, que permitem 8 combinações, Trigramas, que correspondem a 8 ELEMENTOS, que são CÉU, VENTO, TERRA, FOGO, LAGO, TROVÃO, MONTANHA e ÁGUA, que por sua vez se relacionam estreitamente com os 5 Agentes, na forma a seguir.

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            O que resulta no esquema:

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            Como podemos notar, o modo como os 5 elementos foram recombinados em 8 jamais teria agradado os gregos, em especial os pitagóricos, que provavelmente veriam algum tipo de desarmonia numérica. Permaneceu forte na nossa tradição ocidental a idéia de 4 elementos físicos, que ocasionalmente recebem um Quinto, em geral associado ao Espírito / Alma / Mente.

            Já no Oriente, embora tenha havido noções de 4 e por vezes, até 3 elementos em algumas tradições Hindus mais antigas, permaneceu forte a idéia de 5, quer seja levando em conta um elemento imaterial, como no sistema ocidental, quer seja ignorando o Ar e acrescentando Metal e Madeira.

            É fácil notar, também, uma fixação oriental, em especial Chinesa e Japonesa, pelos números 5 e 8, ao passo que no ocidente temos uma fixação maior no 4 e no 7. Enquanto nós falamos em 7 cores e 7 notas musicais, os chineses e japoneses costumavam falar em 5 notas e 5 cores. Diversas outras correlações podem ser notadas, em especial levando em conta superstições desses orientais contra o número quatro, cuja pronúncia é idêntica a da palavra ‘morte’.

            O número 4, então, traria mau agouro, e é tão incômodo quanto o é o 13 para os ocidentais. No Japão, por exemplo, é comum não haver apartamentos, andares e casas com o número 4, da mesma foram como nos E.U.A. e alguns países da Europa costuma ocorrer com o 13.

            Inclusive, é interessante observar que os chineses fizeram questão de iniciar as Olimpíadas de 2008 às 8 horas, 8 minutos e 8 segundos do dia 08/08/08, visto que este número é tido como portador de boa fortuna.

            Voltando a falar em cores e sons, podemos perceber que nossa divisão em 7 notas, no caso 5 tons e 2 semitons, é arbitrária, e seu principal responsável é ninguém menos que Pitágoras, que estabeleceu relações harmônicas preferíveis ao tocar cordas simultâneas em comprimentos diferentes. Posterioremente, no século XI, Frei Guido Darezzo viria a atribuir-lhes os nomes pelos quais as conhecemos, Dó, Ré, Mi, Fá, Sol, Lá e Si, que são a primeira sílaba de cada frase de um hino religioso à São João Batista.

            Na realidade, existem 12 semitons, como pode ser observado nos instrumentos de corda com trastes, tais como o violão, em relação a um teclado.

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Isso ocorre por que a medida que vamos encurtando e tocando uma corda, a tonalidade vai subindo, e só conseguimos distinguir 12 variações que se repetem em ciclos, de modo que no tom equivalente 12 níveis acima, a corda estará com a exata metade do tamanho. Num instrumento como o violão, as notas citadas acima valem para as cordas Mi, que são a mais grave e a mais fina, nas partes mais alta e mais baixa.)

            Por uma questão de sensibilidade estética, os antigos gregos formalizaram a divisão de 7 notas que, sacramentada na Idade Média, resultou em nossos instrumentos de teclado. Os orientais, por outro lado, ao invés de escolherem essa escala que mistura 5 tons com 2 semitons, não raro ignoraram estes últimos, e por isso identificamos como um estilo melódico tipicamente oriental quando tocamos somente as teclas pretas de um teclado, que são 5, o que produz um efeito similar ao das típicas músicas orientais.

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            No modo chinês, as 5 notas são tipicamente associadas aos elementos:

            Fazendo uma transposição de 6 semi-tons, temos o equivalente:

          Tudo isso nos mostra como nossa divisão da realidade em números preferenciais, 7 ou 5, é arbitrária, e o mesmo acontece com as cores.

            Embora consideremos 7 cores no espectro, e os orientais com frequência considerem 5, é fato que possuímos apenas 3 cores primárias, que podem se combinar num sistema que, se dividido de forma perfeitamente proporcional, pode também ser dividido em 12, como no exemplo abaixo.

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            Diferente dos tons musicais, onde não distinguimos mais de 12, é possível dividir a escala de cores em milhares de níveis perceptíveis, porém, a simples existência de 3 cores primárias e 3 secundárias imporá múltiplos de 6, como 24, 360, 18.000.

            Mas o que chama a atenção é o modo como dividimos nossa clássica escala de 7 cores. Pegamos as cores 1, 2, 3, para os típicos Vermelho, Laranja e Amarelo, e agrupamos os outros 3 tons seguintes no mesmo denominador de Verde. Adicionamos a cor 7, Ciano, que normalmente chamamos apenas de Azul Claro ou mesmo Azul, por vezes usando Anil para a cor 9, e finalmente pescando um misto escurecido de 10 e 11 como Violeta.

            Os orientais, por outro lado, costumam pegar 4 das cores da amostra acima, 1,3, uma mistura das cores 4 a 9 num único tom de Verde e Azul (em Japonês há uma única palavra, aoi, que pode ser tanto Azul quanto Verde), e então adicionam Preto e Branco, que sequer são cores da escala mas sim, sua soma total e sua subtração completa.

            Há também uma alternativa que ignora o Preto, ou o Branco, e seleciona Verde e Azul em separado, mas merece maior atenção é a preocupação em manter o número 5!

            É inegável, porém, como vemos na escala de cores acima, que as tonalidades esverdeadas nos parecem muito mais similares entre si do que as demais, e que é mais fácil confundir 4 e 6, do que 12 e 2, por exemplo. Isso ocorre porque nossos olhos são mais sensíveis ao verde do que às demais cores primárias, o verde é a cor que possui maior “Luminância” para nossos sentidos. Por isso os visores noturnos aparentam tons verdes, um Laser verde é muito mais brilhante do que o Vermelho, mesmo quando gerados na mesma potência e o Ciano e o Amarelo são mais difíceis de distinguir do branco por compartilharem a cor mais luminosa, o que não ocorre com o Magenta

            Por outro lado, das primárias, o Azul é a menos intensa, a mais escura, e por isso mesmo se destaca mais no fundo branco, e os modos diferentes de interações de cores acabam gerando percepções desequilibradas em nossos sentidos. O Daltonismo que confunde azul e verde, por exemplo, é mais comum do que o confunde verde e vermelho.

            Toda essa digressão tem apenas o objetivo de mostrar que existem predisposições culturais a encaixar a realidade em modelos ideais pré-estabelecidos, com a rara exceção dos Poliedros Regulares, que realmente só existem em número de 5. Curiosamente, o chineses parecem não ter desenvolvidos geometrias mais sofisticadas, caso contrário, associar seus 5 elementos aos 5 poliedros seguramente seria irresistível.

            Para observarmos mais exemplos de como “encaixar” o mundo em nossa categorias pré-estabelecidas, vejamos mais algumas relações notáveis, que denunciam sutilezas psico culturais entre os dois hemisférios.

            Na antiguidade desenvolveu-se a noção das 4 Virtudes Cardinais: Prudência, Fortaleza, Justiça e Temperança. Na Idade Média, seriam somadas a essas as 3 Virtudes Teologais: Fé, Amor e Caridade, somando um total de 7 Virtudes que evidentemente se opunham aos 7 Pecados Capitais.

            Por sua vez, no oriente, os chineses falavam em 5 Virtudes: Polidez, Bondade, Respeito, Parcimônia e Altruísmo. Já no Japão, ficou famoso o Bushido, o Código de Honra Samurai, que era constituído de 8 virtudes: Justiça, Coragem, Bondade, Polidez, Verdade, Honra, Fidelidade e Auto-Controle.

          Os orientais parecem sempre encontrar um meio de adicionar um quinto elemento em classificações que no ocidente mantemos apenas em quatro. Por isso, se consideramos as 4 estações, os orientais adicionam um período de transição, associando todos aos 5 elementos: Primavera (Madeira), Verão (Fogo), Outono (Metal), Inverno (Água) e Intervalos (Terra).

E consideramos 4 Pontos Cardeais, os Orientais consideram Norte (Água), Leste (Madeira), Sul (Fogo), Oeste (Metal) e CENTRO (Terra).

            Há muitos outros exemplos de como os números 4 e 7, no ocidente, e 5 e 8, no oriente, apesar de ocasionais exceções, dominam o imaginário cultural. Mas, enfim, voltemos agora ao tema dos elementos.

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aureola

ANJOS

       Uma auréola ou halo (do Latim aurea, “dourado”) é um círculo dourado ou peça de metal circular com que pintores e escultores circundam muitas vezes a cabeça de personagens sagrados. Nos períodos mais antigos da arte cristã, a auréola era usada exclusivamente em figuras pertencentes à Santíssima Trindade, como Jesus Cristo, mas esse costume foi posteriormente alargado à Virgem Maria e aos santos.

             Uma das primeiras representações de Sidarta Gautama, século I-II, Gandara: repare no círculo cinza atrás da cabeça do Buda.

           Quando envolve todo o corpo da figura, a auréola geralmente aparece em forma oval ou elíptica, mas ocasionalmente é circular ou quadrifólia. Quando ronda apenas a cabeça, é chamada especificamente de auréola ou nimbo, enquanto a combinação de nimbo com auréola é chamada do fenômeno óptico glória. A distinção entre nimbos e auréolas não são muito respeitados, de modo que esse último termo é mais frequentemente utilizado para designar o esplendor que ronda as cabeças dos santos, dos anjos ou de pessoas da Santíssima Trindade.

             As auréolas aparecem na arte cristã por volta do século V, mas este elemento já era conhecido e desenvolvido séculos antes, na arte pré-cristã helenista. É encontrada em algumas representações persas de reis e deuses, e aparece nas moedas dos reis do Império Kushana: Kanishka, Huvishka e Vasudeva, como também na maioria das imagens representando Sidarta Gautama, o Buda, no século I, pertencentes à arte Greco-budista. O uso da auréola também é encontrado na arte egípcia, na arte grega, na arte romana, nas representações de Trajano, e Antônio Pio. Certos imperadores do Império Romano eram retratados radiando uma coroa no alto da cabeça, com raios de sol iluminando suas figuras.

             Anjo (do latim angelus e do grego ággelos (ἄγγελος), mensageiro), segundo a tradição judaico-cristã, a mais divulgada no ocidente, conforme relatos bíblicos, são criaturas espirituais, conservos de Deus com os homens (Apocalipse 19:10), que servem como ajudantes ou mensageiros de Deus. Os Anjos também podem ser considerados escravos de Deus no que tange ao sentido lato da palavra escravo, isto é, o que vive em absoluta sujeição a outrem. Também podem igualmente ser considerados escravos porque não recebem nenhuma remuneração por seu trabalho e estão a mercê da vontade Divina, podendo Deus dispor, a Seu critério, do Anjo – sem que ele possa exercer qualquer direito e objeção pessoal ou legal.

          Na iconografia comum, os anjos geralmente têm asas de pássaro e uma auréola. São donos de uma beleza delicada e de um forte brilho, e por vezes são representados como uma criança, por terem inocência e virtude.

         Os relatos bíblicos e a hagiografia cristã contam que os anjos muitas vezes foram autores de fenômenos miraculosos, e a crença corrente nesta tradição é que uma de suas missões é ajudar a humanidade em seu processo de aproximação a Deus.

            Os anjos são ainda figuras importantes em muitas outras tradições religiosas do passado e do presente e o nome de “anjo” é dado amiúde indistintamente a todas as classes de seres celestes. Os muçulmanos, zoroastrianos, espíritas, hindus e budistas, todos aceitam como fato sua existência, dando-lhes variados nomes, mas às vezes são descritos como tendo características e funções bem diferentes daquelas apontadas pela tradição judaico-cristã, esta mesma apresentando contradições e inconsistências de acordo com os vários autores que se ocuparam deste tema. O Espiritismo faz uma descrição em muito semelhante à judaico-cristã, considerando-os seres perfeitos que atuam como mensageiros dos planos superiores, sem, no entanto, tentar atribuir forma ou aparência a tais seres: seria apenas uma visão de suas formas morais. A diferença da visão espírita se faz apenas pelo raciocínio de que Deus, sendo soberanamente justo e bom (atributos que seguem-lhe a perfeição, ou seja, Deus não precisa evoluir, já é e sempre foi perfeito e imutável), não os teria criado perfeitos, pois isso seria creditar a Deus a capacidade de ser injusto, face à necessidade que os homens enfrentam de experimentação sucessiva para aperfeiçoarem-se. O Espiritismo apresenta a visão de que tais seres angélicos, independentemente de suas hierarquias celestiais, estão nesse ponto evolutivo por mérito próprio, são espíritos santificados e livres da interferência da matéria pelas próprias escolhas que fizeram no sentido evolutivo e de renúncia de si mesmos ao longo do tempo, sendo facultado também aos homens atuais – ainda muito materializados – atingirem, através de seus esforços morais e intelectuais nas múltiplas reencarnações, tais pontos de perfeição. (O Céu e o Inferno, Allan Kardec, 1865). Dentro do Cristianismo Esotérico e da Cabala, são chamados de anjos aos espíritos num grau de evolução imediatamente superior ao do homem e imediatamente inferior ao dos arcanjos. Para os muçulmanos alguns anjos são bons, outros maus, e outras classes possuem traços ambíguos. No Hinduísmo e no Budismo são descritos como seres autoluminosos, donos de vários poderes, sendo que alguns são dotados de corpos densos e capazes de comer e beber. Já os teosofistas afirmam que existem inumeráveis classes de anjos, com variadas funções, aspectos e atributos, desde diminutas criaturas microscópicas até colossos de dimensões planetárias, responsáveis pela manutenção de uma infinidade de processos naturais. Além disso a cultura popular em vários países do mundo deu origem a um copioso folclore sobre os anjos, que muitas vezes se afasta bastante da descrição mantida pelos credos institucionalizados dessas regiões.

As hierarquias angélicas no Cristianismo

        No Cristianismo os anjos foram estudados de acordo com diversos sistemas de classificação em coros ou hierarquias angélicas. A mais influente de tais classificações foi estabelecida pelo Pseudo-Dionísio, o Areopagita entre os séculos IV e V, em seu livro De Coelesti Hierarchia.

         No Cristianismo a fonte primária ao estudo dos anjos são as citações bíblicas, como quando três anjos apareceram a Abraão, embora existam apenas sugestões ambíguas para a construção de um sistema como se ele se tivesse desenvolvido em tempos posteriores. Isaías fala de serafins; outro anjo acompanhou Tobias; a Virgem Maria recebeu uma visita angélica na anunciação do futuro nascimento de Cristo, e o próprio Jesus fala deles em vários momentos, como quando sofreu a tentação no deserto e na cena do horto das oliveiras, quando um anjo lhe fortalecia antes da Paixão.

            São Paulo faz alusão a cinco ordens de anjos. Depois foi São Dionísio um dos primeiros a propor um sistema organizado do estudo dos anjos e seus escritos tiveram muita influência, mas foi precedido por outros escritores, como São Clemente, Santo Ambrósio e São Jerônimo. Na Idade Média surgiram muitos outros esquemas, alguns baseados no do Areopagita, outros independentes, sugerindo uma hierarquia bastante diferente. Alguns autores acreditavam que apenas os anjos de classes inferiores interferiam nos assuntos humanos.

          Tradições esotéricas cristãs também foram invocadas para se organizar um quadro mais exato. As classificações propostas na Idade Média são as seguintes:

            São Clemente, em Constituições Apostólicas, século I:

  1. Serafins, 2. Querubins, 3. Éons, 4. Hostes, 5. Potestades, 6. Autoridades, 7. Principados, 8. Tronos, 9. Arcanjos, 10. Anjos, 11. Dominações.

             Santo Ambrósio, em Apologia do Profeta David, século IV:

  1. Serafins, 2. Querubins, 3. Dominações, 4. Tronos, 5. Principados, 6. Potestades, 7. Virtudes, 8. Anjos, 9. Arcanjos.

             São Jerônimo, século IV:

  1. Serafins, 2. Querubins, 3. Potestades, 4. Dominações, 5. Tronos, 6. Arcanjos, 7. Anjos.

            Pseudo-Dionísio, o Areopagita, De Coelesti Hierarchia, c. século V:

  1. Serafins, 2. Querubins, 3. Tronos, 4. Dominações, 5. Virtudes, 6. Potestades, 7. Principados, 8. Arcanjos, 9. Anjos.

             São Gregório Magno, em Homilia, século VI:

  1. Serafins, 2. Querubins, 3. Tronos, 4. Dominações, 5. Principados, 6. Potestades, 7. Virtudes, 8. Arcanjos, 9. Anjos.

             Santo Isidoro de Sevilha, em Etymologiae, século VII:

  1. Serafins, 2. Querubins, 3. Potestades, 4. Principados, 5. Virtudes, 6. Dominações, 7. Tronos, 8. Arcanjos, 9. Anjos.

             João de Damasco, em De Fide Orthodoxa, século VIII:

  1. Serafins, 2. Querubins, 3. Tronos, 4. Dominações, 5. Potestades, 6. Autoridades (Virtudes), 7. Governantes (Principados), 8. Arcanjos, 9. Anjos.

             São Tomás de Aquino, em Summa Theologica, (1225-1274):

  1. Serafins, 2. Querubins, 3. Tronos, 4. Dominações, 5. Virtudes, 6. Potestades, 7. Principados, 8. Arcanjos, 9. Anjos.

             Dante Alighieri, na Divina Comédia (1308-1321):

  1. Serafins, 2. Querubins, 3. Tronos, 4. Dominações, 5. Virtudes, 6. Potestades, 7. Arcanjos, 8. Principados, 9. Anjos.

             De todas estas ordenações a mais corrente, derivada do Pseudo-Dionísio e de Tomás de Aquino, divide os anjos em nove coros, agrupados em três trìades:

Primeira Tríade

            A 1ª Ordem é composta pelos anjos mais próximos de Deus, que desempenham suas funções diante do Pai.

            Serafins

             Criatura fantástica do tipo dos kerabu, proveniente de Khorsabad

            O nome serafim vem do hebreu saraf (שרף), e do grego, séraph, que significam “abrasar, queimar, consumir”. Também foram chamados de ardentes ou de serpentes de fogo. É a ordem mais elevada da esfera mais alta. São os anjos mais próximos de Deus e emanam a essência divina em mais alto grau. Assistem ante o Trono de Deus e é seu privilégio estar unido a Deus de maneira mais íntima, e são descritos em Isaías como cantando perpetuamente o louvor de Deus e tendo seis asas.

             O Pseudo-Dionísio diz que sua natureza ígnea espelha a exuberância de sua atividade perpétua e infatigável, e sua capacidade de inflamar os anjos inferiores no cumprimento dos desígnios divinos, purificando-os com seu fogo e iluminando suas inteligências, destruindo toda sombra. Pico della Mirandola fala deles em sua Oração sobre a Dignidade do Homem (1487) como incandescentes do fogo da caridade, e modelos da mais alta aspiração humana

             Querubins

           Do hebreu כרוב – keruv, ou do plural כרובים – keruvim, os querubins são seres misteriosos, descritos tanto no Cristianismo como em tradições mais antigas às vezes mostrando formas híbridas de homem e animal. Os povos da Mesopotâmia tinham o nome karabu e suas variantes para denominar seres fantásticos com forma de touro alado de face humana, e a palavra significa em algumas daquelas línguas “poderoso”, noutras “abençoado”.

             No Gênesis aparece um querubim como guardião do Jardim do Éden, expulsando Adão e Eva após o pecado original. Ezequiel os descreve como guardiães do trono de Deus e diz que o ruflar de suas asas enchia todo o templo da divindade e se parecia com som de vozes humanas; a cada um estava ligada uma roda, e se moviam em todas as direções sem se voltar, pois possuíam quatro faces: Leão, (O leão sempre foi reconhecido como forte, feroz, majestoso, ele é o rei dos animais e essa face simboliza então sua força). Touro, (o touro é reconhecido como um animal que trabalha pacientemente para seu dono. Ele é forte, podendo carregar um urso, e conhece o seu dono). Águia, (como um anjo, este pássaro voa acima das tempestades, enquanto abaixo delas existem tristezas, perigos, e angústias. Um pássaro ligeiro e poderoso, elegante, incansável) e Homem, Esta face fala da mente, razão, afeições, e todas as coisas que envolvem a natureza humana, isso, para alguns estudiosos, significa que eles assim como os homens possuem o livre arbítrio. E eram inteiramente cobertos de olhos, significando a sua onisciência. Mas as imagens querubins que Moisés colocou sobre a Arca da Aliança tinham forma humana, embora com asas.

             Os Querubins, para alguns teólogos, ocupam o topo da hierarquia, pois alguns não consideram os serafins como anjos, uma vez que a palavra hebraica para anjo é “malak” (mensageiro) e da mesma forma no grego, anjo é “angelus” (mensageiro) e estas figuras aladas que aparecem, na Bíblia, apenas em Isaías capítulo 6, onde exaltam a Deus mas não comunicam mensagens ao profeta.

       São Jerônimo e Santo Agostinho interpretam seu nome como “plenitude de sabedoria e ciência”. São representados muitas vezes como crianças pequenas dotadas de asas, chamados putti (meninos) em italiano. Têm o poder de conhecer e contemplar a Deus, e serem receptivos ao mais alto dom da luz e da verdade, à beleza e à sabedoria divinas em sua primeira manifestação. Estão cheios do amor divino e o derramam sobre os níveis abaixo deles.

            Satanás é descrito como o querubim ungido, sendo chamado antes pelo nome de Lúcifer ou Belial.

            Tronos ou Ofanins

            Os Tronos têm seu nome derivado do grego thronos, que significa “anciãos”. São chamados também de erelins ou ofanins, ou algumas vezes de Sedes Dei (Trono de Deus), e são identificados com os 24 anciãos que perpetuamente se prostram diante de Deus e a Seus pés lançam suas coroas. São os símbolos da autoridade divina e da humildade, e da perfeita pureza, livre de toda contaminação.

