Zeitgeist

· Sabedoria

INDICE

ÍNDICE

PARTE-1 – NATUREZA HUMANA
É GENÉTICO
DOENÇAS
COMPORTAMENTO
ESTUDO DE CASOS
Vícios
O mito
Ambiente
Pré-natal
Infância
Memória
Toque
Primeira Infância
CULTURA
NATUREZA HUMANA
PARTE-2 – PATOLOGIA SOCIAL
O MERCADO
BEM-VINDOS À MÁQUINA
A ANTI ECONOMIA
O DISTÚRBIO NO SISTEMA DE VALORES
OS “ECONOMISTAS”
SISTEMA MONETÁRIO
SAÚDE PÚBLICA
PARTE-3 – ECONOMIA BASEADA EM RECURSOS
ECONOMIA BASEADA EM RECURSOS
TECNOLOGIA
VÍTIMAS DA CULTURA
PARTE-4 – ASCENSÃO
ASCENSÃO
COMPORTAMENTO INACEITÁVEL

“NUMA SOCIEDADE DECADENTE, A ARTE… SE VERDADEIRA, DEVE TAMBÉM

REFLETIR ESSA DECADÊNCIA.

E A MENOS QUE ELA DESEJE TRAIR SUA FUNÇÃO SOCIAL, A ARTE DEVE MOSTRAR O MUNDO COMO MUTÁVEL.

E AJUDAR A MUDÁ-LO.”

Ernst Fischer

Revoltas violentas contra o plano do Governo para evitar calotes…

É que o desemprego continua a aumentar e continuará assim porque há uma oferta excessiva de bens de consumo…

São empréstimos… e esta dívida está retida em bancos estrangeiros…

D- I-N-H-E-I-R-O na forma de um conveniente empréstimo pessoal…

cigarro com filtro que não altera o sabor…

Licor de malte “Colt 45″…

Você é sexy?

Os EUA planejam bombardear o Irã… os EUA estão financiando ataques terroristas no Irã…

INTRODUÇÃO

Minha avó era uma pessoa maravilhosa.

Ela me ensinou a jogar Banco Imobiliário.

Ela entendia que o objetivo do jogo é comprar.

Ela acumulava tudo o que podia e sempre acabava dominando o tabuleiro.

E depois ela sempre me dizia a mesma coisa.

Ela olhava para mim e dizia:

“Um dia você vai aprender a jogar o jogo”.

Num verão, eu joguei quase todos os dias, o dia inteiro e então aprendi a jogar o jogo.

Compreendi que a única forma de ganhar é se comprometendo totalmente à aquisição.

Aprendi que o dinheiro e as posses são as formas de continuar pontuando.

Ao final daquele verão, tornei-me mais impiedoso que minha avó.

Estava pronto para dobrar as regras para ganhar o jogo.

Naquele outono, me sentei para jogar com ela.

Tomei tudo que ela tinha.

Eu a observei… entregar seu último dólar e desistir em completa derrota.

E então ela tinha algo a mais para me ensinar.

Então ela disse…

“Agora tudo volta para a caixa. Todas aquelas casas e hotéis. Todas as ferrovias e utilidades públicas. Todas as propriedades e todo esse dinheiro maravilhoso. Agora tudo volta para a caixa. Nada disso era realmente seu. Você se empolgou muito com isso por um tempo. Mas tudo já estava aqui muito antes de você se sentar à mesa e continuará aqui depois de você ir embora… jogadores vem e vão. Casas e carros… Títulos e roupas… até o seu corpo”. Porque o fato é que tudo que eu pego, consumo e guardo voltará para a caixa e irei perder tudo. Então você precisa se perguntar quando finalmente receber a melhor promoção quando fizer a melhor compra quando comprar a melhor casa quando tiver segurança financeira e subido a escada do sucesso até o degrau mais alto que você pode alcançar… E a emoção acabar, e ela vai acabar… “E depois?” Quão longe você precisa seguir nesta estrada até perceber aonde ela leva. Certamente você entende que nunca será o bastante. Portanto, você precisa é perguntar: O que importa?”

“ELES SÃO SEXY! ELES SÃO RICOS! E ELES SÃO MIMADOS! O PROGRAMA Nº1 DOS EUA ESTÁ DE VOLTA!”

Quando eu era um jovem… crescendo na cidade de Nova lorque me recusei a jurar lealdade à bandeira. Obviamente, fui mandado para a sala do Diretor.

E ele me perguntou: “por que não quer fazer o juramento?” “Todos fazem”.

Respondi que todos já acreditaram que a Terra era plana… mas que isso não a tornava plana. Expliquei que os EUA deviam tudo o que tinham à outras culturas e outras nações… e que eu preferiria fazer juramento à Terra e a todos os seus habitantes.

Nem preciso dizer que não demorou para eu sair da escola completamente.

Montei um laboratório em meu quarto. Lá comecei a aprender sobre ciência e natureza.

Percebi, então… que o Universo é regido por leis e que o ser humano, junto com a sociedade em si, não estava livre destas leis.

Veio então a crise de 1929, que iniciou o que hoje chamamos de “A Grande Depressão”.

Eu achava difícil de entender porque milhões estavam desempregados, sem teto, passando fome enquanto todas as fábricas estavam lá paradas.

Os recursos seguiam os mesmos. Foi então que percebi que as regras do jogo econômico eram inerentemente inválidas.

Logo depois, veio a 2ª Guerra Mundial  onde várias nações revezavam-se destruindo sistematicamente umas às outras.

Eu depois calculei que toda a destruição e recursos desperdiçados naquela guerra poderiam ter facilmente satisfeito todas as necessidades da humanidade.

Desde então, tenho observado a humanidade preparar a sua própria extinção.

Vi os recursos preciosos e finitos serem continuamente desperdiçados e destruídos em nome do lucro e do livre mercado.

Vi os valores da sociedade serem reduzidos a uma artificialidade baixa de materialismo e consumo irracional e vi o poder monetário controlar a estrutura política de sociedades

supostamente livres. Hoje, tenho 95 anos e receio que minha postura seja a mesma de 75 anos atrás. Essa merda precisa acabar.

Jacque Fresco – Engenheiro Social – Idealizador do Projeto Zeitgeist

ZEITGEIST – O FUTURO É AGORA

“NUNCA DUVIDE QUE UM PEQUENO GRUPO DE CIDADÃOS PRESTATIVOS E RESPONSÁVEIS POSSA MUDAR O MUNDO.

NA VERDADE, É ASSIM QUE TEM ACONTECIDO SEMPRE.”

Margaret Mead

PARTE-1 – NATUREZA HUMANA

Então, você é um cientista e à certa altura, martelam na sua cabeça o inevitável…

“natureza versus criação”

E que é mais ou menos como a disputa entre Coca-cola e Pepsi ou “Gregos versus Troianos”.

A “natureza versus criação” é, a esta altura… uma visão completamente simplificada de onde as influências estão. Influências no modo como as células lidam com uma crise de energia ou até com o que nos molda nos níveis mais individuais de personalidade.

Temos essa dicotomia completamente falsa construída em torno da “natureza humana”

como determinante na base de toda a causalidade.

A vida é DNA e o código dos códigos e o Santo Graal, e tudo é guiado por ele… e na outra extremidade, uma perspectiva muito mais sociocientífica onde somos “organismos sociais”

e que Biologia é para micetozoários.

Os seres humanos não dependem da Biologia e, obviamente, ambas visões são absurdas.

Em vez disso, vemos que é praticamente impossível compreender como a Biologia funciona fora do contexto ambiental.

É GENÉTICO

Uma das idéias mais frustrantes, ainda que difundida e potencialmente perigosa é:

“Ah, aquele comportamento é genético”.

O que isso significa?

Significa todo tipo de sutileza se você sabe sobre Biologia moderna, mas para a maioria das pessoas, acaba significando uma visão determinista da vida, que têm suas raízes na Biologia e na genética, em que genes representam coisas imutáveis e inevitáveis… e que talvez não valha a pena gastar recursos tentando consertá-las, nem usar as forças da sociedade tentando… melhorá-las, já que são inevitáveis e imutáveis…

e isto é… totalmente absurdo.

Dr. Robert Sapolsky – Professor of Neurological Sciences, Stanford University

DOENÇAS

É amplamente aceito que doenças como TDAH são programadas geneticamente, assim como distúrbios como a esquizofrenia. A verdade é o oposto. Nada é programado geneticamente.

Existem doenças raríssimas, muito pouco, representadas de forma muito dispersa na população que são mesmo determinadas geneticamente.

A maioria das doenças complexas talvez tenha uma predisposição com um componente genético mas predisposição não é o mesmo que predeterminação.

Toda a pesquisa sobre a causa das doenças no genoma estava condenada ao fracasso antes

mesmo de alguém pensar nisto, porque a maior parte das doenças não é predeterminada geneticamente.

Doenças cardíacas, câncer, derrames, reumatismo, doenças autoimunes em geral, distúrbios mentais, vícios… nada disto é geneticamente determinado.

Por exemplo, a cada 100 mulheres com câncer de mama apenas 7 carregam os genes de câncer. 93 não.

E de 100 mulheres que têm os genes nem todas terão câncer.

Dr Gabor Mate – Physician, Author Portland Society

COMPORTAMENTO

Genes não são apenas coisas que fazem nos comportarmos de maneira específica independente do ambiente.

Os genes nos proporcionam formas diferentes de reagir ao ambiente.

E, na realidade, parece que algumas das primeiras influências na infância e o modo de criar os filhos afetam a expressão genética, ligando e desligando diferentes genes, para mudar nossa linha de desenvolvimento para uma que seja compatível com o tipo de mundo em que vivemos.

Richard Wilkinson – Professor Emeritus of Social Epidemiology, University of Nottinghan

Por exemplo: Um estudo realizado em Montreal com vítimas de suicídio verificou as autopsias dos cérebros dessas pessoas e constatou-se que, se uma vítima de suicídio, geralmente adultos jovens… tivesse sofrido abuso quando criança, esse abuso teria provocado uma mudança

genética no cérebro inexistente nos cérebros de pessoas que não sofreram abusos.

Isso é um efeito epigenético. “Epi” significa “no topo de”, portanto… influência epigenética

é o que acontece no ambiente e que ativa ou desativa certos genes.

Dr Gabor Mate – Physician, Author Portland Society

Na Nova Zelândia, realizou-se um estudo numa cidade chamada Dunedin envolvendo alguns milhares de indivíduos, do nascimento aos 20 anos de idade.

Eles descobriram que conseguiam identificar uma mutação genética, um gene anormal que tinha alguma relação com a predisposição à violência, mas somente se o indivíduo também tivesse sido severamente abusado na infância. Em outras palavras, uma criança com este gene anormal não está mais propensa que as outras a ser violenta e, na realidade, elas tinham um índice de violência menor que o de pessoas com genes normais, contanto que não fossem abusadas na infância.

Dr James Gilligan – Former Director: Center for the Study of Violence Harvard Medical School

Mais um grande exemplo das formas em que os genes não são uma coisa definitiva:

Uma técnica curiosa, na qual você pode retirar um gene específico de um camundongo, de modo que ele e seus descendentes não o tenham mais. Você “extinguiu” aquele gene. Existe um gene responsável pela codificação de uma proteína relacionada à aprendizagem e à memória e, com esta incrível demonstração, você “extingue” o gene e o seu camundongo já não conseguirá mais aprender. “Oh! Uma base genética para a inteligência!” O que foi ainda mais desprezado neste memorável estudo que foi divulgado pela mídia por toda parte,

é pegar os camundongos geneticamente deficientes e criá-los num ambiente muito mais  rico e estimulante que uma gaiola comum de laboratório, onde eles superam completamente

essa deficiência. Portanto, quando alguém diz, num sentido atual “ah, este comportamento é genético”, considerando que essa frase seja mesmo válida, quer dizer que existe uma contribuição genética de como este organismo reage ao ambiente; os genes podem influenciar a prontidão com que cada organismo lidará com dado desafio do ambiente.

Não é esta a versão que a maioria das pessoas tem em mente e não quero fazer um “discurso extravagante”, mas aceite a velha versão de “isto é genético” e não estará muito longe da história da eugenia e coisas do tipo. É um equívoco muito disseminado e potencialmente perigoso.

Dr. Robert Sapolsky – Professor of Neurological Sciences, Stanford University

Um motivo pelo qual a explicação biológica para a violência…

Um motivo pelo qual essa hipótese é perigosa, não apenas equivocada, ela realmente pode

ser prejudicial… é que se você acredita mesmo nisso, pode facilmente dizer:

“Bem, não há nada que possamos fazer para mudar a predisposição que as pessoas têm em

se tornar violentas. Tudo o que podemos fazer é puni-las, prendê-las ou executá-las.

Mas não precisamos nos preocupar em mudar o ambiente ou as condições sociais prévias que podem tornar as pessoas violentas porque isso é irrelevante”.

Dr James Gilligan – Former Director: Center for the Study of Violence Harvard Medical School

A explicação genética nos dá o luxo de ignorar o passado e o presente de fatores históricos e sociais e, como disse Louis Menand, que escreveu na revista The New Yorker de forma muito perspicaz:

“‘Está tudo nos genes’ é uma explicação para nossa condição atual que não ameaça nossa condição atual. Por que alguém deveria se sentir triste ou praticar um comportamento antissocial quando vive na nação mais livre e próspera da face da Terra? Não pode ser o sistema. Deve haver uma falha interna em algum lugar”.

O que é uma boa maneira de transmitir a ideia. Portanto, o argumento genético é só um pretexto para ignorar os fatores sociais, econômicos e políticos que estão por trás de muitos comportamentos problemáticos.