Segunda Tríade

            A 2ª Ordem é composta pelos Príncipes da Corte celestial.

            Dominações

            As Dominações ou Domínios (do latim dominationes) têm a função de regular as atividades dos anjos inferiores, distribuem aos outros anjos as funções e seus mistérios, e presidem os destinos das nações. Crê-se que as Dominações possuam uma forma humana alada de beleza inefável, e são descritos portando orbes de luz e cetros indicativos de seu poder de governo. Sua liderança também é afirmada na tradução do termo grego kyriotes [küriotés], que significa “senhor”, aplicado a esta classe de seres.

         São anjos que auxiliam nas emergências ou conflitos que devem ser resolvidos logo. Também atuam como elementos de integração entre os mundos materiais e espirituais, embora raramente entrem em contato com as pessoas.

            Virtudes

        As Virtudes são os responsáveis pela manutenção do curso dos astros para que a ordem do universo seja preservada. Seu nome está associado ao grego dunamis, significando “poder” ou “força”, e traduzido como “virtudes” em Efésios 1:21, e seus atributos são a pureza e a fortaleza. O Pseudo-Dionísio diz que eles possuem uma virilidade e poder inabaláveis, buscando sempre espelhar-se na fonte de todas as virtudes e as transmitindo aos seus inferiores.

          Orientam as pessoas sobre sua missão. São encarregados de eliminar os obstáculos que se opõe ao cumprimento das ordens de Deus, afastando os anjos maus que assediam as nações para desviá-las de seu fim, e mantendo assim as criaturas e a ordem da Divina providência. Eles são particularmente importantes porque têm a capacidade de transmitir grande quantidade de energia divina. Imersas na força de Deus, as Virtudes derramam bênçãos do alto, frequentemente na forma de milagres. São sempre associados com os heróis e aqueles que lutam em nome de Deus e da verdade. São chamados quando se necessita de coragem.

            Potestades

           As Potestades ou Potências são também chamadas de “condutores da ordem sagrada”. Executam as grandes ações que tocam no governo universal. Eles são os portadores da consciência de toda a humanidade, os encarregados da sua história e de sua memória coletiva, estando relacionados com o pensamento superior – ideais, ética, religião e filosofia, além da política em seu sentido abstrato.

           Também são descritos como anjos guerreiros completamente fiéis a Deus. Seus atributos de organizadores e agentes do intelecto iluminado são enfatizados pelo Pseudo-Dionísio, e acrescenta que sua autoridade é baseada no espelhamento da ordem divina e não na tirania. Eles têm a capacidade de absorver e armazenar e transmitir o poder do plano divino, donde seus nomes.

            Os anjos do nascimento e da morte pertencem a essa categoria. São também os guardiões dos animais.

Terceira Tríade

            A 3ª Ordem é composta pelos anjos ministrantes, que são encarregados dos caminhos das nações e dos homens e estão mais intimamente ligados ao mundo material.

            Principados

       Os Principados, do latim principatus, são os anjos encarregados de receber as ordens das Dominações e Potestades e transmití-las aos reinos inferiores, e sua posição é representada simbolicamente pela coroa e cetro que usam. Guardam as cidades e os países. Protegem também a fauna e a flora. Como seu nome indica, estão revestidos de uma autoridade especial: são os que presidem os reinos, as províncias, e as dioceses, e velam pelo cultivo de sementes boas no campo das ideologias, da arte e da ciência.

             Arcanjos

        O nome de arcanjo vem do grego αρχάγγελος, arkangélos, que significa “anjo principal” ou “chefe”, pela combinação de archō, o primeiro ou principal governante, e άγγελος, aggělǒs, que quer dizer “mensageiro”. Este título é mencionado no Novo Testamento por duas vezes e a esta ordem pertencem os únicos anjos cujos nomes são conhecidos através da Bíblia: Miguel, Rafael e Gabriel. Miguel é especificamente citado como “O” arcanjo, ao passo que, embora se presuma pela tradição que Gabriel também seja um arcanjo, não há referências sólidas a respeito. Rafael descreve a si mesmo como um dos sete que estão diante do Senhor, classe de seres mencionada também no Apocalipse.

           Considerado canônico somente pela Igreja Ortodoxa da Etiópia, o Livro de Enoque fala de mais quatro arcanjos, Uriel, Ituriel, Amitiel e Samuel, responsáveis pela vigilância universal durante o perído dos Nefilim, os “anjos caídos”. Contudo em outras fontes apócrifas estes são por vezes ditos como querubins. A igreja Ortodoxa faz de Uriel um arcanjo e o festeja com Rafael, Gabriel e Miguel na Synaxis de Miguel e os outros Poderes Incorpóreos, em 21 de novembro.

         Seu caráter de mensageiros, ou intermediários, é assinalada pelo seu papel de elo entre os Principados e os Anjos, interpretando e iluminando as ordens superiores para seus subordinados, além de inspirar misticamente as mentes e corações humanos para execução de atos de acordo com a vontade divina. Atuam assim como arautos dos desígnios divinos, tanto para os Anjos como para os homens, como foi no caso de Gabriel na Anunciação a Maria. A cultura popular faz deles protetores dos bons relacionamentos, da sabedoria e dos estudos, e guerreiros contra as ações do Diabo.

             Anjos

             Os anjos são os seres angélicos mais próximos do reino humano, o último degrau da hierarquia angélica acima descrita e pertencentes à sua terceira tríade. A tradição hebraica, de onde nasceu a Bíblia, está cheia de alusões a seres celestiais identificados como anjos, e que ocasionalmente aparecem aos seres humanos trazendo ordens divinas. São citados em vários textos místicos judeus, especialmente nos ligados à tradição Merkabah. Na Bíblia são chamados de מלאך אלהים (mensageiros de Deus), מלאך יהוה (mensageiros do Senhor), בני אלוהים (filhos de Deus) e הקדושים (santos). São dotados de vários poderes supernaturais, como o de se tornarem visíveis e invisíveis à vontade, voar, operar milagres diversos e consumir sacrifícios com seu toque de fogo. Feitos de luz e fogo sua aparição é imediatamente reconhecida como de origem divina também por sua extraordinária beleza. Segundo a tradição católica os anjos (mensageiros) são designações de cargos, não de natureza. Para Deus, apesar dos vários cargos angelicais, todos são anjos e todos são iguais perante Ele.

Os anjos em outras tradições

             No Budismo e Hinduísmo

            O Budismo e o Hinduísmo descrevem os anjos, ou devas, como os chamam, de maneira semelhante às outras religiões ocidentais. Seu nome deriva da raiz sânscrita div, que significa “brilhar”, e seu nome significa, então, os “seres brilhantes” ou “autoluminosos”. Dizem que alguns deles comem e bebem, e podem construir formas ilusórias para poderem se manifestar em planos de existência diferentes dos seus próprios. O Budismo estabelece uma categorização bastante completa para os seus devas, em grande parte herdada da tradição Hinduísta.

             Islamismo

            Sultão Muhammad: A Mi’raj, ou Ascensão de Maomé, rodeado de anjos. Iluminura, c. 1650

             A angelologia islâmica é largamente devedora às tradições dos Zoroastrianismo, do Judaísmo e do Cristianismo primitivo, e divide os anjos em dois partidos principais, os bons, fiéis a Deus, e os maus, cujo chefe é Iblis ou Ash-Shaytan, privados da graça divina por terem se recusado a prestar homenagens a Adão.

            Por outro lado, existe também no Islamismo uma categorização hierárquica. Em primeiro lugar estão os quatro Tronos de Deus, com formas de leão, touro, águia e homem. Em seqüência, vêm o querubim, e logo os quatro arcanjos: Jibril ou Jabra’il, o revelador, intermediário entre Deus e os profetas e constante auxiliador de Maomé; Mikal ou Mika’il, o provedor, citado apenas uma vez no Corão (2:98) e quem, segundo a tradição, ficou tão horrorizado com a visão do inferno quando este foi criado que jamais pôde falar de novo; Izrail, o anjo da morte, uma criatura espantosa de dimensões cósmicas, quatro mil asas e um corpo formado de tantos olhos e línguas quantas são as pessoas da Terra, que se posta com um pé no sétimo céu e outro no limite entre o paraíso e o inferno; e Israfil, o anjo do julgamento, aquele que tocará a trombeta no Juízo Final; tem um corpo cheio de pelos e feitos de inumeráveis línguas e bocas, quatro asas e uma estatura que vai desde o trono de Deus até o sétimo céu. Por fim, os demais anjos. Como uma classe à parte estão os gênios, ou djins, que possuem muitas características humanas, como a capacidade de se alimentar, propagar a espécie, e morrer, e cujo caráter é ambíguo.

             Espiritismo

          Para o Espiritismo, doutrina que tem o Cristianismo por base e foi iniciada no século XIX por intermédio de Allan Kardec, os anjos seriam os espíritos elevados de benignidade superior que são protetores dos necessitados e mensageiros do amor. Seriam, portanto, aqueles que trazem mensagens do mundo incorpóreo. Por este motivo seriam chamados de anjos, palavra que significa mensageiros, os quais aparecem inúmeras vezes nos textos sagrados de religiões judaico-cristãs, indicando a comunicabilidade entre vivos e mortos. Ainda segundo o Espiritismo, os anjos, em sua concepção mais comumente conhecida e aceita – criaturas perfeitas, a serviço direto de Deus – seriam os espíritos que já alcançaram a perfeição passível de ser alcançada pelas criaturas. Estes, ao fazê-lo, passariam a dedicar a sua existência a fazer cumprir a vontade de Deus na Criação, por serem capazes de compreendê-la completamente. Que haja seres dotados de todas as qualidades atribuídas aos anjos, não restam dúvidas. A revelação espírita neste ponto confirma a crença de todos os povos, fazendo-nos conhecer ao mesmo tempo a origem e natureza de tais seres.

            As almas ou Espíritos são criados simples e ignorantes, isto é, sem conhecimentos nem consciência do bem e do mal, porém, aptos para adquirir o que lhes falta. O trabalho é o meio de aquisição, e o fim – que é a perfeição – é para todos o mesmo. Conseguem-no mais ou menos prontamente em virtude do livre-arbítrio e na razão direta dos seus esforços; todos têm os mesmos degraus a franquear, o mesmo trabalho a concluir. Deus não aquinhoa melhor a uns do que a outros, porquanto é justo, e, visto serem todos seus filhos, não tem predileções. Ele lhes diz: Eis a lei que deve constituir a vossa norma de conduta; ela só pode levar-vos ao fim; tudo que lhe for conforme é o bem; tudo que lhe for contrário é o mal. Tendes inteira liberdade de observar ou infringir esta lei, e assim sereis os árbitros da vossa própria sorte. Conseguintemente, Deus não criou o mal; todas as suas leis são para o bem, e foi o homem que criou esse mal, divorciando-se dessas leis; se ele as observasse escrupulosamente, jamais se desviaria do bom caminho. Entretanto, a alma, qual criança, é inexperiente nas primeiras fases da existência, e daí o ser falível. Não lhe dá Deus essa experiência, mas dá-lhe meios de adquiri-la. Assim, um passo em falso na senda do mal é um atraso para a alma, que, sofrendo-lhe as conseqüências, aprende à sua custa o que importa evitar. Deste modo, pouco a pouco, se desenvolve, aperfeiçoa e adianta na hierarquia espiritual até ao estado de puro Espírito ou anjo. Os anjos são, pois, as almas dos homens chegados ao grau de perfeição que a criatura comporta, fruindo em sua plenitude a prometida felicidade. Antes, porém, de atingir o grau supremo, gozam de felicidade relativa ao seu adiantamento, felicidade que consiste, não na ociosidade, mas nas funções que a Deus apraz confiar-lhes, e por cujo desempenho se sentem ditosas, tendo ainda nele um meio de progresso.29 A Humanidade não se limita à Terra; habita inúmeros mundos que no Espaço circulam; já habitou os desaparecidos, e habitará os que se formarem. Tendo-a criado de toda a eternidade, Deus jamais cessa de criá-la. Muito antes que a Terra existisse e por mais remota que a suponhamos, outros mundos havia, nos quais Espíritos encarnados percorreram as mesmas fases que ora percorrem os de mais recente formação, atingindo seu fim antes mesmo que houvéramos saído das mãos do Criador. De toda a eternidade tem havido, pois, puros Espíritos ou anjos; mas, como a sua existência humana se passou num infinito passado, eis que os supomos como se tivessem sido sempre anjos de todos os tempos. Realiza-se assim a grande lei de unidade da Criação; Deus nunca esteve inativo e sempre teve puros Espíritos, experimentados e esclarecidos, para transmissão de suas ordens e direção do Universo, desde o governo dos mundos até os mais ínfimos detalhes. Tampouco teve Deus necessidade de criar seres privilegiados, isentos de obrigações; todos, antigos e novos, adquiriram suas posições na luta e por mérito próprio; todos, enfim, são filhos de suas obras.

            E, desse modo, completa-se com igualdade a soberana justiça do Criador

            Teosofia

        Anatomia esquemática do anjo patrono do santuário de Borobudur, Java, segundo indicações do teosofista Geoffrey Hodson em seu livro O Reino dos Deuses. Sua forma é na verdade esférica, com feixes de luz irradiante, e aqui se mostra em corte. Os círculos regulares concêntricos de sua aura indicam sua avançada evolução. Muitos detalhes foram omitidos

            A Teosofia admite a existência dos seres angélicos, e várias classes dentre eles, embora existam relativamente poucos estudos neste campo que as sistematizem profundamente, dos quais os de Charles Leadbeater e sobretudo Geoffrey Hodson são as fontes mais ricas e interessantes.

           Charles Leadbeater diz que, sendo um dos muitos reinos da criação divina, o reino angélico também está, como os outros, sujeito à evolução, e que existem grandes diferenças em poder, sabedoria, amor e inteligência entre seus integrantes. Pelo mesmo motivo, o de constituírem um reino independente, com interesses e metas próprias, diz que os anjos não existem mormente em função dos homens e seus problemas, como reza a cultura popular, apesar de assistí-los de uma variedade imensa de formas, como por exemplo na ministração dos sacramentos das igrejas, na cura espiritual e corporal dos seres humanos, e na sua inspiração, encorajamento, proteção e instrução. Mesmo que o reino angélico como um todo esteja envolvido em muitas tarefas que não dizem respeito ao homem, Leadbeater afirma em A Ciência dos Sacramentos que existe uma classe deles especialmente associada aos seres humanos, a dos anjos da guarda, na verdade uma espécie de silfos, à qual se confia uma pessoa por ocasião de seu batismo, e que por seu serviço conquistam a individualização, tornando-se serafins.

        Os anjos são descritos por Hodson como tendo uma atitude em relação a Deus completamente diversa da humana, não concebendo uma existência personalizada individual, mas sim uma consciência única central e ao mesmo tempo difusa e onipresente, de onde suas próprias consciências derivam e à qual estão inextrincavelmente ligadas. Sentem-se unidos a esta consciência e para eles não é possível, exatamente por esta unidade, experimentarem egoísmo, separatividade, desejo, possessividade, ódio, medo, revolta ou amargura. Apesar de serem essencialmente seres amorosos, seu amor é impessoal, sendo extremamente raras associações estreitas com quaisquer indivíduos. Em seus estudos Hodson os divide em quatro tipos principais, associados aos quatro elementos da filosofia antiga: terra, água, fogo e ar.

          Hodson faz também uma associação dos anjos com a Árvore Sefirotal, derivada da tradição Cabalística, definindo dez ordens. Afirma que um dos aspectos do Logos é de natureza angélica e acrescenta que ao reino angélico pertencem os chamados espíritos da natureza. Muitos destas classes estão envolvidos em processos naturais básicos como a formação celular e cristalização mineral, sendo por isso de dimensões microscópicas, constituindo os primeiros degraus da sua longa evolução em direção aos anjos planetários e formas ainda mais grandiosas como os grandes arcanjos solares, de estatura verdadeiramente colossal, a ponto de poderem ser percebidos de pontos próximos à extremidade externa do sistema solar. Outros tipos são os silfos, as salamandras, as fadas, dríades, ondinas e os variados espíritos da natureza conhecidos desde a antigüidade em várias culturas. Suas descrições dão uma vívida idéia da importância destes seres na manutenção da ordem cósmica e na manifestação do universo desde sua origem insondável até as formas físicas, passando por todos os degraus intermédios. Em seu livro O Reino dos Deuses (1) oferece uma série de ilustrações do aspecto dos vários tipos de anjos, diferindo radicalmente das tradicionais representações angélicas da cultura ocidental, e diz que apesar disso ambos, anjo e homem, derivam suas formas de um mesmo arquétipo.

(1) donwload: https://mega.co.nz/#!EJchVbLY!HIWFPLJZKBUFZr4Bn3e__XjgqT6cQG9cLH8ZM7UakKI

http://pt.wikipedia.org/wiki/Anjo

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ALQUIMIA EM MOVIMENTO

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            Apresenta-se “O Selo de Salomão”, o que permite nomear os quatro Elementos Alquímicos fundamentais e as quatro qualidades fundamentais da matéria. “O Selo de Salomão” permite, ainda, exprimir correspondências entre os Elementos e as qualidades, os metais, os planetas, os humores e assim por diante. O selo salomônico funde os princípios masculino e feminino, o Enxofre e o Mercúrio e simboliza, então, o matrimónio alquímico ou a feitura da Obra. A tríade alma, espírito e corpo completa-se com a junção do Sal.

            A alquimia é como a pré-história da ciência e/ou como pecado original. Um projeto de investigação prático de transmutação de matéria vil em ouro, com a sua correspondente herança material, no primeiro caso; uma manifestação que animou a ciência, onde nem falta a árvore, nem a maça, nem a serpente.

            Refere-se Gaston Bachelard e a sua análise do imaginário, enraizada nos Elementos: o reino do onírismo é inaugurado e assegurado pela alquimia das metamorfoses.

            Refere-se Lima de Freitas, o mestre pintor do Imaginal, através da sua obra e do seu múltiplo significado.

O Selo de Salomão

           O Selo de Salomão, também conhecido por escudo ou estrela de David, é uma estrela de seis pontas, formada por dois triângulos equiláteros, um perfeitamente invertido em relação ao outro, que contém, entre vários atributos, os quatro Elementos Alquímicos: o Fogo no vértice superior (D), a Água no vértice inferior (Ñ), o Ar na reentrância à esquerda, entre os dois triângulos e, por fim, a Terra na correspondente reentrância à direita

            O hexagrama que é o Selo de Salomão reúne, na sua totalidade, além do conjunto dos Elementos do universo, as qualidades fundamentais da matéria. Estas, situam-se nas pontas laterais da estrela e correspondem-se, duas a duas, com os Elementos: quente e seco para o Fogo, frio e húmido, para a Água, quente e húmido para o Ar e frio e seco, para a Terra.

            O Selo de Salomão pretende exprimir, na sua aparente simplicidade, a complexidade cósmica. Assim, dentro da tradição hermética, o Selo de Salomão apresenta uma “personalidade” múltipla – Figura 1 (b). Além da descrita, pode reunir:

–  os sete metais básicos: o Chumbo, o Estanho, o Ferro, a Prata, o Cobre e o Mercúrio – nas pontas da estrela e rodando segundo os ponteiros do relógio – e, ao centro, o Ouro;

–  os sete “planetas” básicos: Saturno, Júpiter, Marte, Lua, Vénus e Mercúrio – seguindo o mesmo trilho de anteriormente – e, ao centro, o Sol;

– ou, por extensão: as sete esferas celestes, os sete graus de perfeição, os sete dias da semana, as sete cores do arco-íris ou mesmo os misteriosos sete anões da Branca de Neve…

            O mesmo símbolo estrelado pode significar, ainda: os quatro humores vitais: a Mucosidade, a Atrabílis (atrabile ou cólera negra), o Sangue vermelho e a Bílis (Bile), todos pressupostos componentes do sangue; os quatro temperamentos: Linfático, Sanguíneo, Nervoso e Bilioso; os quatro estados da matéria: Líquido, Gasoso, Ígneo e Sólido; as quatro etapas da vida: Infância, Juventude, Maturidade e Velhice; as quatro estações do ano; os quatro pontos cardeais; …

            São, consequentemente, possíveis inúmeras correlações entre os Elementos e as qualidades, e os metais, os planetas, os humores, os temperamentos, os estados da matéria, as etapas da vida ou as estações do ano. Assim, por exemplo:

– Fogo – quente e seco – Prata – Lua – Sangue vermelho – Nervoso – Ígneo – Maturidade – Verão – Sul …

– Água – frio e húmido – Chumbo – Saturno – Mucosidade – Linfático – Líquido – Infância – Inverno – Norte …

            O Selo de Salomão reduz o múltiplo ao uno (reduzir no sentido de transformar, converter, resumir e nunca no de limitar ou minorar); transmuta o imperfeito em perfeito (a imperfeição, que se dispersa pela periferia, converge para perfeição, que é simbolizada pelo Ouro ou pelo Sol que se encontra no centro); funde os princípios masculino (o triângulo vermelho) e feminino (o triângulo azul); e encaminha a Grande Obra, quer no plano material, quer no plano espiritual.

            O fato do selo salomônico fundir os princípios masculino (o triângulo do fogo) e feminino (o triângulo da água), significa que o Enxofre, quente, expansivo, dinâmico e fixador se liga ao Mercúrio, húmido, dúctil e adstringente. O mesmo símbolo representa, então, o “matrimónio” destas duas matérias, criadoras primárias de onde nasce o Ouro vivo.

            Um “elemento” estático, neutral neste casamento alquímico ou feitura da Obra, o Sal, deverá juntar-se para perfazer a exigência da tríade alma, espírito e corpo.