Dr Gabor Mate – Physician, Author Portland Society

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ESTUDO DE CASOS

Vícios

Vícios são geralmente considerados uma questão relacionada às drogas.

Mas olhando de maneira mais ampla, eu defino vício como qualquer comportamento que esteja associado à ansiedade por um alívio temporário, com conseqüências negativas a longo prazo, junto com a perda do controle sobre isso, de modo que a pessoa quer largar ou promete fazê-lo, mas não consegue.

Quando você compreende isso, nota que… há muito mais vícios que os relacionados às drogas.

Há o vício em trabalhar… em comprar… o vício em internet, em jogos eletrônicos… Há o vício no poder. Pessoas que têm poder, mas que… desejam mais e mais. Nada nunca é suficiente para elas. Na aquisição: Corporações que precisam possuir mais e mais. O vício no petróleo ou pelo menos na riqueza e nos produtos que nos são acessíveis pelo petróleo.

Olhe para as conseqüências negativas no meio ambiente. Nós estamos destruindo nosso planeta por causa desse vício. Esses vícios são muito mais devastadores em suas conseqüências sociais que o uso de cocaína ou heroína de meus pacientes em Downtown Eastside. Ainda assim, eles são recompensados e considerados respeitáveis.

O executivo da empresa de tabaco que mostra lucros mais altos irá receber uma recompensa muito maior. Ele não enfrenta nenhuma conseqüência negativa legal ou de outros tipos. Na verdade, ele é um membro respeitado da diretoria de várias outras corporações.

Porém, doenças relacionadas ao fumo matam 5 milhões e meio de pessoas ao redor do mundo a cada ano.Nos EUA, matam 500 mil por ano. E essas pessoas são viciadas em que? Em lucro. Viciadas a tal ponto que se recusam a reconhecer os impactos de suas atividades, o que é típico de viciados: A negação. Esse vício é respeitável. É respeitável… ser viciado no lucro a todo custo. Portanto, o que é aceitável e respeitável na nossa sociedade são coisas altamente arbitrárias e parece que quanto maior o dano, mais respeitável é o vício.

Dr Gabor Mate – Physician, Author Portland Society

O mito

Há um mito comum de que as drogas em si são viciantes. Na verdade, a guerra contra as drogas se baseia na idéia de que proibindo a fonte das drogas, você poderá lidar com a dependência. Se considerarmos o vício no sentido mais amplo veremos que nada é viciante em si. Nenhuma substância, nenhuma droga é por si só viciante e nenhum comportamento é por si só, viciante. Muitas pessoas podem fazer compras sem se tornar viciadas em compras. Nem todo mundo se torna um viciado em comida. Nem todo mundo que bebe um copo de vinho torna-se alcoólatra.

Então, a questão real é o que torna as pessoas suscetíveis porque é a combinação de um indivíduo suscetível com as substâncias ou comportamentos potencialmente viciantes, que contribuem para o pleno desenvolvimento da dependência.

Em suma, não é a droga que vicia e sim a questão da suscetibilidade do indivíduo em ser viciado em dada substância ou comportamento.

Dr Gabor Mate – Physician, Author Portland Society

Ambiente

Se quisermos entender o que torna algumas pessoas suscetíveis, teremos de considerar a experiência de vida. A velha idéia… antiga, mas ainda amplamente aceita, de que os vícios devem-se a uma causa genética, é cientificamente insustentável. Na realidade, são certas experiências de vida que tornam as pessoas suscetíveis. As experiências de vida não só moldam a personalidade da pessoa e suas necessidades psicológicas, como também seu cérebro de maneiras específicas.

Esse processo começa no útero.

Dr Gabor Mate – Physician, Author Portland Society

Pré-natal

Foi demonstrado, por exemplo, que se uma mãe sofrer estresse durante a gravidez, seus filhos terão maiores chances de adquirir características que os tornarão propensos a vícios.

Isso ocorre porque seu desenvolvimento é moldado pelo ambiente psicológico e social.

Portanto, a biologia dos seres humanos é muito afetada e programada pelas experiências de vida desde o útero.

O ambiente não começa no nascimento. O ambiente começa logo que você tem um ambiente. Assim que você é um feto, está sujeito a qualquer Hormônios, níveis de nutrientes…

Um memorável exemplo disto é a chamada “Fome Holandesa de 1955”. Em 1955, os nazistas ocuparam a Holanda e, por vários motivos, decidiram pegar toda a comida e enviar para a Alemanha. Por 3 meses, o povo de lá ficou faminto e dezenas de milhares de pessoas morreram de fome. O efeito da “Fome Holandesa” é: Se você fosse um feto no 2º ou 3º trimestre durante a fome, seu corpo “aprenderia” algo único nesse período. Ocorre que é no 2º e 3º trimestre que seu corpo está tentando aprender sobre o ambiente.

O quão ameaçador é lá fora? O quão abundante? Quantos nutrientes estou recebendo pela circulação de minha mãe? Seja um feto faminto durante esse período e seu corpo será programado para ser sempre muito mesquinho com os açúcares e gorduras e você acabará armazenando cada porção deles. Seja um feto da “Fome Holandesa” e meio século depois, com todo o resto igual, você será mais propenso a ter pressão alta, obesidade ou síndrome metabólica. É o ambiente agindo num local inesperado.

Dr. Robert Sapolsky – Professor of Neurological Sciences, Stanford University

Você pode estressar fêmeas grávidas em laboratório e sua prole terá uma tendência maior a usar cocaína e álcool, quando adultos.

Você pode estressar grávidas. Por exemplo, um estudo britânico, mostra que mulheres abusadas na gravidez têm um nível maior do hormônio cortisol em suas placentas durante o parto e seus filhos são mais propensos a condições que os tornarão predispostos a vícios por volta dos 7… 8 anos.

Assim, no útero, o estresse já prepara o terreno para todo tipo de problemas de saúde mental. Um estudo israelense realizado em crianças nascidas de mães que estavam grávidas antes do início da guerra em 1967…

Estas mulheres, claro, estavam muito estressadas e seus filhos tiveram uma maior incidência de esquizofrenia em relação ao grupo médio. Portanto, hoje há bastante evidência de que os efeitos do pré-natal têm um enorme impacto no desenvolvimento humano.

Dr Gabor Mate – Physician, Author Portland Society

Infância

O detalhe do desenvolvimento humano particularmente do desenvolvimento do cérebro humano… é que este ocorre na maior parte sob o impacto do ambiente e após o nascimento.

Ao nos compararmos ao cavalo que consegue correr no primeiro dia de vida vemos que somos pouco desenvolvidos. Não conseguimos reunir tanta coordenação neurológica, equilíbrio, força muscular e acuidade visual até um ano e meio ou dois de idade. Isto porque o desenvolvimento do cérebro no cavalo acontece na segurança do útero. Já no homem, precisa ocorrer depois do nascimento. Isso tem a ver com uma simples lógica evolucionária. Conforme a cabeça cresce, que é o que nos faz humanos… o desenvolvimento do cérebro anterior é o que cria a espécie humana, na prática… ao mesmo tempo, andamos sobre duas pernas, fazendo a pélvis se estreitar para se adaptar a isso. Ficamos então com uma pélvis mais estreita, uma cabeça maior e bingo: Precisamos nascer prematuramente. E isso significa que o desenvolvimento cerebral, que em outros animais ocorre no útero, ocorre em nós depois do nascimento e em grande parte sob o impacto do ambiente.

O conceito de darwinismo neural significa que os circuitos que recebem do meio a informação apropriada vão se desenvolver da melhor forma, e os que não recebem, ou se desenvolverão mal, ou nem mesmo se desenvolverão. Se você pegar um bebê com olhos perfeitamente funcionais e colocá-lo num quarto escuro por 5 anos, ele ficará cego pelo resto da vida, já que o circuito visual requer luz para se desenvolver, e sem esta luz, até mesmo os circuitos básicos presentes e ativos no nascimento vão se atrofiar e morrer, e novos circuitos não se formarão.

Dr Gabor Mate – Physician, Author Portland Society

Memória

Há uma maneira significativa pela qual experiências na infância influenciam o comportamento adulto, até mesmo, e particularmente, as primeiras experiências, das quais não há recordações. Ocorre que há 2 tipos de memória: A memória explícita, que é a recordação, pela qual você se recorda de fatos, detalhes, episódios e circunstâncias.

Mas a estrutura cerebral chamada hipocampo, que codifica as lembranças, não começa a se desenvolver antes de um ano e meio e não se desenvolve por completo até muito depois.

É por esta razão que quase ninguém possui nenhuma recordação de antes dos 18 meses.

Mas há um outro tipo de memória, chamada memória implícita, que na verdade é uma memória emocional, na qual o impacto emocional e a interpretação da criança das experiências emocionais é impregnada no cérebro na forma de circuitos nervosos prontos para disparar sem uma recordação específica.

Um exemplo claro disso: Pessoas que foram adotadas, muitas vezes sentem por toda a vida um sentimento de rejeição. Elas não se recordam da adoção. Elas não se recordam da separação da mãe biológica porque não há o que recordar. Mas a memória emocional de separação e rejeição está profundamente enraizada em seus cérebros.

Assim, elas são muito mais propensas a experimentar um sentimento de rejeição e uma grande perturbação emocional quando se vêem rejeitadas, do que as outras pessoas.

E isso não vale só para pessoas adotadas, mas tem um efeito mais forte nelas por causa desta função da memória implícita. Com base em toda a literatura e na minha experiência, os dependentes mais compulsivos são aqueles que foram consideravelmente abusados quando crianças ou sofreram perdas emocionais graves.

Suas memórias emocionais ou implícitas são aquelas de um mundo inseguro e não favorável, de cuidadores nos quais não podiam confiar e relacionamentos inseguros demais para se abrirem totalmente a eles e, portanto, suas reações tendem a ser as de se manterem distantes de relacionamentos muito íntimos… não confiam em cuidadores, médicos e outras pessoas que tentam ajudá-los e geralmente vêem o mundo como um lugar inseguro… e isso é precisamente uma função da memória implícita o que ás vezes tem a ver com incidentes que eles sequer lembram.

Dr Gabor Mate – Physician, Author Portland Society

Toque

 Bebês que nascem prematuros ou muitas vezes em incubadoras e vários tipos de aparelhos e máquinas por semanas e talvez até meses…

Sabe-se agora que, se estas crianças forem tocadas e acariciadas nas costas por apenas 10min por dia, estimula-se seus desenvolvimentos cerebrais.

Portanto, o toque humano é essencial para o desenvolvimento e, na verdade, as crianças que nunca são pegas no colo tendem a morrer.

Isso demonstra o quão fundamental é a necessidade do ser humano em ser tocado.

Na nossa sociedade há uma infeliz tendência de dizer aos pais para não pegarem seus filhos, não segurá-los, de não abraçar os bebês que choram por medo de mimá-los ou que para encorajá-los a dormir durante a noite você não deve abraçá-los… o que é justamente o oposto do que a criança necessita.

Essas crianças podem voltar a dormir pelo cansaço e seus cérebros se desligam como um modo de se defender da vulnerabilidade de serem abandonados pelos pais.

Mas suas memórias implícitas serão de que o mundo não lhes dá a mínima.

Dr Gabor Mate – Physician, Author Portland Society

Primeira Infância

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 Muitas dessas diferenças são definidas muito cedo.

De certo modo, a experiência dos pais nas adversidades, sobre o quão difícil ou fácil a vida pode ser é passada aos filhos, seja por meio da depressão materna ou quando os pais estão bravos com seus filhos porque tiveram um dia ruim ou por estarem muito cansados ao final do dia…

Isso tem um poderoso efeito programador no desenvolvimento das crianças, pelo que já conhecemos agora.

Mas essa sensibilidade prematura não é apenas um erro evolucionário.

Ela existe em muitas espécies diferentes, mesmos em plantas há um processo prematuro de adaptação ao tipo de ambiente em que estão se desenvolvendo.

Mas nos humanos a adaptação se dá na qualidade das relações sociais.

Assim, no início da vida: Quanto estímulo, quantos conflitos, quanta atenção se tem, isto é uma “prova” do tipo de mundo em que você poderá crescer.

Se você cresce num mundo onde precisa lutar para conseguir algo, ficar alerta, cuidar de si mesmo, aprender a não confiar em ninguém…

Ou se cresce numa sociedade onde depende de reciprocidade, mutualidade, cooperação, onde empatia é importante, onde sua segurança depende de boas relações com outros… precisará então de um desenvolvimento emocional e cognitivo muito diferente.

E é disso que se trata a sensibilidade prematura.

A paternidade é quase que inconscientemente um sistema de passagem de experiência para os filhos… do tipo de mundo em que se encontram.

Richard Wilkinson – Professor Emeritus of Social Epidemiology, University of Nottinghan

 O grande psiquiatra infantil britânico, D. W. Winnicott, disse que, essencialmente, 2 coisas podem dar errado na infância. Uma é quando acontecem coisas que não deveriam acontecer, E a outra, quando o que deveria acontecer, não acontece.

Na primeira categoria, estão as experiências dramáticas, abusivas e de abandono de meus pacientes em Downtown Eastside e de muitos viciados.

Isso é o que não deveria acontecer, mas aconteceu.

Mas há também a atenção paterna livre de estresse, sintonizada e sem distração de que toda criança precisa mas poucas recebem.

Elas não são abusadas, não são negligenciadas nem estão traumatizadas.

Mas o que deveria acontecer, a presença estimulante de um casal emocionalmente disposto simplesmente não está disponível para elas por causa do estresse em nossa sociedade e no ambiente familiar.

O psicólogo Allan Schore chama isso de “abandono próximo” quando os pais estão presentes fisicamente mas emocionalmente ausentes.

Dr Gabor Mate – Physician, Author Portland Society

 Eu passei… aproximadamente, os últimos 50 anos da minha vida trabalhando com as mais violentas pessoas criadas pela nossa sociedade: Assassinos, estupradores, etc.

Na tentativa de compreender o que causa essa violência, descobri que os criminosos mais violentos em nossas prisões tinham eles mesmos sido vítimas de um grau de abuso infantil que ultrapassou tudo que já pensei em chamar de “abuso infantil”.

Eu não fazia ideia do grau de perversão com que as crianças em nossa sociedade são muitas vezes tratadas. As pessoas mais violentas que vi são sobreviventes de tentativas de assassinato, muitas vezes armadas pelos pais ou outras pessoas em seu meio social ou então são sobreviventes que viram seus familiares mais próximos serem mortos por outras pessoas.

Dr James Gilligan – Former Director: Center for the Study of Violence Harvard Medical School

Buddha defendia que tudo depende de todo o resto. Ele disse: “o UM contém o TODO, e o TODO contém o UM”.

Não se pode compreender nada em isolamento de seu ambiente. A folha contém o sol, o céu e a terra, obviamente. Isto já foi comprovado, é claro. Sobretudo em se tratando do desenvolvimento humano. O termo científico moderno para isso é a natureza biopsicossocial do desenvolvimento humano, que diz que a biologia os seres humanos depende muito da interação com o ambiente social e psicológico.

Especificamente, o… psiquiatra e pesquisador Daniel Siegel da Universidade da Califórnia, LA, UCLA… cunhou a expressão “neurobiologia interpessoal” que quer dizer que a maneira como nosso sistema nervoso funciona depende muito das nossas relações pessoais.

Em primeiro lugar, das relações com nossos pais. Em 2º lugar, com outras pessoas importantes em nossas vidas. E em 3º lugar, com toda a nossa cultura.

Assim, não se pode separar o funcionamento neurológico de seres humanos do ambiente onde foram criados e continuam vivendo.

Isto vale para todo o ciclo de vida. Especialmente durante o desenvolvimento de nossos cérebros, quando estamos vulneráveis. Mas também vale para adultos e idosos.

Dr Gabor Mate – Physician, Author Portland Society

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CULTURA

Seres humanos viveram em quase todo tipo de sociedade.

Desde as mais igualitárias… sociedades de caça e coleta parecem ter sido bastante igualitárias com base na divisão de alimentos, troca de presentes…

Richard Wilkinson – Professor Emeritus of Social Epidemiology, University of Nottinghan

Pequenos grupos de pessoas vivendo principalmente da coleta e um pouco da caça, basicamente entre pessoas que conheceram por toda vida, cercados de primos de 3º grau ou mais próximos. Num mundo no qual há uma grande fluidez entre diferentes grupos, num mundo em que não há muita coisa em termos de cultura material…

Foi assim que os humanos passaram a maior parte de sua história. Naturalmente, isto contribui para um mundo muito diferente.

Uma das consequências, é muito menos violência. A violência grupal organizada não é uma coisa que acontecia naquele período da história humana e isso parece óbvio.

Onde então foi que erramos?

Dr. Robert Sapolsky – Professor of Neurological Sciences, Stanford University

A violência não é universal. Ela não é simetricamente distribuída entre os homens. Há enormes variações no nível de violência em diferentes sociedades. Há sociedades sem praticamente nenhuma violência. Há outras que destroem a si mesmas. Alguns grupos da

religião anabatista são totalmente pacíficos, como os amish, os menonitas, os huteritas… Entre alguns desses grupos, os huteritas, não há registros de homicídio.

Durante as Grandes Guerras, como a 2ª Guerra Mundial, quando as pessoas estavam sendo recrutadas, eles se negavam a servir no Exército. Preferiam ser presos do que servir como militares. Nos kibutzim de Israel o nível de violência é tão baixo que as côrtes criminais de lá muitas vezes enviam infratores violentos, pessoas que cometeram crimes, para viver nos kibutzim, para aprenderem a viver de modo pacífico… porque é assim que as pessoas vivem lá. Portanto, somos amplamente moldados pela sociedade.

Dr James Gilligan – Former Director: Center for the Study of Violence Harvard Medical School

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Nossas sociedades são, num sentido mais amplo, nossas influências teológicas, metafísicas, linguísticas, etc. Elas participam na formação de acharmos ou não que a vida é basicamente pecado ou beleza… se na vida após a morte seremos cobrados pelo modo como vivemos ou se isso é irrelevante.

De maneira geral, diferentes sociedades podem ser consideradas individualistas ou coletivistas, o que gera pessoas muito diferentes, diferentes mentalidades e, suspeito eu, diferentes cérebros como resultado.

Nós, nos EUA, vivemos numa das sociedades mais individualistas, e como o capitalismo é um sistema que nos permite subir cada vez mais alto numa pirâmide em potencial, a questão é que isso surge com cada vez menos segurança. Por definição, quanto mais estratificada a sociedade, menos pessoas iguais teremos, e menor o número destas terem relacionamentos recíprocos e simétricos, e em vez disso, terá apenas posições diferentes e hierarquias sem fim… Um mundo onde você possui poucos parceiros recíprocos é um mundo com muito menos altruísmo.

Dr. Robert Sapolsky – Professor of Neurological Sciences, Stanford University

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NATUREZA HUMANA

Então, isso nos leva a uma situação impossível que é tentar buscar uma lógica na ciência da perspectiva… sobre quanto dessa índole é da natureza humana.

Em certo nível… a essência da nossa natureza não nos torna particularmente limitados por nossa natureza.

Temos mais variabilidade social do que qualquer outra espécie. Mais sistemas de crença, de

estilos de estruturas familiares, de maneiras de criar os filhos. A capacidade de variação que temos é extraordinária. Numa sociedade baseada em competição e, muitas vezes, na

exploração implacável de um ser humano por outro, o ato de lucrar com os problemas alheios e, muitas vezes, a criação de problemas com o propósito de se beneficiar, é um comportamento que a ideologia dominante, muitas vezes justifica apelando a uma natureza

humana fundamental e imutável. Assim, o mito na sociedade é que pessoas são competitivas por natureza, e que são individualistas e egoístas.

A verdadeira realidade é o oposto. Temos certas necessidades humanas. A única maneira de falar concretamente sobre essa natureza é reconhecendo que há certas necessidades humanas. Temos uma necessidade humana de companheirismo e contato íntimo, de sermos amados, conectados e aceitos, de sermos vistos e recebidos por quem somos.

Se essas necessidades são atendidas, evoluímos para pessoas compassivas, cooperativas e empáticas para com os outros.

Então… o oposto, que muitas vezes vemos em nossa sociedade é na realidade, uma

distorção da natureza humana precisamente porque tão poucos têm suas necessidades atendidas. Portanto, sim, podemos falar em natureza humana mas apenas no sentido de

necessidades humanas básicas que são naturalmente incitadas ou, devo dizer, certas

necessidades humanas que levam a certos traços se forem atendidas e a um diferente conjunto de traços se forem negadas.

Então… ao reconhecermos o fato de que o organismo humano, o qual possui bastante

flexibilidade para adaptar-se permitindo-nos sobreviver em varias condições diferentes, é também rigidamente programado para certas exigências ambientais ou necessidades humanas, um imperativo social começa a emergir.

Da mesma forma que nossos corpos precisam de nutrientes, o cérebro humano precisa de formas positivas de estímulo ambiental em todos os estágios do desenvolvimento, ao mesmo tempo que precisa ser protegido das formas negativas de estímulo.

E se o que precisa acontecer, não acontece… ou o que não deveria acontecer, acontece… é evidente que a porta pode ser aberta não apenas para uma porção de doenças mentais e físicas, como também para muitos comportamentos prejudiciais. Assim, ao ampliarmos

nossa perspectiva e tomarmos consciência das atualidades, devemos perguntar: A condição que criamos no mundo moderno está realmente a favor da nossa saúde? A base de nosso

sistema socioeconômico funciona como uma força positiva para o desenvolvimento humano e social e para o progresso? Ou a tendência básica de nossa sociedade está na realidade indo contra os requisitos evolucionários centrais para criar e manter nosso bem-estar pessoal e social?

Dr Gabor Mate – Physician, Author Portland Society

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PARTE-2 – PATOLOGIA SOCIAL

Alguém pode perguntar: “De onde veio isso tudo?”

O que temos hoje é mesmo um mundo em estado de colapso acumulativo.

O MERCADO

Tudo começa com John Locke. Ele introduz o conceito de propriedade, e 3 pré-requisitos para os direitos à privacidade e à propriedade. Os 3 pré-requisitos são:

  • Deve haver excedente suficiente para todos.
  • Você não pode permitir que a propriedade sofra danos.
  • E, acima de tudo, deve integrar seu trabalho a ela.

Parece justo. Você combina sua mão de obra com o mundo e então você tem direito ao produto. Enquanto há excedente suficiente para os outros e enquanto não houver danos e você evitar o desperdício, estará tudo certo. Ele passa um bom tempo em seu famoso tratado sobre Governo, que desde então tem sido o texto canônico para a compreensão econômica, política e legal e ainda é o texto clássico estudado. Depois

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que ele apresenta os pré-requisitos e estamos quase nos perguntando se somos a favor da propriedade privada ou não – ele faz uma defesa muito plausível e convincente da propriedade privada… Ele os abandona! Ele os abandona assim, em apenas uma frase. Ele diz… “uma vez que a introdução dodinheiro veio por um acordo tático entre os homens, tornou-se então… ” Ele não diz que todos os pré-requisitos foram cancelados, mas é isso que acontece. Portanto, agora o produto e sua propriedade não são merecidos por nossa mão de obra. Não, o dinheiro compra mão de obra agora. Não existe mais preocupação se há excedente suficiente para os outros. Não existe mais preocupação se estraga ou não, porque ele diz que dinheiro é como prata e ouro, e ouro não estraga e então o dinheiro não pode ser responsável pelo desperdício… O que é ridículo, não estamos falando de dinheiro e prata, mas de seus efeitos. É uma falsa conclusão atrás da outra. Apenas a mais surpreendente trapaça lógica com a qual sai impune… Mas que serve aos interesses dos detentores do capital. Então, Adam Smith chega e acrescenta a religião disso… Locke começou com: “Deus fez dessa forma”, “Este é o direito de Deus”.

E agora também temos Smith dizendo “Não só de Deus… ” Não é exatamente o que ele diz, mas é o que está acontecendo filosoficamente, em princípio. Ele diz que não é apenas uma questão de propriedade privada. Isso tudo se tornou “pressuposto”, dado como certo. E que existem “investidores em mão de obra”, dado como certo. Não há limites para quanta mão de obra alheia podem comprar, quanto podem acumular, quanta desigualdade… Tudo se tornou “dado como certo”. Então ele aparece com sua grande idéia… E isso é novamente deixado entre parênteses, de passagem… Quando as pessoas põem bens à venda… a oferta… e outras pessoas compram, procuram, etc… como fazemos a oferta equivaler à procura ou a procura equivaler à oferta? Como elas entram em equilíbrio? Uma das idéias centrais da economia é como elas entram em equilíbrio… E ele diz: “É a mão invisível do mercado que as mantém em equilíbrio”.

Então agora temos um “Deus” iminente. Ele não apenas deu direitos à propriedade e todos seus recursos e “direitos naturais” dos quais Locke falou. Agora o sistema em si é “Deus”. Na verdade, Smith diz… E você tem que ler todo o livro… “A Riqueza das Nações” para encontrar esta citação. Ele diz que a escassez dos meios de subsistência dita o limite da reprodução dos pobres e que a natureza não pode lidar com isso, exceto pela eliminação de seus filhos. Ele antecipou a teoria da evolução no pior sentido… E isso bem antes de Darwin. Ele os chamou de “classe de trabalhadores”. Nota-se aí um racismo inerente. Havia uma negligência inerente à vida de matar inúmeras crianças. Ele pensava que essa era a mão invisível fazendo a oferta corresponder à procura e a procura, à oferta. Percebe quão sábio esse “Deus” é? Nota-se que todas essas coisas… hostis, destrutivas e antiecológicas que ocorrem agora, possuem, de certa forma, uma origem lá em Smith também. Quando refletimos sobre o conceito original do chamado “sistema capitalista de livre mercado” tal como introduzido pelos primeiros filósofos economistas, como Adam Smith, vemos que a intenção original de um “mercado” girava… em torno da troca de bens reais tangíveis e que sustentem a vida. Adam Smith nunca imaginou que os setores econômicos mais rentáveis do planeta acabariam na arena do mercado financeiro, os chamados “investimentos”, onde o dinheiro em si é simplesmente adquirido pela movimentação de dinheiro, em um jogo arbitrário que não tem nenhum mérito produtivo para a sociedade. No entanto, apesar da intenção de Smith, a porta para tais adventos anômalos foi deixada aberta por um dos princípios fundamentais desta teoria: O dinheiro é tratado como uma mercadoria, por si só. Hoje, em cada economia do mundo, seja qual for o sistema social alegado, busca-se o dinheiro pelo dinheiro e nada mais. A idéia principal, misteriosamente definida por Adam Smith em sua declaração religiosa sobre a “mão invisível”, é que a busca mesquinha e egoísta desta mercadoria fictícia irá de alguma forma resultar magicamente em bem-estar humano e social e em progresso. Na realidade, o propósito do incentivo monetário, ou aquilo que alguns chamam de “seqüência monetária do valor”, foi agora completamente separado do propósito fundamental da vida, que poderia ser chamado de “seqüência vital do valor”. O que houve foi uma completa confusão na doutrina econômica entre estas 2 seqüências. Pensa-se que a “seqüência monetária do valor” leva à “seqüência vital do valor”, e é por isso que se diz que quando mais bens são vendidos, quando o PIB cresce, etc… há um aumento no bem-estar e poderíamos tomar o PIB como nosso indicador básico de saúde social… Aqui podemos ver a confusão. Fala-se da “seqüência monetária do valor”, ou seja, todas as receitas e rendimentos obtidos da venda de bens, mas confunde-se isso com a reprodução da vida. Assim, nós embutimos nessa coisa, desde o início, uma completa mistura das seqüências monetária e vital do valor. Lidamos com um tipo de delírio estruturado que se torna cada vez mais mortal conforme a seqüência monetária se desconecta da produção de qualquer coisa. Portanto, é um distúrbio no sistema que parece ser fatal.