O Pecado Original

            Um químico contemporâneo, perante este universo, interroga-se:

1) Fogo, Terra, Água, Ar… Que elementos alquímicos são estes que nem compostos químicos são?

2) Prata, Cobre, Mercúrio, Chumbo, Estanho, Ferro, Ouro… Que metais alquímicos são estes que não são elementos alquímicos, mas que são elementos químicos?

3) Mercúrio, Enxofre, Sal… Que mercúrio é este que se associa a Mercúrio, planeta do sistema solar, umas vezes; outras, associa-se a Enxofre, que é elemento químico e não metal, e a Sal, nome genérico de tantos compostos?

            Um químico nos dias de hoje interroga-se mais: É a Alquimia a pré-história da Química ou o seu pecado original?

           Se a Alquimia for entendida como pré-história da Química podemos vislumbrar naquela um verdadeiro projeto de investigação, cujo objetivo prático consistiria em produzir ouro a partir de matérias não-nobres. É difícil encontrar diferenças fundamentais entre este projeto e, por exemplo, o projeto que conduziu à produção de diamantes a partir do grafite, à escala industrial, empreendido por uma equipa liderada por Tracy Hall, nos laboratórios nova-iorquinos da General Electric Company. Em 1957 iniciou-se a sua comercialização e, daí para cá, já foram produzidos mais diamantes artificiais do que até então tinham sido extraídos diamantes naturais.

            Ainda como pré-história da Química é de referir a inestimável herança “material” da Alquimia: vasos, retortas, cadinhos, fornos (o famoso athanor alquímico), técnicas e métodos de análise e de purificação de compostos, como sejam, a destilação, a sublimação e a cristalização, e a formação e enumeração das propriedades de metais e de ligas metálicas.

            E a Alquimia como pecado original da Química?

         Que se saiba, o pecado original de Adão e Eva não teria existido sem uma árvore, uma maça e uma serpente. Analisemos parcialmente os seus conteúdos simbólicos: a macieira é a árvore da Vida ou a árvore da Ciência, para o bem ou para o mal; a maça, integrando um pentagrama, uma estrela de cinco pontas, desenhado pelas suas próprias sementes, é o fruto do conhecimento, da liberdade, da descoberta e da revelação; e a serpente, por seu turno, fria, sem patas, sem pelos e sem pernas, opõe-se de tal modo ao homem numa escala evolutiva (genética) que nada mais é do que uma “coisa primordial”. Não representará ela, então, um potencial vivificante?

            Os Caldeus utilizavam a mesma palavra para vida e serpente e, em árabe, serpente é el-hayyah, vida é el-hayat e um dos nomes divinos é El-Hay, “o que dá a vida”.

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            O Uroboro, a serpente alquímica que morde a sua própria cauda numa autofecundação permanente, representa o ciclo perpétuo de vida e morte e, superiormente, a transformação da morte em vida.

            Diz a tradição que este símbolo, um arquétipo universal e ancestral segundo Carl Jung, o famoso dissidente da congregação freudiana, foi sonhado pelo químico Kekulé quando investigava a estrutura da molécula do benzeno, sugerindo-lhe a estrutura fechada, em anel de ligações simples e duplas.

            Que mais dizer? Seja, pois, a Alquimia o pecado original da Química, na sua mais valia de manifestação que a animou.

            Na sua experiência prática, material, laboratorial, a Alquimia aproxima-se da Química; na sua vertente espiritual, mística, afasta-se muito do conhecimento científico tal como o concebemos no período contemporâneo.

            Ler a Alquimia e os seus Elementos exclusivamente através da Química seria um pecado muito pouco original.

O Imaginário e o Imaginal

           A Água é o princípio de todas as coisas, disse Tales de Mileto, corria o século VI antes de Cristo. Anaxímenes aceitou como elemento básico o Ar (também com o significado de Céu) e Heraclito escolheu o Fogo. Empédocles, um século mais tarde, disse: A matéria é formada por quatro elementos. E à triade Água, Ar e Fogo juntou a Terra. E mais disse: Os elementos unem-se pelo Amor e dissociam-se pelo Ódio.

            Foi neste universo que nasceu Aristóteles (século IV a.C.). Aristóteles acreditou nos quatro elementos e com eles tudo compôs: mais Fogo mais leve, mais Terra mais pesado…

            A linguagem e a lógica da Alquimia não têm, como vimos, natureza química – nem, porventura, filosófica – mas sim simbólica e iniciática. No entanto, o ajuste entre filosofias tradicionais gregas e a via alquímica, evidenciado pela absorção feita pela Alquimia dos elementos aristotélicos e suas qualidades permitiu ao multifacetado Gaston Bachelard, o homem sobre quem François Dagognet afirmou que o pensamento dinamizava a vida e não o inverso, dizer que os Elementos são as hormonas da imaginação.

            Gaston Bachelard foi um homem de dois séculos e de duas vidas. Nasceu em 1884, na província francesa, e morreu em 1962, na cosmopolita Paris. Licenciou-se em Matemática e estudou Química o que lhe permitiu ser professor do ensino secundário num colégio em Bar-sur-Aube, sua terra natal; por outro lado, por leitura espontânea, infatigável e reflexiva, compôs a sua própria Filosofia – o Materialismo Racional -, o que lhe angariou o convite para lecionar na Sorbonne. Deixou uma obra notável, não só no domínio da Epistemologia, mas também da Psicanálise. E, para mais, tinha alma de poeta.

            Bachelard viveu intensamente, e da forma mais independente e objetiva que conseguiu imprimir, com uma qualidade indiscutível, as suas duas vertentes: a razão científica do Materialismo Racional como os cientistas, de valores intelectuais, o homem diurno, e os devaneios poéticos do mundo onírico como os artistas, de valores espirituais, o homem noturno.

            É o empenhamento de Bachelard no mundo noturno, o mundo dos sonhos e, principalmente, dos devaneios, que mais nos interessa no contexto deste trabalho.

            O brilho do Fogo na lareira e o saltitar da Água nos ribeiros e riachos são imagens que nunca o abandonaram, mesmo quando o reconhecimento o levou a lecionar na universidade parisiense.

            Os quatro elementos de Aristóteles, os quatro Elementos da Alquimia, são também os quatro elementos poéticos de Bachelard. A Alquimia das metamorfoses não originou, segundo o filósofo, antes impediu, a origem da ciência. Mas inaugurou e assegurou o reino do onírismo.

            A dimensão que Bachelard confere aos Elementos não parece limitar a sua interpretação, antes prolongá-la; no entanto, não é esta, como veremos adiante, a opinião partilhada pelos alquimistas do Imaginal, onde os Elementos são verdades transcendentais e não categorias psicológicas no mundo da imaginação fantasiosa, do Imaginário.

            Escreveu vários livros sobre este tema, cada um dos quais dedicado a um Elemento em particular. Começou pelo Fogo, em 1938. Chamou-lhe A Psicanálise do Fogo. Depois, em 1942, publicou A Água e os Sonhos, em 1943, O Ar e os Sonhos e, em 1948, surgem dois livros: A Terra e os Devaneios da Vontade e A Terra e os Devaneios do Repouso.

            Um quarto (1/4) mais do que a vontade, mais do que o impulso vital, a Imaginação é a própria mola real da produção psíquica. Psiquicamente, nós somos criados pelos nossos sonhos. Somos criados e limitados pelos nossos sonhos pois são eles quem desenha os últimos confins do nosso espírito. A Imaginação funciona na cúpula, como uma chama, e é na realidade da metáfora de metáfora, na região dadaísta, onde o sonho é o ensaio de uma experiência, quando o sonho transforma as formas já previamente transformadas, que se deve buscar o segredo das energias mutantes. É preciso pois cada um de nós encontrar maneira de se instalar no ponto de onde se divisa o impulso original, tentados sem dúvida por uma anarquia pessoal, mas apesar disso dependente da sedução alheia. Para se ser feliz é preciso pensar-se na felicidade de um outro. Existe também uma reciprocidade nos prazeres mais egoístas. O diagrama poético deve pois suscitar uma decomposição das forças, derrubando o ideal ingénuo, o ideal egoísta da unidade da composição. É este mesmo o problema da vida criadora: como é possível ter-se um futuro não esquecendo o passado?, como conseguir que a paixão se ilumine sem arrefecer?

            Diz a tradição que este símbolo, um arquétipo universal e ancestral segundo Carl Jung, o famoso dissidente da congregação freudiana, foi sonhado pelo químico Kekulé quando investigava a estrutura da molécula do benzeno, sugerindo-lhe a estrutura fechada, em anel de ligações simples e duplas.

            Ora, se a imagem não se torna psiquicamente ativa senão através das metáforas que a decompõem, se ela não cria psiquismo realmente novo senão nas transformações mais ousadas, na região da metáfora de metáfora, compreender-se-á a enorme produção poética das imagens do fogo. Tentei demonstrar que o fogo é, entre os fatores de imagens, o mais dialetizado. Só ele é sujeito e objeto. Quando se vai até ao fundo de um animismo encontramos sempre um calorismo. Aquilo que eu reconheço como vivo, como imediatamente vivo, é aquilo que reconheço como quente. O calor é a prova por excelência da riqueza e da permanência substanciais; só ele confere um sentido imediato à intensidade de ser. A par da intensidade do fogo íntimo, como são frouxas as outras intensidades inertes, estáticas, sem destino! Não são crescimentos reais. Não cumprem a sua promessa. Não se ativam numa chama e numa luz que simbolizem a transcendência. G. Bachelard, A Psicanálise do Fogo 

            A alusão, implícita, à Grande Obra é, todavia, evidente. É no athanor que o alquimista realiza a sua obra de transmutação, purifica os metais e liberta o “ouro alquímico” do seu próprio espírito. Mas o athanor é um forno: fogo, fogo íntimo, quente, calor, calorismo…; é, pois, o Fogo, exterior e interior, constantemente ativado pelo alquimista, que decompõe e despoja a “matéria” das suas imperfeições – a matéria e o espírito do adepto.

            O hermetismo contido no processo alquímico tem aqui o seu paralelo na realidade da metáfora de metáfora, a transmutação nas transformações mais ousadas, a decomposição da matéria-prima (a obra ao negro) na decomposição da unidade da composição, seguida da purificação (a “espiritualização do corpo” ou obra ao branco) e da realização espiritual (a “corporização do espírito” ou obra ao rubro) nos crescimentos reais, numa chama e numa luz que simbolizam a transcendência; as alterações materiais em reunião com as modificações espirituais correspondem-se com o fogo dialetizado, objeto e também sujeito, os antagonismos iniciais no passado e futuro, iluminado e arrefecido.

            A conjunção da realidade e do símbolo, sonho de totalidade que une os destinos do homem e da natureza, revela-se exemplarmente na lindíssima tela de Lima de Freitas, que tem por título O Amante de Fogo. Através do corpo vermelho e translúcido do homem desenha-se já o corpo luminoso da mulher loira, bela e, necessariamente, de olhos azuis.

            O azul é a mais pura, profunda e imaterial de todas as cores. É o azul sonhado, fresco, puro, unitário ao ponto de poder “dissolver” todas as cores – mesmo o vermelho; é o indicador do caminho para o infinito.

            O Ar é azul, no céu liso e desperto. E também a Água é azul, como espelho do céu, correndo nos rios e nos riachos.

            Em A Água e os Sonhos, na conclusão, Gaston Bachelard dá a palavra à água:

            Gostaríamos de reunir – diz ele – todas as lições de lirismo que o rio nos dá. Essas lições, no fundo, têm uma grande unidade. São realmente as lições de um elemento fundamental.

            Para mostrar bem a unidade vocal da poesia da água, vamos desenvolver imediatamente um paradoxo extremo: a água é a senhora da linguagem fluida, da linguagem sem brusquidão, da linguagem contínua, continuada, da linguagem que abranda o ritmo, que proporciona uma matéria uniforme a ritmos diferentes. Portanto, não hesitaremos em dar sentido pleno à expressão que fala da qualidade de uma poesia fluida e animada, de uma poesia que se escoa da fonte. G. Bachelard, A Água e os Sonhos

            A Água é um símbolo universal de Vida, de fecundidade e de fertilidade, a senhora, como lhe chamou Bachelard. Esta é a Água entendida no plano corporal. A Água, todavia, inclui também a simbologia no plano espiritual.

            Quem beber da água que eu lhe der, jamais sentirá sede – disse Jesus no seu diálogo com a Samaritana.

            A Água, nesta vertente espiritual, representa uma matéria perfeita, simples, totalmente transparente; é, pois, sagrada, com virtudes purificadoras. Um exemplo é a água do batismo, conferida uma só vez na vida, o que é suficiente para lavar o pecado original. Transforma o homem num homem novo, pelo seu poder de regenerescência.

            Quem “mergulha” na Água ressuscita. Este “banho” é um banho iniciático, na Fonte da Imortalidade (da alma).

           Em contrapartida ao símbolo da Água pura e criadora, Fonte de Vida, encontra-se com frequência uma Água amarga, devastadora, produtora de maldições, as águas tenebrosas dos mares profundos e das vagas gigantescas de A Odisseia de Homero e de Os Lusíadas de Camões.

            Bachelard, porém, foi muito mais longe e dedicou-se ao estudo psicológico de subtis variações das águas: as águas claras, primaveris, correntes, amorosas, profundas, dormentes, mortas, compostas, suaves, violentas; a água como mestre da linguagem… Múltiplas são as facetas desta palavra tão rica de significações, deste símbolo cintilante.

Foto (80)

            Uma representação, magnífica, do Elemento Água deve-se ao pincel de Lima de Freitas.

            Destaca-se na gravura um ovo, princípio feminino, rodeado de pequenas labaredas, o Fogo masculino. A Árvore da Vida, com os seus pomos e aves esvoaçando entre os seus ramos plenos de folhas, ocupa o centro da esfera. A sua ligação à Terra é feita pelas raízes que a penetram. Um poeta e a sua lira, símbolo e instrumento do equilíbrio cósmico, senta-se num barco ou numa meia-lua. São os acordes extraídos da lira do poeta que fazem dançar os pássaros e os peixes, que fazem vibrar o cosmos de forma organizada e harmónica.

            O peixe é, por si próprio, símbolo do Elemento Água e, como tal, todos os atributos simbólicos da Água são-no também atributos do peixe. Para os cristãos, Cristo é pescador (de almas) e os seus seguidores peixes.

            O apogeu espiritual, porém, só é atingido após luta árdua. O inimigo a combater foi aqui representado por medusas (ou górgonas). Estas representam deformações da psique, cuja sublimação para que se atinja a perfeição, o ideal, é absolutamente necessária. Basta recordar Narciso que, ao mirar-se nas águas, não pôde esconder a sua vaidade: Amo-me tal como sou – disse ele.

            O Ar é movimento e libertação. A imagem do Ar está na base de toda uma psicologia ascensional, cuja dualidade se prefigura no voo e na queda. Como tal, o Ar (o Céu) está sempre associado ao elemento Terra.

            Quando, no processo alquímico, se transmutam os metais vis (os metais não suficientemente “amadurecidos” na Terra) até ao seu mais elevado grau de pureza e perfeição, o ouro, as substâncias são elevadas por um poder aéreo, um poder que as liberta das suas impurezas. Mas a esta subida tem de, inevitavelmente, corresponder uma descida, uma “descensão” alquímica, protagonizada por um poder terrestre, poder este que atrai as impurezas para a Terra.

            Associado a este movimento, digamos, material, encontra-se um dinamismo transformador da mente, isto é, espiritual. A “ascensão” do homem ajudá-lo-á então a (re)criar a harmonia na Natureza, o que fará de forma mais sábia, mais prudente, mais avisada – transfigurada. Um novo Céu (um novo Ar) e uma nova Terra serão (re)criados:

–   no «Imaginário», no mundo das fantasias da imaginação, como categoria psicológica, segundo Bachelard;

–    no «Imaginal», no mundo da alma, como verdade transcendental, segundo Lima de Freitas.

             O Istmo – tela de Lima de Freitas -, assegura a máxima alquímica: o que está em baixo é como o que está em cima… Terra e Céu e Céu e Terra.

            O istmo do mundo Imaginal faz a mediação entre o mundo material e o mundo espiritual, entre o inteligível e o sensível, entre o imaginário e o simbólico. Está de acordo com o objetivo da Obra alquímica: (re)ligar Céu e Terra, espírito e matéria, por outras palavras, “materializar o espírito” e “espiritualizar a matéria”.

            A própria palavra Alquimia é, como salienta José Manuel Anes, em ajuste com a tradição islâmica, um barzak, um “entredois”, um istmo entre dois mares: numa leitura clássica, na horizontal, ou então numa leitura na vertical, entre o mar das águas inferiores, a Água propriamente dita e o “mar” das águas superiores, o Ar.

            O Fogo destrói e solidifica. A Água e o Ar são, igualmente, destruidores e protetores. A Terra é vontade e repouso. Todos os Elementos exteriorizam contradições, antinomias, dualidades, quer materiais, quer espirituais; e, de modo semelhante aos Elementos, também as operações alquímicas o fazem: enquanto a destilação alquímica é uma seta de duplo sentido, a destilação química é um processo de um só sentido.  (Não deixa de ser curioso, porém, que a sublimação química tenha conservado os vestígios da dupla seta original: de sólido a vapor e de vapor a sólido.)

            A nossa imaginação alimenta-se destas antíteses, E quem lê – e quem escuta – a poesia do poeta continua as imagens da imaginação, amplia o domínio do Imaginário. O “leite negro”, a “água seca”, o “fogo frio” ou o vinho que é “Água e Fogo” ao mesmo tempo, são contrários ou complementares –  imprevisíveis, sem dúvida -, fonte inesgotável do mundo do onírismo.

            Os alquimistas não deixam de encarar a versão bachelardiana sem algumas reservas. O Imaginal – o mundo real da alma – transcende, segundo estes, a simples imaginação psíquica.

            Mas nada é virtualmente uma só coisa.

            E a cada um sua verdade.

O Quaternário (O número quatro)

            A visão do orbe permite estabelecer os quatro pontos cardiais, os quatro ventos tão distintos de cada direção, como ainda as quatro estações, que se apresentam nitidamente diferentes nos climas temperados.

            O exame do espaço leva a estabelecer as direções quaternárias, as mais simples com os quais se pode dividir o espaço, como alto e baixo, direita e esquerda. Ao observar os estados da matéria, pôde o homem reduzi-los a quatro estados elementares: o sólido, o líquido, o aeriforme é o fluídico, cujas combinações dariam os outros estados conhecidos. No exame do clima, percebeu o homem que ele é quaternàriamente distribuído: quente, seco, frio e úmido, cujas combinações dariam a heterogeneidade dos climas conhecidos.

            Ao examinar etnologicamente a constituição das raças humanas, verificou que, conforme os pontos cardiais, as raças eram também quatro: a branca no norte, a negra no sul, a amarela ao leste e a vermelha no oeste. Ao examinar o funcionamento na natureza, observou que quatro eram as funções características: a assimilação, que se dá até no reino vegetal; o catabolismo animal, que revela características diferentes da vegetal; e, finalmente, a constituição do sistema nervoso, com funcionamento diferente dos outros.

            O homem, por exemplo, é mineral, é vegetal, é animal e é o racional. Na divisão da natureza, comprovou que podia reduzi-la a quatro reinos; o animal, o vegetal, o mineral e o humano.

            Se perpassarmos os nossos olhos pelas obras dos antigos jônicos, e se formos além, até o pensamento das culturas egípcia, hindu, japonesa, encontramos sempre a afirmativa de que quatro são os elementos fundamentais, de cujas combinações surgem todos os outros: terra, água, ar e fogo, que correspondem aos quatro estados da natureza. Verificou ademais o homem que os quatro estados da natureza não se seguem um ao outro arbitrariamente, pois não se passa do estado sólido para o gasoso sem que o anteceda o estado liquido, como no campo das estações o verão não passa para o inverno, sem que se intercale o outono. Encontramos ainda na química moderna uma reprodução destes quatro estados, dos quatro elementos primordiais, como seja o hidrogênio, que corresponde à água, o oxigênio, que corresponde ao fogo, o azoto, que corresponde ao ar, e o carbono que corresponde à terra.

            São estes quatro elementos os principais de cada um destes estados da matéria ou pelo menos os fundamentos, e vemos nos mitos religiosos gnomos correspondendo à terra, ondinas correspondendo à água, sílfides correspondendo ao ar, e salamandras correspondendo ao fogo.

            Em toda a parte a mesma simbólica do quaternário, até quando o homem procura classificar os caracteres, ou melhor, os temperamentos, como na concepção hipocrática. O linfático corresponde à água, o sanguíneo corresponde ao ar, o bilioso corresponde ao fogo, e o nervoso corresponde à terra.

            Também na filosofia encontramos sempre a presença do quaternário. Ao estudar as causas, Aristóteles reduziu-as a quatro fundamentais: a eficiente, a formal, a material e a final. Quando Jung classificou os caracteres em dois, introvertido e extrovertido, pouco depois teve de estabelecer quatro funções, e posteriormente subdividir o introvertido em ativo e passivo e, identicamente, o extrovertido, classificando os caracteres quaternariamente.

            Quatro eram as regras da alquimia, quatro as escalas da natureza, quatro as idades do homem, quatro os períodos do homem, como os períodos do dia.

            Os pitagóricos consideravam quatro os números sagrados, a tetractys, pois a divindade pode também ser vista quaternariamente como mais adiante veremos. A tetractys é simbolizada pelos quatro primeiros algarismos, 1 + 2 + 3 + 4 = 10, cuja soma é a grande década, a unidade suprema. Estes quatro números podem referir-se, na aritmologia, ao ponto (1), linha (2), superfície (3), cubo (4), mas, para os pitagóricos, está simbólica é somente de grau de paraskeiê, pois nos graus mais elevados, ela simboliza o quaternário tomado no sentido mais profundo, isto é, além da tríade inferior, que já tivemos oportunidade de examinar.

            Examinando a natureza e os seus ciclos evolutivos, veremos que eles podem ser sempre reduzidos a quatro.