Dr. John McMurtry – Professor Emeritus Universty of Guelph

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BEM-VINDOS À MÁQUINA

Na sociedade atual, raramente ouve-se alguém falar do progresso de seu país ou sociedade em termos de bem-estar físico, estado de felicidade, confiança ou estabilidade social. Ao contrário, os indicadores nos são apresentados através de abstrações econômicas. Temos o PIB, o índice de preços ao consumidor, o valor do mercado de ações, índices de inflação e por aí vai. Mas isto nos diz algo de valor autêntico quanto à qualidade de vida das pessoas?

Não. Todos esses indicadores têm a ver com a seqüência monetária em si e nada mais. Por exemplo, o produto interno bruto de um país mede o valor de bens e serviços vendidos. Alega-se que esta medida está correlacionada ao “padrão de vida” da população de um país.

Os gastos com saúde nos EUA representaram mais de 17% do PIB em 2009, totalizando mais de 2,5 trilhões e criando assim um efeito positivo neste indicador econômico. Com base nesta lógica, seria ainda melhor para a economia americana que os serviços de saúde crescessem mais – talvez para 3 trilhões ou 5 trilhões de dólares… já que isto iria gerar mais crescimento e mais empregos e seria ostentado pelos economistas como um aumento no padrão de vida de seu país. Mas, espere um minuto. O que de fato representam os serviços de saúde? Bem… Pessoas doentes e morrendo. É isso mesmo: Quanto mais americanos com problemas de saúde, melhor ficará a economia. Isto não é um exagero ou uma perspectiva cínica. De fato, se pararmos para pensar, perceberemos que o PIB não apenas não reflete a verdadeira saúde pública ou social em qualquer nível tangível, ele é, na realidade, um indicador de ineficácia industrial e de degradação social. Quanto mais ele cresce, pior fica a situação em relação à integridade pessoal, social e ambiental. É preciso criar problemas para gerar lucro. No paradigma atual, não há lucro em salvar vidas, manter o equilíbrio do planeta, promover a justiça, a paz, etc. Não há lucro nisso. Existe um ditado antigo: “Aprove uma lei e abrirá um negócio”. Seja criando um negócio para um advogado ou o que for. Portanto, crimes realmente abrem negócios, da mesma forma que a destruição abre negócios no Haiti. Há hoje 2 milhões de encarcerados nos EUA, muitos dos quais estão em prisões dirigidas por empresas privadas… Corrections Corporation of America e Wackenhut… que negociam ações em Wall Street com base no número de presos. Isso sim é doentio.

Michael C. Ruppert – Investigative Journalist

Mas é um reflexo do que este paradigma econômico exige. E o que exatamente esse paradigma econômico exige? O que faz nosso sistema econômico girar? Consumo. Ou, mais precisamente, consumo cíclico. Quando analisamos a base da economia de mercado clássica, nos é apresentado um padrão de troca monetária que simplesmente não podemos deixar que pare ou mesmo desacelere consideravelmente, se a sociedade como a conhecemos quiser se manter funcional. Há 3 atores principais no palco econômico: O empregado, o empregador e o consumidor. O empregado vende mão de obra ao empregador em troca de renda. O empregador vende seus produtos e serviços ao consumidor em troca de renda. E o consumidor, naturalmente, é apenas outro papel do empregador e do empregado, realimentando o sistema para permitir a continuação do consumo cíclico. Em outras palavras, o mercado global se baseia na premissa de que sempre haverá demanda suficiente por produtos numa sociedade para movimentar dinheiro

suficiente a uma taxa que possa manter o processo de consumo. E quanto maior a taxa de consumo, maior o suposto crescimento econômico. E é assim que a máquina funciona…

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Mas, espere aí! Achei que uma economia fosse feita para, sei lá… “economizar”? Não seria esse termo sinônimo de preservação, eficiência e redução do desperdício? Como, então, nosso sistema, que demanda consumo… e quanto mais, melhor… pode eficientemente preservar ou “economizar” qualquer coisa? Bem… não pode. O objetivo do sistema de mercado é justamente o oposto do que uma economia de verdade deveria fazer, que é orientar, com eficiência e conservação, os materiais para a produção e distribuição de bens que sustentam a vida. Vivemos num planeta finito, de recursos finitos onde, por exemplo, o petróleo que utilizamos leva milhões de anos para se formar e os minerais que usamos, bilhões de anos. Ter um sistema que intencionalmente promove a aceleração do consumo, em prol do suposto “crescimento econômico”, é puramente um ecocídio insano. Ausência de desperdício, isso sim é eficiência.

Ausência de desperdício? Este sistema desperdiça mais do que qualquer outro da história do planeta. Cada nível de bio-organização e biossistema está em estado de crise, desafio, declínio… ou de colapso. Nenhuma publicação científica dos últimos 30 anos lhe dirá algo diferente: Todo biossistema está em declínio, assim como os programas sociais e nosso acesso à água. Cite algum meio de vida que não esteja ameaçado… É impossível. Não há mesmo nenhum, o que é absolutamente desesperador. E ainda nem percebemos qual é o mecanismo causal. Não queremos enfrentar o mecanismo causal. Só queremos seguir vivendo. Aí está a insanidade: Continua-se a fazer sempre a mesma coisa apesar de claramente não estar funcionando. Portanto, não lidamos com um sistema econômico, mas, eu me atreveria a dizer, com um sistema antieconômico.

Dr. John McMurtry – Professor Emeritus Universty of Guelph

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A ANTI ECONOMIA

Há um velho ditado de que o modelo de mercado competitivo busca “criar os melhores produtos pelo menor preço possível”.

Essa afirmação é essencialmente o conceito de incentivo que justifica a concorrência mercantil com base na suposição de que o resultado é a produção de bens de melhor qualidade.Foto-07

Se eu fosse construir uma mesa, obviamente a produziria com os melhores e mais duráveis materiais existentes, correto? Visando que ela dure o máximo possível. Por que eu faria algo ruim sabendo que teria de refazê-la eventualmente, gastando mais materiais e energia?

Bem, por mais racional que isso possa parecer, no caso do mercado isso não é apenas claramente irracional como não chega a ser uma opção. É tecnicamente impossível produzir algo da melhor maneira possível, se uma empresa pretende ser competitiva e manter seus produtos acessíveis ao consumidor. Literalmente tudo o que é criado e posto à venda na economia global é inferior logo no momento em que é produzido, pois é matematicamente impossível fazer produtos os mais cientificamente avançados, eficientes e sustentáveis possíveis. Isso ocorre pois o sistema de mercado exige esta “eficiência de custos” ou porque é preciso reduzir os gastos em cada etapa da produção. Do custo da mão da obra ao custo dos materiais, da embalagem, etc. Essa estratégia competitiva serve para assegurar que o público compre os seus produtos e não os do concorrente, que está fazendo a mesmíssima coisa para deixar seus produtos competitivos e acessíveis. Esta consequência invariavelmente esbanjadora do sistema poderia ser denominada “obsolescência intrínseca”.

No entanto, essa é apenas uma parte do problema. Um princípio fundamental que rege a economia de mercado e que você não encontrará em nenhum manual, é o seguinte: “Nada produzido pode ter uma vida útil maior que o necessário para manter o consumo cíclico”. Em outras palavras, é fundamentalque as coisas quebrem, falhem e deteriorem-se dentro de dado tempo. Isso se chama “obsolescência programada”. A obsolescência programada é a espinha dorsal da estratégia de mercado de todos os fabricantes. Muito poucos, claro, admitem essa estratégia abertamente. O que fazem é mascarar o problema no fenômeno da obsolescência intrínseca, muitas vezes ignorando, ou até mesmo suprimindo, novos adventos tecnológicos que poderiam criar um produto mais sustentável e durável. Não bastasse o desperdício que é o sistema inerentemente não permitir a produção dos bens mais duráveis e eficientes, a obsolescência programada intencionalmente entende que quanto mais tempo um produto funcionar, pior será para a manutenção do consumo cíclico e, portanto, para o sistema de mercado. Em outras palavras, a sustentabilidade do produto é, na verdade, contrária ao crescimento econômico e por isso há um incentivo direto e reforçado para garantir que a durabilidade de qualquer produto seja curta. Na realidade, o sistema não pode funcionar de outra maneira. Um olhar para o mar de aterros ao redor do mundo mostra a realidade da obsolescência. Existem agora bilhões de celulares de baixo custo, computadores e outras tecnologias, contendo materiais preciosos e difíceis de minerar como ouro, coltan e cobre, apodrecendo em enormes pilhas devido ao simples mau funcionamento ou obsolescência de pequenas partes que, em uma sociedade preservadora, poderiam ser consertados ou atualizados, estendendo a vida útil do produto. Infelizmente, por mais eficiente que isso pareça no mundo real, por vivermos num planeta finito de recursos finitos, é claramente ineficaz para o mercado. Para pôr numa frase apenas: “Eficiência, sustentabilidade e preservação são rivais do sistema” Do mesmo modo, assim como bens precisam ser constantemente produzidos e reproduzidos apesar de seu impacto ambiental, a indústria de serviços atua com o mesmo raciocínio. O fato é que não há benefício monetário em resolver quaisquer problemas que estejam atualmente sendo  tratados. No final das contas, a última coisa que as instituições médicas realmente querem é curar doenças como o câncer, o que eliminaria inúmeros empregos e trilhões em receitas. E já que estamos no assunto…

O crime e o terrorismo são coisas “boas” neste sistema! Bem… ao menos economicamente, já que empregam a Polícia e elevam os gastos com segurança, sem mencionar o valor das prisões, que são privadas e visam o lucro. E que tal as guerras?

A indústria bélica nos EUA é uma grande impulsionadora do PIB uma das indústrias mais lucrativas… produzindo armas letais e destrutivas. O jogo favorito dessa indústria é explodir as coisas e depois reconstruí-las visando o lucro. Vimos isso com os inesperados contratos bilionários feitos desde a Guerra do Iraque. O ponto aqui é que os atributos socialmente negativos da sociedade, que os setores… minaram como empreendimentos gratificantes para a indústria e que qualquer interesse na resolução de problemas ou em sustentabilidade ambiental e conservação, é intrinsecamente contrário à sustentabilidade econômica. É por isso que toda vez que vemos o PIB crescer em qualquer país, estamos testemunhando um crescimento das necessidades reais ou inventadas, e, por definição, as necessidade têm suas raízes na ineficiência. Portanto, aumentar a necessidade significa aumentar a ineficiência.

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O DISTÚRBIO NO SISTEMA DE VALORES

O sonho americano é baseado no consumismo desenfreado. É baseado no fato de que a grande mídia, e especialmente a publicidade corporações que precisam deste crescimento infinito… têm convencido ou enfiado na cabeça de muitas pessoas nos EUA e no mundo que nós temos que ter um número “x” de bens materiais e a possibilidade de adquirir infinitamente mais para sermos felizes. Isso simplesmente não é verdade. Por que então as pessoas continuam a comprar desta maneira ecogenocida em seus efeitos sistêmicos cada vez mais?

Michael C. Ruppert – Investigative Journalist

Trata-se do clássico condicionamento operante. Você simplesmente insere condicionamento no organismo e obtém os comportamentos, metas… ou objetivos desejados. Eles possuem todos os recursos tecnológicos… e se gabam de como entram na mente das crianças o que elas escutam já as condicionam a uma marca. Você então percebe que é assim que as pessoas têm sido feitas de bobas. Elas foram ensinadas a serem tolas. É um distúrbio no sistema de valores. Se há uma evidência da plasticidade da mente humana, se há uma prova de quão maleável é o pensamento humano e de quão facilmente as pessoas podem ser condicionadas e direcionadas pela natureza dos estímulos de seu ambiente, e o que ela reforça, essa prova é o mundo da publicidade. É de ficar pasmo o nível de lavagem cerebral com que esses robôs programados conhecidos como “consumidores” vagam pela paisagem, apenas para entrar numa loja e gastar, digamos 4 mil dólares numa bolsa que provavelmente custou 10 dólares para ser feita numa fábrica escravizante no exterior. Apenas pelo status que a marca supostamente representa na  cultura. Ou talvez as tradições populares antigas, que aumentam a confiança e a coesão da sociedade, e foram seqüestradas pelos valores materialistas, que nos fazer trocar nossas porcarias inúteis algumas vezes por ano. E ainda nos perguntamos por que hoje tantos têm compulsão pela compra e aquisição, quando é óbvio que eles foram condicionados desde a infância a ver bens materiais como um sinal de status entre os amigos e a família. O fato é que a base de qualquer sociedade são os valores que apóiam seu funcionamento. E nossa sociedade, tal como está, funciona apenas se nossos valores apoiarem o consumo conspícuo de que ela necessita para manter o sistema de mercado. 75 anos atrás, o consumo per capita nos EUA e na maior parte do Primeiro Mundo era a metade do que vemos hoje.

A atual nova cultura do consumidor foi criada e imposta, devido à necessidade bem real de níveis de consumo cada vez mais altos. É por isso que hoje as empresas gastam mais  dinheiro com propaganda do que com o processo de produção em si. Elas trabalham duro para criar falsas necessidades em você, o que por acaso conseguem.

Dr. John McMurtry – Professor Emeritus Universty of Guelph

OS “ECONOMISTAS”

Foto-08Na verdade, os economistas nada têm de economistas. São propagandistas do valor do dinheiro. Você verá que todos os seus modelos são basicamente voltados a trocas de símbolos que correspondem ao lucro de uma ou ambas as partes, mas eles estão totalmente desconectados do mundo real da reprodução.

Dr. John McMurtry – Professor Emeritus Universty of Guelph

“Em Ohio, um idoso não pagou sua conta de luz (talvez este caso lhe seja familiar) …e a companhia elétrica cortou o serviço e ele morreu. O motivo deles cortarem é que não seria lucrativo manter o serviço porque ele não pagou sua conta. Você acha isso certo?”

“A responsabilidade não recai sobre a companhia elétrica por cancelar o serviço, mas em cima dos vizinhos, amigos e conhecidos deste homem, que não foram caridosos o bastante para ajudá-lo, enquanto indivíduo, a pagar sua conta de energia.

Milton Friedman

Hummm… Eu ouvi isso direito? Ele disse que a morte de um homem, causada por ele não ter dinheiro, foi por culpa de outras pessoas ou por “falta de caridade”? Pois bem, acho que vamos precisar de um monte de caixinhas informais de donativos  miseráveis e uma porção de cofrinhos para os bilhões de pessoas que morrem de fome hoje neste planeta, devido ao sistema que Milton Friedman promove.

Quando você esta lidando com as filosofias de Milton Friedman, F. A. Hayek, John Maynard Keynes, Ludwig von Mises e outros grandes economistas de mercado… a base da análise racional raramente abandona a sequência monetária. É como uma religião. Análises de consumo, políticas de estabilização, saldo negativo, demanda agregada… Isto existe  como um círculo de raciocínio interminável, autorreferente e autorracionalizado, em que as necessidades humanas, os recursos naturais e qualquer forma de eficiência que sustente a vida são automaticamente descartados e substituídos pela noção única de que os humanos, buscando tirar vantagem uns dos outros só pelo dinheiro, motivados pelo egoísmo mesquinho, criarão magicamente uma sociedade sustentável, saudável e equilibrada. Não há referência à vida em toda essa teoria, em toda essa doutrina. O que eles estão fazendo?

O que fazem é monitorar as sequências monetárias. Apenas isso: Monitorar sequências monetárias pressupondo que isso seja só o que importa. Primeiro: Não há referência à vida… Opa… sem referência à vida? Segundo… Todos os agentes são buscadores de preferências automaximizáveis. Isto é, só pensam em si mesmos e o máximo que podem ganhar. Esta é a ideia dominante da racionalidade: Automaximizar a escolha. A única coisa em que estão interessados em automaximizar é dinheiro ou mercadorias. Mas onde entram as relações sociais? Não entram, exceto nas trocas para automaximizar. E onde entram  nossos recursos naturais? Não entram, exceto na exploração deles.

Onde entra… a questão da sobrevivência da família? Não entra. Ela precisa de dinheiro para comprar qualquer bem. Mas, uma economia não deveria lidar com necessidades humanas também? Não é essa a questão fundamental? “Necessidade” sequer está em seu dicionário. Ela é dissolvida em “desejos”… E o que é um desejo? Significa… o que a demanda  monetária deseja comprar. Bem, se o foco está na demanda monetária, não tem nada a ver com necessidades, porque talvez a pessoa não tenha demanda monetária e precise  desesperadamente, digamos, de água. Ou talvez a demanda monetária queira uma privada de ouro. Para onde vai tudo isso? Para a privada de ouro. Chamam isso de economia? É só pensar um pouco para ver que este é o delírio… mais bizarro da história do pensamento humano.

Dr. John McMurtry – Professor Emeritus Universty of Guelph

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SISTEMA MONETÁRIO

Até agora nos focamos somente no sistema de mercado. Mas esse sistema é apenas metade do paradigma econômico global. A outra metade é o sistema monetário. Enquanto o sistema de mercado lida com a interação das pessoas, num jogo que propõem sua produção e distribuição, o sistema monetário é um conjunto de regras fundamentais determinadas pelas instituições financeiras, que criam condições para o sistema de mercado, entre outras coisas. Isso inclui termos que ouvimos bastante como “taxa de juros”, “empréstimos”, “dívida”, “oferta monetária”, “inflação”, etc.

Por mais que possa dar vontade de arrancar os cabelos, ouvir as bobagens ditas pelos economistas… Modestas ações preventivas podem evitar a necessidade de ações mais drásticas futuramente”…

A natureza e o efeito desse sistema são bem simples. Nossa economia possui… a economia global possui… 3 preceitos básicos que a governam. O primeiro é o sistema de reserva fracionária, com os bancos imprimindo dinheiro do nada.

É baseada também em juros acumulados. Quando se pega dinheiro emprestado, você precisa devolver mais do que pegou, o que significa que você, na prática, cria dinheiro do nada, de novo… cujos juros têm de ser pagos pela criação de ainda mais dinheiro.

Nós vivemos num paradigma de crescimento infinito. O paradigma econômico que  vivemos é um Esquema Ponzi. Nada cresce para sempre. É impossível. Como o grande psicólogo James Hillman escreveu: “A única coisa que cresce no corpo humano depois de certa idade é o câncer”.

Michael C. Ruppert – Investigative Journalist

Não é só a quantidade de dinheiro que precisa continuar crescendo, mas também a de consumidores. Consumidores que contraiam empréstimos a juros, para gerar mais dinheiro, o que obviamente é impossível num planeta finito. As pessoas são basicamente veículos para criar dinheiro que devem criar mais dinheiro para impedir que tudo desmorone, que é o que está acontecendo neste momento. Há apenas 2 coisas que alguém precisa saber sobre o sistema monetário.8e41u76yg97s-6vnmp6-09-projeto-z

1. Todo o dinheiro é criado a partir de dívida. Dinheiro é dívida monetizada, seja se materializando a partir dos títulos do tesouro, contratos de hipoteca ou cartões de crédito. Em outras palavras, se toda a dívida ativa fosse quitada agora não haveria nenhum dólar em circulação.

2. Cobra-se juros sobre praticamente todos os empréstimos feitos e o dinheiro necessário para pagá-los não existe no suprimento monetário de imediato. Somente o principal é criado pelos empréstimos e o principal é o suprimento monetário. Se todas as dívidas fossem quitadas agora não apenas não haveria mais 1 dólar em circulação, como haveria uma quantia gigantesca de dinheiro devido que é literalmente impossível de ser pago, pois não existe.

A consequência disso tudo é que 2 coisas são inevitáveis: Inflação… e falência.

A inflação pode ser vista como uma tendência histórica em quase todos os países e facilmente ligada à sua causa, que é o aumento perpétuo do suprimento monetário, necessário para cobrir os juros e manter o sistema funcionando.

Quanto à falência, ela vem na forma de colapso pela dívida. Esse colapso ocorrerá inevitavelmente com uma pessoa, um negócio ou um país, e geralmente acontece quando o pagamento dos juros torna-se impossível. Mas há um lado bom nisso tudo, pelo menos em termos de sistema de mercado.

Porque a dívida cria pressão. A dívida cria escravos assalariados. Alguém endividado tem mais chances de aceitar um salário baixo do que uma pessoa sem dívidas, tornando-se assim mercadoria barata. Assim, é ótimo para as corporações ter um grupo de pessoas sem mobilidade financeira. Mas essa mesma idéia vale para países inteiros. O Banco Mundial e o FMI, que servem como pontes para os interesses corporativos interanacionais, fornecem empréstimos enormes para países com dificuldades a juros altíssimos, e quando estes países estão profundamente endividados e não podem mais pagar, aplicam-se medidas de austeridade, as corporações entram em cena, abrem fábricas escravizantes e tomam seus recursos naturais. Isso sim é eficiência de mercado.

Mas espere, tem mais. Existe essa mistura única de sistema monetário com o sistema de mercado, chamado de “mercado de ações”, que ao invés de produzir algo real, apenas compra e vende o dinheiro em si. E quando se trata de dívida, sabe o que é feito? Isso mesmo, eles negociam a dívida. Eles efetivamente compram e vendem dívidas pelo lucro.

Desde CDS e CDO da dívida do consumidor, até complexos esquemas de derivativos usados para mascarar a dívida de países inteiros, como no caso do conluio do banco de investimentos Goldman Sachs e Grécia, que quase provocou o colapso da economia europeia. Então, em se tratando do mercado de ações e Wall Street temos um nível totalmente novo de insanidade nascido da seqüência monetária do valor.

Tudo o que você precisa saber sobre mercados foi escrito há alguns anos num editorial do Wall Street Journal intitulado “Lições de um investidor com danos cerebrais”. Neste editorial, eles explicaram porque pessoas com um leve dano cerebral se saem melhor como investidores do que pessoas com funcionamento normal do cérebro. Por quê?

Porque pessoas com um leve dano cerebral não têm empatia. Essa é a chave. Se você não tem nenhuma empatia será um ótimo investidor, e dessa maneira Wall Street cria pessoas sem empatia para chegar lá, tomar decisões e realizar negociações sem escrúpulos, sem considerar se a maneira como estão sendo feitas pode afetar outros seres humanos.

Assim eles criam esses robôs, essas pessoas desalmadas. E já que nem essas pessoas eles querem pagar mais estão agora criando robôs de verdade: Algoritmos para negociações. Goldman Sachs, no escândalo das transações de alta frequência, colocou um computador junto à bolsa de valores de Nova lorque. Esse computador “colocado”, como é chamado, monitora todas as negociações na bolsa e realiza um grande volume de operações, de maneira que ganha centavos a cada operação. É como se estivessem bombeando dinheiro o dia todo.

Ano passado ficaram 30-60 dias de um trimestre sem um único dia de queda ganhando milhões de dólares todo santo dia? Isso é estatisticamente impossível! Quando eu  trabalhava em Wall Street, todo mundo promovia em troca de suborno. O operador suborna o gerente de escritório. O gerente de escritório suborna o gerente regional de vendas. O gerente regional de vendas suborna o gerente nacional de vendas. É uma prática comum. No Natal, quem ganha o maior bônus na posição de operador de bolsa? O auditor interno. O auditor interno fica lá sentado o dia todo. Ele deveria garantir que você não viole nenhuma das regras de margem e de que está “cumprindo” as leis. Claro, até o ponto em que você pode subornar o auditor interno. É isso mesmo, você está cumprindo a lei! Como então a fraude se tornou o sistema? Ela não é mais um subproduto. Ela é o sistema. É como aquela velha piada do Woody Allen: “Doutor, meu irmão pensa que ele é uma galinha”. E o médico diz: “tome uma pílula, e isto deve resolver o problema”. “Não Doutor, você não entende. Nós precisamos dos ovos”. Certo? A troca incessante de ações fraudulentas entre bancos para gerar taxas, para gerar bônus, tornou-se o motor de crescimento do PIB da economia dos EUA embora estejam essencialmente trocando ações fraudulentas que não têm nenhuma chance de serem pagos algum dia. Eles estão processando, gerando e reassegurando nada. Se eu escrever 20 bilhões de dólares num guardanapo e vender ele para J.P.Morgan, e J.P.Morgan escreve… 20 bilhões de dólares em outro guardanapo e nós trocamos estes 2 guardanapos num bar e nos pagamos ¼ de 1% de taxa, fazemos muito dinheiro para o nosso bônus de Natal. Nós temos em nossos registros um guardanapo de 20 bilhões que não tem nenhum valor real até o momento em que o sistema não é mais capaz de absorver guardanapos falsos, que é quando vamos ao Governo receber pacotes de ajuda.

E por causa de Wall Street e do mercado global de ações, há hoje, pelo menos, cerca de 700 trilhões de dólares em ações fraudulentas não pagas, conhecidas como “derivativos”, ainda à espera do colapso. Um valor que equivale a 10 vezes mais que o produto interno bruto de todo o planeta. Apesar de já termos visto o resgate de corporações e bancos pelos Governos os quais comicamente pegam o dinheiro emprestado dos próprios bancos… o que vemos hoje são tentativas de resgate de países inteiros por conglomerados formados por outros países, através de bancos internacionais.

Max Keiser – Financial Analyst “The Keiser Report”

Mas como se resgata um planeta? Não há nenhum país que não esteja saturado de dívida.

A sucessão de calotes governamentais que vimos pode ser só o começo, se fizermos os devidos cálculos. Estima-se que, apenas nos EUA, o imposto de renda terá de ser aumentado para 65% por pessoa, apenas para cobrir os juros, num futuro próximo. Economistas acreditam que dentro de algumas décadas, 60% dos países irão falir. Mas espere aí… Deixe-me ver se entendi. O mundo está indo à falência, seja lá o que isso  signifique, por causa dessa idéia chamada “dívida” que nem sequer existe no mundo real.

É apenas parte de um jogo que inventamos, e ainda assim, o bem-estar de bilhões de pessoas está sendo comprometido. Demissões em massa, favelas, pobreza crescente, medidas de austeridade, escolas fechando, crianças passando fome e outros níveis de privação familiar… tudo por causa dessa elaborada ficção.

Somos estúpidos ou o quê?!8e41u76yg97s-6vnmp6-10-projeto-z

“__Ei, ei! Marte, meu caro. Ajuda um irmão aí?