            O quaternário é o número do tempo e das coisas temporais.

            O quaternário é assim o símbolo das coisas corpóreas, o número, o arithmós em sentido pitagórico, do universo cósmico.

           Em todas as religiões do mundo, há o emprego do quaternário como símbolo da natureza, e uma filosofia ou um pensamento religioso, que se ativesse apenas ao campo do quaternário, seria uma filosofia ou religião meramente naturalista.

            Entre os iniciados, fala-se no quaternário quando se faz referência ao universo dos ciclos revolutivos.

            E até no setor da história e da sociologia não são poucos os estudiosos que se vêem forçados a estabelecer o quatro, quando desejam estudar as fases da história, como Spengler, que divide os ciclos culturais em quatro períodos, pois é impossível reduzir um ciclo a menos de quatro, se deseja ter um conhecimento fundamental.

            A circunferência, cortada em cruz pelos diâmetros (horizontal e perpendicular) nos revela o quatro imerso na circunferência. E temos aqui uma visão simbólica da unidade, a circunferência, dividida em suas quatro partes. É uma simbólica panteísta, naturalista, materialista, etc. Se no entanto fôr a de um quadrado incluso na circunferência, teremos uma visão panteísta, isto é, tudo (pan) está em Deus (em theos).

            Temos o quaternário simbolizado pelo quadrado, como ainda o encontramos pelo tetraedro. A cruz suástica é símbolo do quaternário, mas as suas pontas, os segmentos verticais e horizontais representam a expansão e o dinamismo do quaternário. Entre os hindus, encontramos o quaternário simbolizado pelo lótus de quatro pétalas.

            Um dos símbolos mais expressivos do quaternário é a base das pirâmides do Egito, tendendo cada lado para um dos pontos cardiais. Em sua base, a pirâmide é quaternária. Mas como convergem as linhas para um ápice central é símbolo também do quinário. Na verdade as pirâmides são símbolos de todos os números, e querem referir-se aos arithmói archai (os números arquetípicos) que são 9, nos quais já estudamos a unidade, a oposição e a relação, correspondentes ao 1, ao 2 e ao 3, e agora o 4, que é símbolo da reciprocidade, da evolução básica.

            Encontramos o 4 simbolizado em diversas tétradas de divindades, como entre os fenícios, Baal, princípio masculino abstrato, Baan, princípio feminino abstrato, Cusoros, princípio masculino realizador, e Mot, princípio feminino realizador, ou ainda Indra, Mitra, Varuna e Agni, entre os brâmanes, etc.

            Quatro são os evangelhos, quatro as letras que estão colocadas ao alto da cruz (I . N . R . I.) interpretadas geralmente como Jesus Nazarethus Rex Judaeorum, – Jesus de Nazarét, Rei dos Judeus, que os hermetistas interpretam por Igne Natura Renovatur Integra, “pelo fogo é a natureza totalmente renovada.”

            As quatro letras, no alfabeto hebraico, são as seguintes, com os seus significados: Jam, que significa o mar, água; Nour, o Fogo, a lâmpada, Ruach, o Ar, o sôpro; e Iabeshah, a Terra, o sal.

             Em alguns quadros renascentistas, a cruz imerge na terra, ergue-se para o ar ao céu, uma das extremidades aponta a água de um riacho e, a outra, ao Fogo, simbolizado por um raio.

             Quatro são os soldados que partilham os despojos de Cristo, e o quatro encontramos em muitas passagens da Bíblia, sempre apontando a criação no sentido evolutivo e cíclico.

            Aplicando a nossa dialética, que até aqui foi esboçada, é fácil compreendermos o uso simbólico do quaternário, mas antes examinaremos o sentido da tetractys, dos pitagóricos.

             A unidade aponta à Mônada suprema, ao Ser Supremo, que é UM. Dois indica a oposição das duas positividades opostas, contrárias, os dois vetores de toda a criação, a Díada menor. As relações que surgem da díade dão surgimento à série.

             Todo ser finito é composto de um ser ativo, determinante que é o seu ato, e um passivo, determinável, que é a sua potência. Se o que é em ato já é, o que é em potência ainda não é. Consequentemente o ser finito, em ato, não é tudo quanto pode ser. Falta-lhe algo, de algo carece, de algo está privado. Portanto, além do ato e da potência, há ainda a privação. Quando a potência se atualiza, o não-ser passa a ser. Da díade de ser e não-ser, na atualização, temos o não-ser que agora é. Neste caso, a síntese quase forma, entre as antíteses ser e não-ser, não é apenas triádica, mas quaternária, pois a síntese é a afirmação do que era antes e do não-ser anterior, cuja possibilidade podia atualizar. Na síntese, há ainda a afirmação da atualização da possibilidade, a negação do ser antes, e a negação do não-ser, e negação binária do ser anterior e do não-ser anterior, que estão, na síntese, afirmados e negados.

Interpretação dos Textos Alquímicos

             A própria palavra “hermético” sugere a dificuldade dos textos dos autores alquímicos. Esta tem por causas

  • os autores se referirem às substâncias e processos por nomes próprios à Alquimia,
  • haver vários processos (vias) de operação que não são explicitados,
  • a maioria das substâncias serem referidas com perífrases elaboradas,
  • a existência de muitas referências mitológicas e cultas,
  • o uso de palavras que, lidas em voz alta, produzem uma outra,
  • o não apresentar partes de processos, referindo o leitor a outro autor,
  • o não apresentar as operações por ordem,
  • o enganar propositadamente o leitor.

            Em alguns casos (e.g. Mutus Liber, O Livro Mudo) a exposição é feita apenas, ou predominantemente, por gravuras alegóricas. Escrito dessa maneira, até um livro de culinária seria impenetrável em seu conteúdo. As finalidades deste obscurecimento eram proteger-se de perseguições e não deixar os processos cair na via pública.

            Qualificações habituais dos autores são o ser “caridoso”, se expõe os seus temas corre(c)tamente, ou “invejoso” (cioso do seu conhecimento) se engana o leitor. Um autor pode ser caridoso num trecho e invejoso noutro.

http://triplov.com/alquimias/rgoncalves1.htm

[1] Muitos estudiosos consideram a Estrela de Salomão como tendo apenas 5 pontas, sendo assim, um pentagrama

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DEUSES X ELEMENTOS

jupiter

O símbolo gráfico do planeta Júpiter é uma representação estilizada da letra grega zeta, para designar o seu deus correspondente,  Zeus.

Na mitologia, enquanto Urano era o deus do Panteão dos deuses, Júpiter ou Zeus era considerado o rei dos deuses do Olimpo.

           Os Quatro Elementos, de tão furiosos e de controle inacessível, já foram considerados “deuses” na antiguidade. E mesmo hoje apesar de tanta tecnologia continuam sendo vistos da mesma forma. Capazes de aniquilar cidades inteiras e ceifar centenas de vidas em poucos minutos.

           Talvez estas grandiosidades sejam espíritos controladores enviados por Deus para manterem os homens em seus devidos lugares (bons alunos). Podem chama-los de anjos se assim quiserem.

            São partes, frações do que somos. Lembre-se que Deus disse que somos sua imagem e semelhança, contida entre nós todos os elementos, somos pequenos deuses, ou semi-deuses, se assim quiserem, e ponto de evolução para explosão e acessão final.

Deuses, elementos da natureza e suas correspondências

            Água: Feminino, limpeza e cura. Corresponde ao Oeste. Ligado às emoções, o subconsciente, o outro mundo. Uma transformação assim como o fogo, porém, mais devagar.

Deuses: Afrodite e Netuno.

-Afrodite: o fato de Afrodite ter sido ligada a esse elemento, não significa ser exatamente pelo seu nascimento Afrodite – nascida das espumas. Mas sim pelo fato de ser a deusa das emoções. E mesmo não sendo uma deusa de temperamento agressivo, é considerada uma das mais poderosas, pois com seus encantos e artifícios, consegue seduzir os deuses de acordo com suas vontades.

-Netuno: Impulsivo e tempestivo. O deus do mar e das riquezas submersas, seria o aspecto masculino do elemento água se é que podemos assim dizer, ganhou o reino das águas após divisão do mundo depois da batalha dos titãs e dos deuses. Embora impulsivo (característica de fogo), é extremamente cuidadoso com os filhos e filhas.

            Terra: Feminino sólido e estável. A morada. Tem correspondência com o norte.

 “…O norte que desejamos encontrar, o norte que desejamos chegar após uma longa batalha lutar”…

Ligado aos bens materiais, agricultura e segurança.

Deuses: Deméter, Hades e Perséfone

-Deméter: Senhora dos campos, da colheita, do casamento e mãe de Perséfone. Ou proserpina. Deméter foi a encarregada de ensinar os humanos a arte da colheita. Após a guerra entre deuses e titãs, que durou 10 anos. Deméter abençoa o trigo, cujo grão usamos para fazer o pão. Representada geralmente com ramos de trigo em sua cabeça como em forma de coroa, ou ainda com a cornucópia símbolo de fartura e fertilidade.

Hades: Senhor do submundo. É em seu reinado que ficam as almas. Dono dos segredos do subterrâneo, e esposo de Perséfone. Era conhecido como impiedoso e austero, mas ao mesmo tempo carinhoso. Seu nome em grego significa “invisível”.

           Fogo: Masculino. Quente e enérgico. Corresponde ao sul. Raiva, impetuosidade, paixão, raiva, criatividade, força, brilh e luz. A transformação.

Deuses: Hefestos, Ares e Vesta.

-Heféstos: Deus da forja, do fogo dos trabalhos manuais. Simboliza o aspecto impulsivo do fogo. Filho de Hera, irmão de Ares. Teve seu lugar do Olimpo tirado pela própria mãe, ao descobrir sua deficiência física quando o dera a luz. Hefestos cresceu longe do Olimpo mas soube tirar proveito de suas habilidades para tomá-lo de volta. Ao dar em segredo um trono encantado de presente para Hera sua mãe. E esta quando sentara no trono esteve atada a ele por correntes mágicas que nem mesmo Zeus conseguiu arrancar. Hefestos foi então chamado ao Olimpo para retirar a Deusa de seu trono, e Zeus lhe prometera o que quisesse em troca da liberdade de sua esposa. Sem pensar duas vezes, Hefestos escolheu Afrodite como esposa.

-Ares: Deus da guerra, assim como Athena sua irmã. Porém a representava no aspecto mais sangrento, representava a carnificina e a crueldade ligada a ela. Enquanto sua irmã simbolizava o lado racional e lógico da guerra: A estratégia. Simboliza todo o poder de destruição do fogo, assim como sua impulsividade. O não pensar e simplesmente agir. Simboliza o aspecto destruidor do fogo.

-Héstia: Filha primogênita de Chronos e Rea. Era a deusa mais querida do panteão grego e romano (cujo nome era vesta). Protetora do fogo sagrado e da família. Tinha morada em todos os lares por ser a guardiã do fogo. Fogo que aquecia, cozia e animava. Simboliza o aspecto purificador do fogo.

             Ar: Masculino. O intelecto. Corresponde o leste. Nascimento, juventude e inspiração. Conhecimento e escrita.

Deuses: Hermes e Atena

-Hermes: O mensageiro dos deuses. Protetor dos rebanhos e dos viajantes. Deus da eloquência e da arte do bem falar. Segunda a lenda, foi Hermes quem levou as três deusas. Athena, Afrodite e Hera. Para que Páris pudesse decidir qual delas seria a mais bela. Tendo Hera lhe prometido o mundo, Athena o conhecimento e a sabedoria. Páris ficou com Afrodite, que lhe mostrara em visão o rosto da bela Helena de Tróia e lhe prometera Helena como esposa caso ela fosse escolhida a deusa mais bela dentre as três. O que de fato aconteceu. Hermes foi o inventor da lira, instrumento usado por Apolo.

-Atena: Deusa da sabedoria, conhecimento e justiça. Filha de zeus, saída de sua cabeça. Representa o intelecto nas artes, na guerra e na filosofia. Athenas era a capital da filosofia do mundo antigo. Athena simboliza a pureza de pensamento.

Deuses primordiais

             Os deuses primordiais da mitologia grega, também chamados Protogonos (em grego Πρωτογονος, transl. Prôtogonos, ou Πρωτογενος, Prôtogenos, “nascido primeiro”, “primordial”) eram as divindades que nasceram em primeiro lugar, que surgiram no momento da criação, e cujas formas constituem a estrutura básica do universo.

             Os antigos gregos dispunham de várias teogonias diferentes, e ainda que estas apresentassem alguns personagens comuns, é difícil elaborar uma lista única de divindades primordiais para a mitologia grega, pois essas divindades, assim como o papel de cada uma, variam de uma fonte para outra.

              Fontes mitológicas

             Hesíodo – A fonte mais famosa a este respeito é inquestionavelmente a Teogonia, de tal forma que se confunde frequentemente o panteão primordial grego com o descrito na obra. A primeira divindade que se cita na obra é o Caos, seguido por Chronos Gaia, Tártaro, Eros, Érebo, Ponto, Urano, Óreas, Nix, e então Hemera e Éter. Homero – A teogonia homérica parece considerar Oceano e Tétis os pais de todos os deuses, vinculando o seu nascimento ao mar.

            Alcman – O poeta Alcman considera a Titânide Tétis a primeira deusa que “ordena todas as coisas”, criadora de poros (“caminhos”), tekmor (“sinais”) e skotos (“escuridão”) no monótono e uniforme vazio.

            Epiménides – Epiménides faz de Air (o Ar) e de Nix os dois seres primordiais, que se unem para parir o Tártaro. Posteriormente nasceriam dois Titãs, que engendrariam um ovo primordial de onde surgiria uma nova ordem.

Caos: a primeira fase do Universo, sendo talvez o vazio, o vácuo, ou mesmo a explosão que deu origem à todas as coisas;

Gaia: a Terra;

Urano: o céu;

Nix: a noite;

Érebo: a escuridão, as trevas;

Éter: a luz, o céu superior (atmosfera, o espaço sideral), o ar;

Hemera: a primeira divindade do Sol, o dia;

Tálassa: o mar Mediterrâneo;

Pontos: o furioso alto-mar;

Tártaro: o inferno, o submundo, o abismo sombrio;

Óreas: as montanhas;

Nesoi: as ilhas;

Ananke: a necessidade, o destino, o fato, a precisão;

Chronos: o tempo bruto e cronológico;

Calígena: a névoa primordial;

Fanes: a criação;

Eros: o amor, a junção (para alguns é filho de Afrodite, e não é primordial);

Oizus: a miséria (para alguns não é primordial);

Ofíon: a serpente dos ventos, do ar em movimento;

Eurínome: as planícies marinhas;

Euríbia: os perigos e monstros marinhos (para alguns não é primordial);

Physis: a matéria (para alguns não é primordial, pois muitos gregos não cultuavam-na como viva ou como podendo se manifestar);

Deuses Primários

            CAOS – Segundo Hesíodo em sua obra, Teogonia, Caos foi à primeira divindade a surgir. Os filhos destes nasceram de cisões: Nix e Érebo nasceram a partir de pedaços dele. Do Caos também surgiram Gaia, a terra, Tártaro, as trevas e Eros, o amor. Caos é uma força antiga e obscura que manifesta a vida por meio de cisão de elementos. Parece ser um deus andrógino, característica comum a todos os deuses primogênitos nas mitologias antigas.

             GAIA – Deusa da terra primordial, geradora dos demais seres. Gera sozinha Urano, com quem vem a se unir posteriormente e da origem os 12 Titãs, aos Ciclopes e os Hecatônquiros, Óreas (montanhas) e Pontos, o mar primordial. Geia diferencia-se no culto grego de Deméter por ser um elemento primordial e deusa cósmica, enquanto Deméter representa a terra cultivada. É a Mãe-Terra ou Grande-Mãe, simbologia comum as demais deusas geradoras do mundo em diversas mitologia

             TÁRTARO – É o mundo inferior, as trevas. Surgiu a partir do Caos, era o lugar onde Urano aprisionou os seus filhos gerados com Gaia. Segundo Hesíodo em sua Teogonia, o Tártaro localizava-se abaixo do reino de Hades, a mesma distância que o céu era da terra. Com a divisão geográfica do Hades, uma divisão pós-homérica, o Tártaro se tornou o local de suplícios permanente dos grandes criminosos, mortais e imortais. De sua união com Gaia gerou Êquidna e o gigante Tífon.

             EROS – Deus do amor, gerado por Caos, atribui-lhe também um papel unificador e coordenador dos elementos, contribuindo para a passagem do caos ao cosmos. Com o passar do tempo, várias versões surgiram a respeito do nascimento de Eros, dentre elas a que o deus do amor seria filho da união entre Hermes e Afrodite ou de Ares com Afrodite. Era representado como uma criança alada, armada de aljava e flechas, que fazia apaixonar os corações de deuses e homens. Seu correspondente romano era Cupido.

              NIX – Personificação da noite, Nix surgiu do Caos e uniu-se com Érebo, união que gerou Éter(luz celestial) e Hemera (o dia). Percorria o céu recoberta por um manto negro por um carro puxado por 4 cavalos negros e acompanhado das Queres, suas filhas. Gerou também sozinha outros seres como Moros (sorte), Kera (a que decide a morte dos homens), Tânatos (morte), Hypnos (sono), Oniro (sonhos), Momo (escárnio), Oizos (miséria), as Hespérdes (tarde), guardadoras dos pomos de ouro, as Moiras (destinos), Nêmesis (retribuição), Apate (fraude), Filotes (amizade), Geras (velhice), Éris (discórdia), Limos (fome), Ftono (inveja), Ênio (deusa da carnificina), Lissa (loucura) e Caronte (o barqueiro do reino de Hades). Com sua união com Érebo, Nix foi considerada a primeira rainha do mundo das trevas.

             ÉREBO – Personificação da escuridão, das trevas infernais. Gerou com sua irmã Nix Éter e Hemera. Demarcava seus domínios com mantos escuros e sem vida. Conhecido por ser um dos maiores inimigos de Zeus, Érebo socorreu os Titãs quando estes pediram ajuda para se libertarem do Tártaro, descendo pessoalmente até esse reino para libertá-los, porém Zeus e Hades o surpreenderam e com a ajuda de Nix acabou o lançado nas profundezas do rio Aqueronte.

             ÉTER – Personifica o Céu superior, o ar elevado, puro e brilhante, respirado pelos deuses. Filho de Nix com Érebo, irmã de Hemera (o dia). De sua união com Hemera gerou a Tristeza, a Cólera, a Mentira e Tálassa (deusa do mar primordial).

             HEMERA – Personificação do dia, irmã de Éter. Personificação do dia como divindade feminina, guardiã das fronteiras entre o mundo aonde chegava à luz e o mundo das sombras.

              ÓREAS – Deus que simboliza as montanhas, filho de Gaia. Nas antigas mitologias, as montanhas representavam o lugar que a humanidade prestava culto e segundo acreditava-se poder alcançar os deuses.

            PONTOS – O mar primordial, surgiu de Gaia sem relação com outro deus. Com Gaia gerou Nereu, o velho do mar, e de Taumante dos aspectos perigosos do mar, Forcis e sua irmã e esposa Ceto, e de Euríbia. Com Tálassa gerou os Telquines.

            URANO – Personificação do céu, foi gerado espontaneamentepor Gaia e com ela gerou os Titãs, os Ciclopes e os Hecatonquiros. Odiava os filhos e os faziam ficar preso no Tártaro até que ela revoltou-se com a atitude do deus e incitou uma revolta contra Urano. Com uma foice confeccionada pela própria Gaia, Cronos, o mais novo dos Titãs e o único a rebelar-se, ao momento que Urano iria unir-se a Gaia, castra-o e de seu sangue surgiram vários seres: os Gigantes, as Erínias e as Melíades. Do testículo, ao cair do mar, nasceu Afrodite, a deusa do amor. Urano simbolicamente traduz uma proliferação criadora desmedida e indeferenciada, destruindo o que gera.

Primeira Geração Divina

           TÍFON – Personificação da seca. Inimigo de Zeus foi incitado por Gaia a derrotar os olimpianos para vingar a derrota dos Gigantes. Era representando como maior que todas as montanhas e o corpo cercado de plumas e rodeado de serpentes. Era tão horrendo que até os Titãs, seus irmãos, os rejeitaram. Enfrentou os deuses olimpianos e estes ao perceberem a aproximação do monstro, fugiram para o Egito e lá transformaram-se em vários animais, com exceção de Zeus e Atena que o enfrentaram. Após ser derrotado foi arremessado ao Tártaro. Gerou vários seres monstruosos em sua união com Equidna: Cérbero, o cão de 3 cabeças; Ortro, o cão de 2 cabeças que cuidava do rebanho do gigante Gerião; a Esfinge que assolava Teba;, o dragão da Cólquida Ládon; a Hidra de Lerna que aparece em um dos 12 trabalhos de Hércules;  Ethon, a águia que comia o fígado de Prometeu ; e a Quimera.

            NEREU – Conhecido como o “velho do mar”, filho de Pontos, está entre as forças elementares do mundo. Desposou Dóris, uma das Oceânidas e com ela teve 50 filhas conhecidas como as Neréiades. Como uma divindade marinha, tinha o poder da profecia e de se metamorfosear-se em vários seres. Era representando como uma longa barba branca e cavalgando um tritão e considerado uma divindade pacífica e benfazeja.

             TAUMAS – Divindade marinha, filho de Pontos e Gaia. De sua união com Electra, uma das oceanides, gerou as Harpias e Íris, a mensageira dos deuses.

            FÓRCIS – Divindade marinha, filho de Pontos e Gaia. Com sua irmã Ceto gerou filhos mostruosos: as Górgonas, Ládon, as Gréias e Equidna.

             CETO – Irmã de Fócis e uma divindade marinha. Personificava os horrores e formas estranhas e exuberantes que o mar pode revelar.