__Cresça, amigo.

__Saturno! E aí, cara?

__Lembra daquela linda nebulosa com quem te arranjei um encontro faz um tempinho?

__Terra, escute. Estamos nos cansando de você. Você teve de tudo e ainda assim não aproveitou nada. Você tem muitos recursos e sabe disso. Por que não amadurece e aprende a ter alguma responsabilidade, pelo amor de Deus? Está fazendo sua mãe infeliz. Você está por sua conta, camarada. É, que seja.

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SAÚDE PÚBLICA

Agora, considerando tudo isso, da máquina de desperdício que é o sistema de mercado…

À máquina de dívidas conhecida como sistema monetário, criando assim o paradigma mercantil-monetário que hoje define a economia global, há uma conseqüência que percorre toda a máquina: Desigualdade.

Se é o sistema de mercado que cria uma gravitação natural em direção ao monopólio e à consolidação do poder, enquanto também gera diversas indústrias ricas que se elevam acima das outras independentemente de sua utilidade, tal como o fato de os maiores gestores de fundos de Wall Street agora embolsarem mais de 300 milhões de dólares por ano por contribuir literalmente com nada.

Enquanto um cientista procurando curar uma doença, tentando ajudar a humanidade, pode ganhar 60 mil dólares por ano, se tiver sorte.

Ou se é o sistema monetário, que possui a divisão de classes inerente a sua estrutura.

Por exemplo… se tenho 1 milhão sobrando e os aplico em CDB, com juros de 4%, ganharei 40 mil por ano. Nenhuma contribuição social, nada.

No entanto, se sou da classe baixa e preciso pegar empréstimos para comprar meu carro ou casa, estarei pagando juros que, teoricamente… vão remunerar aquele milionário com os 4% do CDB.

Este roubo dos pobres para pagar aos ricos é um fundamento inerente ao sistema monetário e poderia ser rotulado como “classicismo estrutural”.

Historicamente, a estratificação social sempre foi considerada injusta mas claramente aceita de forma geral,  já que agora 1% da população detêm 40% da riqueza do planeta.

Mas, justiça material à parte, há outra coisa acontecendo por baixo da superfície da desigualdade, deteriorando a saúde pública como um todo.

Acho que as pessoas muitas vezes ficam confusas pelo contraste entre o sucesso material das nossas sociedades… níveis de riqueza sem precedentes… e os muitos fracassos sociais. Se você olhar para as taxas de uso de drogas, violência, automutilação entre crianças ou doenças mentais, há claramente algo profundamente errado com nossas sociedades.

Os dados que tenho descrito simplesmente mostram essa intuição que as pessoas têm tido por centenas de anos, de que a desigualdade divide e corrói a sociedade.

Porém, essa intuição é mais verdadeira do que imaginávamos. Há efeitos psicológicos e sociais muito poderosos da desigualdade, mais relacionados, creio eu, com sentimentos de superioridade e inferioridade.

Esse tipo de divisão e talvez o mesmo valha para o respeito e o desrespeito… em que as pessoas se sentem desprezadas ao extremo. Motivo pelo qual, a propósito, a violência é mais frequente em sociedades mais desiguais. O gatilho da violência é, muitas vezes, as pessoas se sentirem menosprezadas e desrespeitadas.

Richard Wilkinson – Professor Emeritus of Social Epidemiology, University of Nottinghan

Se há um princípio que eu poderia enfatizar, isto é, o princípio subjacente mais importante para a prevenção da violência, seria a igualdade. O fator mais significativo que afeta a taxa de violência é o grau de igualdade versus o de desigualdade na sociedade.

Dr James Gilligan – Former Director: Center for the Study of Violence Harvard Medical School

O que estamos vendo é uma espécie de disfunção social generalizada. Não é só uma ou duas coisas que dão errado conforme a desigualdade aumenta, mas aparentemente tudo, seja em relação ao crime, à saúde, às doenças mentais ou ao que for. Uma das descobertas mais perturbadoras sobre saúde pública é: Em hipótese alguma cometa o erro de ser pobre… ou de ter nascido pobre.

Sua saúde paga por isso de infinitas maneiras, algo conhecido como o gradiente socioeconômico de saúde. Conforme você desce a partir da camada social mais alta, em termos de posição socioeconômica, a cada degrau descido a saúde piora para muitos tipos de doenças, a expectativa de vida piora, a taxa de mortalidade infantil, tudo que você puder considerar.

Uma enorme questão tem sido: Por que este gradiente existe?

Uma resposta óbvia e simples é que, se você está cronicamente doente, não será muito produtivo. Assim, problemas de saúde geram diferenças socioeconômicas. Não passou nem perto, pelo simples fato de que é possível olhar para a posição socioeconômica de uma criança e isso irá predizer algo sobre sua saúde décadas depois.

Esta é a direção da causalidade. A próxima é “perfeitamente óbvia”… Pessoas pobres não podem pagar para ir ao médico. Por acesso à saúde?

Não tem nada a ver com isso porque você vê estes mesmos gradientes em países com assistência médica universal e medicina socializada.

Certo, a próxima explicação simples… Geralmente, quanto mais pobre você é… maiores são as chances de fumar, beber e de viver com todo tipo de fator de risco. Sim, isso contribui… mas, estudos meticulosos mostraram que talvez explique só 1/3 da variabilidade. O que resta então?

O que resta tem muito a ver com o estresse da pobreza. Quanto mais pobre você é… a começar pela pessoa que ganha 1 dólar a menos que Bill Gates, quanto mais pobre você é neste país, de modo geral, pior será a sua saúde. Isso nos diz algo realmente importante: A conexão da saúde com a pobreza não se trata de ser pobre, mas de se sentir pobre.

Dr. Robert Sapolsky – Professor of Neurological Sciences, Stanford University

Cada vez mais, reconhecemos que o estresse crônico possui uma influência importante na saúde, mas as fontes mais importantes de estresse se referem à qualidade das relações sociais.

E se existe algo que diminui a qualidade das relações sociais é a estratificação socioeconômica da sociedade. O que a ciência nos mostrou agora é que independentemente da riqueza material, o estresse de simplesmente viver numa sociedade estratificada leva a um vasto espectro de problemas na saúde pública e quanto maior a desigualdade, piores eles ficam. Expectativa de vida: MAIOR em países mais igualitários. Uso de drogas: MENOR em países mais igualitários. Doenças mentais: MENOR em países mais igualitários. Capital social, isto é, a capacidade de as pessoas confiarem umas nas outras: Naturalmente MAIOR em países mais igualitários. Índices educacionais: MAIOR em países mais igualitários. Taxas de homicídio: MENOR em países mais igualitários. Taxas de criminalidade e prisão: MENORES em países mais igualitários. E continua… Mortalidade infantil, obesidade, taxa de natalidade na adolescência: MENOR em países mais igualitários. E talvez mais interessante: Inovação: MAIOR em países mais igualitários, o que desafia a antiga noção de que uma sociedade competitiva e estratificada é mais criativa e inventiva.

Além disso, um estudo feito no Reino Unido chamado de Estudo Whitehall, confirmou que há uma distribuição social de doenças que vai desde o topo da escala socioeconômica até a base. Por exemplo, foi descoberto que os degraus mais baixos da hierarquia tinham 4 vezes mais mortalidade por doenças cardíacas em relação aos degraus mais altos.

E esse padrão existe, independente do acesso à saúde. Portanto, quanto pior a condição financeira relativa de alguém, pior será a sua saúde, de modo geral.

Esse fenômeno tem suas raízes no que pode ser chamado de “Estresse Psicossocial” e está na base das grandes distorções sociais que assolam nossa sociedade atual. Sua causa? O sistema mercantil-monetário.

Não se engane… O maior destruidor da ecologia, a maior fonte de desperdício, esgotamento e poluição… o maior incitador de violência, guerra, crime, pobreza, abuso animal e desumanidade… O maior gerador de neuroses sociais e individuais, de doenças mentais, depressão, ansiedade… para não falar da maior fonte de paralisia social, que nos impede de adotar novas metodologias para a saúde pessoal, a sustentabilidade e o progresso neste planeta… não é nenhum Governo corrupto ou legislação, nenhuma corporação perversa ou cartel bancário, nenhuma falha da natureza humana e nenhuma sociedade secreta que controla o mundo. É, na verdade… o próprio sistema socioeconômico em sua essência.

Richard Wilkinson – Professor Emeritus of Social Epidemiology, University of Nottinghan

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ECONOMIA BASEADA EM RECURSOS

ECONOMIA BASEADA EM RECURSOS

A ideia foi definida na década de 1970 pelo engenheiro social Jacque Fresco.

Naquela época, ele viu que a sociedade estava em rota de colisão contra si mesma e a natureza… insustentável em todos os níveis e que se as coisas não mudassem, nós iríamos nos destruir, de um jeito ou de outro.

Todas estas coisas que você diz, Jacque… poderiam ser construídas com o que sabemos hoje, ou você está “chutando”, com base no que sabemos hoje? Não. Tudo isto pode ser feito com o que sabemos atualmente.

Levaria 10 anos para mudar a superfície da Terra, para transformar o mundo em
outro Jardim do Éden. A escolha está com você. A estupidez de uma corrida armamentista nuclear, o desenvolvimento de armas…

Tentar resolver seus problemas através da política elegendo este ou aquele partido… Toda a política está imersa na corrupção.Vou repetir… Comunismo, socialismo,
fascismo, os democratas e os liberais… nós queremos incluir todos seres humanos.

Todas as organizações que acreditam numa vida melhor para o homem… Não existem problemas de negros ou poloneses, nem problemas de judeus ou gregos, ou problemas de mulheres… só há problemas humanos!

Não tenho medo de ninguém. Não trabalho para ninguém. Ninguém pode me demitir. Eu não tenho chefe. Tenho medo de viver na sociedade em que vivemos atualmente. Ela não pode ser mantida com esse tipo de incompetência.

O sistema de livre iniciativa foi ótimo há uns 35 anos, a última vez em que foi útil. Agora, temos que mudar o modo de pensar ou morreremos todos.

Os filmes de terror do futuro serão sobre nossa sociedade, o modo como tudo deu errado, e a política será parte de um filme de terror.

Várias pessoas hoje usam o termo “ciência fria” porque ela é analítica e eles nem sequer sabem o que significa “analítico”.

Ciência significa: Aproximações mais precisas sobre como o mundo realmente funciona. Então, é contar a verdade. É disso que se trata.

Um cientista não tenta se “dar bem” com as pessoas. Eles contam quais são suas descobertas.

Eles precisam questionar todas as coisas e se algum cientista aparecer com um experimento que mostre que alguns materiais têm dadas resistências outros cientistas precisam ser capazes de duplicar aquele experimento e obter os mesmos resultados.

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Mesmo se um cientista achar que a asa de um avião, devido à cálculos matemáticos, possa segurar uma certa quantidade de peso, eles ainda irão pendurar sacos de areia nela pra ver quando quebraria, e então eles dizem se os cálculos estavam corretos ou não.

Eu adoro esse sistema por que é livre de vieses da ideia de que a matemática pode resolver tudo. É preciso por sua matemática à prova também. Acho que todo sistema que pode ser posto à prova, deve ser posto. E todas as decisões deveriam ser baseadas em pesquisas.

Jacque Fresco – Engenheiro Social – Idealizador do Projeto Zeitgeist

Uma economia baseada em recursos é simplesmente o método científico aplicado à questões sociais… uma abordagem totalmente ausente no mundo de hoje.

A sociedade é uma invenção técnica. E os métodos mais eficientes de saúde humana otimizada, produção física, distribuição, infraestrutura urbana, etc., residem no campo da ciência e da tecnologia. Não na política ou na economia monetária.

Ela funciona da mesma maneira sistemática que, digamos, um avião e não existe uma maneira republicana ou liberal de construir um avião. Igualmente, a própria natureza é a referência física que usamos para provar nossa ciência.

É um sistema fixo, emergindo apenas de nosso crescente conhecimento dela. Na verdade, ela não dá a mínima para o que você subjetivamente pensa ou acredita ser verdade. Pelo contrário, ela lhe dá uma opção: Você pode aprender e se adequar com suas leis naturais e se guiar de acordo… invariavelmente criando boa saúde e sustentabilidade… ou você pode ir contra a corrente, sem sucesso algum.

Não importa o quanto você acredita, simplesmente não há como você se levantar agora e caminhar pela parede, a lei da gravidade não vai permitir. Se você não comer, morrerá.  Se você não for tocado quando bebê, morrerá.

Por mais duro que pareça, a natureza é uma ditadura e podemos escutá-la e entrar em harmonia com ela ou sofrer as inevitáveis consequências adversas.

Então, uma economia baseada em recursos é nada mais que um conjunto de entendimentos comprovados de suporte à vida, em que todas as decisões são baseadas em sustentabilidade ambiental e humana otimizadas.

É levada em consideração a base da vida empírica que todo ser humano compartilha como uma necessidade independente, novamente, de sua filosofia política ou religiosa. Não há relativismo cultural nessa abordagem.

Não é uma questão de opinião. Necessidades humanas são necessidades humanas e ter acesso às necessidades da vida, tal como ar limpo, comida nutritiva e àgua limpa, junto com um ambiente de reforço positivo, estável, estimulante e não violento, é necessário para nossa saúde mental e física, nossa capacidade evolutiva e a sobrevivência da espécie em si.

Uma economia baseada em recursos seria baseada nos recursos disponíveis.

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Você não pode trazer um monte de pessoas a uma ilha ou construir uma cidade para 50 mil habitantes sem ter acesso às necessidades da vida.

Então, quando uso o termo abordagem sistêmica compreensiva estou falando de fazer, primeiramente, um inventário da àrea, determinando o que a área pode fornecer não apenas no aspecto da arquitetura, não apenas no aspecto do design, mas o design deve ser baseado
em todos os requisitos para enriquecer a vida humana e é isso que quero dizer com uma maneira integrada de se pensar.