             EURÍBIA – Filha de Pontos com Gaia. Uniu-se ao Titã Creo dando origem a Astreu(os ventos), Pallas (belicosidade) e Perses (destruição). Representa as forças incontida nos mares como maremotos e tsunamis.

           MORO – Personificação da sorte e do destino, filho de Nix. Sem ver a quem reservava o futuro, tinha o caráter da inevitabilidade. Deuses e mortais a ele eram subordinados.

            MOMO – Personificação do sarcasmo e das ironias. Foi Momo que aconselhou Zeus a entregar Tétis em casamento a um mortal e dessa união nasceria um filho e ele próprio engendraria uma filha que suscitaria uma guerra entre asiáticos e europeus, a Guerra de Tróia, que teria muitos mortos que daria equilíbrio demográfico necessário.

            TÂNATOS – Personificação da morte, filho de Nix e Erebo. Irmão gêmeo de Hipnos, o Sono, era representado como um homem de cabelos e olhos prateados, conhecido por ter um coração de pedra e entranhas de bronze. Seu único mito de importância foi quando Zeus pediu para ele ir à procura de Sísifo, por esse ter delatado o deus na sua união com Egina, filha do rio Asopo. Sísifo o elogiou pela sua beleza e com isso acabou prendendo Tânatos, cessando assim a morte de qualquer ser vivo. Hades, assim que teve conhecimento do ocorrido, libertou a morte e o enviou para trazer Sísifo imediatamente ao mundo dos mortos.

            HIPNOS – Personificação do Sono, filho de Nix e Erebo e irmão gêmeo de Tãnatos. Era representado como um homem de cabelos e olhos dourados. Viveu na Ilha de Lemmos e percorria o mundo rapidamente e fazia adormecer todos os seres. Hipnos teve 5 filhos: Morfeu, personificação dos sonhos, Icelos, responsável pelos pesadelos e aparece nos sonhos nas formas de animais e monstros, Fantaso, que aparece nos sonhos nas formas de objetos inanimados, os mil Onírios e Fantasia, sua única filha, personificação do devaneio.

             NÊMESIS – Personificação da justiça divina, deusa da Ética, castigava inexoravelmente a presunção humana em suas atitudes de demasia e arrogância.

            ÉRIS – Personificação da discórdia, filha de Nix. Aparece na mitologia como a provocadora da Guerra de Tróia ao gerar a disputa entre as deusas Hera, Afrodite e Atena, quando estas, participando da festa de casamento entre Peleu e Tétis, disputaram uma maçã dourada jogada pela deusa da discórdia. Acompanhava Ares em seu cortejo de guerra. Tinha vários filhos, sendo eles: Ponos (Fadiga), Lethe (Esquecimento), Limos (Fome), Algos (Dor), Horkos (Juramento), Hisminas (Disputas), Macas (Batalhas), Fonos (Matanças), Androctasias( Massacres), Neikeia (Ódio), Pseudologos (Mentiras), Anfilogias (Ambiguidade), Disnomia (Desordem) e Ate (Ruina, Insensatez).

           GRÉIA – Personificação da velhice. Tinham apenas 1 olho e 1 dente e deles serviram-se. Aparecem na mitologia no mito de Perseu quando este estava à procura das Górgonas e ao capturar seu único olho as fizeram adormecer. Eram 3: Enio, Pefredo e Dino.

          HESPÉRIDES – Personificação da tarde eram 3 deusas: Egle, “radiante”, deusa da luz avermelhada da tarde, Erítia, “esplendorosa”, deusa do esplendor da tarde e Hespéra, “crepuscular”, deusa do crepúsculo vespertino. Residiam nos Jardim das Hespérides e lá guardavam os Pomos de Ouro, um presente de Gaia a Hera na época do casamento com Zeus, capturados por Heracles em um de seus 12 trabalhos. São guardiãs das fronteiras entre os dias e as noites.

           QUERES – Personificação do destino cruel, fatal e impossível de escapar, são deusas que trazem a morte violenta aos mortais, são filhas de Nix, geradas sem cópula. São representadas com gênios alados, vestidas de preto, com longas unhas que despedaçam cadáveres e bebem o sangue dos mortos e feridos. Aparecem em cenas de batalhas e de grande violência. Por serem deusas das mortes violentas, eram convocadas por Ares assim que ele partia para a guerra e após as batalhas devoravam os mortos e levavam as almas destes ao inferno. Eram 3: Hibride (desmedida), Limos (fome) e Poinê (a que castiga).

           MOIRAS – Personificação dos destinos eram as deusas responsáveis pelo fio da vida dos mortais e dos deuses. Eram 3: Cloto, a que fia, segura o fuso e puxa o fio da vida, Láquesis, a sorteadora, enrola o fio da vida e sorteia o nome de quem deve morrer e Átropos, a que corta o fio da vida.

Segunda Geração Divina

            OCEANO – É a personificação das águas que rodeiam o mundo, representado como um rio, o Rio-Oceano, pai de todos os rios. Da união com sua irmã Tétis originaram as ninfas dos mares, as Oceânidas, os rios e todos os seres marinhos. Na guerra entre os titãs e os deuses olímpicos se mantém afastado dos conflitos. Devido a sua vastidão é considerado a imagem da indeterminação primordial.

         CÉOS – Personificação da inteligência casou-se com Febe, sua irmã e com ela teve Astéria, deusa estelar e Leto, deusa do anoitecer, mãe de Ártemis e Apolo.

           CRÉOS – Personificação dos seres marítimos e seu poder destrutivo envolvia as criaturas desconhecidas do mar abissal. Casou-se com Euríbia e gerou Pallas, Astreu e Perses.

           HIPÉRION – Personificação solar casou-se com Téia, sua irmã, e gerou Selene, a deusa lua, Hélios, o deus sol e Eos, a deusa da aurora.

          JÁPETO – Casou-se com Climene e dessa união nasceram Prometeu, o criador dos homens, Epimeteu, Atlas, o gigante que sustenta a abóbada celeste e Menecéio.

           CRONOS – Personificação do tempo é o mais novo dentre os Titãs. Único a revoltar-se contra Urano, a pedido de Gaia, Cronos castrou o mesmo quando Urano foi unir-se a ela. Com a derrota do deus celeste, Cronos assumiu a soberania do universo e governou de forma bem pior que seu pai. Casou-se com Réia, sua irmã, da qual teve 6 filhos: Héstia, Démeter, Hera, Poseidon, Hades e Zeus. Derrotado pelos seus filhos, comandado por Zeus, foi atirado ao Tártaro com os demais Titãs. Na tradição órfica Cronos reconcilia-se com Zeus e acaba vivendo na Ilha dos Bem-aventurados.

          TÉIA – Primeira das Titânidas, sua única aparição no mito se deve a união com seu irmão Hipérion na qual geraram Hélio, o sol, Selene, a lua e Eos, a aurora.

          RÉIA – Esposa de Cronos, Réia tem papel importante no mito do esposo. Indignada pela atitude do esposo de devorar os filhos após nascerem, já que segundo um oráculo profetizado por Urano de que Cronos seria destronado por um dos filhos, quando estava grávida de Zeus Réia refugiou-se em uma gruta em Creta e lá deu a luz Zeus, Este, quando adulto, foi instigado pela mãe para destronar Cronos e vingar seus irmãos. Fazendo Cronos beber uma poção mágica e vomitou os filhos, Zeus e seus irmão aliaram-se e destronaram o titã, jogando-o junto com os demais no Tártaro.

         TÊMIS – Personificação da justiça foi a segunda esposa de Zeus. Foi criada juntamente com Nêmesis pelas Moiras, já que Gaia havia entregue a Nix a filha para criá-la para livrá-la das loucuras de Urano, mas Nix estava cansada devido a várias gerações de seres e a entregou as Moiras. Têmis empunha a balança, com que equilibra a razão com o julgamento, é tida como a conselheira de Zeus, e apesar de ser uma Titânida, foi admitida pelos olímpicos e prestava vários serviços aos deuses.

          MNEMOSINE – Personificação da memória, foi amada por Zeus e com ele gerou as noves musas: Calíope, preside a poesia épica, Clio, à história, Polímia, à retórica, Euterpe, à música, Terpsícore, à dança, Érato, à lírica coral, Melpômene, à tragédia, Tália, à comédia e Urânia, à astronomia.

         FEBE – A mais belas das Titânidas, simbolizava a deusa lua primordial, representada como a lua cheia. Casou-se com Céos e gerou Leto e Astéria. Antiga deusa da profecia, Febe dividia o Oráculo de Delfos com Gaia e Têmis, mais tarde as deusas passaram essa função a Apolo.

         TÉTIS – Personifica a fecundidade aquática, casou-se com Oceano e gerou as Oceânidas e os rios. Criou a deusa Hera por Réia à época da guerra entre os olímpicos e os Titãs. Em agradecimento, Hera reconciliou Oceano e Tétis que haviam se desentendido.

Terceira Geração Divina

                ZEUS – Rei dos deuses, senhor do Olimpo e chefe dos deuses da 3ª geração divina, assumiu o comando do universo após destronar seu pai, Cronos. Zeus foi o único salvo por sua mãe, Réia, que impediu que o pai o devora-se. Zeus nasceu em uma gruta na Ilha de Creta e lá foi amamentado pela cabra Almatéia e criado pelos Curetes. Após saber que seus irmãos haviam sido devorados pelo pai, Zeus preparou uma cilada: entregou a Cronos uma porção mágica que o fez vomitar os irmãos. Após 10 anos de luta, Zeus e o irmão venceram os Titãs e dominaram o Universo. Na partilha do mundo, juntamente com seus irmãos Poseidon e Hades, ficou com os domínios do céu e da terra. Seu principal mitologema é acerca de suas relações e prole com deusas e humanas. Pai de vários deuses, como Atena, Apolo, Artemis, Ares, Hebe, Hefesto, Perséfone e Dionísio, e de vários heróis como Heracles (Hércules), Perseu e de outros personagens como Helena, a causadora da Guerra de Tróia, Minos, um dos 3 juízes do mundo dos mortos e das Musas. Apesar de sua infidelidade, era casado oficialmente com sua irmã Hera, que perseguiu todos os seus filhos fora do casamento.

              POSEIDON – Senhor dos mares, irmão mais velho de Zeus, assumiu o posto de deus marinho após a partilha do mundo. Seu principal mitologema gira em torno da disputa com Atena para saber qual dos dois seria o padroeiro da cidade de Atenas. Nessa disputa ele atirou uma lança ao chão que fez brotar uma fonte na Acrópole. Atena conseguiu vencê-lo criando uma oliveira. Na Ilíada já aparece como sendo deus supremo dos mares e durante a Guerra de Tróia esteve do lado dos gregos. Na Odisséia Poseidon aparece como um deus vingativo, impedindo Odisseu de retornar a ilha de Ítaca devido ao herói ter assassinado um dos filhos do deus, o ciclope Polifermo. Assim como Zeus, Poseidon teve vários filhos que eram de caracteres maléficos e violentos, dentre eles o ciclope Polifermo, o gigante Crisaor, Pégaso, Náuplio, os gigantes Aloídas, Oto e Efialtes e Tritão, com quem teve com sua esposa oficial, Anfitrite.

            HADES – Senhor do mundo dos mortos, irmão de Zeus e de Poseidon, passou a governar o submundo após a partilha do mundo entre os 3 irmãos. Hades era descrito como um deus misterioso, impiedoso, insensível as preces e sacrifícios, intimidativo. Seu nome causava medo e era invocado através de eufemismos como Climeno (Ilustre) ou Eubeleu (o que dá bons conselhos) e raramente se envolvia nos assuntos humanos ou olimpianos, tendo saído apenas 2 vezes do seu reino: uma para o Olimpo para curar-se de uma ferida causada por Heracles e outra para raptar Perséfone. É nesse mito que melhor enfatiza Hades: vendo a garota brincando perto de uma fenda, Hades surge da terra e a rapta para o submundo. Angustiada com o desaparecimento da filha, Demeter, sua irmã, faz com que toda a plantação do mundo seque e a humanidade entra em um período de caos. Após intervenção de Zeus, Hades permite que Perséfone passe 6 meses do ano com sua mãe, período que corresponde a Primavera e Verão, e 6 meses no submundo como sua esposa, período do Outono e do Inverno. Teve poucos filhos, tais como Macária, única filha da relação com Perséfone, Oberon e Fégia.

             HERA – Rainha do Olimpo, esposa oficial de Zeus e irmã dos demais deuses, Poseidon, Hades, Héstia, Demeter. Seu principal mitologema é a perseguição aos filhos de Zeus advindo das relações extraconjugais. Era representada de caráter severa e extremamente ciumenta e agressiva, Hera chegou a tentar matar o próprio Heracles quando este apenas era um bebê. Após a ascensão do mesmo ao Olimpo, refizeram as pazes e entregou Hebe para ser esposa dele.

            HÉSTIA – Deusa dos laços familiares simboliza o fogo doméstico. Foi cortejada por Zeus e Apolo, mas jurou virgindade. Suas sacerdotisas, as Vestais, em Roma, serviam a deusa durante 30 anos e só depois é que podiam casar-se e levarem uma vida normal. Não tendo um mito principal, Héstia era adorada como protetora das cidades e das famílias.

            DEMETER – Deusa da agricultura, Demeter tem em seu principal mito o rapto de sua filha Perséfone pelo seu irmão, Hades. Após o rapto, Demeter pôs a vagar pelo mundo e uma catástrofe aconteceu: as plantas pararam de nascer, a terra tornou-se infértil. Com a intervenção de Zeus, Hades devolveu Perséfone à mãe, fazendo com o que ela passa-se 6 meses com a mãe e 6 meses no mundo dos mortos. Os Mistérios de Elêusis celebravam esse mito como símbolo de morte e ressurreição.

            ARES – Deus da Guerra, filho de Zeus e Hera, descrito como o mais odiado dos deuses por ser sanguinário e violento. Vivia sempre em disputa com Atena, também deusa da guerra, mas não sanguinária como o irmão. Na Guerra de Tróia apoiou os troianos e no campo de batalha acabou sendo ferido por Diomedes quando este arremessou uma lança, que guiada por Atena atingiu o deus. Um dos seus principais mitos está ligado ao seu romance com Afrodite: a deusa era casada com Hefesto e certa vez o deus sol Hélio viu o casal unido e assim relatou a Hefesto. O deus das forjas então preparou uma cilada: colocou em volta da cama uma rede invisível e assim que Ares e Afrodite deitaram foram presos pela rede. Hefesto chamou todos os deuses que zombaram o casal. Em seu cortejo de guerra era acompanhado pelos seus filhos, Phobos (medo), Deimos (terror), pela irmã Éris (discórdia), Ênio (grito de guerra), Queres (devastação), Enyalio, filho de Ênio com Ares, Makhai (batalha), Hysminai (carnificinas), Polemos (espírito de guerra) e Alala, filha de Polemos. Ares também está ligado ao mito da fundação de Tebas, tendo Cadmo, rei da cidade, casado com Harmonia, filha do deus com Afrodite.

            ATENA – Deusa da justiça e da sabedoria, filha de Zeus com Métis. Atena nasceu da cabeça de Zeus quando este, ao saber da gravidez de Métis e prevendo ser destronado por esse filho, segundo uma antiga profecia, engoliu a deusa e depois de alguns meses sentiu uma forte dor de cabeça. Pediu a Hefesto para dar-lhe uma machadada na cabeça e após esse golpe Atena saltou da cabeça do pai já adulta e armada. Em sua disputa pela cidade de Atenas com Poseidon, Atena ofereceu aos atenienses uma oliveira que produzia azeite e alimentos para a cidade. Atena era considerada uma deusa virgem e segundo versões tradicionais de seu mitologema não teve filhos, pois caso tivesse algum teria que abandonar as guerras.

           APOLO – Deus da música, da arte, das profecias, era filho de Zeus com Leto, irmão gêmeo de Artemis. Patrono do Oráculo de Delfos, segundo o mito o local aonde o deus matou a serpente Píton. Em seu mito há vários casos de amores, tanto com homens quanto mulheres, como a ninfa Dafne e o jovem Jacinto e entre seus descendentes está Asclépio, deus da medicina. Durante a Guerra de Tróia esteve do lado dos troianos e era protetor de Heitor.

           ARTEMIS – Deusa da caça, irmã de Apolo e filha de Zeus e Leto. Após o seu nascimento ajudou sua mãe no parto do irmão. Deusa virgem vivia vagando nas florestas e não deixava nenhum homem vê-la. Apesar de seu voto de castidade, Artemis chegou a apaixonar-se pelo jovem Órion, mas o ciúme de seu irmão fez com que ela o mata-se por engano, pois Apolo desafiou a deusa a atingir um ponto negro que indicava a tona da água. Artemis então atirou a flecha que atingiu o alvo que logo desapareceu no abismo do mar, onde logo viu espumas ensanguentadas. A flecha havia atingido Órion que ali nadava, pois estava fugindo de um escorpião enviado por Apolo para matá-lo. Ao saber do ocorrido e em desespero, Artemis pediu ao pai que transformasse Órion e o escorpião em constelação.

           AFRODITE – Deusa do amor e da beleza, inspiradora de paixões entre os mortais e imortais, a deusa nasceu da espuma do mar quando Urano foi castrado por Cronos. Seu mito gira em torno de casos amorosos. Seu esposo oficial era Hefesto, o deus das forjas mas que confeccionou para a deusa as melhores jóias do mundo. Teve diversos casos com outros deuses e o mais conhecido deles é o caso da deusa com Ares, o deus da guerra. Alguns de seus filhos são Hermafrodito, filho que teve com Hermes, com Ares teve Eros, Phobos, Deimos, Anteros e Harmonia, com Apolo teve Himeneu, com Dionísio teve Príapo e o herói troiano Enéias com Anquises

          HEFESTO – Deus do fogo, da metalurgia e das forjas, filho de Zeus com Hera. Segundo uma versão do mito, o deus era coxo por ter sido arremessado por Hera do Olimpo quando esta discutia com Zeus. Foi-lhe entregue Afrodite como esposa, mas ela o traia com deuses e mortais. Era o deus que confeccionava as armas dos deuses, tendo feito para Zeus uma égide e um escudo para enfrentar os Titãs. Também foi responsável pela criação de Pandora, a primeira mulher, e responsável de forma indireta pelo nascimento de Atena, pois está saiu da cabeça de Zeus após Hefesto desferir no deus uma machadada.

          HERMES – Mensageiro dos deuses, deus do comercio e protetor dos ladrões, Hermes também era o deus que conduzia a alma dos mortos até a entrada do Hades. Filho de Zeus e Maia era o mais inteligente e astuto dos deuses, sendo o único filho de Zeus com outra deusa que Hera agradou-se. Hermes foi o inventor da Lira, com o qual trocou o instrumento com Apolo, recebendo em troca o Caduceu, e da flauta Siringe em troca de Apolo dar-lhe o dom da adivinhação. Entre seus filhos estão Hermafrodito, filho que teve com Afrodite e Pã, filho do deus com a ninfa Dríope.

          DIONISIO – Deus da bebida, das festas, do lazer e do prazer, filho de Zeus e Sêmele. Hera com ciúmes instigou Sêmele a pedir ao seu amante, que caso ele fosse realmente Zeus que mostra-se toda a sua onipotência. Zeus avisou a Sêmele do que poderia acontecer, mas a mesma insistiu e assim que o deus mostrou todo o seu poder Semele acabou fulminada pelos raios. Zeus então retirou o filho que ainda estava em gestação e o colocou na coxa. Após o período de gestação, Dionísio foi criado pelas Horas e as Ninfas. Dionísio era caracterizado como um jovem risonho e festivo. Em suas festas as pessoas entravam em transe e as mulheres que o seguia eram chamadas de bacantes. Também considerado o protetor do Teatro.

         ÉOLO – Deus dos ventos, filho de Poseidon. Seu principal mito resume-se a passagem de Odisseu em sua ilha. Ao chegar ao local Odisseu pediu ajuda ao deus. Este, compadecido pelo problema do herói colocou em um grande saco os ventos, mas pediu para não abrir o saco até chegar a Ítaca. Após embarcarem um dos tripulantes, pensando no saco ser ouro, decidiu abrir. Todos os ventos saíram do saco e os reconduziu novamente a ilha de Éolo. Odisseu pediu nova ajuda, mas o deus irritado o expulsou-o

Outras Divindades

        PERSÉFONE – Filha de Zeus e Démeter, esposa de Hades. Seu principal mito é justamente a união com o deus do mundo dos mortos. Foi raptada por ele quando colhia flores com ninfas na planície de Ena. Apaixonado por ela, Hades surgiu de uma fenda na terra e a raptou para o submundo. Démeter, ao saber do rapto pôs a vagar pelo mundo e durante esse tempo a vegetação não nascia. Zeus, preocupado com o problema que se alastrava, já que as terras estavam estéreis e houve escassez de alimentos, solicitou que Hades devolvesse Perséfone a mãe, mas a mesma já havia comido uma semente de romã e por isso estaria ligada ao reino dos mortos para sempre. Dessa maneira estabeleceu-se um acordo: Perséfone passaria seis meses com sua mãe, época que correspondia à primavera e verão, e seis meses com o esposo, no período de outono e inverno.

         EOS – A Autora, personificava o amanhecer, era filha de Hipérion e Teia, irmã de Selene e Hélio, era encarregada de abrir as portas do céu para a passagem dos carros de Hélio. Seu principal mito é em torno de sua relação com Titono, irmão mais velho de Príamo, rei de Tróia. Era tão apaixonada por Titono que o raptou e pediu para que os deuses concedessem a imortalidade mas esqueceu e pedir a juventude eterna, fato que o fez transforma-se num velho descrépito. Eos então pediu a Zeus que o transformasse numa cigarra. Também foi amante de Ares, deus da guerra, fato que deixou Afrodite enciumada e a fez jogar uma maldição em Eos para que ela apenas se apaixonasse por mortais.

         ASCLÉPIO – Deus da medicina, filho de Apolo e de Corônis. Foi entregue ao centauro Quiron e aprendeu o poder curativo de ervas e a cirurgia, e adquiriu tanta habilidade que chegou a ressuscitar muitos mortos. Zeus o puniu e o fulminou com um raio. Após a sua morte Asclépio foi transformado na constelação de Serpentário.

         ADÔNIS – Jovem de grande beleza que nasceu da relação incestuosa do rei Cíniras de Chipre com sua filha Mirra. Adônis despertou o amor em Perséfone e Afrodite e devido a essa disputa Zeus sentenciou que ele passaria um terço do ano com cada uma delas, mas Adônis não cumpria o combinado, passando mais tempo com Afrodite. Ares, sabendo da traição de Afrodite enviou um javali que matou Adônis. Adônis então desceu ao submundo e lá ao vê-lo Perséfone apaixonou-se por ele e compadecida com o sofrimento de Afrodite fez um acordo no qual ele passaria seis meses com ela e seis meses com Afrodite, mas o acordo foi quebrado e Zeus teve que intervir no problema, decidindo que durante 4 meses Adônis seria livre, 4 meses passaria com Afrodite e os outros 4 com Perséfone. Seu mito mostra que Adônis cumpre um rito da vegetação que durante o inverno morre, descendo ao mundo dos mortos e na primavera ressurge.

           HEBE – Deusa da juventude, filha de Zeus e Hera, casou-se com Heracles assim que o mesmo ascendeu ao Olimpo após a sua morte. Representava a donzela que fazia trabalhos domésticos e no Olimpo tinha diversas obrigações: servia o néctar aos deuses, atrelava os carros de Hera e preparava o banho de Ares. Um dia foi zombada pelos deuses após cair numa posição inconveniente e após esse incidente negou-se a continuar os servindo.

          HIMENEU – Deus do casamento, filho de Apolo e Afrodite. Era tão belo que os atenienses o confundiam com uma moça. Certa vez quando um grupo de moças nobres foram a Elêusis oferecer um sacrifício a Demeter um grupo de piratas atacou-as levando todas, inclusive Himeneu que foi confundindo com uma mulher. Himeneu os matos quando eles dormiam e retornando a Atenas prometeu trazer as moças de volta com a condição de que fosse lhe dado em casamento sua amada. Concordaram com o acordo e desde então Himeneu era invocado nos casamentos.

         GRAÇAS – Deusas das danças, dos modos e da graça do amor, filhas de Zeus e Hera, eram 3: Aglaia, a claridade, Tália, a que faz brotar as flores e Eufrosina, o sentido da alegria. Eram seguidoras de Afrodite e dançarinas do Olimpo.

        HORAS – Deusas que presidiam as estações do ano, filhas de Zeus e Têmis, eram 3: Irene(paz), Dice(justiça) e Eunômia(disciplina). Estão ligadas à legislação e ordem natural, sendo uma extensão dos atributos de sua mãe Têmis. Eram também as porteiras do Olimpo.

        ÍRIS – Mensageira dos deuses, filha de Taumante e Electra, e também personificação do arco-íris. Íris é a mensageira dos deuses para os homens e é representada como uma virgem com asas de ouro.

         HARMONIA – Deusa da harmonia e da concórdia, filha de Ares e Afrodite. Foi esposa de Cadmo, rei de Tebas.

         PROTEU – Um dos deuses marinhos, filho de Oceano e Tétis. Tinha o dom da premonição e por isso atraia o interesse de muitos que queriam saber o futuro. Por não gostar de falar os acontecimentos que possam vim a acontecer, quando alguém se aproximava dele fugia ou assumia aspecto e um monstro marinho mas se o homem fosse corajoso revelava a verdade. Menelau foi um dos que conseguiram já que procurava saber se retornaria após a Guerra de Tróia.

        GLAUCO – Divindade marinha, Glauco nasceu mortal, mas ao descobrir uma erva mágica que fazia voltar à vida os peixes que pegava decidiu experimentar. Após comer a erva tornou-se imortal. Apaixonado pela ninfa Cila, que sempre o rejeitava, pediu ajuda a Circe para criar uma poção mágica que fizesse Cila apaixonar-se por ele. Circe, rejeitada por Glauco, fez uma poção mágica e a jogou em uma fonte aonde Cila banhava-se. Cila então se transforma em um monstro de doze pés e seis cabeças. Foi à procura de Glauco, mas esse, ao ver o aspecto horrendo de Cila, fugiu dela. Circe aguardou Glauco ir procurá-la, mas esse, sabendo que tal fato aconteceu devido a Circe, não a perdoou pela crueldade.

        ANFITRIRE – Deusa do mar, esposa de Poseidon, filha de Dóris e Nereu. A princípio, se recusou a unir-se ao deus, se escondendo nas profundezas dos oceanos, em um lugar conhecido apenas por sua mãe. Acabou cedendo, se tornando rainha dos oceanos. É representada portando um tridente, símbolo de sua soberania sobre os mares.

        HÉCATE – Deusa da magia e da noite, filha de Perses e Astéria. Era conhecida como a mais próxima de nós, pois se acreditava que, nas noites de lua nova, ela aparecia com sua horrível matilha de cachorros fantasmas diante dos viajantes que por ali cruzavam. Ela enviava aos humanos os terrores noturnos e aparições de fantasmas e espectros. Era representada com 3 corpos e 3 cabeças ou apenas 1 corpo com 3 cabeças. Participou da Titanomaquia ao lado de Zeus, ajudou Demeter a procurar Perséfone e combateu Heracles quando ele tentou enfrentar Cérbero, seu cão de companhia no mundo subterrâneo.

        PÃ – Deus dos boques, dos pastores, dos campos, filho de Zeus com a cabra Almatéia. Era representado com orelhas, chifres e pernas de bode. Amante da música, trazia sempre consigo uma flauta. Era temido por todos aqueles que necessitavam atravessar as florestas à noite, pois as trevas e a solidão da travessia os predispunham a pavores súbitos, desprovidos de qualquer causa aparente e que eram atribuídos a Pã; daí o nome pânico.

Os Deuses e Os Quatro Elementos

          A Natureza

          A expressão Natureza aplica-se a tudo aquilo que tem como característica fundamental o facto de ser natural: ou seja, envolve todo o ambiente existente que não teve intervenção filantrópica. Dessa noção da palavra, surge seu significado mais amplo: a Natureza corresponde ao mundo material e, em extensão, ao Universo físico: toda sua matéria e energia, inseridas em um processo dinâmico que lhes é próprio e cujo funcionamento segue regras próprias (estudadas pelas ciências naturais).

          Os Quatro Elementos – Água, Ar, Fogo e Terra – são básicos em todas as estruturas materiais e orgânicas. São forças vitais que compõem toda a criação que pode ser percebida pelos sentidos físicos. Toda vida física e mental é uma manifestação de energias específicas que agem em cada pessoa. Cada Elemento representa um tipo básico de energia e consciência em cada um de nós. Todos os Elementos estão contidos e são ativos, em maior ou menor grau, em cada corpo. Assim, cada pessoa está conscientemente mais afinada com alguns tipos de energia do que outras Os elementos dentro da simbologia alquimica compõem a base de tudo o que existe. Esses quatro elementos Terra, Ar, Fogo e Água, são ao mesmo tempo visíveis e invisíveis, físicos e espirituais.  Tudo na alquimia se baseia nos quatros elementos, Água, Terra, Fogo e Ar. Os quatro elementos correspondem às quatro direções do nosso mundo físico, norte, sul, leste e oeste.

           Elemento Ar

          Personifica a energia da primavera, quando as plantas tiram nutrientes do solo para se alimentar. É o amanhã quando vemos as primeiras energias do sol, ligada ao leste e ao calor. Tem energia interior, atraindo a energia de fora, da mesma forma que puxamos o ar dos pulmões. O elemento Ar é responsável pelo pensamento racional. Ele é leve e essencial ao movimento; quando o elemento Ar está equilibrado, existe graça nos movimentos, percepção equilibrada e ótima comunicação. O elemento Ar rege os sistemas respiratório e nervoso.

          O elemento ar é a energia vital que tem sido relacionada com a respiração ou com aquilo que os iogues chamam de “prana”. O domínio do ar é o mundo das ideias arquetípicas, que estão atrás do véu físico, da energia cósmica convertida em padrões de pensamento específicos. Está associado às linhas geométricas de força que funcionam através da mente, à energia que modela os padrões das coisas que virão.

Direção: leste

Rege: a mente, todos os trabalhos psíquicos, intuitivos e mentais, o conhecimento, o aprendizado, as montanhas expostas ao vento, as praias, o vento e a respiração.

Cores: branco, amarelo claro, amarelo ouro, dourado

Planetas: Mercúrio, Vênus, Urano

Elementais: silfos, e elfos que também se manifestam em borboletas , beija-flores e libélulas.

Animal: todos os pássaros, principalmente a águia que é o seu símbolo, pertencem ao elemento ar.

Deuses: Hermes, Ouranus, Toth, Oxossi

Instrumentos:  Sopro

Arcanjo: MICHAEL

Elementais: Silfos, Sílfides, Elfos e Fadas

            Elemento Água

           Personifica a energia do outono, quando os frutos estão maduros e plenos. É o oeste, direção do pôr-do-sol, a noite. Tem uma energia fria e ascendente, flutuante e que pode ser comparada ao modo como nós sentimos depois de um dia de trabalho duro.

          O elemento Água representa, o reino da emoção profunda e das reações de sentimento, indo desde paixões compulsivas e temores irresistíveis, até uma aceitação e um amor que abrange toda a criação.

Direção: Oeste

Rege: as emoções, os sentimentos, o amor, a coragem, a ousadia, o oceano, as marés, os lagos, as lagoas, os córregos e rios, as nascentes e os poços, a intuição, a mente inconsciente, o útero, a geração, a fertilidade.

Cores: azul, verde azulado, prata

Planetas: Lua, Plutão, Netuno

Elementais: sereias, nereidas, ondinas, ninfas e as pequenas criaturas das fontes e dos rios.

Deusas: Afrodite, Iemanjá, Isis

Deuses: Osíris, Poseidon, Netuno

Animal: as baleias, os golfinhos e todos os peixes.

Instrumentos: Cordas, Teclados

Arcanjo: GABRIEL

            Elemento Fogo

            O Fogo personifica as energias do verão e do meio-dia, os momentos em que o poder do Sol está mais forte. E o Sul tem uma energia quente, expressiva – quando começa um incêndio, o fogo se espalha em todas as direções. No calor do Sol, no ponto máximo do dia, a Natureza está em seu momento mais ativo e expressivo. O Fogo também é ligado à Lua Cheia, quando a luz da Lua está mais brilhante. Sua cor é a branca, a cor do Sol no auge de um dia quente de verão.

            O elemento fogo se refere a uma energia universal irradiante, uma energia que é excitável e entusiástica e que, através da sua Luz, dá colorido ao mundo.

Direção: Sul

Rege: a energia vital, o espírito, o calor, a chama sagrada, a seiva, a vida, a vontade, a cura, a intuição e a destruição.

Cores: vermelho, laranja, dourado, carmesim.

Elementais: as salamandras

Deuses: Júpiter, Zeus, Ogum, Prometeu, Vulcano

Deusas: Brigid, Vesta, Iansã

O Animal: os dragões, o leão e todos os felinos.

Instrumentos: Metais

Arcanjo:  SAMAEL

            Elemento Terra

          O elemento Terra é responsável pelas nossas sensações, inclusive dor e prazer. As pessoas que têm o elemento Terra em equilíbrio são práticas, estáveis, têm senso de responsabilidade e podem ser muito prestativas e protetoras como a própria Terra.

            O Elemento Terra, é o contato com o sentido físico, é sintonizado com o mundo (formas) que o sentido e mente pratica encara como real. É a compreensão inata a respeito de como o mundo material funciona.

Direção: Norte

Rege: O corpo, a natureza, os dementais da terra, gnomos, duendes, orixás, os campos, as rochas, os metais, os cristais, os ossos, as plantas (suas raízes), os abismos, as grutas, o nascimento, a criatividade.

Cores: preto, verde escuro, azul escuro, branco

Planetas: Vênus, Mercúrio e Saturno

Animal: o gamo, o touro, as cobras

Arcanjo: MELQUISEDECK

Elementais:  Gnomos e Pigmeus, Duendes

Deusas: Ceres, Deméter, Gaia, Perséfone, Nanã Buruku

Deuses: Omulu, Obaluaiê, Dioniso, Pã, Cronos, Xangô

http://circulandomagia.blogspot.com.br/2010/05/deuses-elementos-da-natureza-e-suas.html

http://pt.wikipedia.org/wiki/Deuses_primordiais

http://deusesdasmitologias.blogspot.com.br/p/gregos.html

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ALIANÇA

Origem da palavra Aliança

aliança                Vem do latim alligare, “compor, ligar-se a”. Já no português medieval significa um comprometimento mútuo, seja no sentido religioso, político ou jurídico. Na tradição bíblica, houve duas Alianças entre Deus e os homens: o Novo Testamento corresponde ao cristianismo (a Nova Aliança), enquanto o Antigo corresponde ao judaísmo (a Antiga Aliança). Acredita-se que o povo judeu transportava, em seu êxodo, uma arca com as Tábuas da Lei que Moisés recebeu no Monte Sinai, contendo os Dez Mandamentos. A partir do séc. 13, aliança passa a significar também “laço matrimonial que une duas famílias”, até que, alguns séculos depois, assume o seu significado atual de “anel de casamento”.

                O casamento na Roma Antiga era uma das principais instituições da sociedade romana e tinha como principal objetivo gerar filhos legítimos, que herdariam a propriedade e o estatuto dos pais. Entre as classes mais prestigiadas, servia também para selar alianças de natureza política ou económica. Refira-se a título de exemplo Júlia, filha de Júlio César e de Cornélia Cinnila, que inicialmente prometida a Quinto Servílio Cepião, acabaria por casar com Pompeu quando o seu pai estabeleceu com este a aliança que conduziu ao primeiro triunvirato ou ainda o casamento de Octávia com Marco António, parte do Tratado de Brundísio.

                Vários ritos do casamento romano foram legados ao mundo ocidental contemporâneo, como a existência de um anel de noivado, do véu de noiva, a união das mãos direitas dos nubentes ou ainda o ato de levar ao colo a noiva para dentro da habitação.

                Verifica-se que costumes estes venham talvez antes de Roma, mais em todos os impérios e domínios, como forma de contrato entre povos e famílias, para manterem a soberania sobre seus legados

                O anel, aliança, surgiu entre os gregos e os romanos, tendo provavelmente por origem um costume hindu de usar um anel para simbolizar o casamento. Os romanos acreditavam que no quarto dedo da mão esquerda passava uma veia (vena amoris) que estava directamente ligada ao coração, costume culturalmente seguido até aos dias de hoje.

                No início a aliança era tida como um certificado de propriedade da noiva, ou de compra da noiva, indicando que a mesma não estava mais disponível para outros pretendentes. A partir do século IX, a igreja cristã adaptou a aliança como um símbolo de união e fidelidade entre casais cristãos.

                Muitas crenças nasceram então, como, por exemplo, o fato de os escoceses dizerem que a mulher que perde a aliança está condenada a perder o marido.

               Os anéis podem ser reproduzidos com a fusão de material metálico, como aço, ouro e prata, podendo fundi-los numa mesma peça, e podem ser compostos por diferentes materiais como pedras preciosas ou semelhantes.

História das Alianças

              Um dos mais famosos e antigos casos da utilização das alianças ocorreu em 1477, quando o Arquiduque Maxiliano, da Aústria, presenteou Mary Burgundy com um anel de diamante. Assim, iniciou-se a tradiçao dos anéis de noivado; sobretudo, daqueles com brilhante. O diamante das alianças passou a representar a solidez do relacionamento, isso porque, a valiosa gema é imperecível e extremamente resistente. Alguns gregos acreditavam que os diamantes eram estilhaços de estrelas que chegaram a Terra; outros, porém, criam até mesmo que essas pedras preciosas eram lágrimas dos deuses do Olimpo.

                Seja qual for a crença, nota-se que as alianças desempenham, nas mais diversas culturas, a importante função de simbolizar a união entre um casal. Tamanha responsabilidade exige que se escolha com cuidado o par que acompanhará os noivos nessa nova fase de suas vidas

                Alguns historiadores dizem que os Faraós do Egito foram os primeiros a usarem esse símbolo que na época significava eternidade. Era como uma promessa pública de honrar um compromisso ou um contrato. O anel, aliança, era também muito usado entre os gregos e os romanos, Entre os romanos e gregos anéis de ouro eram usados por senadores e imperadores além dos sacerdotes de Júpiter, que usavam os Anéis Pastorais. Para os demais, apenas os de ferro. Tendo provavelmente outra origem um costume hindu de usar um anel para simbolizar o casamento.

                Os antigos egípcios, em 2.800 a.C., foram os pioneiros de um dos maiores símbolos do compromisso atual.  Reza a lenda que o acessório circular – e portanto sem ponta, sem fim – foi a maneira encontrada pelos apaixonados egípcios para simbolizar o amor infinito e que deveria ser carregado para a vida toda. As alianças tinham um significado sobrenatural, pois se acreditava que uniam o casal com amor eterno. E é desse povo que vem a teoria mais aceita para a origem da aliança como conhecemos hoje. Elas eram provindas do antigo costume egípcio de colocar no dedo da noiva um anel que substituía as moedas em tempos em que elas ainda não eram cunhadas. Com isso demonstrava-se que ela estava sendo adquirida através da riqueza do seu marido.

              Na Grécia, as alianças de noivado e casamento eram usadas como selos e símbolos de posse e fortuna. Alguns deles serviam de chaves para os quartos onde os bens de um homem eram armazenados. No casamento, cópias delas eram dadas para as noivas, criando-se o costume de dar à esposa um anel. Sendo que esse não era dado na cerimônia, mas depois que a mulher fosse erguida sobre a entrada da casa. Presenteá-la com a chave demonstrava confiança e era um amuleto que reforçava que dali em diante eles dividiriam todas as suas posses. E o uso dos diamantes para alguns gregos, eles acreditavam que os diamantes eram estilhaços de estrelas que chegaram a Terra; outros, porém, criam até mesmo que essas pedras preciosas eram lágrimas dos deuses do Olímpio. Seja qual for a crença, nota-se que as alianças desempenham, nas mais diversas culturas, a importante função de simbolizar a união entre um casal.

            Há historiadores que dizem que os judeus já usavam a aliança como forma de matrimonio muito antes de os cristãos começarem a usá-la em suas cerimônias. No começo, a aliança também servia como um certificado de propriedade. A aliança nada mais era do que um contrato que dizia que o noivo havia comprado a noiva. Ou seja, ela não estaria mais disponível para nenhum outro pretendente. E este termo aliança, bérith em hebraico, possui o sentido de compromisso. E tem o sentido na cultura judaica de a função da ambivalência de unir e, ao mesmo tempo, isolar. No casamento judaico, as alianças são usadas no dedo indicador.

              A partir do século IX a igreja cristã adotou a aliança como um símbolo de união e fidelidade entre casais cristãos. Nas lendas irlandesas, o anel serve como meio de reconhecimento, símbolo de uma força ou mesmo de um laço que nada pode romper. Na Inglaterra os documentos mais antigos falam de alianças núpcias feitas de ferro, aço, prata, cobre, bronze, couro e junco.

             Em 1217 o bispo de Salisbury, Richard Poore, publicou uma lei proibindo a troca desses anéis sob o argumento de que “nenhum homem deveria se utilizar disso para seduzir jovens virgens, através de celebrações dissimuladas, pois ele pode não estar realmente preparado para o matrimônio”. Se o jovem colocasse o anel na noiva em presença de testemunhas e publicamente declarado que a teria como sua esposa, a lei e a igreja tomariam o casamento como uma união real.

              O Papa Inocente III declarou que deveria haver um período de espera que deveria ser observado entre o pedido de casamento e a realização da cerimônia matrimonial. É por isso que hoje existe um anel de noivado e depois a aliança de casamento.

              Após a guerra civil inglesa os puritanos pregaram contra o uso das alianças, alguns proibindo até seu o uso em casamentos. O anel era obviamente uma jóia e, por isso, um objeto diabólico.

              Até o século XIII não havia aliança de noivado ou compromisso. Hoje em dia, a aliança tem quase o mesmo propósito. O que temos nas cerimônias atuais, é a perpetuação de todas essas tradições, que tem por fim, trazer bons fluídos aos noivos. Os casais usam alianças de noivado ou alianças de namoro para mostrar para a sociedade que não estão mais disponíveis para novos pretendentes.

A tipologia da palavra

             A palavra “aliança” tem origem no latim alligare, e significa “compor”, “ligar-se a”. Outro termo para aliança (bérith no hebraico) possui o sentido de compromisso ou de pacto, o anel nupcial. Este significado também é encontrado em duas palavras gregas: diathéke e synthéke. E nas latinas: foedus e testamentum. O anel serve essencialmente para indicar um elo, o signo de uma aliança, de um voto, a ambivalência desse símbolo provém do fato de que o anel une e isola ao mesmo tempo.

                Por si só, significa um acordo, um pacto entre duas partes. No contexto do casamento, as alianças celebram um acordo de cumplicidade, amor e fidelidade. Dessa maneira, esse simples objeto ganha um significado muito simbólico: representa um elo material entre duas pessoas emocionalmente envolvidas, as quais compartilham sonhos, alegrias e até mesmo os percalços da vida cotidiana.

A aliança na história

               O anel de noivado já foi de vários materiais, desde o couro entrançado a simples argolas de ferro ou de ouro. Só na idade média é que começaram a usar outros materiais para produzi-las, como o ouro e as pedras preciosas.

               Do século IV a.c. vem o anel mais antigo do mundo e era feito de couro trançado ou junco. As futuras esposas recebiam um desses anéis quando eram pedidas em casamento, e na cerimónia de casamento representava a aliança.