Comida, roupas, abrigo, calor, amor. Todas essas coisas são necessárias. E se você privar as pessoas de qualquer uma delas, terá seres humanos inferiores, com capacidade inferior.
Jacque Fresco – Engenheiro Social – Idealizador do Projeto Zeitgeist

Como dito anteriormente, a abordagem sistêmica global de extração, distribuição e produção numa economia baseada em recursos possui um conjunto de mecanismos verdadeiramente econômicos que garantem eficiência e sustentabilidade em todas as áreas da economia.

Então, continuando essa linha de pensamento sobre projeto lógico, o que vem depois em nossa equação?

Onde tudo isso se materializa?

Cidades. O advento da cidade é um marco da civilização moderna. Seu papel é permitir acesso eficiente às necessidades da vida juntamente com um forte suporte social e interação da comunidade.

E como fazemos para projetar uma cidade ideal? Em que formato a faríamos? Quadrada?
Trapezóide?

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Bem, como vamos nos locomover por entre ela, deveríamos fazê-la a mais equidistante possível. Logo, o círculo.

O que deveria existir na cidade?

Naturalmente precisamos de área residencial, de produção de bens, de geração de energia e uma zona agrária. Mas precisamos também estimular as pessoas. Ou seja, cultura, natureza, recreação e educação.

Então vamos incluir um belo parque aberto, uma área para entretenimento e eventos culturais, para socialização, e instalações para educação e pesquisa. E já que estamos trabalhando com um círculo, parece racional posicionar essas funções em cinturões, baseado na quantidade de terra necessária para cada fim, além de facilidade de acesso.

Muito bom. Agora, vamos analisar mais a fundo: Primeiramente, precisamos considerar a infraestrutura central, ou entranhas do organismo urbano.Estes seriam os canais de transporte de àgua, bens, lixo e energia.

Exatamente como as cidades de hoje têm sistemas de água e esgotos, estenderíamos este conceito de canais para integrar a reciclagem de lixo e a distribuição de bens. Não haveria mais entregadores ou lixeiros.

Isso está embutido no sistema. Poderíamos utilizar tubos pneumáticos e tecnologias similares. E o mesmo vale para o transporte.

Ou mesmo eliminar o desperdício que são os automóveis individuais. Bondes elétricos, esteiras rolantes e transportadores, trens magnéticos que podem levá-lo a qualquer lugar da cidade, inclusive para cima e para baixo, além de conectá-lo também a outras cidades.

E claro, se houver a necessidade de um carro, ele será ativado via satélite para manter a segurança e a integridade. Na verdade, essa automação tecnológica já está acontecendo agora.

Acidentes de carro matam cerca de 1,2 milhões de pessoas todo ano, ferindo cerca de 50 milhões. Isto é um absurdo e não tem mais que acontecer. Com um projeto urbano eficiente e carros automáticos sem motoristas, essa taxa de mortalidade pode ser praticamente eliminada.

Agricultura. Hoje, através de métodos industriais mal planejados e baratos nós destruímos, com sucesso, boa parte da terra arável neste planeta, sem mencionar o envenenamento de nossos corpos. Toxinas químicas da indústria e da agricultura aparecem agora em quase todos nas pesquisas, incluindo crianças.

Felizmente, existe uma alternativa brilhante: A agricultura sem solo da hidroponia e aeroponia, que tambêm reduz a necessidade de nutrientes e de água em até 75% do nível de uso atual. Hoje é possível cultivar alimentos de forma orgânica, em escala industrial, em estufas verticais.

Por exemplo, 50 andares de 1 acre cada, praticamente eliminando a necessidade do uso de pesticidas e hidrocarbonetos em geral. Este é o futuro do cultivo industrial de alimentos.Eficiente, limpo e abundante.

Assim, estes sistemas avançados seriam, em parte, os que compõem nosso cinturão agrícola produzindo a comida necessária à toda população da cidade sem a necessidade de trazer nada de longe, economizando tempo, desperdício e energia.

E falando em energia… O cinturão de energia trabalharia numa abordagem sistêmica para
extrair eletricidade de diversas fontes renovàveis e abundantes, como eólica, solar, geotérmica, por variação de temperatura e, nas regiões costeiras, maremotriz e das ondas.

Para evitar intermitência e garantir a existência de retornos positivos da rede de energia, esses meios transmissores operariam em um sistema integrado provendo energia uns aos outros, quando necessàrio, enquanto armazenam a energia em excesso em supercapacitores no subsolo, para evitar desperdícios.

A cidade não apenas gera sua própria energia, algumas estruturas são também energeticamente autônomas, produzindo eletricidade através de tintas fotovoltaicas, transdutores de pressão estrutural, o efeito termopar e outras tecnologias existentes, mas subutilizadas.

Mas, é claro, isso levanta a questão: Como esta tecnologia, e outros bens de consumo em geral, são criados?
Isso nos leva à produção: O cinturão industrial, além de ter hospitais e afins, seria o concentrador da produção fabril.

Localizado de maneira integrada, ele teria, é claro, que obter matéria-prima através do Sistema de Gerenciamento Recursos, como visto há pouco, com a demanda sendo gerada pela própria população da cidade.

Com relação à mecânica da produção precisamos discutir um novo e poderoso fenômeno que foi desencadeado recentemente na história da humanidade e que está a ponto de mudar tudo.

Chama-se “Mecanização”, ou “Automação da Mão de Obra”. Se você olhar ao seu redor,
notar que quase tudo o que usamos hoje é construído automaticamente. Seus sapatos, roupas, aparelhos domésticos, carros…

Todos são construídos por máquinas em um método automatizado. Podemos dizer que a sociedade não tem sido influenciada por esses grandes avanços tecnológicos?

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É claro que não. Estes sistemas realmente ditam novas estruturas e novas necessidades, e tornam muitas outras coisas obsoletas.

Logo, estivemos progredindo no desenvolvimento e uso de novas tecnologias, de maneira exponencial. Definitivamente a automação vai continuar. Não paramos tecnologias que simplesmente fazem sentido.

Automação da mão de obra através de tecnologia é a base de toda grande transformação na história da raça humana.

Da revolução agrícola à invenção do arado, da revolução industrial à invenção das máquinas elétricas, à era da informação em que vivemos… essencialmente a partir da invenção da eletrônica avançada e dos computadores.

E em função de avançados métodos de produção, hoje a mecanização está evoluindo por conta própria. Afastando-se dos métodos tradicionais de montar componentes em uma configuração e migrando para métodos avançados de criação de produtos inteiros em um único processo.
Dr. Berok Khoshnbvis – Industrial & Systems Enginnering – USC

Como muitos engenheiros, sou fascinado pela Biologia, pois ela é repleta de exemplos de peças extraordinárias de engenharia. O que é Biologia? É o estudo das coisas que se copiam. É a melhor definição da vida que temos. Novamente, como engenheiro, sempre fiquei intrigado com a ideia de máquinas que se autorreplicam.

RepRap é uma impressora tridimensional. É uma impressora que você conecta no computador e,ao invés de fazer planilhas bidimensionais com desenhos, faz objetos reais, físicos, tridimensionais. E não há nada de novo sobre isso. Impressoras 3D existem há aproximadamente 30 anos.

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O destaque é que a RepRap imprime quase todas as suas partes. Logo, se você tem uma, você poderia montar outra e dá-la a um amigo. Além de poder imprimir muitas outras coisas úteis.

Da simples impressão de utensílios básicos em sua casa até um corpo inteiro de um automóvel de uma só vez, a impressão avançada 3D automatizada agora tem o potencial de transformar quase todos os campos de produção, incluindo a construção civil.
Dr. Adrian Bowyer – Inventor Engineer – Bath University, UK

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TECNOLOGIA

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Recentemente, um estudo do economista David Autor, do MIT, constatou que a classe média é obsoleta e está sendo substituída pela automação.

Roxanne Meadows – The Venus Project

A mecanização é simplesmente mais produtiva, eficiente e sustentável que o trabalho humano em quase todos os setores da economia hoje.

Máquinas não precisam de férias, folgas, seguros, pensões e elas podem trabalhar 24 horas por dia, todos os dias. O potencial de produção e precisão em relação ao trabalho humano, é incomparável. Moral da história: O trabalho humano repetitivo está se tornando obsoleto e impraticável em todo o mundo e o desemprego que você vê hoje é fundamentalmente o resultado dessa evolução da eficiência tecnológica.

Por anos, economistas de mercado têm descartado este padrão crescente que pode ser chamado de “Desemprego Tecnológico” devido ao fato de que novos setores sempre surgiram para absorver os trabalhadores deslocados. Hoje, o setor de serviço é o único restante e atualmente emprega mais de 80% da mão de obra americana e a maioria dos países industrializados mantém a mesma proporção. Entretanto, este setor está sendo cada vez mais desafiado por quiosques automatizados, restaurantes automatizados e até por lojas automatizadas.

Economistas hoje estão finalmente reconhecendo o que estavam negando por anos: O uso da automação não está apenas extrapolando a atual crise de emprego que estamos vendo pelo mundo devido à crise econômica global, mas quanto mais a recessão se aprofunda, mais rápido as indústrias se mecanizam.

O problema, que não é percebido, é que quanto mais rápido eles se mecanizam para poupar dinheiro, mais pessoas eles demitem e mais ele reduzem o poder de compra em geral. Isso significa que, enquanto a corporação pode produzir tudo a custos mais baixos, menos pessoas terão dinheiro para comprar, independente de quão barato as coisas fiquem. A moral é que o jogo do “trabalho em troca de renda” está lentamente chegando ao fim.

Na verdade, se você parar para refletir sobre os trabalhos existentes hoje em dia que a automação poderia assumir prontamente, 75% da mão de obra global poderia ser substituída pela mecanização amanhã mesmo. E é por isso que numa economia baseada em recursos não há um sistema mercantil-monetário.  Absolutamente sem dinheiro… Pois não há necessidade.

Uma economia baseada em recursos reconhece a eficiência da mecanização e a aceita pelo que ela nos oferece. Não é contra ela, como somos hoje em dia. Por quê? Porque é irresponsável não valorizar eficiência e sustentabilidade. E isso nos traz de volta ao nosso sistema urbano. No meio está a cúpula central, que abriga não apenas as instalações educacionais e a central de transportes, como também o computador principal que controla as operações técnicas da cidade.

A cidade é, na verdade, uma grande máquina automática. Há sensores em todos os cinturões para monitorar o progresso da arquitetura, coleta de energia, produção, distribuição e outros. E seriam necessárias pessoas para supervisionar essas operações para o caso de haver algum defeito, etc?

Muito provavelmente sim. Mas este número iria cair com o tempo conforme mais melhorias são feitas. Porém, hoje em dia, talvez 3% da população de uma cidade seria necessária para esta tarefa, se analisarmos bem. E eu posso assegurar: Num sistema econômico que, de fato, está projetado para cuidar de você e garantir seu bem-estar, sem ser preciso se submeter a uma ditadura particular diária, geralmente a um emprego que é tecnicamente inútil ou socialmente sem sentido, enquanto luta contra uma dívida que nem ao menos existe, apenas para pagar as contas… Garanto que pessoas irão doar seu tempo para manter e melhorar um sistema que realmente tome conta delas. E junto com essa questão do “incentivo” aparece a suposição comum de que se não existir alguma pressão externa para alguém “trabalhar para viver”, as pessoas irão ficar à toa, fazendo nada, transformando-se em gordos preguiçosos.

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O sistema de trabalho que temos hoje é o gerador da preguiça, não algo que a resolva. Lembre-se de quando você era uma criança cheia de vida, interessada em coisas novas, provavelmente criando e explorando… Mas conforme o tempo passou, o sistema o empurrou para o foco de descobrir como ganhar dinheiro. E desde sua educação básica até a Universidade, você é restringido. Somente para emergir como uma criatura que serve como uma engrenagem numa máquina que envia todos os frutos para o 1% no topo.

Estudos científicos agora nos mostram que as pessoas não são motivadas por recompensas  em dinheiro quando o assunto é engenhosidade e criação. A criação em si é a recompensa. O dinheiro, na verdade, serve apenas como um incentivo às ações mundanas repetitivas um papel que, como mostramos, pode ser feito por máquinas.

Quando falamos de inovação, do verdadeiro uso da mente humana, o incentivo financeiro

provou ser um obstáculo que interfere e prejudica o pensamento criativo. E isso explica porque Nicola Tesla, os irmãos Wright e outros inventores que contribuíram massivamente para nosso mundo nunca precisaram de um incentivo financeiro para criar. O dinheiro, na verdade, é um falso incentivo e causa 100 vezes mais distorções do que contribuições.

Bom dia, classe. Sentem-se, por favor. A primeira coisa que gostaria de fazer é perguntar o que cada um quer ser quando crescer. Quem gostaria de ser o primeiro?

Que tal você, Sara?

Quando crescer, quero trabalhar

no McDonald’s igual à minha mãe!

Ah, tradição de família, hein?

E você, Linda?

Quando eu crescer, serei

uma prostituta nas ruas

de Nova Iorque!

Uma garota de glamour, hein?

Bastante ambiciosa.

zeitgeist-cE você, Tommy?

Quando eu crescer, serei

um empresário rico e

elitista, que trabalha

na Wall Street e lucra com

o colapso das

economias estrangeiras.

Empreendedor…

É maravilhoso ver algum

interesse multicultural!