              Um dos mais famosos e antigos casos da utilização das alianças ocorreu em 1477, quando o Arquiduque Maxiliano, da Áustria, presenteou Mary Burgundy com um anel de diamante. Assim, iniciou-se a tradição dos anéis de noivado; sobretudo, daqueles com brilhante. O diamante das alianças passou a representar a solidez do relacionamento, isso porque, a valiosa gema é imperecível e extremamente resistente. As pedras mais populares das alianças eram o rubique simbolizava o vermelho (coração), a safiraque é azul e representava o céu e o famoso e intocável diamante.

  1. a) Porque o uso do Diamante

                Um anel de noivado deve ter pelo menos um diamante. O diamante é o símbolo dos apaixonados. Na Antiguidade, o diamante era chamado “Pedra de Vénus”. A Deusa Vénus, pois ela é a Deusa do Amor e da prosperidade. O nome dado ao diamante advinha do seu intenso brilho, que era relacionado com o resplandecente brilho do planeta Vénus. Assim, sendo que Vénus representava o amor, os diamantes passaram a ser vistos como objetos advindos de Vénus e por isso relacionados com o feminino e com a paixão.

                Na Grécia, o diamante era chamado de “adamas”, que significa: eterno, invencível. Pois na verdade o amor é eterno, e também o são os diamantes, símbolos da eternidade desta Deusa que apesar de todas as lutas para ser apagada da história, jamais se desvaneceu.

                O diamante foi caracterizado como joia da noiva a partir do século XV. Do século XVII ao XIX, usavam-se argolões como anéis de noivado. No século XX, ficou em moda o “chuveiro” de diamantes, mais tarde a aliança de diamantes e depois o solitário, sendo este o estilo mais usado atualmente.

  1. b) Outros matérias usados no formado da aliança

                Somente em 1549 é que ficou decidida finalmente em qual mão a aliança de casamento deveria ser usada. Na verdade foi até escrito um livro, o Livro de Orações Comuns. Ali estava descrito todo o ritual de casamento, inclusive que os casados deveriam usar a aliança na mão esquerda. Desde então ficou definido que os casais casados usam a aliançana mão esquerda.

                O casal também escolhe a cor do ouro. Seja aliança de ouro amarelo, aliança de ouro branco ou aliança de ouro vermelho até mesmo a mista onde se usa na aliança o ouro amarelo o branco e o vermelho a ser usado. A aliança de ouro vermelho dá uma aparência mais antiga à jóia e, talvez por isso, a maioria das alianças de hoje é feita com o par em ouro amarelo. Depois da aliança de namoro, noivado e casamento, chega à hora das bodas, que significam cada ano vivido pelo casal. Esta comemoração nada mais é do que do que a confirmação do compromisso de amor feito no ato do casamento.

                Observação

                Existem três datas que o casal comemora de uma maneira especial:

                1ª Bodas de prata, 25 anos: quando, normalmente, o casal muda de alianças.

                2ª Nas bodas de ouro, 50 anos: normalmente o casal usa duas alianças conjugadas com diamante;

                3ª Bodas de Diamante, 75 anos: o casal usa brilhante maior nas alianças.

                Hoje, as alianças de casamento deixaram de ser simples anéis e passaram a ser consideradas verdadeiras obras de arte. Os modelos, materiais, pedras utilizadas e formatos, deram a essa jóia, carregada de sentimentos e tradição, um poder de sedução e uma participação toda especial na cerimônia de casamento.

                Aliança no esoterismo

                No plano esotérico, a aliança possui poderes mágicos. É a protetora simbólica da união. Colocar um anel no dedo de outra pessoa significa aceitar o dom de outrem como um tesouro exclusivo.

http://www.reisman.com.br/historia-origem-das-aliancas-casamento-noivado.htm

http://www.dicionarioetimologico.com.br/alianca/

http://pt.wikipedia.org/wiki/Casamento_na_Roma_Antiga

http://pt.wikipedia.org/wiki/Alian%C3%A7a_(anel)

http://www.reisman.com.br/historia-origem-das-aliancas-casamento-noivado.htm

http://www.ebah.com.br/content/ABAAAgChMAI/origem-alianca

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FÊNIX

Ave-Fenix                Fênix é um pássaro lendário da mitologia grega, que morria, mas depois de algum tempo renascia das próprias cinzas. O pássaro fênix, antes de morrer, entrava em combustão, para depois renascer.

                A fênix possuía uma grande força, capaz de transportar pesadas cargas durante seu voo, chegando ao ponto de carregar até mesmo elefantes. Segundo a mitologia, as lágrimas da fênix possuíam características curativas.

               Na Antiguidade, a fênix era um ser venerado por vários povos, como os egípcios, principalmente os habitantes de Heliópolis, onde a fênix era vista como a reencarnação do deus Rá.

              A fênix também tem o poder de se transformar em uma ave de fogo muito parecida com uma águia. Pela sua morte diferente, a fênix tornou-se um símbolo de força, da imortalidade e do renascimento. É uma das figuras mais representadas pelas pessoas que fazem tatuagens no corpo.

               Acredita-se que a ave mitológica surgiu no Oriente, e depois foi adaptada pelos gregos. Até mesmo a Igreja Católica possuía uma relação com a fênix, os cristãos acreditavam que o pássaro era um dos símbolos da ressurreição de Cristo. Dizia-se na época que as cinzas da fênix eram tão poderosas, que podiam até ressuscitar os mortos.

                Origem do Termo Fênix: O nome fênix, na verdade é um equívoco de um historiador grego, que confundiu o nome da palmeira, que se chama phoinix, em grego, como o nome do verdadeiro pássaro.

                A Fênix é uma ave mítica, símbolo universal da morte e do renascimento, bem como do fogo, do sol, da vida, da renovação, da ressurreição, da imortalidade, da longevidade, da divindade e da invencibilidade.

Mitologia

             De origem Etíope, a Fênix é retratada por uma ave sagrada que se ergue das chamas visto que possui a capacidade de renascer de suas próprias cinzas depois de ser consumida pelo fogo.

                Não obstante, perto do momento de sua morte, ela prepara um ninho com ramos perfumados onde se consome no próprio calor, porém, antes de ser consumida totalmente pelas chamas, põem seus ovos nas cinzas.

               Para os gregos, a ave de fogo vivia durante muito tempo além de possuir uma força imensa, o que corrobora sua simbologia da longevidade e da força.

                Para os egípcios, a Fênix é o símbolo das revoluções solares e, por isso, está associada à cidade de Heliópolis, palavra que do grego significa “a cidade do sol”. Ademais ela está intimamente ligada ao ciclo cotidiano do sol bem como das cheias do Rio Nilo, simbolizando a renovação e a vida.

Religião

                Embora, inicialmente, o mito dessa bela ave – cuja cauda tem bonitas penas vermelhas e douradas – tivesse surgido com o objetivo de explicar a natureza cíclica do nascer e do pôr do sol, depois de algum tempo, passou a ser um emblema de ressurreição.

Na Idade Média, os cristãos a consideraram uma ave sagrada, símbolo da ressurreição de Cristo, bem como do triunfo da vida sobre a morte.

Culturas Antigas

                Interessante notar que a figura de Fênix aparece em muitas culturas antigas, todavia, seu significado e simbologia originais são preservados, de modo que nas culturas egípcia, grega e chinesa, a Fênix conserva seu significado de ave lendária magnífica e fabulosa bem como seu simbolismo de pássaro da ressurreição.

                Vale lembrar que na China, seu significado se estendeu, de maneira que a Fênix macho – símbolo da felicidade – simultaneamente com a Fênix fêmea – emblema da rainha, em oposição ao dragão imperial – representam a união e a felicidade conjugal.

                No processo químico, a Fênix é utilizada para representar a sua finalização, ou seja, o produto final.

                A fênix (português brasileiro) ou fénix (português europeu) (em grego clássico: ϕοῖνιξ) é um pássaro da mitologia grega que, quando morria, entrava em auto-combustão e, passado algum tempo, renascia das próprias cinzas.

                Teria penas brilhantes, douradas, e vermelho-arroxeadas, e seria do mesmo tamanho ou maior do que uma águia. Segundo alguns escritores gregos, a fênix vivia exatamente quinhentos anos. Outros acreditavam que seu ciclo de vida era de 97 200 anos. No final de cada ciclo de vida, a fênix queimava-se numa pira funerária. A vida longa da fênix e o seu dramático renascimento das próprias cinzas transformaram-na em símbolo da imortalidade e do renascimento espiritual.

                Suas lágrimas têm propriedades para curar qualquer tipo de doença ou ferida.

               Os gregos parecem ter se baseado em Bennu, da mitologia egípcia, representado na forma de uma ave acinzentada semelhante à garça, hoje extinta, que habitava o Egito. Cumprido o ciclo de vida do Bennu, ele voava a Heliópolis, pousava sobre a pira do deus Rá, ateava fogo em seu ninho e se deixava consumir pelas chamas, renascendo das cinzas.

                De forma semelhante a Bennu, quando a ave sentia a morte se aproximar, construía uma pira de ramos de canela, sálvia e mirra em cujas chamas morria queimada. Mas das cinzas erguia-se então uma nova fênix, que colocava piedosamente os restos da sua progenitora num ovo de mirra e voava com ele à cidade egípcia de Heliópolis, onde os colocava no Altar do Sol.

                Dizia-se que estas cinzas tinham o poder de ressuscitar um morto. O imperador romano Heliogábalo (204-222 d. C.) decidiu comer carne de fênix, a fim de conseguir a imortalidade. Comeu uma ave-do-paraíso, que lhe foi enviada em vez de uma fênix, mas foi assassinado pouco tempo depois.

                Atualmente os estudiosos creem que a lenda surgiu no Oriente e foi adaptada pelos sacerdotes do Sol de Heliópolis como uma alegoria da morte e renascimento diários do astro-rei. Tal como todos os grandes mitos gregos, desperta consonâncias no mais íntimo do homem. Na arte cristã, a fênix renascida tornou-se um símbolo popular da ressurreição de Cristo.

                Para os gregos, a fênix por vezes estava ligada ao deus Hermes e é representada em muitos templos antigos. Há um paralelo da fênix com o Sol, que morre todos os dias no horizonte para renascer no dia seguinte, tornando-se o eterno símbolo da morte e do renascimento da natureza.

                Os egípcios a tinham por “Bennu” e estava relacionada a estrela “Sótis”, ou estrela de cinco pontas, estrela flamejante, que é pintada ao seu lado.

                Na China antiga a fênix foi representada como uma ave maravilhosa e transformada em símbolo da felicidade, da virtude, da força, da liberdade, e da inteligência. Na sua plumagem, brilham as cinco cores sagradas.Púrpura, azul, vermelha, branco e dourado.

                No início da era Cristã esta ave fabulosa foi símbolo do renascimento e da ressurreição. Neste sentido, ela simboliza o Cristo ou o Iniciado, recebendo uma segunda vida, em troca daquela que sacrificou.

                A bandeira da cidade de São Francisco mostra uma fênix, acreditado de estar um símbolo de renovação depois o sismo que devastou a cidade em 1906. A bandeira e o selo da cidade de Atlanta mostram uma fênix também.

                No Acidente na mina San José em 2010, a cápsula que estava retirando um por um dos 33 mineiros foi chamada de Fênix, porque o resgate deles a uma profundidade muito funda de terra lembra a ressurreição da ave mítica das cinzas.

Citações

                “Existe outro pássaro sagrado, também, cujo nome é fénix. Eu mesmo nunca o vi, apenas figuras dele. O pássaro raramente vem ao Egito, uma vez a cada cinco séculos, como diz o povo de Heliópolis. É dito que a fénix vem quando seu pai morre. Se o retrato mostra verdadeiramente seu tamanho e aparência, sua plumagem é em parte dourado e em parte vermelho. É parecido com uma águia em sua forma e tamanho. O que dizem que este pássaro é capaz de fazer é incrível para mim. Voa da Arábia para o templo de Hélio (o Sol), dizem, ele encerra seu pai em um ovo de mirra e enterra-o no templo de Hélio. Isto é como dizem: primeiramente molda um ovo de mirra tão pesado quanto pode carregar, então abre cavidades no ovo e coloca os restos de seu pai nele, selando o ovo. E dizem, ele encerra o ovo no templo do Sol no Egito. Isto é o que se diz que este pássaro faz.” – Heródoto,

                “E a fénix, ele disse, é o pássaro que visita o Egito a cada cinco séculos, mas no resto do tempo ela voa até a Índia; e lá podem ser visto os raios de luz solar que brilham como ouro, em tamanho e aparência assemelha-se a uma águia; e senta-se em um ninho; que é feito por ele nas primaveras do Nilo. A história do Aigyptos sobre ele é testificada pelos indianos também, mas os últimos adicionam um toque a história, que a fénix enquanto é consumida pelo fogo em seu ninho canta canções de funeral para si” – Apolônio de Tiana,[2]

                “Estas criaturas (outras raças de pássaros) todas descendem de seus primeiros, de outros de seu tipo. Mas um sozinho, um pássaro, renova e renasce dele mesmo – a Fénix da Assíria, que se alimenta não de sementes ou folhas verdes mas de óleos de Bálsamo e gotas de olíbano. Este pássaro, quando os cinco longos séculos de vida já se passaram, cria um ninho em uma palmeira elevada; e as linhas do ninho com cássia, mirra dourados e pedaços de canela, estabelecida lá, inflama-se, rodeada de perfumes, termina a extensão de sua vida. Então do corpo de seu pai renasce uma pequena Fénix, como se diz, para viver os mesmos longos anos. Quando o tempo reconstrói sua força ao poder de suportar seu próprio peso, levanta o ninho – o ninho que é berço seu e túmulo de seu pai – como imposição do amor e do dever, dessa palma alta e carrega-o através dos céus até alcançar a grande cidade do Sol (Heliópolis, no Egito), e perante as portas do sagrado templo do Sol, sepulta-o” – Ovídio

                “Seus braços viraram longas asas vermelhas com umas penas douradas no interior, seu corpo mudou para algo indefinido, como se não houvesse vértebra. Uma enorme cauda cheia de penas vermelhas e douradas começa a encher o salão. Era uma criatura de proporções gigantescas, quase não cabendo no salão.” – Clayton De La Vie

                O poeta persa sufista Farid al-Din Attar, no livro A Conferência dos Pássaros, de 1177, descreve a fênix:

                “Na Índia vive um pássaro que é único: a encantadora fênix tem um bico extraordinariamente longo e muito duro, perfurado com uma centena de orifícios, como uma flauta. Não tem fêmea, vive isolada e seu reinado é absoluto. Cada abertura em seu bico produz um som diferente, e cada um desses sons revela um segredo particular, sutil e profundo. Quando ela faz ouvir essas notas plangentes, os pássaros e os peixes agitam-se, as bestas mais ferozes entram em êxtase; depois todos silenciam. Foi desse canto que um sábio aprendeu a ciência da música. A fênix vive cerca de mil anos e conhece de antemão a hora de sua morte. Quando ela sente aproximar-se o momento de retirar o seu coração do mundo, e todos os indícios lhe confirmam que deve partir, constrói uma pira reunindo ao redor de sí lenha e folhas de palmeira. Em meio a essas folhas entoa tristes melodias, e cada nota lamentosa que emite é uma evidência de sua alma imaculada. Enquanto canta, a amarga dor da morte penetra seu íntimo e ela treme como uma folha. Todos os pássaros e animais são atraídos por seu canto, que soa agora como as trombetas do Último Dia; todos aproximam-se para assistir o espetáculo de sua morte, e, por seu exemplo, cada um deles determina-se a deixar o mundo para trás e resigna-se a morrer. De fato, nesse dia um grande número de animais morre com o coração ensanguentado diante da fênix, por causa da tristeza de que a veem presa. É um dia extraordinário: alguns soluçam em simpatia, outros perdem os sentidos, outros ainda morrem ao ouvir seu lamento apaixonado. Quando lhe resta apenas um sopro de vida, a fênix bate suas asas e agita suas plumas, e deste movimento produz-se um fogo que transforma seu estado. Este fogo espalha-se rapidamente para folhagens e madeira, que ardem agradavelmente. Breve, madeira e pássaro tornam-se brasas vivas, e então cinzas. Porém, quando a pira foi consumida e a última centelha se extingue, uma pequena fênix desperta do leito de cinzas.

                Aconteceu alguma vez a alguém deste mundo renascer depois da morte? Mesmo que te fosse concedida uma vida tão longa quanto a da fênix, terias de morrer quando a medida de tua vida fosse preenchida. A fênix permaneceu por mil anos completamente só, no lamento e na dor, sem companheira nem progenitora. Não contraiu laços com ninguém neste mundo, nenhuma criança alegrou sua idade e, ao final de sua vida, quando teve de deixar de existir, lançou suas cinzas ao vento, a fim de que saibas que ninguém pode escapar à morte, não importa que astúcia empregue. Em todo o mundo não há ninguém que não morra. Sabe, pelo milagre da fênix, que ninguém tem abrigo contra a morte. Ainda que a morte seja dura e tirânica, é preciso conviver com ela, e embora muitas provações caiam sobre nós, a morte permanece a mais dura prova que o Caminho nos exigirá”.

A Fênix na literatura ocidental moderna

               Uma fênix é protagonista da novela “A Princesa da Babilónia” de Voltaire. Voltaire faz a seguinte descrição desta ave fabulosa:

                “Era do talhe de uma águia, mas os seus olhos eram tão suaves e ternos quanto os da águia são altivos e ameaçadores. Seu bico era cor-de-rosa e parecia ter algo da linda boca de Formosante. Seu pescoço reunia todas as cores do arco-íris, porém mais vivas e brilhantes. Em nuanças infinitas, brilhava-lhe o ouro na plumagem. Seus pés pareciam uma mescla de prata e púrpura; e a cauda dos belos pássaros que atrelaram depois ao carro de Juno não tinham comparação com a sua.”

http://www.significados.com.br/fenix/

http://www.dicionariodesimbolos.com.br/fenix/

https://pt.wikipedia.org/wiki/F%C3%AAnix

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CHAKRAS

Desequilíbrio Elemental – Distúrbios de Personalidade

chakras

Equilibrando o elemento Éter

               Os princípios subjacentes à prática da psicologia somática focam na liberação da tensão, resistência e “armaduras” de caráter do corpo para trazê-lo de volta à harmonia com as “forças mais sutis da inteligência criadora”.

              O sistema cérebro-espinhal é o centro ultra-sônico do corpo e ressoa com a Fonte — o Campo de Vida. O corpo etéreo irradia desse centro. Todas as energias do corpo são um processo de descida desse campo nuclear. O corpo etéreo mantém um espaço natural no qual as energias do corpo emanam.

                O Dr. Stone, usando uma metáfora bíblica, se refere a ele como “o rio do qual os outros quatro rios fluem”, O Éter é a ponte entre o plano mental e o físico.

               O Éter rege o espaço geral do corpo e fornece o receptáculo sônico que define o campo do organismo. Éter, também chamado Akasa, Espaço ou Madeira, é o meio ultra-sônico da criação.

                O Éter ressoa com o vazio do Campo Unitivo. E a quietude no coração do movimento. Ele mantém o espaço neutro no qual os outros elementos se movem. E o elemento neutro potente do qual os outros elementos emergem. De uma perspectiva teomórfica, o chacra do pescoço e da garganta, como o centro do elemento Éter, é o ponto no qual os elementos interiores sutis se mesclam em combinações pentâmeras (cinco vezes) de elementos brutos para a manifestação física.

                O éter rege a comunicação e as emoções em geral, e se combina com o Ar, o Fogo e a Terra para manifestar a gama de emoções. Especificamente, ele governa a emoção do pesar. É a morada da poderosa força neutrônica de sattva guna, o estado da fixação, a força do equilíbrio, a quietude, a essência.

                O Éter rege a garganta, predominando no pescoço, que é o nexo ou ventre através do qual os impulsos mentais nascem em expressão emocional e física. O plasma gerado na medula óssea tem a predominância do Éter. O Éter predomina no centro ultra-sônico, através da linha do meio do chacra da coroa, através do caduceu da coluna e através dos órgãos reprodutivos, até o dedão do pé.

                O Éter mantém o espaço no qual o corpo físico se manifesta. Está associado ao bem-estar geral da pessoa e a seu senso de auto-estima. Assim, quando o Éter está em equilíbrio, a pessoa experimenta uma grande quantidade de “espaço psíquico” na vida e uma sensação de segurança e liberdade.

                O Éter equilibrado manifesta uma persona “madura” que é responsável e que faz escolhas conscientes em um processo de auto-realização.

                Em contraste, quando uma pessoa é centrada em sua estrutura de ego, a mente é consumida pela prioridade do ego em lidar com as ameaças percebidas, com o apego, a raiva, inveja, tristeza ou com estratagemas para se elevar — tudo isso consome espaço psíquico.

                O Éter excessivamente contraído (tamásico) se manifesta como tristeza e baixa auto-estima, uma sensação de inutilidade, vergonha e de ser uma vítima.

                O Éter excessivamente expandido (rajásico) se manifesta como arrogância, tirania ou um falso senso de superioridade em seu modo de expressão yang.

                O Éter excessivamente expandido também se manifesta como com um modo yin “desligado”, sem fixação.

                Quando equilibrado (sáttvico), o Éter manifesta qualidades de auto-estima, auto-amor e humildade. O Éter entra em equilíbrio através do mais profundo tipo de autoconhecimento, que eleva o ser para fora do drama do ego e o leva para os reinos transpessoais da autopercepção.

                Éter é Liberação (moksha); a libertação do drama constante do ego e a liberação na segurança do Conhecimento Superior. Equilibrar o Éter envolve autoconhecimento, desapego, auto-aceitação e uma humilde e genuína auto-estima.

               O Éter equilibrado flui de um estilo de vida sáttvico e uma vida focada na comunhão da Alma.  O núcleo ultra-sônico, onde há a predominância do Éter, é o centro das forças sutis de vibração dos reinos transpessoais da consciência no corpo. Ele ressoa com uma potência superior de energia e consciência.