VÍTIMAS DA CULTURA

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Como dito antes, uma economia baseada em recursos aplica o método científico nas questões sociais, e isto não é limitado apenas à eficiência têcnica. Ela também leva em consideração o bem-estar humano e social e tudo o mais que isso envolve. Que benefício tem um sistema social se, no final, ele não produz felicidade ou convivência pacífica? É importante notar que ao remover o sistema monetário e prover as necessidades da vida, nós veríamos uma redução global nos crimes em aproximadamente 95%, quase que imediatamente, pois não existiria nada para roubar, fraudar ou algo parecido. 95% dos presos hoje em dia estão nesta condição devido a crimes relacionados ao dinheiro ou abuso de drogas, e o abuso de drogas é um transtorno, não um crime. E os outros 5%? Os realmente violentos… Frequentemente ditas como pessoas violentas pelo simples motivo de serem violentas… Será que são pessoas “más”?

A razão pela qual eu acredito ser uma perda de tempo fazer julgamentos de valores morais sobre a violência das pessoas é porque com isto não se avança nem um pingo em nossa compreensão sobre as causas ou na prevenção do comportamento violento. Às vezes, me perguntam se acredito em “perdoar” os criminosos. Minha resposta é que… “Não, eu não acredito em perdão mais do que acredito em condenação”. Apenas se nós, como sociedade tomarmos a mesma atitude de tratar a violência como um problema de saúde pública e de medicina preventiva, e não como uma moral “má”…

Apenas quando fizermos essa mudança em nossas próprias atitudes, suposições e valores é que realmente teremos sucesso na redução do nível de violência ao invés de estimulá-la, que é exatamente o que fazemos agora.

Dr James Gilligan – Former Director: Center for the Study of Violence Harvard Medical School

Quanto mais justiça você procura, mais você se machuca porque não existe tal coisa como justiça. Existe o que existe lá fora. Ponto final!

Ou seja, se pessoas são condicionadas a serem racistas fanáticas… Se elas foram criadas em um ambiente que defende isto, por que você culpa uma pessoa por ser assim? Elas são vítimas de uma subcultura. Portanto, elas tem de ser ajudadas. A questão é, nós temos que reprojetar o ambiente que produz o comportamento aberrante. Este é o problema. E não colocar uma pessoa na cadeia. É por isso que juízes, advogados, “liberdade de escolha”… Tais conceitos são perigosos porque dão uma falsa informação.

Aquela pessoa é “má”, aquele é um “assassino em série”. Assassinos em série são criados, assim como soldados se tornam matadores com metralhadoras. Eles se tornam máquinas de matar, mas ninguém os olha como homicidas ou assassinos porque isto é “natural”. Então nós culpamos as pessoas. Nós dizemos “este cara era um nazista, ele torturou judeus”. Não, ele foi ensinado a torturar judeus. Uma vez que você aceita o fato de que as pessoas têm escolhas individuais e são livres para fazer tais escolhas… Ser livre para fazer escolhas significa não ser influenciado e eu definitivamente não consigo entender isso.

Todos nós somos influenciados em todas nossas escolhas pela cultura em que vivemos, por nossos pais e pelos valores dominantes. Então somos influenciados. Não há escolhas “livres”. “Qual o melhor país do mundo?” A resposta verdadeira: “Eu não estive por todo o mundo, então não sei o suficiente sobre diferentes culturas para responder isto”.

Eu não conheço ninguém que fale dessa maneira. Eles dizem: “É o bom e velho EUA!

O melhor país do mundo!”. Não há qualquer pesquisa… “Você já esteve na Índia?” “Não” “Você já esteve na Inglaterra?” “Não”. “Você já esteve na França?” “Não” “Então, baseado em que você faz suas suposições?”

Eles não conseguem responder, ficam furiosos com você. Eles dizem, “Que droga! Quem diabos é você… para me dizer no que pensar?!”. Não esqueça: Você está lidando com pessoas aberrantes. Eles não são responsáveis por suas respostas. Eles são vítimas da cultura e isso significa que são influenciadas por sua cultura.

Jacque Fresco – Engenheiro Social – Idealizador do Projeto Zeitgeist

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PARTE-4 – ASCENSÃO

ASCENSÃO

ERRO NO SISTEMA

BACKUP INICIADO…

RESTAURADO

Eu já falei sobre esse tipo de coisa com pessoas em reuniões de pensadores do tipo “Clube de Roma” e por aí afora…

Elas dizem: “Marxista!”.

Quê? Marxista?

De onde tirou isso?

Eles simplesmente têm esse ícone ao qual se agarram.

É o Santo Graal deles.

E é tão cômodo, sabe…

Me perguntam se sou socialista, comunista ou capitalista.

Eu digo que não sou nada disso. Por que vocês acham que essas são as únicas opções?

Todas essas estruturas políticas foram criadas por escritores que supunham que nós vivemos num planeta de recursos infinitos.

Nenhuma dessas filosofias políticas sequer consideram a possibilidade de faltar algo.

Acredito que comunismo, socialismo, livre mercado, fascismo… Sejam todas partes de uma evolução social.

Você não pode dar um passo gigante de uma cultura para outra, existem sistemas intermediários.

Antes de existir qualquer “ismo”, há uma base da vida e a base da vida, como acabo de descrever, simplesmente são as condições necessárias para você tomar o próximo fôlego e isso envolve o ar que você respira, a água que bebe, sua segurança, o acesso à educação…

Todas essas coisas que compartilhamos e usamos e que nenhuma vida, em qualquer cultura, poderia viver sem.

Portanto, temos de retornar à base da vida e a base da vida não é mais nenhum “ismo”.

É uma “análise do valor da vida”.

Jacque Fresco e Convidados – Engenheiro Social – Idealizador do Projeto Zeitgeist

COMPORTAMENTO INACEITÁVEL

É simplesmente uma questão de fato histórico que a cultura intelectual dominante de qualquer sociedade particular reflete os interesses do grupo dominante naquela sociedade.

Em uma sociedade escravocrata as crenças sobre seres humanos, direitos humanos, etc… Vão refletir as necessidades dos proprietários de escravos.

Numa sociedade, novamente, que é baseada no poder de certas pessoas para controlar o lucro das vidas e do trabalho de milhões de outras pessoas, a cultura intelectual dominante vai refletir as necessidades do grupo dominante.

Portanto, se olhar de uma forma abrangente, as ideias que penetram a Psicologia, Sociologia, História, Economia Política, e Ciência Política fundamentalmente refletem certos interesses da elite.

E os acadêmicos que questionam muito tendem a ficar de lado ou são vistos como “radicais”.

Dr Gabor Mate – Physician, Author Portland Society

Os valores dominantes de uma cultura tendem a suportar e perpetuar o que é recompensado por essa cultura.

E numa sociedade em que sucesso e status são medidos por riqueza material, e não por contribuição social, é fácil enxergar porque o mundo é como é hoje.

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Lidamos com um Distúrbio no Sistema de Valores completamente antinatural, em que a prioridade da saúde pessoal e social tornou-se secundária às noções prejudiciais da riqueza artificial e crescimento ilimitado.

E, como um vírus, esse distúrbio agora permeia cada faceta do Governo, como as notícias, o entretenimento e até mesmo o meio acadêmico.

E embutidos em sua estrutura existem mecanismos de proteção contra qualquer coisa que possa interferir.

Adeptos da religião mercantil-monetària, os guardiões voluntários do “status quo” procuram sempre meios de evitar qualquer forma de pensamento que possa interferir em suas crenças.

O artifício mais comum é a falsa dicotomia. Se você não é republicano, então deve ser democrata.

Se não é cristão, deve ser satanista.

E se você acha que a sociedade pode melhorar muito e considerar talvez… Até, sei lá… Cuidar de todo mundo, então você é apenas um utopista.

E o pior de todos…

Se você não é a favor do livre mercado só pode ser contra a liberdade.

Eu acredito na liberdade

Toda vez que você ouvir a palavra “liberdade” ser dita em qualquer lugar, ou “intervenção do Governo”. Em qualquer lugar, pode traduzir como: “Bloquear a maximização da transformação do dinheiro em mais dinheiro para os detentores de capital privado”.

É isso. Qualquer outra coisa eles dirão: “Precisamos de mais mercadorias para as pessoas”… “É a liberdade contra a tirania”, etc…

Sempre que ouvir isso, podemos decifrar dessa maneira.

E você encontrará uma correlação de um para um toda vez que usarem isso.

De certo modo, podemos chamar isso de… Uma sintaxe. Uma sintaxe dominante da compreensão e do valor.

Ela impera pelo desconhecimento de sua existência por parte deles de modo que talvez digam: “Não foi isso que eu quis dizer!”.

Mas, de fato, é isso o que eles fazem.

Assim como você pode usar uma gramática e há regras gramaticais que você segue sem reconhecer quais são essas regras…

O que temos é o que chamo de “sintaxe dos valores dominantes” que causam isso. Portanto, toda vez que usarem as palavras “intervenção do Governo”, “falta de liberdade”, “liberdade”, “progresso” ou “desenvolvimento”. Você pode decifrar todas para este significado.

Dr. John McMurtry – Professor Emeritus Universty of Guelph

Claro, quando você ouve a palavra “liberdade” tende a ser na mesma frase de uma coisa chamada “democracia”.

É fascinante como as pessoas de hoje parecem acreditar que elas verdadeiramente têm qualquer influência no que seus Governos fazem, esquecendo que a natureza do nosso sistema põe tudo a venda.

O único voto que conta é o monetário… E não importa o quanto qualquer ativista grite sobre ética e responsabilidade.

Num sistema de mercado, cada político, cada legislação… E, portanto, cada Governo, está a venda.

E mesmo com o resgate bancário de 20 trilhões de dólares iniciado em 2007, uma quantidade de dinheiro que poderia ter mudado, digamos, a infraestrutura energética global para métodos completamente renováveis… Em vez de ir para uma série de instituições que literalmente não ajudam a sociedade em nada.

Instituições que poderiam ser aniquiladas amanhã sem chances de defesa…

O condicionamento cego de que a Política e os políticos existem para o bem-estar público continua.

O fato é que a Política é um negócio…

Igual a qualquer outro num sistema de mercado.

E eles se preocupam primeiramente com seus próprios interesses.

Sinceramente, não acredito na ação política.

Acho que o sistema se contrai e expande como ele bem deseja.

Ele se adapta a essas mudanças.

Vejo o movimento de direitos civis como uma acomodação por parte daqueles que são “donos” do país.

Eles só enxergam os próprios interesses.

Percebem que um pouco de liberdade parece bom, uma ilusão de liberdade, e dão às

pessoas 1 dia de voto por ano, para que tenham a ilusão de uma escolha sem sentido.

“Escolha sem sentido”. E lá vamos nós, como escravos, e dizemos: “Oh, eu votei”. Os limites do debate neste país foram estabelecidos antes mesmo de começar o debate… E todos os outros são marginalizados e tratados como comunistas ou algum tipo de pessoa desleal, um “maluco”, esta é a palavra…

E agora isto é “conspiração”. Note que “eles” fizeram isso.

Algo que não deveria ser levado em consideração nem por 1 minuto: “Que pessoas poderosas podem se unir e traçar um plano?!”

“Isto não acontece! Você é maluco”! Um “amante de conspirações”!

E de todos os mecanismos de defesa deste sistema, existem 2 que surgem frequentemente.

O primeiro é a ideia de que o sistema tem sido a “causa” do progresso material que vemos neste planeta.

Bem… Não.

Existem basicamente 2 causas principais que criaram e aumentaram a chamada “riqueza” e o crescimento populacional que vemos hoje.

A 1ª: O avanço exponencial da tecnologia produtiva, graças à engenhosidade científica.

2ª: A descoberta de uma fonte energética abundante de hidrocarbonetos que é a base atual de todo o sistema socioeconômico.

O livre mercado, capitalismo, sistema mercantil-monetário, seja lá como você chamar, nada fez senão aproveitar a onda desses adventos com um sistema distorcido e um método grosseiro e desigual de utilização e distribuição destes frutos.

A segunda defesa é um viés social agressivo gerado por anos de propaganda, que vê qualquer outro sistema social como uma rota para a chamada “tirania”, em que vários nomes surgem como Stalin, Mao, Hitler…

E o número de mortes que eles geraram.

Por mais despóticos que esses homens tenham sido, junto com a abordagem social que perpetuaram, quando o assunto é o jogo da morte, quando o assunto é o assassinato diário, sistemático e em massa de seres humanos, nada na história se compara ao que temos hoje.

Fome… durante todo o último século de nossa história ela não foi causada pela falta de comida.

Ela foi causada pela pobreza relativa.

Os recursos econômicos foram tão desigualmente distribuídos que os pobres simplesmente

lnão tinham dinheiro suficiente para comprar a comida que estaria disponível se eles pudessem pagar por ela.

Isso poderia ser um exemplo de violência estrutural.

Outro exemplo: Na África e em outras áreas, mas me focarei particularmente na África, dezenas de milhões de pessoas estão morrendo pela AIDS.

Por que eles estão morrendo?

Não é porque não sabemos como tratar a AIDs.

Nós temos milhões de pessoas em países ricos se mantendo incrivelmente saudáveis porque

eles têm medicamentos para tratar isso.

As pessoas na África, morrendo pela AIDs, não estão morrendo por causa do vírus HIV…

Estão morrendo porque eles não têm dinheiro para pagar pelos remédios que poderiam mantê-los vivos.

Gandhi percebeu isso. Ele disse: “A mais mortal forma de violência é a pobreza”.

E isso é absolutamente certo.

Pobreza mata mais pessoas do que todas as guerras na história.

Mais pessoas do que todos assassinatos na história.

Mais do que todos os suicídios na história…

A violência estrutural não apenas mata mais pessoas do que toda violência comportamental somada…

A violência estrutural é também a maior causa da violência comportamental.

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