                O equilíbrio da energia da Polaridade dessa harmonia de ressonância frequentemente resulta em uma volta para dentro, em direção à profunda quietude e harmonia de nossa essência em uma comunhão pacífica (ioga) com o Eu.

                A Terapia da Polaridade oferece uma ampla gama de técnicas que focam no equilíbrio do elemento Éter. Elas incluem os protocolos simples, fáceis de serem seguidos, listados na tabela Técnicas para equilibrar o elemento Éter.

Equilibrando o Elemento Ar

                O Ar rege o movimento no corpo. Os ritmos da respiração e batimento cardíaco, a peristalse dos órgãos e a oscilação dos átomos, são todos regidos pelo elemento Ar.

                A harmonia Ar de vibração alonga o campo de energia da ressonância unitiva da fase do Éter do ciclo para a polaridade da ressonância centrífuga/centrípeta que rege a manifestação física.

                O Ar é a primeira fase material na descida quântica em vibração de cima para baixo, de dentro par fora. À medida que as ondas de vibração se movem através do campo, o Ar se torna um alongamento das vibrações emanando de dentro para fora.

               Na medicina chinesa, acredita-s que o Ar (Metal) é o relacionamento entre o Fogo e a Água. O Ar é um servo da totalidade e mantém um profundo equilíbrio entre yin e yang.

              Todo movimento na natureza ocorre como uma expressão do ciclo do Tao do Fogo para Água. Então o Ar é a força transversa natural que é o fulcro para a manifestação do Fogo centrífugo e da Água centrípeta.

                A energia emana da fonte através do bindu de um fulcro que é o centro do campo de energia. O Sol (Fogo) e a Lua (Água) nascem e se põem, mas o ar (Ar) é uma constante na natureza.

                O Ar sustenta os ritmos fundamentais que enchem o corpo com a sintonização às forças do Cosmos. O batimento cardíaco é a fonte neutra; o ciclo de inspiração e expiração dos pulmões é o campo positivo; e a peristalse do cólon é o campo negativo do torso, onde predomina o Ar. No corpo anterior, o campo positivo do Ar é a cavidade torácica; o campo neutro é o cólon; e o campo negativo é formado pelas panturrilhas.

                Esses relacionamentos são chamados “tríades” nesta visão. Os contatos bipolares trabalham com campos de força trinos subjacentes, que ressoam no corpo e são profundamente terapêuticos.

               O Ar rege a mente, cuja natureza mercurial é o movimento incessante e também a atenção e o pensamento. Um desequilíbrio do Ar pode ser expresso como “a análise leva à paralisia,” onde há excessiva atividade mental, preocupação, mas nenhuma ação.

                Um desequilíbrio do Ar pode ser caracterizado por uma pessoa que fica presa a pensamentos, mas que não está em contato com seus sentimentos e não está presente no corpo.

                Na Sanatana Dharma é dito que:

                “Todos os nossos problemas são causados por não conhecermos quem somos”.

                Somos tão identificados com nossa mente-ego e seu drama que esquecemos o Eu Sagrado. De uma perspectiva terapêutica, a essência da sabedoria antiga é: “Identificação é ignorância”.

                Autoconhecimento, uma dieta sáttvica e um estilo de vida saudável são as chaves para aquietar a mente.

                O Ar rege os apegos, desejos e aversões que motivam fundamentalmente nosso comportamento. Há duas forças em desejo: atração, empurrando em direção; e aversão, afastando-se.

                Os orientais dizem que a “mente” é a superfície do coração. Quando o coração deseja, a mente procura. A mente é uma escrava de nossas aversões e apegos. Se o coração está partido ou ameaçado, a mente está incessantemente ativa, procurando a cura.

                Quando o ego está ameaçado, a mente está incessantemente fixada na ameaça – primeiramente em negação, depois em um complexo de defesas. Curar a mente é promover a segurança física e emocional.

                Esse processo pode levar décadas, se feito inconscientemente. Pode ser dramaticamente acelerado através do uso desses princípios da Polaridade, que nos sintonizam com um nível mais profundo da inteligência e orientação inatas dentro de nosso próprio ser.

                A chave para aquietar a mente e amadurecer em direção à paz interior está em cultivar a moderação e a auto regulação e abandonar o desejo insaciável de uma vida autocentrada.

                O Ar rege o sistema nervoso. A atividade mental excessiva, preocupação e ansiedade criam impulsos mentais e emocionais excessivos, confusos e contraditórios, que levam ao desequilíbrio do sistema nervoso.

                Quando não é “seguro” para nós experimentar ou expressar nossos sentimentos, provocamos tensão nas áreas do corpo onde esses sentimentos são centrados e criamos uma “armadura” de caráter

                O ar rege a velocidade e o movimento; e predomina nos centros de movimento das articulações no corpo. O excesso de atividade mental de um desequilíbrio do Ar pode provocar tensão, rigidez e “armaduras” de caráter, que limitam a gama de movimento nas articulações e a variedade de emoções em nossa estrutura de caráter.

                Quando, a liberdade ou segurança do Espírito (Éter) é ameaçada, a mente (Ar) fica obcecada por tentar lidar com a ameaça. Se a ameaça subjuga o ego ou é incessante por um período de tempo, causamos tensão nos músculos da cavidade torácica, do diafragma e do coração para reduzir nosso nível de vivacidade e sentimento e suprimimos nossa energia expressiva.

                Nós provocamos tensão e “armaduras” nas áreas do corpo para suprimir nossos sentimentos, nossa consciência, nossa dor. Um desequilíbrio do Ar com freqüência se manifesta estruturalmente como tensão nos ombros, diafragma contraído, gaiola torácica imóvel e peito inclinado para a frente.

                Energeticamente, um desequilíbrio no Ar é frequentemente um padrão de tensão que contrai o “coração” para protegê-lo de doenças que foram percebidas como ameaçadoras. O ato de dar e receber amor é defensivo e inibido quando o centro do coração é “cercado por uma armadura”, racionalismo frio e questionador dos sentimentos que serve como ponto para o crescimento da ambição.

               O Ar rege o apego incessante do desejo, da ganância e aversão que caracterizam o ciclo involucionário. No ciclo evolucionário, o Ar manifesta anseio por liberação, falta de desejo, caridade, amor universal e compaixão.

                Sattva guna rege o princípio do Ar (feito dos elementos Ar e Éter). Quando equilibrado, sattva guna promove integridade, honestidade, contentamento e moderação.

                Equilibrar o equilíbrio do Ar promove a receptividade a sattva guna, quietude, essência e paz da sintonização com o Campo Unitivo. A Terapia da Polaridade oferece uma ampla gama de técnicas que focam no equilíbrio do elemento do Ar. Elas incluem protocolos simples, fáceis de serem seguidos, listados na tabela Técnicas para equilibrar o elemento Ar

Equilibrando o elemento Fogo

                O elemento Fogo rege a força dirigida no corpo. O Fogo expressa propósito, a força de vontade inteligente, a motivação, o desejo e a excitação da criação. O Fogo rege a cabeça como visão, intenção, foco e concentração.

                O Fogo rege o plexo solar e o coração como calor, motivação, vitalidade, força de vontade e entusiasmo. O fogo rege as coxas como propósito, o poder de se mover no mundo, de cuidar, e de assumir responsabilidades.

                O fogo rege o poder pessoal (centro umbilical) e propósito (coxas) no mundo.  O Fogo busca o autoconhecimento, para conhecer a si mesmo através do reflexo da criação. Quando excessivamente expandido, o Fogo é explosivo, insensível e age ignorando as realidades das outras pessoas.

                O Fogo rege as emoções da raiva e do ressentimento. Ele pode ser controlador, acusador e embaraçoso. Suprimir o Fogo leva a encolerizar ressentimentos e a raiva dirigida para dentro de si.

                Muito pouco Fogo é implosivo e se manifesta como insegurança, culpar a si mesmo e falta de poder; nesse estado uma pessoa é facilmente controlada pelos outros, não expressa pensamentos e sentimentos.

                Quando equilibrado, o Fogo tem princípios; é responsável, direto e honesto, capaz de agir e de cuidar dos outros com calor humano, perdão e entusiasmo.

                O Fogo rege a direção no corpo.

                Os olhos, sentido da visão; e as coxas, têm a predominância do Fogo.

               O plexo solar, os músculos e todos os tecidos vermelhos e órgãos de assimilação são regidos pelo Fogo. O Fogo é a força motora da vitalidade no corpo. O umbílico é o centro radiante da energia vital e irradia calor e vitalidade por todo o corpo.

               A Terapia da Polaridade apresenta uma grande variedade de técnicas que focam no equilíbrio do elemento Fogo. Elas incluem protocolo simples, fáceis de serem seguidos, listados na tabela para equilibrar o elemento Fogo.

Equilibrando o elemento Água

                A Água é a fase na qual a consciência se precipita em solidez substancial. A água é o meio da vida. A Água se refere à cristalização centrípeta da ressonância que experimentamos como “forma”. A Água predomina na bacia pélvica, o centro dos órgãos de limpeza, renovação e cura.

                A Água ressoa com a qualidade tamásica, contraente, que está sempre fluindo para baixo e que rege a eliminação. A pélvis é o centro dos órgãos reprodutivos, que encenam novamente o mistério da criação para fazer nascer a vida nova.

                A Água é o reino do sentimento.

            O Dr. Stone chamou a pélvis aquosa de “pólo irracional” porque a Água predomina nas emoções inconscientes e nos sentimentos profundos (o Ar é o pólo “racional”). A Água governa o apego, a força da emoção que nos liga às coisas, idéias e pessoas.

                A pélvis pode ser entendida como o pólo negativo do cérebro, onde as imagens que emanam do cérebro são incorporadas em emoções e nascidas para o mundo como ação. Quando não é seguro para nossos sentimentos aquosos fluir para fora em expressão, temos uma crise na eliminação emocional. Medos crônicos e tensão emocional se alojam na pélvis.

                Apegos e amor ressoam com a Água. Seu foco é “eu preciso” e sua qualidade primordial é o auto cuidado emocional. Quando equilibrada (sáttvica), a Água é fluente, crescente, receptiva, empática, sensível, intuitiva, compassiva, fortalecedora, moderada.

                Quando expandida (rajásica), a Água é isolada, antidependente, insensível. Quando contraída (tamásica), é excessivamente sensível, emperrada, dependente, carente, desesperada, paranóica, possessiva, viciada em luxúria e amor e regida por forças irracionais e inconscientes.

                O elemento Água se relaciona com os meios pelos quais nos fortalecemos. A Água rege os lábios quando recebemos sustento e expressamos nossas necessidades. A Água também rege os quadris e a pélvis, onde as questões relativas a gênero estão centralizadas no corpo.

                A tensão na pélvis pode indicar questões relativas a dar e receber sustento sexual e emocional. Tensão na região glútea, nos quadris e na pélvis pode indicar isolamento e uma falta de ligações fortalecedoras.

                Á Água afunda no solo, limpando o campo das impurezas. A tríade da Água —é uma chave para restaurar a eliminação saudável. Os pés são o pólo mais negativo do corpo.  E através deles que nos fixamos à Terra; e eles são fundamentais para liberar tensões e problemas de saúde crônicos.

                No trabalho do Dr. Stone há um foco principal no pólo negativo. Á energia sempre se move em ciclos. E no campo negativo do ciclo que problemas de resistência, tensão e eliminação represam o fluxo emanando do centro.

                Uma chave para a Terapia da Polaridade é trabalhar com a eliminação física e emocional no corpo/ mente. Um foco principal é o trabalho com o campo negativo do períneo e da pélvis para liberar tensões crônicas e emoções não expressas para restaurar a eliminação saudável.

                A Terapia da Polaridade apresenta uma grande variedade de técnicas que focam no equilíbrio do elemento Água. Elas incluem protocolos simples, fáceis de serem seguidos, listados na tabela Técnicas para equilibrar o elemento Água.

Equilibrando o elemento Terra

                A Terra rege a finalização, os limites e a forma no corpo.

                O pólo positivo da tríade da Terra é o pescoço, que rege o corpo etéreo e sua precipitação nos limites gerais do torso;

               O cólon, que rege a discriminação e os limites entre o que sustenta o corpo e o refugo, levando para dentro e jogando para fora; os joelhos, que rege a forma do esqueleto, onde tudo se prende; e também as bases emocionais.

              A Terra se relaciona com questões de limites, autoproteção e sobrevivência. Quando em excesso, o elemento Terra se manifesta como imaginação e intuição limitadas; resistências e defesas; inércia; medo; invulnerabilidade; paranóia; reserva excessiva; falta de confiança; e apego à Terra. Quando contraída, a Terra se manifesta como problemas de limitação: sensibilidade excessiva; dúvidas a respeito de si mesmo ou excesso de confiança; vulnerabilidade excessiva; ficar na defensiva; ou ansiedade.

                Quando em equilíbrio, o elemento Terra é fixador, encorajador, estável, com os pés no chão e prático; com limites claros, paciência, perseverança e coragem.

                As pessoas em quem predomina o elemento Terra têm, com frequência, o controle do plano físico. A inércia da Terra pode levar à preguiça, apego à rotina e falta de imaginação.

                Tamas guna, a força da contração, rege o elemento Terra. Qualquer forma de contração física, mental e emocional — tem a predominância da Terra. Inércia, rigidez, distanciamento e mente fechada são sintomas de um desequilíbrio do elemento Terra.

                As emoções do medo e coragem são regidas pela Terra. Quando os limites são ameaçados, o medo se manifesta e as primeiras reações de sobrevivência do chacra são estimuladas. O medo crônico pode nos manter fora do corpo e incapazes de estar presentes e fixados. “O elemento Terra governa as reações de medo.

                Reações de medo comuns são: tremor nos joelhos; intestinos descontrolados e pescoço rijo. Se você já passou por um terremoto de grande escala, quando o chão é literalmente tirado debaixo de seus pés, você pode ter experimentado algumas dessas reações da Terra.

               Na vida diária o medo pode manifestar sintomas corporais através de um cólon espástico, colite, diarréia, rigidez no pescoço e joelhos fracos, com tendência a ferimentos.

                Tamas guna rege as correntes de retorno — movendo-se de baixo para cima e de fora para dentro — que regem a estrutura no corpo e o sistema muscular-esquelético.

                Esse padrão de ressonância tem sua base nos calcanhares, no sacro e occipício. Reações profundas geralmente resultam do equilíbrio das energias, que trabalha com esses princípios.

               A Terapia da Polaridade apresenta uma grande variedade de técnicas que focam no equilíbrio do elemento Terra. Elas incluem protocolos simples, fáceis de serem seguidos, listados na tabela Técnicas para equilibrar o elemento Terra.

A Terapia Flora, os Chacras e os Elementos

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                Os florais podem atingir níveis elevados da nossa anatomia sutil. Todas as essências florais trabalham os quatro elementos (Terra, Fogo, Água e Ar) – embora algumas tenham predomínio de um determinado elemento.

                O corpo humano contém em si milhares de “pontos de energia”. Existe, contudo, centros maiores, onde a energia se concentra, denominados chacras.

                Os chacras são na realidade “vórtices de energia”. Cada um deles tem relação com glândulas ou pontos vitais do corpo físico e também com um determinado elemento. São eles:

CHACRA BÁSICO ou Muladhara (Chakra da raíz)

Localização: Base da espinha

Mantra: Lam

Pétalas: 4

Côr: Vermelho

Elemento: Terra

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                Localizado no Plexo Sacral, na altura do cóccix. Relaciona-se as Glândulas Supra Renais ao esqueleto e a linfa. É onde nasce a Kundalini – a energia da vida que sobe pela coluna.

                Corresponde ao elemento Terra.

                O elemento terra está relacionado com a nossa Natureza a nossa sustentação – nossa postura perante o mundo – nosso instinto de preservação.

                No sistema inglês Florais de Bach, existem essências estruturais que são de extrema valia para trabalhar o elemento terra, e conseqüentemente o chacra a ele relacionado: Wild Oat – Crap Apple – Centaury – Beech – Hornbean – Mimulus – Gentian – Willow –Chestnut Bud – Rock Water.

CHACRA SEXUAL ou Swadhistana (Chakra das emoções)

Localização: Abaixo do umbigo

Mantra: Vam

Pétalas: 6

Côr: Laranja

Elemento: Água

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                Localizado no Plexo Lombar, corresponde a área de nossas gônadas, nosso sistema reprodutor. Relaciona-se com o elemento Água.

                O elemento água está relacionado com o “fluir da vida”, aos nossos sentimentos e sensações. Os Florais de Bach que atuam com mais propriedade nesse elemento são: Agrimony – Aspen – Water Violet – Wild Rose – Cherry Plum – Gorse – Star of Bethlehem

CHACRA UMBILICAL  ou Manipura (Chakra do Plexo Solar)

Localização: Umbigo

Mantra: Ram

Pétalas: 10

Côr: Amarelo

Elemento: Fogo

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               Localizado na altura do Plexo Solar. Trabalha o nosso sistema digestório, nossa pele, músculos. A glândula correspondente é o pâncreas.

              Está relacionado ao elemento Fogo. O elemento fogo está relacionado ao nosso sangue e aos nossos processos transformação, ao como nos colocamos no mundo, a nossa AÇÃO. Os Florais de Bach que mais atuam no elemento fogo são:  Holly – Honeysuckle – Vine – Sweet Chestnut – Vervain – Mustard – Rock Rose –Impatiens – Heather – Elm.

CHACRA CARDÍACO ou Anahata (Chakra do Coração)

Localização: Coração

Mantra: Yam

Pétalas: 12

Côr: Verde

Elemento: Ar

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                Localizado no Plexo Cardíaco. A glândula correspondente é o Timo. Rege o nosso sistema imunológico, a respiração e a circulação (sistema cardio-respiratório). Está relacionado ao elemento Ar.

                O elemento ar trabalha o nosso Pensamento – o movimento de interiorização e exteriorização psíquica. Os Florais de Bach que atuam no elemento Ar são:  Pine – Olive – White Chestnut – Red Chestnut – Walnut – Clematis – Cerato –Scleranthus – Larch – Rescue Remedy.

CHACRA LARÍNGEO ou Vishuda (Chakra da garganta)

Localização: Garganta

Mantra: Ham

Pétalas: 16

Côr: Azul claro

Elemento: Éter

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              Localizado na altura do Plexo Cervical. A glândula correspondente é a Tireóide (e as paratireóides). Rege o nosso metabolismo. O chacra laríngeo tem ligação com o nosso modo de expressão no mundo – a palavra. Conseqüentemente trabalha também a criação. Na Bíblia – Gênesis – que quer dizer criação. No princípio era o Verbo – e o Verbo disse: “Faça-se a Luz!” e a Luz se fez…

                O Chacra laríngeo está relacionado ao elemento Éter. O éter ou Akasha é o elemento que contém em si todos os outros elementos. Relaciona-se com a nossa exteriorização através da fala e também aos nossos processos criativos. (Eu tive uma professora que dizia que a palavra criatividade seria: “Cria a vida em ti em qualquer idade” – eu nunca me esqueci disso). Podemos então relacionar alguns florais do sistema Bach ao elemento éter, atuando através de outros elementos: Rescue Remedy (éter+os 4 elementos) – Heather ( éter/fogo) – Agrimony e Water Violet (éter/água) – Larch e Cerato (éter/ar) – Centaury (éter/terra)

Obs: Existem outros florais, de outros sistemas que trabalham magnificamente o chacra laríngeo – a comunicação e a expressão criativa, de forma mais específica dentro de cada quadro apresentado pelo paciente. Os florais acima mencionados são apenas uma ilustração sobre a possibilidade quase infinita de unir-se o trabalho com os chacras e a terapia com os florais.

CHACRA FRONTAL ou Ajna (Chakra da intuição)

Localização: Ponto entre as sobrancelhas

Mantra: Om

Pétalas: 2

Côr: Índigo

Elemento: Todos os elementos

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               Localizado na altura do Plexo Carotídeo. A glândula correspondente é a hipófise (ou pituitária), que controla todo o nosso sistema endócrino. É o chacra da nossa Sabedoria Interior e relaciona-se com a nossa visão, tanto física como metafísica.

                Para um trabalho inicial com este chacra, eu sugiro os florais Cerato (éter/ar) e Chestnut Bud (éter/terra) do sistema Bach, embora florais como Califórnia Poppy , Lotus , Angélica, Queen´s Anne Lace, Black-Eyed Susan, Shasta Daisy, Star Tulip , do sistema Californiano, bem como alguns florais do sistema Minas (Luceris por exemplo) e muitos outros do Sistema Australiano, dos Florais do Alasca, do Sistema Saint Germain; mostram excelentes resultados, dependendo da causa do bloqueio no referido centro energético.

CHACRA CORONÁRIO ou Sahasrara (Chakra da coroa)

Localização: No topo da cabeça

Mantra: Aum

Pétalas: 1000

Côr: Violeta

Elemento: Todos os elementos

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               É o chacra que se localiza no topo da nossa cabeça, na altura da glândula Pineal (ou epífise), a glândula receptadora e controladora da Luz que entra em nosso corpo. É o ponto de contato do nosso eu interior com o nosso eu superior. O floral Gentian (o éter atuando no elemento terra, ou seja o céu na terra) do sistema Bach é indicado para o coronário. Curiosidade: As flores do Floral de Bach Gentian – (Gentiana Amarella, por causa da raiz amarelada) – tem uma coloração que vai do violeta azulado ao violeta púrpura e só brotam se a planta for muito exposta à Luz.

http://dharmadhannyael.blogspot.com.br/2012/06/chakras-elementos-fogo-agua-terra-ar.html

http://padmashanti.blogspot.com.br/2012/01/terapia-floral-os-chacras-e-os.html

http://www.oficinadeconsciencia.com.br

CURIOSIDADES NOS ANIMES:

 http://pt-br.naruto.wikia.com/wiki/Transforma%C3%A7%C3%A3o_da_Natureza

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